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jugular

Fascinante

 

209 dias depois da aprovação do programa de governo há uma jornalista que na RTP3 diz que "não foi bem porque houve eleições" que temos o atual governo em funções (imagens de dia 12 de julho, no 360º)

Qual "raça", qual sangue...

Não me lembro - eheh porque nunca existiu - um fim de semana assim no desporto português. Começou sábado com a vitória nos 1500m nos europeus júniores de natação, e depois ontem foi o que se viu, 3 medalhas de ouro (contando com a vitória por equipas das maratonistas portuguesas) e duas de bronze no atletismo e o campeonato da europa de futebol. Olha-se para a cores de pele e para os nomes (vide Tamila Holub e Tsanko Arnaudov) e estes dois dias acabam por ser um hino à diversidade... and I love it

que se foda: ganhámos

é muito estranho para mim, geralmente tão indiferente ao futebol e tão esforçadamente resistente ao nacionalismo, o que senti ontem quando chorei ao ver ronaldo chorar e quando voltei a chorar com o golo de éder.

 

tento racionalizar isto invocando a arrogância francesa e a necessidade de redenção de um país pequeno e tantas vezes humilhado, das porteiras e dos bidonvilles e dos trolhas contra resgates e schauble e ultimatos, mas sei que é uma coisa tribal, que não há nenhuma fundamentação ética ou filosófica que explique isto, que é mesmo esta coisa da bandeira, da nacionalidade, da tribo, da pátria. que se compraz e comove com uma selecção feita de tantas origens, que não contém as lágrimas ante a alegria de dili, num reencontro celebratório com a ideia nunca verdadeiramente abandonada do mundo portuguez, de uma identidade global espalhada pelos continentes, de uma fraternidade que resistiu às conquistas sangrentas, aos massacres, aos saques, ao esclavagismo, ao racismo, a toda a brutalidade e estupidez e abandono e que se afirma assim, nestas lágrimas, nos cortejos de buzinas e bandeiras (e como é feia a nossa bandeira, céus) do outro lado do mundo. como se a nossa história comum fosse apenas a língua e bons sentimentos, como se fosse apenas amor.

 

odeio isto, este sentimentalismo, esta comoção bacoca. odeio. e no entanto, porra. foi tão bom, sabe tão bem. e são tão lindos, os nossos meninos. que se foda a racionalidade, que se foda o pensamento crítico, que se foda o cepticismo, e o cinismo, e a ironia. ganhámos. e precisávamos tanto.

 

(mas, atenção, marcelo -- que tens tanta sorte, caramba, como todos os malucos -- tens de condecorar também as nossas campeãs do atletismo, e devias fazê-lo ao mesmo tempo e no mesmo momento, que estou bacoca mas não estou louca)

cristiano ronaldo, o micro da cmtv e nós

não me choca nada o que cristiano ronaldo fez. e porquê? explico.

primeiro, ele não agrediu ninguém. agarrou no símbolo daquela organização criminosa e mandou-o ao rio/lago whatever. o tipo da cmtv não fez nada de especialmente agressivo? é verdade. limitou-se a fazer uma pergunta anódina, por aí não haveria motivo para aquela reacção. e até pode ser óptima pessoa e -- porque os há decerto naquele antro -- jornalista, e bom. mas trabalha para aquela empresa energúmena. e o cristiano ronaldo, como qualquer outra pessoa sistematicamente atacada por aquela cloaca, não tem de saber quem é aquele indivíduo. só tem de conhecer o logo no micro.

há outras formas de lidar com os ataques do cm? deve-se recorrer aos tribunais? sim, sim, claro. mas boa sorte com isso. sendo certo que a organização em causa, e muita gente com ela, reputa o recurso aos tribunais de acto de censura, de mordaça, e de pressão -- um acto inadmissível de violência, em suma. e ai do juiz que dê razão a quem recorre aos tribunais, que o cm lhe fará a folha. pelo que, hoje em dia, haver juízes que dêem razão a alguém contra o cm é altamente improvável. e de caminho quem foi enxovalhado gastou dinheiro em advogado e custas e ainda tem de pagar as do cm (se não sabem, ficam a saber).

fazer isto a um 'jornalista' do cm é 'abrir 1 porta', e a seguir pode-se fazer a outros? news flash: muito pior que isto já sucedeu a jornalistas em portugal, nomeadamente na madeira, e nunca vi grande reacção. mas o essencial que há para dizer sobre essa perspectiva nem é isso; é que somos nós, os jornalistas, que temos a responsabilidade por alguém nos confundir com o cm. somos nós, os jornalistas, que com o nosso silêncio e a ausência de exigência de auto-regulação deixámos que isso sucedesse, pelo que se nos começarem a tratar a todos como se fizéssemos parte da mesma escumalha não nos podemos queixar. deixámos o cm ganhar a guerra; somos terreno conquistado por falta de comparência na batalha. culpa nossa, exclusivamente nossa.

