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jugular

ctt quê?

em junho, fiz uma encomenda a uma loja portuguesa que vende on line. a encomenda foi imediatamente processada e recebi a indicação de que fora expedida, devendo ser entregue a 18 de junho, pelos ctt expresso. ao contrário do que sucede com outras empresas de correio expresso e de venda pela internet, porém, não me foi fornecido qualquer sistema de tracking: a encomenda seria entregue, fui informada, entre as 9 e as 18 desse dia, o que implicava a minha permanência, ou de outra pessoa, na morada assinalada durante esse período de tempo. como tenho uma profissão que me permite trabalhar em casa, lá me organizei para esse efeito. a partir das 16 horas, porém, e não tendo recebido a encomenda, fui ao site pedir informações e, não recebendo qualquer resposta a não ser a da notificação da recepção desses pedidos, resolvi ligar para a ctt expresso, para tentar perceber a que horas chegaria a dita. liguei cinco vezes para o 707200118 (que é um número de valor acrescentado, como a minha factura deste mês acaba de evidenciar: a brincadeira ficou-me por cerca de 8 euros) entre as 16.30 e as 18.23, tendo estado um total de mais de 40 minutos em linha com os cttexpresso, a maioria do tempo à espera de ser atendida, e sem conseguir qualquer esclarecimento sobre a entrega, até que verifiquei que no site, perto das 17 horas, figurava  a indicação de 'tentativa de entrega'. ou seja, quando eu estava ao telefone com os cttexpresso a tentar perceber o que se passava.

 

apesar de todos os meus protestos e incredulidade, foi-me comunicado em novo telefonema que a encomenda seria entregue no dia seguinte, no mesmo horário. ou seja, depois de estar um dia inteiro de prevenção à espera de uma encomenda que não foi entregue sem qualquer explicação válida, propunham-me que no dia seguinte voltasse a fazer o mesmo. sem alternativa (a não ser pegar num taco de baseball e ir até à sede dos ctt expresso partir umas cenas, o que poderia ser giro mas não me resolvia o problema, que era receber a maldita encomenda), no dia seguinte comecei a ligar para a ctt expresso logo de manhã. e repetiu-se a brincadeira: estive 22 minutos em linha a tentar averiguar do paradeiro da encomenda, tendo ligado para a loja que também tentou localizá-la junto dos ctt e não conseguiu. no início da tarde a encomenda foi enfim entregue, sem que até então me fosse fornecida qualquer informação sobre o que sucedera no dia anterior ou sequer apresentado um pedido de desculpas.

 

enviei um mail a exigir explicações para a ctt expresso, narrando todo o ocorrido e solicitando acesso ao livro de reclamações assim como informações sobre o que têm os CTT Expresso previsto para compensar os clientes nos casos em que, como sucedeu comigo, incumprem o estabelecido. 

 

a 26 de junho, recebi este mail:

 

Caro Cliente,

Em referência ao(s) processo(s) de averiguação 42455PR/14 sobre o(s) envio(s) EA693037979PT que mantemos em aberto, informamos que ainda nos encontramos a aguardar informação conclusiva.

Apesar de todos os esforços despendidos, a situação em apreço carece de uma análise extensiva que permanece a ser desenvolvida pelas áreas responsáveis.

Face a esta situação, comprometemo-nos a retomar o contacto com V. Exa para de forma detalhada lhe podermos transmitir as diligências em curso.

Gratos pela compreensão de V. Exa, lamentamos a morosidade do processo em curso e mantemo-nos, inteiramente, disponíveis para qualquer esclarecimento adicional.

Com os nossos melhores cumprimentos,
Customer Care CTT Expresso

 

 

a 4 de julho, após os tais 'esforços despendidos' e 'análise extensiva desenvolvida pelas áreas responsáveis', recebi esta pérola:

 

Estimado cliente,

 

 

Agradecemos desde já o tempo que esteve a aguardar pela nossa resposta.

Vimos por este meio informar que o objeto EA693037979PT teve tentativa de entrega no dia 18-06-2014 pelas 16:59:27,como cliente destinatário não respondeu ao toque da campainha e ninguém a abriu a porta o distribuidor não conseguiu deixar o aviso para levantamento na Estação de correios, como tal o objeto saiu novamente em distribuição no dia seguinte 19-06 .Seguimos todos os procedimentos de entrega como tal consideramos que o serviço foi prestado corretamente.

Gratos pela atenção dispensada, encontramo-nos inteiramente disponíveis para qualquer esclarecimento adicional.

Com os melhores Cumprimentos,

 

 

Mafalda Trindade

Customer Care

Marketing

 

a estultícia, incompetência e falta de respeito não merecem comentários, evidentemente, mas o mais grave talvez seja o facto de, ao contrário do que a lei prevê, os ctt não facultarem qualquer informação sobre o acesso -- obrigatório em qualquer serviço -- a livro de reclamações

 

vou encaminhar esta queixa para a anacom, uma vez que à completa incompetência do serviço se adiciona a recusa de facultar livro de reclamações, punível com contraordenação até 30 mil euros.

