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"Ó Anibal tens cá disto?" | (faltam 7 dias para os 40 anos do 25 de Abril)

por Ana Vidigal, em 18.04.14

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Barrosices

por Shyznogud, em 18.04.14

 

Ainda no Expresso de hoje há outra barrosice que merece destaque, o diretor do Camões responde ao "ensino de excelência" numa pequena entrevista.

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& now, for something completely different (assim também eu era canibal)

por f., em 18.04.14

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Faz-de-conta "de la Mar"

por Paulo Pinto, em 18.04.14

Façamos um exercício de imaginação. Há séculos, no auge da sua pujança económica, a cidade de Guimarães foi tomada por uma armada asiática. O Condado Portucalense soçobrou perante o poderio dos aguerridos malaios, feitos novos senhores dos mares ocidentais, que por cá andaram durante várias décadas. Os malaios, todavia, foram apenas os primeiros; depois deles vieram turcos e chineses que disputaram entre si, durante séculos, o domínio sobre a Península Ibérica. Portugal e Espanha são formações políticas recentes, o resultado da descolonização ocorrida há pouco mais de meio século. Não existe português nem castelhano, mas sim uma língua ibérica comum, oficial em ambos os países, afora línguas e dialetos locais. Por cá, chama-se "lingua de Portugal"; ali, "lingua de España".

O navio do capitão malaio que inaugurou a "era colonial" asiática, carregado com o espólio do saque de Guimarães, naufragou algures na costa algarvia, na viagem de regresso à Ásia. Ao longo dos tempos, cresceu a lenda em torno do magnífico tesouro português, perdido em parte incerta, e há décadas que portugueses e espanhóis o procuram. Nem uns nem outros conhecem contudo os detalhes das crónicas malaias que mencionam o assunto. Se o fizessem, o ardor da caça ao tesouro esmoreceria substancialmente. Não importa. Trata-se, no essencial, de uma questão de brio nacional, de orgulho identitário, de redenção da História. Afinal, Guimarães é o berço incontestado da nacionalidade portuguesa e da cultura ibérica. Por cá, o conquistador malaio é visto como um predador que interrompeu uma Idade de Ouro e que inaugurou meio milénio de colonialismo asiático. Do outro lado do mundo, é um herói que construiu um império, hoje desaparecido.

Imaginemos, então, que uma empresa de exploração subaquática informa ter descoberto o local do afundamento do navio, algures junto à costa do País Basco. De imediato, um ministro português declara que são apenas rumores mas, a serem verdadeiros, Portugal não deixará de fazer valer os seus direitos, por ser evidente que o navio transportava o tesouro que fora roubado ao Condado Portucalense.

A notícia corre mundo. Na Malásia, o assunto suscita algum entusiasmo em torno da provável descoberta do navio do grande governador malaio e do respetivo tesouro. A imprensa malaia reproduz, sem crítica nem confirmação, a informação das agências internacionais, a partir de uma notícia de um jornal português. Nem portugueses (que não conhecem as crónicas malaias) nem malaios (que não sabem bem onde fica Portugal) parecem aperceber-se de que o País Basco fica na direção oposta à rota que o famoso navio tomou e dista muitos quilómetros da região do naufrágio. Em todo o caso, o que impera é a excitação em torno dos exageradíssimos cálculos que circulam na internet em torno do riquíssimo tesouro. A imaginação inflamada sempre ganhou vantagem à leitura ponderada de fontes históricas. O tesouro nunca existiu, provavelmente, e o que repousa hoje algures nas águas algarvias revelar-se-á uma enorme deceção no dia em que for finalmente achado.

Tome o leitor as notícias recentes sobre mais um anúncio de uma alegada descoberta da Flor de la Mar, a nau de Afonso de Albuquerque que naufragou junto à costa de Samatra, carregada com o espólio da conquista de Malaca, em 1512. Inverta os papéis entre malaios e portugueses e terá um cenário aproximado do que se passou e do que está realmente em causa nesta história.

(publicado ontem no DN)

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palavra de ordem

por f., em 17.04.14

 

em nome do povo, nós, o povo.

 

a ordem das coisas, como em clero, nobreza, povo, ou em burguesia e povo, ou povo e rei, povo e governo.

 

uma palavra que diz ‘sou do povo’ como quem diz ‘não sei nada nem de nada, não sou ninguém’. uma palavra que manda mandar: ‘o povo é soberano’; ‘a decisão é do povo’.

 

uma palavra que reclama poder: ‘em nome do povo’. Uma palavra que deseja império e se faz discurso: ‘o povo unido/jamais será vencido’.

 

uma palavra ordenada – que aceita ordens, que acata um destino, uma natureza, uma função. Que legitima – usos, tradições, regimes, imobilismos, repressões e revoluções.  

 

uma palavra vazia e sobrepovoada, com espaço para todas as projecções. uma palavra menorizadora, apoucante, insultuosa: povaréu, poviléu, povinho, como turba, gentinha, desmunidos, ignaros. uma palavra datada, abusada em manifestos e cabeçalhos, em nacionalismos, autoritarismos, guerras e chacinas.

