"Perante a aparente incapacidade do Ministério da Educação em elaborar exames de dificuldade consistente de ano para ano, a solução parece-me simples: rasgar as notas absolutas. É irrelevante saber se o aluno teve "positiva", 30 ou 80%. O que importa é a posição relativa do aluno em relação aos seus colegas, isto é, o percentil. Se está nos 5% de topo ou nos 5% da cauda. Só estas notas deveriam ser lançadas. Em primeiro lugar, porque a distribuição da qualidade dos alunos deve ser mais estável de ano para ano do que o grau de dificuldade dos exames de um Ministério com a obsessão das estatísticas. Em segundo lugar, porque os alunos devem perceber que não interessa ter "positiva" e sim ter um resultado melhor do que o dos colegas, visto que estão em competição directa uns com os outros. Em terceiro lugar, porque acabaria esta moda de perguntar aos alunos se os exames foram fáceis e a Ministra deixaria de fazer declarações patetas sobre o aumento das positivas. Quanto a saber se os alunos estão melhores ou piores com o passar dos anos, esse é um trabalho para a OECD."
Eu subscrevo esta proposta. Acabava-se de vez com o ridículo de ver o governo e oposição a discutir se uma média de 10 ou 12 é positiva ou negativa. A chicana actual não leva a lado nenhum.
De
agent a 14 de Julho de 2009 às 14:19
Na semana passada, a Ministra responsabilizou a comunicação social pela baixa a Matemática, esta semana os Professores de Português querem que Governo explique duplicação de negativas, para a semana, as associações de pais vão culpar as empregadas de refeitório pelas negas a físico-química.
Estudar, lol.
De Luís a 14 de Julho de 2009 às 14:25
Toda esta polémica dos exames do 12 ano já há muito que ficou resolvido em países como a Franca, por exemplo.
Os resultados dos exames do que é o equivalente do 12 ano saíram ontem e , pasme-se, 87% dos alunos conseguiram obter o 12 ano. O governo francês está muito satisfeito com os resultados porque esta percentagem tem vindo a subir de ano para ano. Sabem como é que isto é possível? Antes da correcção dos exames é estabelecido qual é a percentagem de alunos que deve passar, depois a correcção e os resultados são dados de acordo com a meta a atingir.
Por isso a questão das estatísticas não é só em Portugal. Já agora, a Dinamarca funciona da mesma maneira e não me parece que estes países sejam considerados como uma catástrofe a nível da educação dos seus cidadãos.
Deixem de massacrar a ministra da educação que é talvez a melhor ministra que alguma vez tivemos.
Só a direita acha que os exames devem ser mais difíceis. Sabem porquê? Porque eles têm dinheiro para pagara a explicadores particulares.
De M. Abrantes a 14 de Julho de 2009 às 14:29
O pior que pode acontecer a qualquer sistema de avaliação é não poder ser ele mesmo avaliado. Isto tanto vale para professores como para provas de matemática.
Se for minimamente claro aquilo que se pretende que um aluno saiba, então não podemos ficar indiferentes a uma média ser de 10 ou de 18, a primeira delas mostrando insuficiências da maquinaria de ensino no alcance dos objectivos propostos.
A proposta que subscreve preocupa-se com o aspecto e descura a substância. Representa uma fuga para a frente, típica dos políticos (não estou a dizer que é intencional).
De João Gundersen a 14 de Julho de 2009 às 14:41
Sim senhora, que proposta maravilhosa. Numa turma de nhurros está tudo dentro do percentil e aquele que é um bocadinho menos nhurro é o génio da turma. Eu tive um professor que dizia que o proletariado é um estado de espírito que consiste em reduzir tudo ao mínimo denominador comum. O problema do ensino é sobretudo a decadência no nível dos conhecimentos que se exige aos alunos. Esta proposta é mais Guterrada na educação.
De VMB a 14 de Julho de 2009 às 18:26
A proposta é má se for aplicada a uma turma, mas não era essa a proposta. O que escrevi faz sentido para exames nacionais, que juntam milhares de alunos, porque aí estamos a salvo das flutuações na qualidade dos alunos que ocorrem ao nível das turmas. Se calhar não me expliquei bem...
De acordo. Umas noçõezinhas básicas de estatística permitem-nos entender que o sistema de avaliação não está estabilizado.
Qualquer português que já se tenha candidatado a fazer um doutoramento numa universidade americana (isto é, muitos portugueses) sabe que é assim que os candidatos (de todo o mundo) são classificados: fazem um exame comum, e são ordenados de acordo com a percentagem de candidatos que teve nota inferior.
Ou seja, esta proposta do Vasco Barreto nada tem de revolucionário, e é correntemente aplicada alhures.
