O Humanismo do papa recusa qualquer tipo de pessimismo antropológico, bem como se afasta daquele tipo de cinismo tão do agrado de alguma direita. Por outro lado, a visão de progresso defendida por Bento XVI rejeita - e bem - a absolutização do progresso técnico da humanidade. Isto só ofende aquela esquerda que olha para a ciência e para o progresso técnico como uma nova religião. Como escrevi num post anterior, o humanismo da igreja depende de uma ontologia ética que rejeito. Mas convém não deitar fora o bebé com a água do banho.
«aquela esquerda que olha para a ciência e para o progresso técnico como uma nova religião»
Refere-se, concretamente, a quem?
De aorta a 15 de Julho de 2009 às 12:23
"Isto só ofende aquela esquerda que olha para a ciência e para o progresso técnico como uma nova religião."
pelo menos a ciência é uma religião que salva. salva-nos de morrermos de forma mais rápida, por exemplo. basta ir a um hospital e ver a quantidade de crentes que foram salvos por essa tal religião e outros tantos que gostariam de o ser.
agora, pertencer a uma esquerda bacoca que, sabe-se lá porquê, descobriu ao fim de 2000 anos que a religião é uma coisa boa e que merece ser respeitada (o marx deve estar a dar saltos no túmulo) é que nunca.
antigamente a esquerda era ateísta. agora senta-se à mesa com o poder religioso e comem todos da mesma gamela.
ora, foda-se!
«Aorta»,
não poderia estar mais de acordo com os seus comentários, tanto aquele a que respondo como os que faço mais abaixo. Realmente, não há pachorra para uma certa esquerda que acha que resolveu revalorizar a religião e transigir com o integrismo (nomeadamente, islâmico).
E continuo sem saber qual é a definição de religião do João Galamba, ou como ele a estica para incluir a ciência...
De aorta a 16 de Julho de 2009 às 10:36
é o que dá reler hegel, gadamers e outros autores de merda. gajos que produziram quilos de páginas onde falam de coisas que não existem e que ninguém percebe (porque não há nada para perceber), com o único objectivo contribuir para a mistificação da realidade.
a esquerda (comunista e socialista) anda perdida, não tem rumo, porque deixou de fazer sentido. agora só lhe resta rezar aos santos para ver se se safa. é a chamada conversão da rússia.
tenho um profundo desprezo intelectual por esta gente. porque não são sérios nem são honestos (intelectualmente falando, obviamente).
O Pós-modernismo, no fundo, é um novo obscurantismo.
De aorta a 13 de Julho de 2009 às 17:23
"O Humanismo do papa recusa qualquer tipo de pessimismo antropológico"
não é o humanismo do papa, é todo o humanismo e pensamento cristão.
se os homens foram criados por Deus, como pode haver lugar a pessimismos? isso seria admitir que a criação é imperfeita. mais seria ignorar a conquista de céu, como sentido da vida.
como é que alguém que vai ganhar o céu se pode sentir pessimista.
resumindo: no humanismo cristão não há, nem pode haver, lugar a pessimismos...
De aorta a 14 de Julho de 2009 às 11:48
ó joão, o que é uma "ontologia ética"?
É uma ontologia que reconhece uma dependência constitutiva entre os seres humanos. A ontologia atomista liberal não é ética. A ontologia católica e a depensadores como Hegel ou Gadamer são profundamente éticas, pois "ser" é "ser-com-outros".
De aorta a 14 de Julho de 2009 às 14:47
não sei se concordo... uma ontologia ética (raio de coisa!) deveria estar no domínio do "dever ser" e não no domínio do "ser com". a isso eu chamaria uma ontologia política.
