Os méritos ou deméritos do investimento em energias renováveis não podem ser julgados pelos postos de trabalho que desapareceram no período, porque a verdadeira questão é saber se esses empregos teriam desaparecido, mesmo sem a aposta na tal "bolha verde". E mesmo que tal tenha acontecido, o desemprego friccional deve ser visto como um dos males inevitáveis da modernização de uma economia, e pensar a renovação das economias, um argumento central na defesa de um estado empreendedor. Quando desapareceu a indústria das carruagens, ninguém se lembrou de criticar o empreendedor que inventou o carro.
No entanto, por detrás da banalizada expressão bolha, está um sentido pejorativo que tenta subestimar a aposta em energias limpas. Discutir a importância desta tendência é, pois , muito relevante.
Em tempos também se associou a palavra bolha à internet, muito por investimentos excessivos por parte de privados (sim, eles também cometem excessos e não só na crise financeira) e por uma desvalorização do risco associado a negócios suportados nesta tecnologia. No entanto, a internet é hoje uma aposta central em (quase) todas as propostas de investimento e em (quase) todas as políticas públicas. Quer isto dizer que todas as novidades têm o seu estágio de maturidade. E, por estarmos hoje a corrigir os incentivos dados à construção de capacidade em energias renováveis, não significa que estamos a desqualificar a aposta, apenas que a escala do mercado e o estágio de desenvolvimento dessa tecnologia já não exigem prémios de risco tão elevados.
Isabel Moreira
Miguel Vale de AlmeidaRogério da Costa Pereira
Rui Herbon
