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jugular

Ainda o oportunismo eleitoral não estrutural, agora em imagens

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(Fonte: SILVA, Pedro Adão*, SOUSA, Sílvia e PEREIRA, Mariana Trigo, "Maturação e convergência:a evolução da proteção social", in A Economia Portuguesa na União Europeia 1986-2010)

 

* péssimo dia para se terem estes apelidos, eheheh

Do oportunismo eleitoral - texto de Mariana Trigo Pereira

"Para o Partido Socialista o importante é aumentar o Complemento Social para Idosos (CSI)...claro que é importante! Mas é preciso lembrar o seguinte: o CSI abrange 200.000 pessoas, as pensões mínimas abrangem 1 milhão e 100 mil pessoas, ponto 1."

 

"Por outro lado, é preciso lembrar que as pensões mínimas são algo estrutural, há um sistema das pensões mínimas. E o CSI? Uma medida oportunista em termos eleitorais (...) nasceu na campanha eleitoral de 2005".

 

Deputado Adão Silva (PSD) hoje na audição parlamentar do Ministro da Solidariedade Emprego e Segurança Social

 

1) O CSI já não abrange 200.000 pessoas - basta consultar o site da segurança social para rapidamente constatar que em Agosto o universo de beneficiários era de 172.856. Por opção deliberada deste Governo o número de beneficiários tem vindo a reduzir-se e a afastar-se dos tais 200.000 de que falava hoje o deputado, em contra-ciclo com o aumento das necessidades e das carências económicas dos idosos e das suas famílias. O Vítor Junqueira explica porquê aqui;

 

2) Toda a gente sabe que oportunismo eleitoral é apoiar um universo de beneficiários mais reduzido (CSI) em detrimento de um mais vasto, por exemplo, aumentando pensões mínimas que abrangem 1 milhão e 100 mil idosos;

 

3) Só o oportunismo eleitoral é que poderá explicar que se procure focalizar recursos escassos em quem mais precisa, se avaliem as condições específicas do indivíduo (as suas várias fontes de rendimento) e do agregado em que se insere (temos pena, Senhora Ministra das Finanças,  já alguém pensou nisso antes...), seleccionando apenas os idosos em situação de maior vulnerabilidade económica; 

 

4) É, de facto, puro oportunismo apostar-se numa medida que efectivamente é eficaz na redução no combate à pobreza entre os idosos, mesmo que as estatísticas da pobreza, com o seu desfasamento temporal habitual, só venham revelar, anos mais tarde, o sucesso desta opção.

 

O OE2015 aumenta, em média, 2 euros/mês as pensões mínimas (com menos de 15 anos de descontos), sociais e rurais. Mas os oportunistas são os outros.

 

P.S. de minha autoria (shyznogud): Depois de ter visto as miseráveis e ignorantes declarações de Adão Silva na AR há bocado, perguntei à Mariana Trigo Pereira se não queria reagir a elas. Simpaticamente acedeu ao meu desafio com este texto.

 

Um monumento à ignorância

 

Fica para os anais quer da ignorância quer da falta de vergonha na cara (obrigada, David). E volto a sugerir "A grande falácia das pensões mínimas", de Mariana Trigo Pereira.

 

Adenda: "O CSI constava do programa eleitoral do PS de 2005 e foi criado em 2006. Era uma prioridade no combate à pobreza dos idosos, foi concretizada, e resultou: tx de pobreza baixou de 26.5 (2005) para 22.8 (2007) e 20.1% (2008)." João Galamba no Facebook há minutos

carta aberta a Paula Carqueja

Desculpe não a tratar por Dra., Engª. ou outro epíteto académico qualquer. Eu sou também só Pinto, Paulo Pinto. Não sou professor de carreira, apenas investigador e, para o que interessa aqui, sou autor de trabalhos académicos e já participei em muitas "jornadas" (internacionais ou não). Sabe, eu tenho consciência de que fez o que achou que lhe competia, enquanto presidente da Associação Nacional de Professores, e que ninguém a censura por isso. No fundo, a honra da associação e dos professores  que representa não pode ficar manchada pelos atos de um seu ex-presidente e ex-secretário de Estado. Mas o espírito corporativo tem limites e portanto, estivesse eu no seu lugar, lamentaria o incidente, poderia elogiar as qualidades da pessoa em causa, no desempenho da sua função, mas não seria conivente e cúmplice do plágio que cometeu, e muito menos tentaria arranjar desculpas esfarrapadas - para  não dizer algo bem menos simpático - para o efeito.

Em Portugal, o crime compensa. Ser-se espertalhaço também. Há uma cultura de desculpabilização para com quem foge ao fisco, quem passa à frente na fila, quem não cumpre o código da estrada, quem não respeita o trabalho alheio. Ninguém se rala com plágios. Uns fogachos na imprensa e ninguém se lembra disso dois dias depois. Afinal, há tanto caso por aí, todos os dias, da mais pura vigarice, embuste, logro, mentira, envolvendo política e finança, que um plágio acaba por ser um pecadilho minúsculo, insignificante e ridículo. 

