Sábado, 4 de Julho de 2009
Ajudar a tesouraria das empresas é necessário para evitar falências, protegendo algum emprego, amparando algumas quedas de uma crise muito violenta. O tal "abalo". Mas teremos melhores resultados tentando igualmente proteger os planos de crescimento das pequenas empresas que, tendo nichos de mercado para crescer ou novos produtos para colocar, não sofram com o estrangulamento do crédito a que o sistema financeiro se terá que adaptar nos próximos anos. Os bancos já estão a anunciar o PME Invest IV, onde já participaram 25 mil empresas. Como é que isto é "ignorar as PMEs"? Só 10%? E isso é pouco em menos de um ano? Mas também me parece que, centrar uma política económica na liquidez de algumas empresas, como parece ser a intenção deste PSD, é muito redutor.
Pensar o país a médio prazo exige outro tipo de políticas. Outro tipo de ambição. Não bastam promessas de ajuda aos pequenos empresários. É preciso ter uma ideia sobre o que Portugal será no futuro.
As propostas do PSD são o regresso ao país pobre e remediado, resignado com o seu isolamento, incapaz de assumir desafios. Em alturas de crise é natural que tenhamos receio, e muitas dúvidas, mas é obrigação dos líderes enfrentar o desafio e assumir o risco próprio dos empreendedores. Só assim se combate esta crise.
O investimento público não é só despesa, deve representar também uma visão de futuro. A alternativa é resignar, baixar os braços, e esperar que a crise passe, enquanto os outros, também vão passando por nós.
De G_L a 4 de Julho de 2009 às 19:29
O que acaba com as PMEs: atrasei 5 dias o pagamento do Iva e passaram-me uma multa de 420 euros. Além da crise, temos um fisco sufocante, esmagador. Isso em plena crise, com estas proporções. Não há microempresa que aguente.
Desculpe lá, mas qual foi a razão do atraso? Estará por acaso a defender a ideia de que se deve abolir penalizações por incumprimento fiscal? Acha que o estado devia introduzir na lei uma clausula a dizer "o pagamento deve ser feito até à data x, mas se se atrasarem a malta compreende". Um estado rigoroso e exigente com os contribuintes não é um estado sufocante. Acha que a administração fiscal devia dizer "como estamos em crise, as empresas podem pagar quando lhes der jeito". Já imaginou generalizar o seu caso pessoal, transformando-o em lei universal?
De G_L a 5 de Julho de 2009 às 12:21
Vc tem razão e concordo consigo. Multa para os infratores. O que eu estava a dizer é que, em meio à maior crise dos últimos 80 anos, há que considerar um período de excepção. A minha empresa está a facturar 50% do que facturou nos últimos 3 anos. Como a minha, há várias. Há empresas que não estão a cumprir os compromissos atempadamente simplesmente pq não recebem dos clientes.
Em Portugal é tudo ao contrário. Quando a economia crescia a 4,5%, faziam perdões fiscais. Agora, em meio à maior crise da história, o fisco é implacável, e multa sem dó nem piedade.
Repito: concordo consigo e acho bem que multem as infracções. Não quero para mim qualquer regime de excepção por ser micro empresa. Mas em vista da conjuntura macroeconómica, não deveria haver, por exemplo, uma redução no valor das multas, ou um prazo mais alargado para pagamento. Se o Estado alargasse mais 30 ou 40 dias o prazo de pagamento do IVA durante a crise, já seria suficiente para, sem despender um tostão, dar mais fôlego e tesouraria às empresas.
Mas reconheço que posso estar a falar em causa própria.
Ontem bloquearam-me o carro à porta de casa. Estacionei em 2º fila por 5 minutos para ir buscar a minha filha para um passeio ao final da tarde. Paguei 70 euros. Quer formar um movimento contra as multas bem aplicadas mas um bocadinho injustas porque afinal de contas nós até tínhamos a melhor das intenções?
De G_L a 5 de Julho de 2009 às 14:25
Não seja demagógico.
De José Barros a 5 de Julho de 2009 às 03:20
Pois, aí é que os não socialistas discordam. Isto é, da conversa da estratégia nacional, que é o que nos tem ocupado nos últimos 20 anos e levou onde estamos. E se o mal é esse, qual é a exactamente a estratégia de Sócrates? A das obras públicas faraónicas, um remake do país do betão?
De Anónimo a 5 de Julho de 2009 às 13:01
Paguem às empresas o que devem e acabem com regulamentos hipócritas que o estado é o primeiro a não cumprir. Pensem a estratégia para o país de forma a que o maior número de pequenas empresas possa participar. O contrário do que tem sido feito quer pelo PS quer pelo PSD. E acabem com a falsa formação e qualificação. Fiscalizem a sério a economia mas sem permitir a desmoralização de todo o sistema com casos de compadrio e incumprimento sucessivos por parte dos amigalhaços. Tenham coragem com os fortes e compaixão com os fracos. Ouçam primeiro e decidam depois. Testem em "laboratório" as medidas que propõem e aconselhem-se com quem está no terreno em vez de reunir apenas formalmente com os "representantes oficiais" que muitas vezes estão afastados da realidade. Dêem o exemplo. Deixem-se de tretas e aproveitem as boas ideias. Façam com que os outros aceitem as vossas ideias dando-lhes a oportunidade de se apropriarem delas.
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