 

nota: nunca experimentei os serviços dos ctt expresso antes da privatização, pelo que não tenho termo de comparação. mas sei que outras empresas de correio expresso trabalham infinitamente melhor e se esforçam por localizar as encomendas, não tendo até hoje razão de queixa de nenhuma outra.

 

 

A/C da Freguesia de Santa Maria Maior

 

 

 

São 12h.39 minutos, e este é o cartão de visita de uma das principais ruas de ALFAMA (Freguesia de Santa Maria Maior - Miguel Coelho)... É preciso dizer mais alguma coisa?

só vantagens

Sobre a entrada da Guiné Equatorial na CPLP, eis a opinião desse grande vulto da política nacional chamado Nuno Melo.

 

Um candidato muito estimulante

É a primeira entrevista de Santana Lopes sobre presidenciais desde a última entrevista de Santana Lopes sobre presidenciais. Santana preferiu gravar esta última entrevista ao Expresso no seu escritório de advogado. Ficámos assim a conhecer um piano de cauda, com o qual ele se entretém enquanto espera pelos clientes e pelas eleições presidenciais, e uma prateleira branca, que funciona como uma espécie de mausoléu da social-democracia à portuguesa, com ephemera de antigas glórias do PPD/PSD, como Sá Carneiro e Durão Barroso.

Sim, tudo indica que Barroso é mesmo passado, pelo menos no que às presidenciais diz respeito. É certo, como reconhece Santana, que «em política, we never know it», ou como diriam os portugueses, em política nunca se sabe. E quando se trata de Durão Barroso, ainda menos: «dele já nenhuma proeza me espanta». Se um dia destes o virmos a treinar o Real Madrid, não se admirem. O problema é que Barroso fugiu para Bruxelas, onde, segundo PSL, «não quis ser acusado de privilegiar Portugal e acabou por deixar a imagem de ter sido absolutamente independente, para usar uma palavra simpática». Marcelo também merece palavras simpáticas, mas infelizmente autoexcluiu-se da corrida: «tem a mania que Guterres é imbatível».

O perfil do próximo candidato presidencial do centro-direita está escrito nas estrelas: «Logo se vê no ano que vem quem é a pessoa mais indicada para fazer bem a Portugal. A regra deve ser essa». Ora, nem Barroso nem Marcelo são as pessoas mais indicadas para «fazer bem» a quem quer que seja. Fazer o bem sem olhar a quem é mais coisa de presidente da Santa Casa da Misericórdia. Então e as sondagens desfavoráveis? «Mário Soares ganhou umas eleições em que partiu nas sondagens com 8%». Claro que a história eleitoral está cheia de candidatos que partiram nas sondagens com 8% e chegaram às urnas com 8%, mas Santana também é especial.

De resto, para o nosso entrevistado, o próximo Presidente da República «deve ajudar sempre o Governo do país». O seu Governo, por exemplo, não foi ajudado pelo Presidente da altura, quando ainda estava na incubadora, e se as coisas tivessem sido diferentes, «acho que o país teria poupado tempo e dinheiro». Neste sentido, Santana defende a tese de que «os países mais desenvolvidos são aqueles em que o Presidente não discute em público com o chefe do Governo», países tão desenvolvidos como o Portugal no tempo do Estado Novo em que o Presidente também não discutia em público com o chefe do Governo.

Santana acha que tem uma «capacidade razoável de arrumar os assuntos em prateleiras» e, a avaliar pela prateleira do escritório, tem mesmo. Arruma Barroso, arruma Marcelo e arruma o seu próprio passado enquanto primeiro-ministro, através de uma «exigente análise desdramatizada do que se passou». Ele é «alguém que amadureceu». «Hoje sabe-se que procurei afastar opções que eram inadequadas com as minhas responsabilidades públicas». (Santana parece estar convencido que foi um lenço na cabeça numa festa da Caras que causou danos à sua imagem, e não tanto o que fez enquanto presidente da câmara ou primeiro-ministro.)

Santana Lopes até já se reconciliou com Jorge Sampaio: «ainda na semana passada encontrei o dr. Sampaio duas vezes e já sorrimos os dois». Realmente, só mesmo o dr. Santana para pôr o dr. Sampaio a sorrir. E o próximo alvo desta política de reconciliação nacional de PSL é quase de certeza José Sócrates. Cavaco pode ter sido «um grande primeiro-ministro no enriquecimento em infraestruturas mas Sócrates teve visão», coisa que realmente Cavaco nunca teve.

Já Passos Coelho não é nenhum «insensível», como por vezes se diz. «Até pela história de vida», diz Santana. Quem é que com uma história de vida toda ela passada no parlamento, na Tecnoforma e nas empresas de Ângelo Correia pode ter falta de «sensibilidade»? E PSL, já falou com ele sobre presidenciais? «Matéria reservada». E com Portas? «Matéria reservada». Ou seja: já falou. Não fala aliás de outra coisa, e até diz que «Guterres seria um candidato muito estimulante para o centro-direita». Mais: ao contrário do que teme Marcelo, para Santana «Guterres não é imbatível». Imbatível só mesmo o próprio Pedro Santana Lopes. Um candidato muito estimulante. Tanto para o centro-direita como especialmente para o centro-esquerda.           