tudo isto conduz a uma conclusão: na ausência de demarcação da classe jornalística, na ausência de reacção do estado de direito, o que resta a quem é perseguido, vilipendiado, invadido, difamado? a santidade? a fuga? o suicídio?

eu prefiro a luta. o cristiano ronaldo também. e, atendendo às circunstâncias, acho que o que ele fez não só é plenamente justificado como teve imensa classe. foi um acto de um simbolismo que não tenho pejo em considerar belíssimo. o logo do cm foi para o seu habitat natural: o lodo.

foi assim que a cidade nos deixou, neste caso: sós contra o mal. cada um por si.

O outro não gostava de ser sequestrado e eu não gosto de demagogias, "chateia-me, pá"*

João Décio Ferreira desenvolveu um trabalho notável enquanto cirurgião plástico e é mais do que merecida a medalha com que foi agraciado pela Sociedade Alemã de Sexologia Clínica, que «atribui a distinção ao "trabalho de uma vida" do médico português devido à sua contribuição "quer a nível de investigação, quer a nível de ensino, para melhorar o conhecimento sexológico e tornar as vidas sexuais mais humanas"».

 

Já a história dos "seis euros à hora" irrita-me tanto hoje como em 2011, por isso repito o que escrevi na altura:

1. O cirurgião plástico João Décio Ferreira não saiu agora do SNS, saiu em 2009, quando se reformou.


2. Depois de reformado foi contratado pelo SNS através de uma empresa de prestação de serviços.

 

3. Em Junho de 2010 é aprovado em Conselho de Ministros o regime especial para a contratação de médicos reformados que prevê a possibilidade de contratação destes médicos pelo SNS por um período de três anos, ficando a receber a reforma por inteiro e um terço do ordenado ou o ordenado por inteiro e um terço de reforma - situação de excepção em relação aos restantes trabalhadores do estados (será preciso lembrar que os trabalhadores do estado não podem, desde Janeiro, acumular reformas e salários?), determinada não pelos lindos olhos dos médicos mas pelas necessidades do sistema.


4. Com as novas regras, se tivesse aceitado e partindo do princípio que Décio Ferreira optava pela primeira hipótese,  receberia a reforma mais um terço do ordenado - caso se tenha reformado como assistente hospitalar, a trabalhar 35h/semanas receberia 2.858,18 euros:3=953euros/mês, cujos divididos pelas 140 horas mensais dariam os referidos 6.81 euros/h, que bem poderiam ter sido explicados (aliás acho bem curioso que até hoje ninguém tenha ficado escandalizado com os 20,43euros/h que um médico assistente hospitalar em exercício ganha no SNS e tantas vezes já tenha ouvido referência aos "fantásticos" ordenados dos médicos hospitalares, mas isto é só um aparte).

5. Décio Ferreira não aceitou a proposta, é um direito que lhe assiste, ponto. Está deste modo explicada a sua ida embora por não renovação contratual (a sua saída do SNS  já tinha ficado explicada pela reforma e aconteceu, recordo, em 2009). Eu percebi isto sem ser preciso a Ministra explicar-me.
 
*

O mistério dos 2.000 desvendado

Contaram-me, eu não vi porque estava a torrar na Avenida, que no Público se noticiava a manifestação de ontem referindo que tinham estado 2000 pessoas. Ao ler o jornal de hoje descobri a chave do mistério, a autora do texto devia estar a falar de outra coisa qualquer, quiçá mesmo de um acontecimento na twilight zone que só ela presenciou. Ora vejamos

 

pub.png

 

Li isto e comecei a duvidar do meu discernimento, é que não me lembrava nada de ter visto nem Jerónimo de Sousa nem Catarina Martins em qualquer um dos dois palcos (no Marquês e no Rossio).  Até perguntei a várias pessoas se estava doida (o sol na moleirinha podia ter-me feito mal ou assim). Resolvi fazer o óbvio, ir procurar registos fotográficos dos palcos (encontrei estes na página de FB do SPGL) e, olhem, bem procurei os wallys e népias. A Catarina Martins é pequenina, ainda podia dar-se o caso de estar tapada por alguém, mas Jerónimo de Sousa tem um tamanho normalíssimo e os palcos não estavam propriamente muito cheios. 