 

uma palavra com inclinação: sempre dita de cima ou de baixo, tem o travo de uma estratificação implícita, não inclusiva, condescendente. sempre uma oposição qualquer, sempre qualquer coisa de fora, sempre uma fronteira – o povo de deus, o povo alemão, o povo russo, o povo francês, os povos africanos, os povos do oriente (não se diz ‘o povo do mundo’ ou ‘o povo humano’: soa mal).

 

uma palavra paisagem – rostos e corpos, uma certa sujidade, uma condição, trabalho, esforço, força, esperança, resignação. Uma palavra irónica, como em ‘bom povo português’, fantasma da sua generosidade. uma palavra de fora, épica, política, utilitária, prisioneira de significados, sem o radical estremecimento de uma pertença: usa-se, não se é. uma palavra amarrada ao colectivo, à vozearia das massas em marcha, ao esmagamento do eu – e por isso avessa à liberdade, à radical afirmação da vontade e do ser.

 

uma palavra que funda a ideia de democracia -- do povo, pelo povo e para o povo – mas justa e lentamente substituída pela noção de cidadania, que lhe despede as ressonâncias totalitárias e étnicas e conforma a adequada relação entre eu e os outros e o poder que partilhamos.

 

uma palavra exterior e histriónica, grosseira e básica.

 

excepto quando, na exactidão visceral de uma voz, se faz perfeita: ‘povo povo eu te pertenço/deste-me alturas de incenso/mas a tua vida não’. 

 

(publicado em 'o que é o povo?', coordenação josé manuel dos santos, livro publcado no âmbito da exposição povo-people, fundação edp, junho 2010)

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Do JOÃO CÓIAS!!!!! (eu só sou a mensageira)

por Ana Vidigal, em 17.04.14

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Puta que pariu!

por Ana Matos Pires, em 17.04.14

Quatro mulheres da mesma família alvejadas pelo ex de uma delas, duas já morreram.

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OLD SCHOOL #31 ANDRÉ GODINHO “Plano 8” 19 de Abril de 2014, às 22h* na Escola das Gaivotas (DNA

por Ana Vidigal, em 17.04.14

O

OLD SCHOOL #31 ANDRÉ GODINHO from Susana Pomba on Vimeo.

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A não perder! ( em especial para quem nasceu depois de 1974!)

por Ana Vidigal, em 17.04.14

 

mais informação aqui

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Ana Tecedeiro | Joana Astolfi I @bloco 103 - 23 Abril | 19.30

por Ana Vidigal, em 17.04.14

 

 

 

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Educação em Portugal, essa tragéééédia da democracia

por Shyznogud, em 16.04.14

 

Na Visão de hoje faz-se a comparação 1974/2014. Entre outros campos cotejam-se números na educação. 40 anos de democracia e a diferença é avassaladora, é mesmo outro mundo.

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Ainda o RSI

por Shyznogud, em 15.04.14

 

É importante notar, coisa que muitos parecem querer esquecer, que uma avaliação do Banco Mundial em 2010 considerou que prestações de exclusão social em Portugal são (eram?)  muitíssimo eficazes em comparação com as de outros países europeus com políticas semelhantes.

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À atenção do DN

por Shyznogud, em 15.04.14

 

 

É de saudar que um jornal dedique tanto espaço a uma investigação sobre os "Custos do Estado Social" como o DN tem feito. O que já não me parece nada de aplaudir é haver erros básicos em alguns dos textos que têm vindo a ser publicados. No primeiro dia dizia-se, por exemplo, que os subsídios de férias e natal tinham-se tornado universais em 1975 quando tal não é verdade. Foi com o primeiro governo de Guterres que isso aconteceu (vide DL 88/96). Podia ter escrito este post logo no domingo mas resolvi dar o desconto dada a pertinência, repito, do trabalho... mas hoje saltou-me a tampa.

Se consigo (não consigo mas pronto) desculpar erros em temas menos afastados da atualidade noticiosa, já me parece inadmissível um tão clamoroso como o que vêem na imagem (página 2 do DN de hoje). Quem fez o trabalho desconhece a existência do Decreto-lei 70/2010? Mais, nem se dá ao trabalho de ver o que tem sido publicado no próprio jornal sobre o tema? Bastaria, por exemplo, que tivessem lido esta notícia recente, assinada pelo Miguel Marujo, para não escreverem tanto disparate num só parágrafo. 

 

 

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Yeeeeeeeees!

por Ana Matos Pires, em 14.04.14

5 anos estava assim e agora, por maioria de razão, estou ainda mais contente.