A Paula assinou um comunicado onde diz que lamenta a demissão do ex-Secretário de Estado porque "a denúncia feita é um vil ataque pessoal, com fins inconfessáveis". Deduzo, portanto, que o que lhe importa é a motivação de quem denunciou, de quem soprou os documentos à imprensa. Lamenta que a verdade tenha sido descoberta, certo? Se eu amanhã matar alguém e daqui a 10 anos tiver responsabilidades governativas, a Paula não condenará o crime, mas sim a vileza de quem me denunciar para impedir que eu seja ministro. Ah um plágio não é tão grave como um assassinato? Decerto que não. Mas a ANP também não é um clube de jogadores de bisca; representa professores, os mesmos que têm que se confrontar, com crescente incidência, com a praga do plágio nos trabalhos escolares. Não haverá por aí um qualquer puto que amanhã, ao ser confrontado pelo professor com o trabalho aldrabado que entregou, lhe atire em cara que o ex-presidente da Associação Nacional de Professores fez o mesmo e recebeu louvores desta?

Plágio é batota, sabia? O ex-presidente fez batota. Fez. Os documentos divulgados pelo Público só deixam dúvidas a quem não quer ver ou a quem o quer esconder. Não insulte a minha inteligência. A nossa, a dos leitores, do público e dos professores, alegando que a acusação de plágio não tem fundamento porque "a intervenção do Dr. João Grancho, enquanto presidente da Associação Nacional de Professores, no referido evento, traduz a política pensada, à altura, para a referida temática". A "intervenção" "traduz"? Desculpe? Um participante numas jornadas que apresenta uma comunicação não é o seu autor, não responde por ela? Está lá no documento, logo na folha de rosto: Jornadas Europeas Sobre Convivencia Escolar - Murcia, 27 de Abril de 2007 - “Dimensión moral de la profession docente. un compromisso europeu” - João Henrique C. D. Grancho - Associação Nacional de Professores - Portugal. Quem quer que alguma vez tenha feito uma comunicação num colóquio, num congresso, num workshop, sabe bem que - e nisto os anglo-saxónicos são imbatíveis, com o seu «quote... end of quote» - ideias alheias, trabalho de terceiros é sempre, sempre referido. Aliás, a comunicação cita autores, obras, datas; tem até excertos transcritos, devidamente assinalados. Porque o fez nuns casos e não noutros, nos tais em que parafraseou parágrafos inteiros sem indicar a origem? Só ele o sabe, mas não o diz. O meu palpite é que achou que autores estrangeiros são para respeitar, já os portugueses, não. Ou então, alguém cozinhou-lhe aquilo  à pressa com um copy/paste, que vida de presidente da ANP deve ser atarefada e não dá para preparar e conferir minudências destas.

O ex-secretário de Estado declarou que se trata de "um mero documento de trabalho, não académico nem de autor". É falso. Um presidente da ANP não apresenta "meros documentos de trabalho" em jornadas internacionais (se o fez, é um embaraço ainda maior para a Associação); se não é académico, por que razão tem o texto bibliografia, referências, citações e aspas? Se não é "de autor", por que está identificado enquanto tal? Depois demitiu-se. A Paula e a direção que representa acharam por bem envernizar a mancha de encardido dizendo que o não é: que é arte. Fica-lhes mal. Eu só digo: não sou professor de carreira, mas se o fosse, e eventualmente, associado da ANP, garanto-lhe que já me tinha desvinculado, porque não suporto varridelas para debaixo do tapete em nome do corporativismo profissional.

Uma filha de 16 anos e uma mãe de 47

Já foram mortas este ano, que se saiba, 26 mulheres. Hoje foi uma mãe e uma filha, para já - a mais nova, de 13 anos, ficou ferida com gravidade.

antes que venham aí os campeões da amnésia

Vamos puxar pela memória, antes mesmo de as televisões começarem a fazer reportagens (com aquele indicador infalível de "recolher opiniões no meio da rua") sobre as altas temperaturas previstas para estes dias. Fenómeno? Um tempo anormal? Já não há estações? Verão tardio? Culpa do ministro? Quem se lembra de um outubro assim? Ninguém, ninguém, estou mesmo a prever, daqui a uns 3 dias, um depoimento de alguém a dizer para as câmaras algo como "nunca vi uma coisa destas". Bom. Há 7 anos, fui à praia no primeiro domingo de novembro. Nem falo de 2003. Mas não é preciso ir tão longe. Há 3 (três) anos, em 2011, o outubro foi este petisco.

Leitura muito recomendável

«Aqui há uns meses assinei a petição "Direito a saber como votam as pessoas eleitas que nos representam" que apelava à Assembleia da República para que cumprisse um requisito que deveria ser básico a qualquer câmara parlamentar: o de informar os cidadãos dos sentidos de voto dos seus membros eleitos nos diversos diplomas submetidos a voto em plenário ou em sede de comissão. Isto é, a Assembleia República deveria possibilitar que na página de cada deputado fosse possível verificar se este tinha aprovado, rejeitado ou se abstido numa determinada votação. Actualmente apenas permite verificar se esteve presente(...)» 