 

palcos.png

 

 

 

 

Relatório Primavera 2016

Foi na terça-feira apresentado ao público o Relatório Primavera 2016, um documento do Observatório Português dos Sistemas de Saúde (OPSS).

 

Focalizando-me nos aspetos relativos à Saúde Mental, e porque o meu amigo Àlvaro de Carvalho - diretor do Programa Nacional para a Saúde Mental - colocou algumas questões durante a sessão de apresentação, gostava de deixar claro dois aspetos.

 

Ao contrário do que foi amplamente referido pela comunicação social, o Relatório não diz que "o suicidio aumentou" porque seria uma conclusão errada e impossível de ser retirada com honestidade. Está, aliás, explicitamente escrito no Relatório que "O Sistema de Informação de Certificados de Óbito (SICO), generalizado em Portugal a partir de 2014, visava, entre outros aspetos, diminuir esta situação [da subnotificação] e melhorar a fiabilidade dos registos e, por essa via, permitir uma leitura mais próxima da realidade. Esta alteração de registos dificulta e desaconselha uma leitura comparativa entre os anos anteriores e o ano de 2014." (sublinhados meus).

 

Um segundo ponto diz respeito à sugestão deixada no Relatório no sentido da legislação nacional relativa à Saúde Mental ser melhorada, eventualmente entendido como uma desvalorização do que existe e que foi reconhecido, por exemplo, pela OMS (cf Joint Action on Mental Health and Wellbeing). É inquestionável que temos um bom Plano Nacional de Saúde Mental, "esticado", e bem, até 2020. É também verdade que a legislação existente nesta matéria tem boa qualidade. Dito isto, não deixa de ser verdade que algumas melhorias seriam bem vindas e importantes, nomeadamente no que diz respeito (1) ao modo de financiamento dos serviços de Saúde Mental, (2) à gestão dos recursos neste área, (3) à revisão da lei de Saúde Mental e (4) à revogação de algum articulado, em particular o Despacho 8320-B/2015, de 29 de Julho - sobre o qual já emiti opinião

 

Fica o esclarecimento público, desde logo porque a equipa que tive a honra de integrar o merece e porque, em relação às sugestões de melhoria legislativa, são coincidentes com os anseios da coordenação do PNSM, como já várias vezes tive oportunidade de ouvir.

putas e santinhos

A história foi-me contada por um velho amigo, há já algum tempo. Um certo senhor chinês emitiu, em contexto social (melhor dizendo, institucional), a sua opinião acerca de Portugal e as diferenças com o seu país natal; mais especificamente, o facto de os portugueses gostarem muito de santinhos. Afirmou, portanto, que “em Portugal, muitos santos, santos, muitos. Na China, não há santos. Na China, só putas”. Perante o súbito silêncio de quem o ouvia, e percebendo que havia ali um mal-entendido, achou por bem repetir que “na China não há santos, só putas”. E como a cara de espanto dos convivas se acentuava, desenvolveu: “Putas, putas, muitas putas. Na China, só putas, não santos”. E fechou os olhos em pose estática, para se fazer compreender melhor. Embaraço geral. Subitamente, alguém mais sensível às diferenças fonéticas entre as línguas percebeu que o senhor queria dizer “budas”. Sim, na China há muitos budas, só budas, não há santos, é um facto.

Isto ocorreu há uns anos. Se fosse hoje, se fosse no domingo passado, o senhor chinês teria provavelmente menos dificuldade em fazer-se entender, porque talvez alguém que o estivesse a ouvir achasse que Portugal também está cheio disso. Até um primeiro-ministro assim, imaginem. Nem buda, nem santo, porém: puta mesmo. Foi isso que os amarelinhos dos colégios, como se viu por alguns dos cartazes que empunharam, queriam chamar a António Costa, mas não o fizeram porque é uma palavra feia e aquela gente, ninguém duvida, é muito respeitadora; sobretudo dos seus privilégios, do sagrado direito à “liberdade de escolha” e de colocarem os filhos em colégios particulares à conta do erário público, mas acredito que também da autoridade e dos preceitos da Santa Madre Igreja, sim, respeitadores de tudo isso. Obviamente, também de linguagem adequada. Nada de asneirices. “Fulano, és uma puta” sairia da boca de um qualquer esquerdalho ou comuna, nunca de gente bem educada como esta. Na verdade, seria uma falácia (“Passos – ou Portas –, és um cabrão” seria bem mais verosímil, como há anos gritavam os estudantes espanhóis, “Maravall, cabrón, viene al balcón!”), mas isso não importa agora.

 

 

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