O Pedro já é psiquiatra, que orgulho. Um grande beijo, puto

 

(em breve será o Lucas)

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Falta só uma semana! 22 e 23 de Abril, Fundação C. Gulbenkian

por Irene Pimentel, em 14.04.14

PARA TODA A INFORMAÇÂO CARREGUE NA IMAGEM

ENTRADA LIVRE

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Um final necessariamente infeliz

por João Galamba, em 14.04.14
Não há melhor exemplo da euforia irracional que se apoderou dos mercados da dívida do que ver um país que, quer em termos de PIB, quer em termos de desemprego, quer em termos de investimento está numa depressão económica, que tem um rácio da dívida pública em percentagem do PIB próximo dos 180% e que está em deflação fazer uma emissão de dívida pública no mercado primário com juros inferiores ao que tinha antes do início da chamada crise das dívidas soberanas e com uma procura quase sete vezes superior à oferta. Falo, como é evidente, da Grécia, que celebrou este estrondoso sucesso no mesmo dia em que via uma bomba explodir nas ruas da sua capital. Nem Fellini se lembraria de tamanha farsa.

A Grécia é um excelente exemplo de como o que se tem passado nos mercados da dívida pública é uma típica bolha especulativa que não tem qualquer relação com os chamados fundamentais da realidade económica do país e que, mais cedo ou mais tarde, vai rebentar, porque é insustentável. A Grécia, para todos os efeitos, é um país falido, com uma economia devastada, com um tecido social à beira da rutura (se é que não passou já desse ponto) e que nunca poderá pagar o que deve sem uma radical inversão de política. Se é assim, como explicar a queda vertiginosa dos juros da sua dívida pública?

Os juros descem na Grécia, descem em Portugal, descem em Espanha e descem em todos os periféricos. E descem tanto mais quanto mais altos estavam antes de toda esta euforia começar. Como mostrou o economista Paul de Grauwe, depois da garantia de Draghi de que o BCE faria tudo o que fosse necessário para evitar o desmembramento do euro, o que melhor explica a descida dos juros é o nível inicial desses mesmos juros: quanto mais alto era o nível, maior é a queda. E descem porque, fruto das políticas expansionistas dos bancos centrais, há um excesso de liquidez nos mercados, que, por não haver oportunidades de investimento real, tem forçosamente de ser investido no que resta, que são os ativos financeiros. Se juntarmos a isto a saída de capitais dos mercados emergentes, as baixíssimas taxas de rentabilidade disponíveis, torna-se mais fácil entender por que razão há tanta procura pela dívida pública dos países da chamada periferia: é o que permite garantir alguma rentabilidade num mundo financeiro que não pode existir sem essa rentabilidade. Num certo sentido, e independentemente da sua sustentabilidade, o investimento na dívida de todos estes países é feito por necessidade, não por escolha.

Esta situação é o resultado inevitável da estratégia que consistiu em mobilizar todos os recursos públicos para inflacionar o preço dos ativos financeiros sem cuidar de reabilitar a realidade económica que lhe subjaz. Inundar o sector financeiro de liquidez ao mesmo tempo que se destrói a economia e a procura com políticas de austeridade tinha de resultar na criação de dois mundos, um mundo financeiro cheio de dinheiro para aplicar, outro com uma economia onde não vale a pena investir. Perante isto, o setor financeiro vê-se forçado a investir em si próprio e nos ativos que estão disponíveis. A bolha é, pois, o resultado racional de uma estratégia que é, em si mesma, irracional e que, mais cedo ou mais tarde, vai rebentar. Podemos adiar o confronto com a realidade, mas ele, em algum momento, terá de chegar: países com mais dívida e menos capacidade de a pagar não podem garantir um final feliz para esta história.

(Artigo publicado no Económico desta semana)

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Voltar a 27 de março é muito instrutivo (olhós recortes fresquinhos)

por Shyznogud, em 13.04.14

Lembremos o que diziam os vários jornais logo pela manhã do dia 27 de março. Por exemplo, no Público lia-se isto

 

 

 

A meio do dia ouvia-se Marques Guedes, muito indignado, acusar a imprensa de manipulação e Passos Coelho, chamado a comentar as notícias do dia, falava em especulação. Socorro-me de novo do Público, de novo a 27 de matço, mas no princípio da tarde 

 

 

Entretanto, no dia seguinte, Paulo Portas dizia o seguinte:

 

 

 

 

Não vale a pena voltar ao triste espetáculo da fonte anónima -  que era o secretário de estado Leite  Martins - , mas vale a pena andar um pouco para trás, ir até 19 de março, na direção de um documento da Comissão Europeia divulgado hoje (que encerra a 11ª avaliação da troika). Ora no tal documento lê-se (página 9):

 

 

Cute, hein?

 

 

 

 

 

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Deixar de cortar reduz os riscos de doenças sociais mortais

por Paulo Pinto, em 12.04.14
 

 

 

 

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...

por Shyznogud, em 12.04.14

 

 

E mais não digo para não parecer uma carroceira (clicar na imagem)

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A sugestão é da Mariana mas assino por baixo

por Shyznogud, em 12.04.14

Leia-se a crónica de hoje do Pedro Adão e Silva acompanhada por esta notícia.

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