Segunda-feira, 13 de Julho de 2009
"O mercado, se houver confiança recíproca e generalizada, é a instituição económica que permite o encontro entre as pessoas, na sua dimensão de operadores económicos que usam o contrato como regra das suas relações e que trocam bens e serviços entre si fungíveis, para satisfazer as suas carências e desejos. O mercado está sujeito aos princípios da chamada justiça comutativa, que regula precisamente as relações do dar e receber entre sujeitos iguais. Mas a doutrina social nunca deixou de pôr em evidência a importância que tem a justiça distributiva e a justiça social para a própria economia de mercado, não só porque integrada nas malhas de um contexto social e político mais vasto, mas também pela teia das relações em que se realiza. De facto, deixado unicamente ao princípio da equivalência de valor dos bens trocados, o mercado não consegue gerar a coesão social de que necessita para bem funcionar. Sem formas internas de solidariedade e de confiança recíproca, o mercado não pode cumprir plenamente a própria função económica. E, hoje, foi precisamente esta confiança que veio a faltar; e a perda da confiança é uma perda grave."
Papa Bento XVI, encíclica Caritas in Veritate
No seu editorial de hoje, José Manuel Fernandes achou que o Papa revela não ser anti-mercado. Tem razão. Mas o que esta passagem mostra (e há mais passagens que reforçam este ponto) é que Bento XVI está mais próximo da esquerda social-democrata do que de qualquer tipo de visão de direita sobre o mercado. JMF pode escrever o que lhe der na gana, não pode é truncar selectivamente a mensagem do papa para servir os seus próprios fins políticos. O que Bento XVI diz devia ser claro: as condições de possibilidade do mercado não podem ser entendidas sem uma ontologia social alternativa ao atomismo liberal. Tudo o resto é conversa.
De
Cam a 14 de Julho de 2009 às 05:23
Em termos económicos a mensagem da igreja defende os mesmo valores da esquerda. Aliás não defendesse a esquerda a liberalização do aborto (outras coisas também, mas a questão do aborto é crucial) e a Igreja tenderia a apoiar a esquerda.
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