O que nasce torto, tarde ou nunca se endireita.
É o caso do ESP, no qual se tolerou, durante demasiados anos, professores com qualificações deficientes e a cumprirem funções permanentes mas contratados a prazo.
Agora o ministro quer endireitar isto, e faz ele muito bem, mas fá-lo à bruta, sem ter em conta que - mal ou bem - é preciso respeitar os anos de trabalho que essas pessoas dedicaram a essa "carreira" feita de contratos a prazo.
Em suma, o ministro tem alguma razão, mas os professores têm muita mais.
As conclusões do Luís Lavoura fazem tanto sentido como os autocarros e os velhos, no post de baixo.
"O que nasce torto, tarde ou nunca se endireita."
Boa desculpa para não fazer nada. O que nasce torto, tem que se endireitar. Se partir, aproveita-se a melhor parte.
"É o caso do ESP, no qual se tolerou, durante demasiados anos, professores com qualificações deficientes e a cumprirem funções permanentes mas contratados a prazo. Agora o ministro quer endireitar isto, e faz ele muito bem,"
Até aqui estamos de acordo...
"mas fá-lo à bruta, sem ter em conta que - mal ou bem - é preciso respeitar os anos de trabalho que essas pessoas dedicaram a essa "carreira" feita de contratos a prazo."
Por que ninguém fala dos anos que os bolseiros dedicam às suas profissões na precariedade total e sem protecção social nenhuma?
Se ele desatar a despedir doutorados experientes, com muitos anos de ensino, concordo que o faz à bruta. Mas nada diz que ele o fará assim. Só há duas hipóteses: ou vão todos a concurso (competentes e incompetentes), ou entram todos os que já lá estão (competentes e incompetentes). O que é que o Luís prefere?
As reformas custam sempre a alguém. Elogio este governo por muitas, e esta é uma delas.
"Em suma, o ministro tem alguma razão, mas os professores têm muita mais."
Nada mais errado. Compreendo que os professores estejam apreensivos (eu também estaria no lugar deles, admito), mas o ministro tem muita razão.
De Anónimo a 27 de Julho de 2009 às 21:18
por lá se passeia tanto incompetente que penosamente se arrasta mafiosamente para esta situação. Desde sempre viram um furo, veja-se o casos das ESTS , exemplo a de Coimbra , cheiinha de sacaninhas e ninguém sabe porque lá foram parar e como conseguem manter-se sem o mínimo de sapiência para tal, dando todo o tipo de cadeiras tenham ou não competência para o fazer.
Mas não era este blogue acusado de ser o "blogue oficioso do PS"? Afinal, parece que devias ir marchar junto do Mário Nogueira, M. João.
"Este é que é o maior problema, porque gera a injustiça social de poder colocar na rua pessoas que cumprem funções há muito tempo com toda a competência e muitas em regime de exclusividade! Ou seja, são pessoas que fizeram do ensino politécnico a sua vida profissional e tiveram duas vezes azar"
Não as coloca na rua. Coloca-as a concurso. É evidente que uma pessoa competente, que se tenha doutorado, e que esteja há dez, 20 anos naquelas funções terá vantagem sobre um outro candidato de fora. É assim em qualquer lado. O problema são os outros, a saber:
- os que se andam lá a arrastar há dez, 15, 20 anos e nunca fizeram o doutoramento (ou, pior, agora fazem um doutoramento a martelo porque são obrigados - conheço vários casos assim) - contavam com o empregozinho e nunca fizeram nada para progredirem (que é o que um professor do ensino superior deve fazer - progredir, investigar, melhorar);
- os que entraram há pouco tempo (e que são muitos) - são novos, licenciados há poucos anos. Esses que peçam bolsa à FCT se querem fazer um doutoramento. A FCT aliás não deveria dar bolsas a este tipo de candidatos. De resto não há razão absolutamente nenhuma para que estes candidatos sejam beneficiados e os bolseiros preteridos. E não me venham falar em precariedade. Ninguém sabe melhor no meio académico o que é a precariedade que um bolseiro. O que é que esta gente é mais do que os bolseiros para os estar a discriminar assim, só porque estão agarrados ao lugarzinho?
"quem pretende ir para o (sub-sistema) universitário sabe que tem que fazer o doutoramento e, caso o faça, passa a professor auxiliar (ficando portanto com um contrato por tempo indeterminado – nova designação da situação mais próxima do antigo “quadro”);"
Treta, treta, treta. Eu pretendo ir para o sistema universitário. Já fiz o doutoramento há seis anos e nunca passei a prof. auxiliar. Porquê? Porque nunca fui assistente! Na prática o sistema de que o Miguel Campilho se queixa já não existe - as universidades já não contratam assistentes (pelo menos em ciências e engenharia), e ainda bem. Vejam se metem na cabeça - lugares no ensino superior, só para doutorados! É assim em qualquer país civilizado. É mais uma das boas medidas deste governo, que eu há muito ansiava.
De
LA-C a 28 de Julho de 2009 às 01:29
Estou com o Filipe Moura neste assunto. Só mais uma achega, não é verdade que um prof auxiliar fique com contrato por tempo indeterminado. O prof auxiliar é contratado por 5 anos. Ao fim de 5 anos o Conselho Científico decide se é corrido ou se lhe deve ser oferecido um contrato por tempo indeterminado. Assim, ao contrário do que transparece no texto do blogue, mesmo no Ensino Universitário não basta o doutoramento para se ter a carreira definida. O doutoramento apenas dá acesso a um período experimental de 5 anos. Isso quer dizer que alguém que termine o doutoramento aos 35 anos, ainda terá de esperar pelos 40 para ver a sua vida, eventualmente, definida.
De M. Abrantes a 27 de Julho de 2009 às 22:40
Ao contrário do que o Luis Lavoura diz, Gago não quer endireitar coisa nenhuma. Quer apenas que o Politécnico sirva para absorver os alunos subavaliados do Secundário, da forma mais barata possível: recrutando docentes a tempo parcial, que vão ganhar 1/3 daquilo que é o salário mais baixo actualmente pago aos docentes do Politécnico.
Os politécnicos viveram sempre debaixo de uma franja de indefinição (ontológica) mantida pelos sucessivos governos. Se alguns foram sobrevivendo, e até afirmando-se como instituições de ensino de qualidade, [sendo actualmente motores de vitalização das regiões em que se inserem, especialmente no interior onde se constituem como os principais antagonistas da desertificação - dou como exemplo o IPBragança, onde trabalho], tal se deve, no essencial, ao esforço e dedicação das pessoas que deles fazem e fizeram parte, algumas das quais estão agora em risco de serem despachadas pelos políticos da capital.
M.Abrantes, eu sou de Lisboa, já dei aulas no Politécnico de Leiria e agora sou investigador contratado (com um contrato de cinco anos) na Universidade do Minho.
Conheço muitos "doutorados da capital" que não se importariam nada de irem para outra parte do país. Há aí muitos em Bragança?
Mas o mais incrível do texto do post é mesmo a interrogação final: "como cativar pessoal novo para o politécnico?" Em que mundo é que o autor vive? Num lugar com muito poucos doutorados, não? Eu conheço muitos doutorados prontos a aceitarem uma vaga no ensino politécnico. O ensino politécnico assim torna-se menos atraente a recém-licenciados, de facto. E ainda bem.
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