
Old School # 10 | Teatro Praga (entrada livre) & Baginski Galeria/Projectos | inaugurações dia 23 de Maio 22h
A vez de um músico português, um dos grandes, tantas vezes esquecido. A mais célebre do meu álbum preferido, velhinho, velhinho, faz este ano um quarto de século.
Era este o título da transmissão da parada da vitória do Manchester City ontem à tarde na CNN. Claro que o jogo de domingo com o QPR foi digno de um 13 de Maio. Mas não se pode dizer que o título de campeão do City seja propriamente um milagre, tal a quantidade de dólares ali injectados pelo Sheikh Mansour. O verdadeiro milagre - que despertou certamente o interesse do Sheikh - foi a média de assistências em casa nos tempos em que o clube competia numa vibrante terceira divisão. Na época de 1998/99, por exemplo, o número de espectadores presentes no Maine Road oscilou entre os 24 291 com o Walsall e os 32 471 com o York City.
Vítor Gaspar diz que os principais riscos do nosso programa de ajustamento são externos e que internamente a coisa está controlada. Bem, parece que depois de ter admitido publicamente não perceber o que se passa com o desemprego, Gaspar opta afinal por ignorá-lo. Está criado um novo dano colateral.
"No dia em que se sabe que há casos de medicamentos em falta nas farmácias, o editor de Sociedade do DN explica como, feitas as contas, todos perdemos com esta crise." leio no DN. Já nem falo da análise completamente enrolada e desconexa que o vídeo mostra, mas dizer que ontem foi o dia em que se soube da coisa é fantástico. Ó para o assunto referido aqui e aqui, em Março.
De volta à Sétima Arte. Um grande compositor de bandas sonoras, sobretudo de filmes do Tim Burton, autor daquele espanto que é a música de The Nightmare Before Christmas, entre outras. Fica aqui uma pequena jóia de Corpse Bride, um "diálogo" ao piano. "Pardon my enthusiasm"; "I like your enthusiasm".
De acordo com esta notícia, nos primeiros três meses deste ano «enquanto os hospitais públicos realizaram menos 6,7% atendimentos, o sector privado registou um acréscimo de utentes de 15% nas urgências.». Pode ainda ler-se que o referido aumento «"resulta da subida das taxas moderadoras e da abertura de novas unidades privadas que motivaram um crescimento da procura", avançou ao Diário Económico Teófilo Leite, presidente da APHP, realçando que "em alguns casos é mais vantajoso recorrer aos hospitais privados nas urgências, como nos casos de convenções com a ADSE ou com a GNR e PSP"».
No dia em que Paulo Macedo, depois de ter assinado um acordo com os representantes da industria farmacêutica, referiu que isso, só por si, não garante a sustentabilidade do SNS eu pergunto como é o que o Estado acaba por pagar duplamente cuidados de saúde e se configura como o grande cliente do sector privado da saúde. Há coisas que me ultrapassam completamente, uma delas é manter a Assistência na Doença aos Servidores do Estado (ADSE), o sistema que foi perversamente criado para adoçar a boca a quem ia para "as colónias" - de certo modo um sistema corporativ. Até parece que o Estado não acredita no seu sistema de saúde e, por isso, são gastos recursos económicos consideráveis que poderiam contribuir para a dita sustentabilidade do SNS.
A questão, entenda-se, não é a existência de hospitais privados mas a má gestão de recursos públicos. Definitivamente há coisas que eu não percebo mesmo.
22h
Jorge Catarino | pintura s/ papel
Maria Sassetti | instalação almofadas
Exposição Spectrum
(fotografias cedidas pela curadoria)
A RTP-1 acaba de abrir o seu noticiário com a redução dos combustíveis na marinha e na força aérea, o submarino tem os movimentos condicionados e os F-16 também. Um dia destes não há dinheiro para mexer um carro blindado, não tarda são os soldados que têm que trazer gasolina de casa se querem desenferrujar as chaimites. Sugiro já a velha receita do Solnado: "ata-se a bala com uma guita e depois puxa-se a guita".
"A quem se referia ontem, na Feira do Livro, ao mencionar o «Presidente de Singapura» e o seu livro que o terá inspirado?". O assunto tem merecido alguma atenção nas redes sociais mas sem grande pormenor, talvez por Singapura ser um país desconhecido para os portugueses. A ideia generalizada é de que se trata de uma espécie de paraíso de ordem, limpeza e progresso (por exemplo, neste comentário). Já lá estive e fiquei com a mesma ideia. Mas falando com pessoas que lá vivem há anos, a tonalidade torna-se bem, mas bem mais negra e assustadora. Não vem ao caso agora. O que vem ao caso é que é um completo mistério a quem se referia Passos Coelho. Há quem dispare e aponte o nome de Tony Tan Keng Yam. É, no fim de contas, o atual presidente. O problema é que não se lhe conhece qualquer livro publicado. Nem hoje, nem ontem, nem disponível na Amazon nem em lado nenhum. Após uma busca expedita, concluo que Passos Coelho se enganou no tempo e no cargo. É que em Singapura quem tem poder real é o Primeiro-Ministro, não o Presidente, que é uma figura mais ou menos decorativa. O PM é que manda. E para se ter a ideia do oásis democrático que é aquele pequeno país, fiquem a saber que desde 1959 teve apenas três, e sempre do mesmo partido que governa, portanto, desde a independência. O atual PM é mais ou menos obscuro e também não se conhece produção livresca internacional. Provavelmente, Passos Coelho referia-se a Lee Kwan Yew (PM entre 1959 e 1990, ahh que maravilha de estabilidade governativa), o grande obreiro do "milagre" que transformou Singapura num "tigre asiático", e a obra que leu é provavelmente From Thirld World to First. Mas chamar-lhe "presidente de Singapura", bom, é um mau augúrio sobre a compreensão que Passos Coelho terá feito da obra. E é de temer o que o terá inspirado.