Entretanto, esta proposta não é inteiramente satisfatória, por dois motivos. Primeiro, porque permite que passem de ano alunos que efetivamente não sabem nada - desde que o nível global seja muito baixo, um aluno pode passar sem praticamente saber nada. Segundo, porque esta proposta não se adequa à nossa cultura, a qual é baseada em conceitos de Verdade absoluta e não de Justiça relativa.
O sistema que eu costumo aplicar é ligeiramente diferente. Eu classifico os meus estudantes de 0 a 20 de acordo com padrões absolutos. Depois multiplico todas as notas por um fator comum de tal forma que o melhor dos estudantes tenha uma nota razoavelmente alta. Desta forma mantêm-se as posições relativas dos estudantes, mas introduz-se um conceito de mérito absoluto.
De VMB a 15 de Julho de 2009 às 10:25
A proposta só faz sentido quando aplicada a exames nacionais. Precisamos de uma amostra grande. Não sugeri que fosse aplicada a turmas individuais.
O sistema actual já permite que passem alunos que nada sabem - basta fazer exames fáceis. O sistema por percentil elimina essa eventual tentação do Ministério. Em síntese, é mais informativo saber que um aluno teve uma nota acima de 50% dos restantes alunos do que saber que teve "positiva". Ter tido positiva não me diz nada se eu não tiver forma de saber o grau de dificuldade do exame. O percentil diz-me imediatamente que o aluno é mediano.
É estranho que a Sociedade Portuguesa de Matemática, sempre tão envolvida em questiúnculas, não se tenha lembrado disso, não é?
De Zé Carioca a 14 de Julho de 2009 às 15:18
Bom, como as notas també interessa para saber-se quem teve, ou não teve aproveitamento; acho que era melhor fazer as duas coisas: notas absolutas e 'ranking' dos resultados.

Assim arriscamo-nos a que mesmo os alunos no percentil 98 tenham um conhecimento quase nulo das matérias, se a esmagadora maioria dos examinados manifestarem um nível mesmo deplorável... poderíamos estar a criar uma geração de burros convencidos de serem os maiores. Seria o triunfo do modelo "Em terra de cegos quem tem um olho é rei".
E no 9.º ano, por exemplo, onde é que anda a competição entre alunos? E nos anos em que as notas definem os acessos à universidade, como poderíamos acomodar alunos oriundos de outros sistemas?
De VMB a 14 de Julho de 2009 às 18:41
Luís,
Volto a lembrar que a proposta só é válida para exames nacionais (era o que se discutia). A ideia é que a variabilidade na qualidade dos alunos é uma característica estável, que muda muito pouco de ano para ano, independentemente das modas do Ministério. Haverá sempre alunos muito bons e alunos muito maus.
O problema que descreves é altamente improvável, justamente por causa da varabilidade. Mas a acontecer, também não se resolve com o sistema actual. O que significa centenas de vintes se o teste for muito fácil?
A ideia da competição não é necessária para que a proposta seja válida, mas para os alunos do nono ano até seria pedagógica, porque mais tarde ou mais cedo eles estarão em competição directa.
Nos anos que definem os acessos à universidade poderíamos acomodar os alunos oriundos de outros sistemas convertendo o percentil numa nota absoluta (top 5% equivale 19, e por aí abaixo). Isto corresponderia a uma normalização, o que seria uma vantagem acrescida e que não introduziria grandes distorções se em cada via de acesso o número de alunos for sempre muito elevado, o que julgo ser o caso...
Além do mais, este sistema acabaria de vez com avaliações entre anos que só são reconhecidas pela entidade mais interessada na matéria, o que é uma completa aberração. Com este sistema apenas seriam avaliados os alunos de um determinado ano. Ponto final. Para saber se os alunos melhoraram em relação a outros anos precisamos de outras análises.
De Pedro Ornelas a 15 de Julho de 2009 às 12:48
"A ideia da competição não é necessária para que a proposta seja válida, mas para os alunos do nono ano até seria pedagógica, porque mais tarde ou mais cedo eles estarão em competição directa."
Gostaria de saber o que entende por pedagogia!? Especialmente porque hoje em dia a ênfase encontra-se na capacidade de trabalhar em equipa e de ser cooperante, não só nas instituições de educação como no mercado de trabalho. Um sistema em que os alunos vêem-se (desnecessariamente) obrigados a competir com os outros, parece-me sim anti-pedagógico.
Algumas reflexões sobre a avaliação relativa: http://istonaoeparavelhos.wordpress.com/2009/03/09/a-maldita-curva-normal/.
De
DG a 14 de Julho de 2009 às 18:11
Escolham um de dois sistemas:
1 - Exame em escolha múltipla , para saber o que o aluno sabe de um universo de n factos, com nota absoluta; ou
2 - Exame subjectivo (pergunta longa e complicada com possibilidade de diferentes respostas) com nota relativa de 0 a 100% para ordenar os candidatos.
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