Sexta-feira, 26 de Junho de 2009
João Galamba

Em resposta a este post, o João Luís Pinto escreve:

 

"o que é que sustentabilidade a ver com repressão policial, entendida como sendo consequência da aplicação da Justiça num Estado de Direito, mesmo que o possa ser feito segundo um outro paradigma, concretamente um paradigma retributivo? Mais, fico também com uma dúvida: será que a correlação que é feita do “modelo social europeu” com baixas taxas de população prisional não é uma demonstração de permissividade e de impunidade"

 

Pelos vistos o João acha que não existe uma coisa chamada sustentabilidade — ou legitimidade — democrática. Ou então, existe mas é irrelevante. Tanto faz. Mas termos mais: a correlação entre pobreza e criminalidade, também não é para aqui chamada. (ficamos a saber, por implicação, que o rendimento mínimo é uma espécie de extorsão que os criminosos impõem aos demais cidadãos trabalhadores, produtivos e respeitadores da lei). Para o João, só interessa a garantir as condições para a liberdade económica. E isso é tudo, obviamente. O que poderia haver para além da propriedade? Se tal implicar um estado que mantenha uma percentagem elevadíssima da sua população encarcerada, paciência. É a vida, diria o João Luís Pinto — no liberalismo do João, acrescento eu. Esta é, sem dúvida, uma estranha noção de liberdade. Mas, vindo de alguém que absolutiza a liberdade negativa, não admira. Podemos criticar o João por muitas coisas, mas pelo menos ele avisa ao que vem. Estamos avisados. Avisadíssimos.


1 comentário:
De nuvens de fumo a 26 de Junho de 2009 às 17:15
Uma das grandes causas de elevada população prisional nos EUA é a criminalização do consumo de drogas.

Mecanismos como a descriminalização, o apoio à vitima que é o consumidor , e apoios às famílias carenciadas de forma a romper o ciclo de pobreza tem dado melhores resultados na europa.

Aliás numa Época de crise como a actual , estes mecanismo serão fundamentais para não cairmos num caos social que a todos prejudicaria. Os delírios liberais com tiques esquizofrénicos de apelo à força , são a solução que a direita portuguesa acha que funcionaria. Esperemos que não a possam pôr em prática nos próximos tempos pois seria uma catástrofe.


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