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jugular

Que orgulho.

Patient InnovationUm orgulho duplo, na medicina nacional e na minha família - a Helena Canhão é uma das líderes do projecto, a sua Chief Medical Officer e, muito mais importante, é a minha "primairmã". Descubram e partilhem.

 

Estou desde manhã com o biscoito entalado

No Público de hoje um artigo tinha por título "A doceira que recebia o salário de Cervantes". Fui espreitar o texto e a cada referência a doçaria ou pastelaria tinha vontade de rir.

Sem rir agora, reza o bom senso que quando não se dominam os temas sobre os quais se escreve há preocupações básicas a ter para não se fazer figura de urso.  Uma breve consulta a qualquer dicionário ou enciclopedia (e há muitas opções, desde logo online) informaria o autor, e agora roubo palavras do Paulo (papinha feita dá muito jeito), «que "bizcochera" não é "doceira" nem "fabricante de biscoitos" e que "biscoito" no século XVI é um pão muito cozido e duro para aguentar viagens longas (era abastecimento comum nas armadas das Índias). A senhora fazia "biscoito" para abastecer os navios. Uma padeira, portanto. A Padeira de Sevilha.»Acrescente-se que qualquer manual escolar de história de um ano em que os descobrimentos sejam matéria curricular, mesmo do ensino básico, contém referências ao malfadado biscoito (que devia ser intragável, aposto). 

E entretanto por cá...

algo está seriamente, muito seriamente, errado com polícias que fazem isto e com o país onde isto pode suceder na mesma semana em que ferguson está a ferro e fogo

Volta não volta é a mesma merda

Parece que SIC mostrou, há pouco, a imagem que deixo abaixo. Nada de novo, relembro 2013.

 

 

De onde surgem aqueles 4.800 euros? Que "média" é aquela?

 

E se em vez de paparem tudo o que vos metem debaixo do nariz fizessem trabalho de investigação? Hoje até estava uma ajudinha de leiga por estas bandas (I e II). Mais aqui, muito arrumadinho.

 

Nota: Entretanto o Rui Lourenço, a quem agradeço, esclareceu-me sobre os "Clínicos Gerais não especialistas" - O termo “ clínicos gerais não especialistas” refere-se aos médicos que tendo iniciado a carreira entre 1982 e 1986 (a maioria), decreto-lei das carreiras médicas 310/82, tiveram apenas acesso à especialidade através de um programa de formação específica em exercício levado a cabo no final de 5 anos de exercício, fazendo um exame e adquirindo o título de especialista. Estão nesse lugar de carreira todos os médicos que não tendo efetuado a formação específica em exercício ou não tendo obtido com sucesso o título de especialista se mantém nesse lugar de carreira até à sua aposentação.

A propósito da contratação de médicos cubanos (II)

Parasito a adenda do Pedro Pita Barros: "a tabela salarial toda, tendo a vermelho os casos em que o salário recebido é superior, depois de somados os encargos sociais, ao valor de 4230 pago por médico cubano."(...) "(falta acrescentar valores de alojamento e viagem a Cuba para os médicos cubanos e perceber o âmbito de aplicação de um subsídio adicional mensal clínica geral*)".

 

*Ainda se aplicam, e como e a quem, os subsídios por número de inscritos da Portaria nº 410/2005, de 11 de Abril (subsídio adicional mensal clínica geral da tabela do SIM que o Pedro Pita Barros usou)? Se alguém me conseguir ajudar fico agradecida.

 

 

Parece-me provado que a comparação deve ser feita entre médicos cubanos e portugueses não especialistas, como aqui já disse. Ora não foi isso que fez a ACSS que, como é referido pela própria, compara o pagamento que faz pelos - e não "aos", importa referir - médicos cubanos com a remuneração de médicos portugueses especialistas "de acordo com a atual tabela de 40 horas em vigor, esta varia entre 2 746,24 euros e 5 063,38 euros, referentes ao ingresso na categoria de assistente e na última posição remuneratória da categoria mais elevada – assistente graduado sénior, respetivamente. A estes valores acrescem os encargos sociais correspondentes, em regra, 23,75%, o que totaliza, para cada um dos casos, 3 398,47 euros e 6 265,93 euros mensais. Um montante que pode ser superior quando se tratam de profissionais a exercer numa Unidade de Saúde Familiar (USF) B.".

 

Assim as coisas são substancialmente diferentes e a informação é a correcta, verdade?

A propósito da contratação de médicos cubanos

Pedro Pita Barros faz aqui uma análise que me parece importante e independente da situação. Merece-me, contudo, uma observação que não é de menor importância esta sua declaração "Como se vê, na maior parte das situações, os médicos cubanos virão receber menos do que os médicos portugueses com especialidade, e só mesmo os médicos em início de carreira terão um salário inferior (este gráfico foi construído com a informação do i para os médicos cubanos e da tabela no site do SIM adicionando os encargos sociais)." (refere-se ao gráfico que apresenta e os sublinhados são meus).

 

Em rigor, e porque os médicos cubanos contratados (e explorados, já agora) não são especialistas, a única comparação legítima é com os não especialistas portugueses. No entretanto uma pergunta e um reparo:  o que são "clínicos gerais não especialistas"? Se são os médicos internos de Medicina Geral e Familiar não se chamam "clínicos gerais", se são clínicos gerais sem especialidade (um pleonasmo) não podem estar em início de carreira.

 

Só mais um apontamento, falta, nas contas apresentadas no gráfico, o custo do alojamento e do pagamento (legítimo) das viagens de férias anuais a Cuba aos médicos cubanos.

 

Adenda: Sobre o mesmo assunto acabei de ler no Expresso, escrito pela jornalista Vera Lúcia Arreigoso - uma jornalista "de Saúde" - que «O protocolo com Cuba existe desde 2009 e "neste momento Portugal tem 18 médicos cubanos de MGF no SNS, num universo de 7651 médicos portugueses" com a mesma especialidade. O número vai agora ser reforçado com a contratação de 51 especialistas, garantindo médico de família a mais 47500 utentes.» (os sublinhados são outra vez meus).

 

Ponto 1, o Ministério da Saúde mente quando refere a existência de "18 médicos cubanos de MGF" - os médicos cubanos não são especialistas, por isso não são médicos de Medicina Geral e Familiar.

 

Ponto 2, Vera Lúcia Arreigoso não só não dá nota da aldrabice como a reforça ao escrever que existem "7651 médicos portugueses com a mesma especialidade" e que o número vai ser reforçado "com a contratação de 51 especialistas" - os médicos cubanos não são especialistas.

 

Ponto 3, não há um jornalista que levante a questão das comparações remuneratórias estarem a ser feitas de maneira enviesada, caramba!?

 

Estas coisas encanitam-me os nervos.

(de) Pendurado no estendal, perdão, Pontal

(imagem retirada da net)

 

Tenho tanta pena de termos um tipo de Massa...má. Que azar, podíamos ter um tipo de Massa...boa

 

(imagem retirada da net)

Os princípios constitucionais segundo Camilo Lourenço