Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

A dignidade da pessoa e as exigências da justiça requerem, sobretudo hoje, que as opções económicas não façam aumentar, de forma excessiva e moralmente inaceitável, as diferenças de riqueza e que se continue a perseguir como prioritário o objectivo do acesso ao trabalho para todos, ou da sua manutenção. Bem vistas as coisas, isto é exigido também pela « razão económica ». O aumento sistemático das desigualdades entre grupos sociais no interior de um mesmo país e entre as populações dos diversos países, ou seja, o aumento maciço da pobreza em sentido relativo, tende não só a minar a coesão social — e, por este caminho, põe em risco a democracia —, mas tem também um impacto negativo no plano económico com a progressiva corrosão do « capital social », isto é, daquele conjunto de relações de confiança, de credibilidade, de respeito das regras, indispensáveis em qualquer convivência civil.

 

Papa Bento XVI, encíclica Caritas in Veritate

 

Está visto que Bento XVI também é membro honorário da associação de "Cainesianos Tugas".

 


8 comentários:
De Zé Carioca a 13 de Julho de 2009 às 13:44
'...Está visto que Bento XVI também é membro honorário da associação de "Cainesianos Tugas"...'

Talvez seja verdade.

Mas, na frase citada nada há que indique nesse sentido.

Ou seja, uma vez mais Galamba atirou uma posta de pescada ao ar, tentando fazer-se passar e (mais grave) pensando ser muito inteligente.








De Pedro a 13 de Julho de 2009 às 14:02
Como obviamente o João Galamba não ultrapassa o preconceito de achar que apenas podem existir opções económicas com preocupações sociais se estas forem emanadas dos estados, a frase citada soa a Cainesianismo Tuga ". Se contudo interpretasse a mesma frase como uma recomendação dirigida à sociedade em geral e aos católicos em particular (porventura empresários), a conclusão pode não resultar tão óbvia e até permite que o Papa Bento XVI seja um perigoso liberal (coisa que certamente não é).
Mais, subentender que a defesa de opções económicas que não fazem aumentar as desigualdades de forma excessiva e promovem o trabalho para todos, é o mesmo que defender um determinado tipo de intervenção do estado em favor desses objectivos Keynesianismo ), é manifestamente uma interpretação pessoal do João Galamba. Eu acredito que esse tipo de intervenção agrava e perpetua as tais desigualdades excessivas, e acredito ainda que prejudica o rendimento dos mais frágeis (venha ele do trabalho ou da caridade). Apesar de eu acreditar nisto não vou dizer que o Papa Bento XVI é anti-Keynesiano , seria manifestamente excessivo.


De Joca a 13 de Julho de 2009 às 14:25
Não sabia que estavas a estudar para sacristão.


De aorta a 13 de Julho de 2009 às 15:15
a continua assim a próxima encíclica será a favor de legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo e da descriminalização do aborto.


De Ricardo Alves a 13 de Julho de 2009 às 16:57
B16 em defesa do «Estado Mínimo»:

«Não precisamos de um Estado que regule e domine tudo, mas de um Estado que generosamente reconheça e apoie, segundo o princípio de subsidiariedade, as iniciativas que nascem das diversas forças sociais»

(Ratzinger, «Deus Caritas Est», 2006)


De A. Santos a 15 de Julho de 2009 às 12:08
Já agora, porque não, também, dos "Adam Smith ianos Tugas" ou, se quiser, de todos aqueles que vêm as relações económicas como instrumento de realização pessoal e agregador das relações sociais inter-subjectivas.


De A. Santos a 15 de Julho de 2009 às 12:30
Convirá também ler Centesimus annus e um sem número de documentos sobre o pensamento social e económico da Igreja.


De A. Santos a 15 de Julho de 2009 às 14:49
J. Galamba.
Depois de ver a sua sequela, e considerando a grande publicidade dada à encíclica Caritas in Veritate, é que me apercebi que só agora o J. Galamba se apercebeu que o Papado tem pensamento social e económico.
Não creio que, como fraudulentamente quer fazer crer, Keynes lhe diga muito.
Mas a sua grande fraude está em querer fazer crer que determinadas posições ou considerações políticas são património da esquerda socialista, quando, na verdade, sabe que a esquerda socialista foi, provavelmente, a última a chegar a tais posições políticas. Mesmo entre nós!
O Galamba pega numa meia dúzia de elementos do Estado de Direito Liberal, outra meia dúzia do Estado Social de Direito e toca a reescrever a história.


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