Terça-feira, 30 de Junho de 2009

A ideia de um estado empreendedor não se esgota na alocação de recursos públicos para grandes obras públicas. Por detrás de um projecto como o novo aeroporto ou como o TGV está uma visão para o futuro de Portugal. E é o futuro que interessa discutir.

A forma como vemos um país e a sua capacidade produtiva não acaba nas limitações e constrangimentos da nossa realidade. É possível, diria mesmo obrigatório, percebermos o país a médio e longo prazo. Como poderemos preparar Portugal? O que é que o Estado pode fazer pelas próximas gerações?

Esta crise  obriga o Estado a um papel de maior intervenção, enquanto a poupança privada sobe, exigem-se maiores consumos (investimento) públicos, e é razoável que o Estado co-participe em investimentos que, pela sua dimensão, só sejam possíveis com o envolvimento do Estado. No entanto, o futuro não é só o TGV, nem a plataforma logística de Sines, nem o novo aeroporto, nem a auto-estrada para Bragança. É possível começar a preparar Portugal com medidas que não envolvem muitos recursos, apenas compromisso, visão e liderança.

Espanha foi um dos países pioneiros na energia eólica. Muitos acharam louca a aposta nas energias renováveis, especialmente vento, como parte fundamental do sistema de geração de energia. No entanto, com esta medida, e em boa parte por se ter antecipado a uma tendência que parece hoje inevitável, criou condições para empresas Espanholas apostarem no desenvolvimento desta tecnologia. Hoje, uma das maiores produtoras de motores de energia eólica é Espanhola. Os EUA, que chegaram tarde a esta festa, dependem, em parte, da capacidade de uma empresa Espanhola para concretizarem a sua aposta em energias renováveis. Nos EUA o tema foi discutido durante anos, com os lobbies das diferentes tecnologias e a oposição dos Republicanos a conseguirem protelar a decisão. Quem ganhou foram os Espanhois. Quem fez a aposta, o Estado Espanhol.

Tudo isto para falar de carros eléctricos. Muitos dizem que esta tecnologia é experimental e que implicará consumos excessivos de energia ao qual hoje não podemos responder. Não sendo um entendido, apenas um curioso, vejo neste tipo de argumentos a capacidade para um país como Portugal se antecipar e, com essa antecipação, assegurar uma participação na construção e desenvolvimento dessa alternativa. A visão de um país com consumos mínimos de combustíveis fósseis, teria um impacto significativo na grande maioria dos indicadores de contabilidade nacional com que o grupo dos 28 tanto se assusta, e a vantagem de propor uma alternativa de crescimento à economia Portuguesa.   

 

(publicado também aqui)

7 comentários:
De Shyznogud a 30 de Junho de 2009 às 16:55
Seja vossa mercê muito bem-vindo!


De Laura Abreu Cravo a 30 de Junho de 2009 às 16:59
Olha mais um perigoso esquerdista. :)


De João Galamba a 30 de Junho de 2009 às 17:43
A tua filha também pode postar. Atribuo-lhe o papel de responder ao Vidal, sempre que tal se justifique.


De tric a 30 de Junho de 2009 às 18:19

"A visão de um país com consumos mínimos de combustíveis fósseis, teria um impacto significativo na grande maioria dos indicadores de contabilidade nacional com que o grupo dos 28 tanto se assusta, e a vantagem de propor uma alternativa de crescimento à economia Portuguesa.
(...)
Quem ganhou foram os Espanhois. Quem fez a aposta, o Estado Espanhol."

"España superará en septiembre la barrera de los 4,6 millones de parados, algo sin precedentes en su historia, y sumará así tantos desempleados como Francia e Italia juntas(...)"

Quem perdeu foram os Espanhois. Quem fez a aposta, o Estado Espanhol!


http://www.minutodigital.com/actualidad2/2009/06/29/espana-tendra-en-septiembre-tantos-parados-como-italia-y-francia-juntas-con-mas-de-46-millones/





De carlos mata a 1 de Julho de 2009 às 00:06
declaro-me também um curioso e de modo algum tenho a veleidade de ser perito no tema mas deixe acrescentar que a dinamarca foi muito mais pioneira que espanha no que respeita a energia eólica.... e só consegue ser assim "limpa" de combustiveis fosseis porque na outra margem, na suécia, em frente a copenhaga existe uma central nuclear cuja energia a dinamarca importa para poder ser "green".
a fantasia de portugal ser um país construtor de automóveis electricos fica-lhe bem, para primeiro post neste blogue, mas na minha opiniao existem medidas que nos permitem reduzir a dependencia energetica de combustifeis fosseis muito mais pragmáticas!
... e se de repente fosse apoiada/incentivada a instalaçao de paineis solares nos vários edificios do país?


De João Neto a 1 de Julho de 2009 às 16:37
"Quem fez a aposta, o Estado Espanhol."

ou seja, os contribuintes espanhóis que pagavam e continuar a pagar o sobrecusto da tarifa subsidiada.

Mas afinal de contas o Estado somos nós, por isso, qual a diferença?


De Ecotretas a 1 de Julho de 2009 às 23:02
Que triste!
Deêm uma vista de olhos ao que é o desastre espanhol: http://ecotretas.blogspot.com/2009/03/o-desastre-espanhol-no-iccc.html
Ou procurem por Gabriel Calzada. Basta um economista para deitar abaixo toda essa teoria...
Ecotretas


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