 

continua aqui

Phishing - aviso à navegação

Do verdadeiro e muito bem elaborado. Dantes, eram emails escritos em português manhoso, sem imagens. Depois, a coisa aperfeiçoou-se. Já há uns meses recebi, por duas vezes, um email alegadamente da EDP, perfeito, sem falhas nem pontapés no português, cabeçalho igual, instando-me a descarregar o pdf de uma fatura por pagar. Como hoje se tornou banal a utilização deste recurso (a "fatura eletrónica"), é um truque perfeito. Só que ao clicar, em vez de aceder ao alegado pdf, o utilizador está a fazer outra coisa, aceder a um site, descarregar um ficheiro executável, quem sabe com que consequências? Ora bem, enquanto estamos a falar de EDP, o nível de engano é um. Mas quando passamos ao capítulo "Finanças", a coisa pia mais fino. Agora os phishermen nacionais perceberam que as pessoas têm tanto medo do fisco, desconfiam tanto dele, estão tão convencidos de que existe para nos espoliar a todos, a bem e a mal, pela frente e por trás, justa e injustamente, e que arranja qualquer pretexto para nos sacar dinheiro, que criaram um phish com a cara da Autoridade Tributária. Não serão muitos os que, tomados pelo susto de receber um email do fisco a dizer que há uma quantia em dívida, e já a suar com as consequências de não abrir, não ligar, não responder a um email fiscal, resistirão a clicar ali, ali mesmo, no "download factura". Aliás, basta clicar em qualquer parte da mensagem. Fica o aviso. Eis o email que recebi há poucas horas. Digam lá que não é perfeito.

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Já que é irmão , podemos dar opinião

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Sorria, se o dia D salvou a Europa imagine o que ele não fará pelo BRASIL

Daesh, ou chamar as bestas pelos nomes

Em 1576, Pero Magalhães de Gândavo dizia, no que é considerada a primeira História do Brasil (História da Província Santa Cruz a que vulgarmente chamamos Brasil), que deveria chamar-se àquela terra Santa Cruz e não Brasil porque se tratava do nome original com que os portugueses a haviam batizado, porque era um nome elevado e grandioso, ao contrário da desprezível designação da madeira vermelha e, finalmente, "para que magoemos ao Demónio". Passaram mais de quatro séculos e já não passa pela cabeça de ninguém usar argumentos ideológico-religiosos deste tipo para justificar uma designação, mas os nomes continuam a ter uma importância fundamental. Numa era de difusão acelerada da informação, a forma como nos referimos a qualquer coisa, uma terra, um país, um estado, um movimento, não pode ser minimizada.

Os membros do grupo armado que desde há meses avança pelo norte do Iraque e da Síria autointitulam-se "mujahidin" ("combatentes" do jihad) e à sua formação "al-Dawla" ("o Estado"), embora reclamem algo de mais amplo, o "califado". A imprensa internacional, como não sabia como lhes chamar, adotou a forma ISIS, ISIL ou apenas IS (de "islamic state") e, em Portugal, "Estado Islâmico". Muito bem. Podemos começar por aqui: em primeiro lugar, aquilo não é um Estado, é um bando armado que controla um território pela força das armas e domina populações pelo terror e por atrocidades cometidas contra quem quer que não se submeta às suas ordens. Segundo, não é Islâmico; age em nome de uma religião, o que é uma coisa bem diferente. E ofensiva, sobretudo para quem a professa. Vejamos: o que diriam os católicos, aqueles que seguem a versão romana da fé em Cristo e rejubilam com o Papa Francisco, se algures no mundo alguma entidade praticasse um semelhante nível de intolerância e de brutalidade e se intitulasse "Estado Católico"? Logo, aquilo merece repulsa universal, mas o seu combate, na primeira linha, pertence aos que são involuntariamente colocados no mesmo barco. Not in my name, proclamaram alguns muçulmanos, infelizmente poucos, há algumas semanas.

Poucos? Não estou certo se foram poucos. Sei, sim, que o seu eco na imprensa internacional foi modesto. Não importa, para já. Importa, sim, é a forma como devemos designar aquilo. Uma das regras elementares da luta contra um inimigo é rejeitar tratá-lo da forma que ele deseja. Pois todos nós estamos há semanas, há meses a favorecer aquilo, ao espalhar e divulgar, de forma global, os termos pelo qual deseja ser tratado e pelo qual ficará certamente na História: Estado Islâmico. Se se autoapelidasse, sei lá, Paraíso Terrestre, presumo (mas não estou seguro) que pensaríamos duas vezes antes de reproduzir tal epíteto.

Então, o que chamar àquilo? Ocorrem-me imediatamente várias hipóteses, que prefiro não reproduzir. Apego-me a uma: Daish ou Daesh. E porquê? Por duas razões: a primeira é que motherfucker é pouco suscetível de figurar nos noticiários internacionais; a segunda é que os seus membros nunca disseram que não queria ser assim tratados. Mas sobre Daesh, sim. Aliás, os franceses já disseram que é assim que vão passar a chamá-lo, ao pseudo-Estado Islâmico. É um acrónimo, é ofensivo, e eles já condenaram a sua utilização. É quanto me basta. (Ler aqui, aqui ou aqui para mais explicações, sff).