"(...)embora Singapura seja um regime autocrático, o que não é exatamente o que nós desejamos para Portugal". Exatamente? Como sói dizer-se, I beg your pardon?! Ó santa alma, se não tem consciência do que diz poupe-nos...
Mais uma ilustre desconhecida, desta vez Maya Filipič, natural da Eslovénia mas que vive em Espanha. "Stories from Emona" é o nome, do álbum between two worlds.
Um compositor americano razoavelmente desconhecido, para desenjoar de celebridades e autores consagrados. Opus 12, deste álbum.
Acabei de chegar a casa depois de uma derradeira oportunidade de ir à Feira do Livro. Adquiri obras em 9 editoras diferentes. Destas, apenas uma emitiu e entregou de imediato um recibo em conjunto com os livros, sem mais. Numa outra perguntaram-me se "queria fatura". Nas restantes 7, tive que pedi-lo, porque a entrega fez-se apenas acompanhada do talãozinho Multibanco e um "obrigado". Uma destas editoras não mo entregou; ficou de mo enviar por correio ou por email, porque "não temos aqui máquina" (prova de que são raros os clientes que o pedem). Numa outra, a história foi mais complicada: a vendedora fez um ar admirado e perguntou se eu queria "fatura mesmo ou o recibo da máquina". Perante a minha insistência, adiantando que tanto me fazia, que ela sabia bem do que se tratava e que sabia também (ou deveria saber) que a entrega de recibo é obrigatória por lei e que nem deveria ser necessário eu estar a pedinchar, como se de um especial favor se tratasse, o documento, lá foi buscar um livrinho de faturas, com os modos e a boa vontade que se adivinham, e toca de pedir NIF, nome e localidade, de forma quase inquisitorial. Juro que estas coisas continuam a fazer-me muita impressão.
"Passos Coelho tem razão. Estar desempregado é uma oportunidade. Tudo é uma oportunidade. Perder uma perna é uma oportunidade para nos tornarmos a mascote humana do gelado Perna de Pau ou para ganharmos uma medalha nos paralímpicos. Ter Alzheimer é uma oportunidade de nos esquecermos daquela cena que aconteceu na piscina e toda a gente viu e vieram os bombeiros a polícia e o exército e foi para ali um pandemónio que nem quero que me lembrem. Falecer é uma oportunidade de deixar de existir num Mundo em que Passos Coelho é primeiro-ministro de um país. Desperdiçar oportunidades é uma oportunidade de ver o que é que acontece quando se desperdiçam oportunidades." escreveu o Sérgio ali.

(...)o desemprego poder ser uma oportunidade . Para os desempregados se dedicarem à caça?
Não são "crises artificiais", Sr Primeiro Ministro, a crise existe e é bem real, infelizmente não é necessário criar realidades paralelas que a mimetizem. As palavras são importantes, tão mais relevantes quanto maiores as responsabilidades institucionais de quem as profere, e por isso mesmo exige-se um cuidado redobrado e muito, muito decoro.
Não é o estigma do desemprego que está em causa, é o desemprego ele próprio e as terríveis e reais consequências que determina. E dispensa-se o paternalismo. Tire o cavalinho da chuva, não é passando atestados de estupidez generalizados que se limpa. Um bocadinho mais de cuidado e decência no futuro, se disso for capaz. Citando-o, "tubrigada".
Ps: E é isto.
(clicar na imagem)
Um ano mais de consolidação orçamental significa um ano mais de ajuda externa
Passos Coelho
Não, não significa. Significa apenas que Portugal teria de financiar a diferença entre o défice inicialmente previsto e o novo objectivo. Se, no final de 2013, o défice fosse 4%, Portugal precisaria de mais 1700 milhões de euros do que aqueles que estavam inicialmente previstos - não, pelo menos não necessariamente, de mais um ano de assistência financeira. Tendo em conta os efeitos negativos da austeridade, os defensores do adiamento argumentam que, face à opção actual, e sem comprometer os objectivos de longo-prazo, o adiamento aumenta a probabilidade do programa de ajustamento ser bem sucedido, isto é, aumenta a probabilidade de Portugal conseguir financiamento nos mercados na data prevista. Passos acha que não e reafirma o custe o que custar.
Isabel Moreira
Miguel Vale de AlmeidaRogério da Costa Pereira
Rui Herbon