"ser-com-outros" é um conceito demasiado heideggeriano e marxista (essência do homem é o conjunto das relações sociais), para poder ser lavada a sério. até porque é há uma coisa que se chama subjectividade, que gira em torno de um "eu" que, aposto, já ouviu falar.
mesmo assim, o joão esquece-se que, no caso do heidegger, aquilo que diferencia o homem é ele ser o "aí-do-ser", o lugar onde a questão ontológica se coloca. ora, esta experiência é individual e não colectiva, embora possa ser partilhada através da linguagem, entendida como a casa do ser (talvez a questão do what's in a name? não seja tão despropositada assim deste ponto de vista)
do mesmo modo tenho dúvidas que a ontologia católica seja uma ontologia do "ser-com". só se for uma ontologia de "ser com-Deus", quando muito.
o joão esquece-se que a "graça divina" é um dom atribuído individualmente, só para dar um exemplo. o mesmo acontece com a salvação. sou sempre eu, ser individual, que me apresento perante Deus e me salvo . e para isso não preciso dos outros para nada.
eu rejeito a dicotomia do "ser/dever ser" - há toda uma metafísica por trás disso. A terminologia de "Ser-com-outros" é de Heidegger, mas aquilo que ela expreime não. ALiás, eu acho que Hegel foi muito mais consistente na irredutibilidade do "com outros" do que Heidegger, que acaba num voluntarismo individualista, perdendo a dimensão ética da coisa. Por isso o meu pensador de referência é Hegel, e não Heidegger, pois, na minha opinião, a sua noção de espírito capta a "essência" da relação ética que Heidegger com a sua obsessão pela inautenticidade/autenticidade perdeu. Só Hegel (Gadamer, Ricoeur e Charles Taylor também). São estes últimos autores que reinterpretam a dimensão ética do cristianismo sem a metafísica pré-moderna de bento xvi
De aorta a 14 de Julho de 2009 às 19:35
"eu rejeito a dicotomia do "ser/dever ser" - há toda uma metafísica por trás disso."
por acaso gostava de conhecer a sua argumentação, mas compreendo que aqui não haja tempo nem seja o lugar.
quanto ao hegel, deixe-me que lhe diga, aquilo não é filosofia nem é nada. essa treta do "espírito absoluto" dá-me logo volta ao estômago. primeiro por ser espírito. depois por ser absoluto. como se uma desgraça não pudesse vir só.
é verdade que com hegel não caímos num voluntarismo individualista, mas somos transformados em palhaços da história, responsáveis por conduzir (no caso dos eleitos) a carneirada até ao fim daquela, saltitando entre a tese, anti-tese e síntese.
ora, que a realidade é dialéctica já sabiamos desde heraclito. que a dialéctica é um meio para chegar ao conhecimento, já sabiamos desde que platão escreveu a républica. a novidade do hegel foi ter misturado isto com o linguarejar da religião cristã.
tenho para mim a filosofia de hegel não passa de uma alucinação, escrita propositadamente para não ser entendida, e à volta da qual meia-dúzia de maluquinhos perdem tempo a falar de coisas que não só não entendem como não existem.
isto para lhe dizer que odeio hegel e todo o pensamento românico em geral, responsável por todo o tipo de totalitarismo e ditadores alucinados que achavam que deviam conduzir os povos "à salvação". foi o que se viu.
infelizmente não conheço Gadamer, Ricoeur ou Charles Taylor o suficiente, para poder argumentar consigo. mas gostava de saber como é que eles conseguem reinterpretam a "dimensão ética do cristianismo sem a metafísica pré-moderna" seja ela do bento xvi ou de outra pessoa qualquer. a menos que tenham criado uma metafísica pós-moderna
deixo-lhe um conselho. desista da filosofia continental. a filosofia anglo-saxónica é bem mais interessante. :-))))
De aorta a 14 de Julho de 2009 às 11:53
"Mas convém não deitar fora o bebé com a água do banho."
cristianismo à la carte? isso não existe.
De aorta a 14 de Julho de 2009 às 12:14
joão, deixo-lhe aqui o link do programa do partido Nazi, que também era socialista e dos trabalhadores. vai ver que encontra muitos pontos em comum com o seu pensamento.
sabe que não convém "deitar fora o bebé com a água do banho."
http://pt.wikipedia.org/wiki/Nazismo
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