3 anos

O horror não se esquece. 

"Dever de sigilo"?

Parece que o Ministério da Saúde recuou na "lei da rolha". Fazer crer que o que estava em causa era uma quebra do "dever do sigilo profissional" é qualquer coisa de fantástico. Se não fosse triste estava aqui a mandar-me para o chão e rebolar de tanto rir.

 

Vamos lá ser honestos, o que estava em causa era impor «aos profissionais de saúde que “salvo quando se encontrem mandatados para o efeito, os colaboradores e demais agentes da (nome do serviço ou organismo) devem abster-se de emitir declarações públicas, por sua iniciativa ou mediante solicitação de terceiros, nomeadamente quando possam pôr em causa a imagem da (nome do serviço ou organismo), em especial fazendo uso dos meios de comunicação social”». Nunca os médicos se insurgiram contra o dever de sigilo profissional, que fique claro.

Areia no cu do outro é vaselina

José Manuel Fernandes mostrou-se muito agastado, no twitter, com um escrito facebookiano da deputada socialista  Catarina Marcelino por causa dos vários erros ortográficos presentes. Depois até referiu  "É. Desculpou-se dizendo-se disléxica...". Ora vamos lá fazer um regresso ao passado, aqui. Não deixa de ter carradas de graça.

 

Adenda: Acabei de ler no FB da Catarina Marcelino "Agradeço as correcções. Já reeditei. Sou disléxica e qdo estou mto cansada acontece. Hoje aconteceu.". Escrito pelo punho da própria ainda torna o "desculpou-se" mais perverso e ruim.

Uma reação compreensível ....

 

(eheh e foi irresistível)

Não dar a bota com a perdigota

epifania

"Como é que se chegou a esta situação?", perguntou ontem um deputado tonto, numa comissão parlamentar, acerca da situação no Grupo Espírito Santo. Qualquer governante responsável responderia "qué quisso interessa, ó grunho? é preciso é olhar para o futuro, o passado já lá vai, os dias negros da irresponsabilidade socialista e dos descontroles do Sócrates". De facto, a última coisa que interessa é pretender saber "como é que se chegou aqui", que mania portuguesa esta - tão pouco moderna, tão pouco europeia,  tão pouco desenvolvida - de querer saber os motivos e as causas das coisas. Não exatamente portuguesa. De alguns portugueses, pronto. Uns desocupados, preguiçosos, gastadores, chulos que ocupam as cadeiras de S. Bento e não fazem nenhum. Só perguntas parvas. Ora, se S. Exa. o Idiota Estúpido Deputado da Nação (de um partido de esquerda qualquer, não interessa, eles querem todos é tacho) pensasse um bocadinho, saberia que "chegou-se a esta situação" (não é "esta" de hoje, depois da sapiência medico-científica deste governo, é "esta" a outra, aquela em que a esquerda nos mergulhou durante décadas, ou seja, tudo o que está errado em Portugal) por termos vivido acima das nossas possibilidades, Portugal não nasceu para ter um estado social, emprego, saúde, ensino e essas coisas que os comunistas dizem que são do povo mas de que se esquecem sempre dos custos, da perda de competitividade, do desajustamento orçamental, the facts of life, em suma.

Ora bem. Não interessa. O Deputado Chupista perguntou. A Nossa Ministra condescendeu - com aquele ar glorioso de encarnação de N. Sra. num "abençoados os pobres de espírito" (com e minúsculo) - e respondeu. Uma resposta divina. Simples, como todas as tiradas geniais. Eis a transcrição fiel: "Como o nome é o mesmo, há alguma confusão, em Portugal e no estrangeiro, entre o Grupo Espírito Santo e o Banco Espírito Santo. Não é, de todo, a mesma coisa." Está explicado. Elementar, meus caros súbditos. Como é que não perceberam de que tudo isto é apenas um enorme equívoco de nomes? E que os "mercados", essas entidades que é preciso deixar funcionar à vontade sem regulação sufocante mas que de vez em quando é preciso ensinar porque são burros como só eles - digamos que num grau só comparável ao de certos deputados - não perceberam que há uma diferença entre Grupo e Banco? quem diz mercados diz praticamente todo o mundo, excetuando a família Espírito Santo e, pelo menos, pelo menos, a ministra das Finanças. Abençoadinha, Santa, que nos explica as verdades simples e essenciais da vida, a Grande Educadora do Povo.

Só fiquei com alguns engulhos sobre as implicações teológicas de tudo isto. Santíssima Trindade, arianismo, Deus triuno, consubstanciação, controvérsias de séculos. Deus meu, Deus meu, será que terá ocorrido também algum remoto erro elementar de interpretação sobre o que é realmente o Espírito Santo, precipitando os fiéis em cismas e querelas, apenas porque nesses tempos medievais obscuros não havia uma Sta. Maria Luís que os iluminasse?