Terça-feira, 4 de Agosto de 2009
É muito provável que, nas próximas eleições, os partidos da esquerda obtenham, em conjunto, uma votação bem acima dos 60%.
Porém, sendo também possível que o PS não consiga a maioria absoluta, não é óbvio que a esquerda possa tirar vantagem de uma maioria tão dilatada.
Já se sabia que não se pode contar com os comunistas para formar governo. Ficámos recentemente a saber que, enquanto Louçã mandar, tampouco o Bloco estará disponível para coligações ou negociações, tentações do demo que não têm cabimento no seu vocabulário.
De modo que há quem se entusiasme com a eventualidade de um governo de bloco central patrocinado pelo Presidente da República.
Imaginemos, porém, que, mesmo sem maioria absoluta, o PS se abalança a formar um governo com um programa susceptível de concitar um vasto apoio entre independentes de esquerda.
Como poderá Louçã justificar a oposição sistemática do Bloco a um tal executivo? Como conseguirá manter unido o seu grupo parlamentar durante quatro anos? Como evitará a deserção de apoiantes cansados de uma actividade política sem sentido útil visível para além da exibição mediática dos dirigentes do BE?
A novela Joana Amaral Dias, concebida, escrita e representada por Francisco Louçã, é um sinal antecipado do seu receio de fuga de muita gente insatisfeita com o beco sem saída de uma política orientada pelo rancor e pelo ressentimento.
O Bloco vai ter que portar-se como gente crescida, exigência tanto mais evidente quanto maior for a sua votação. Não há futuro para os meninos da Terra do Nunca.
Ou viabiliza uma solução governativa de esquerda, ou viabiliza uma solução governativa de direita. Game over.
De jpt a 4 de Agosto de 2009 às 13:21
"Ou viabiliza uma solução governativa de esquerda"
sim, mas tem que ser de esquerda, o que exclui governos presididos por sócrates . Se os 20 % que votam à esquerda do PS o fizessem para apoiar um novo governo de Sócrates, votariam PS, ou não? mais do mesmo não obrigado.
Para além disso eu lembro-lhe que vamos votar em deputados, não em governos. E os deputados do BE , que eu saiba, não saem do parlamento na altura das votações, votam de acordo com o que pensam sobre os vários assuntos. É isso que eu quero que eles façam, e é por isso e para isso que eu voto BE .
Formalmente votamos para a AR mas é o Governo que está presente no pensamento dos eleitores. Doutro modo que interessaria o facto de Sócrates integrar ou não a lista do PS? É só mais um deputado entre 230.
Quanto ao líder de cada partido cabe aos militantes decidir quem querem.
Já agora, gostaria de saber quais as medidas de direita que este Governo tomou se exceptuarmos o pragmatismo do código do trabalho.
De fernando rosa a 4 de Agosto de 2009 às 14:36
Que eu saiba o bloco nunca negou viabilizar nada contra o PS. negou sim viabilizar as políticas do PS. Que quer se goste quer não são de direita na grande maioria das vezes. Os votantes do bloco votam neste por ser de esquerda e ser socialista. Caso contrário não fará sentido votar-mos no bloco. senão seria vioabilizar mais do mesmo, e isso ja todos sabemos no que dá.
De fernando f a 4 de Agosto de 2009 às 14:49
Confesso que me surpreendeu a posição de Louçã, que não lhe convinha e não queria apoiar o PS, já o sabia - mos desde Guterres, agora aquele ar zangado com tudo e com todos é caso para análise de Amaral Dias pai, porque a filha é só Joana. Bloco central bbrrrrrrrrrrrr... Governo com independentes de esquerda, talvez com António Costa, se Roseta tivesse sido a candidata á CML. Mas assim já não deve dar.
De isabel a 4 de Agosto de 2009 às 14:57
faz falta discernimento a quem ainda pensa que votar num partido como o BE, que foge das decisões executivas como o diabo da cruz, tem algum proveito. é que o dia-a-dia não se compadece com frases populistas e sem um pingo de pragmatismo.
obrigada, Pinto e Castro, pela sua lucidez.
O Louçã afinal já é um gajo poderosíssimo: convenceu o Paulo Campos a representar o seu script. E a maçonaria manda em todos nós.
De soda acústica a 4 de Agosto de 2009 às 15:50
"É muito provável que, nas próximas eleições, os partidos da esquerda obtenham, em conjunto, uma votação bem acima dos 60%."
Deixe-se de ironias a esquerda jamais (como diria Mário Lino) ultrapassará os 25%.
Não queira fazer do PS um partido do qual ele nunca foi.
De Anónimo a 4 de Agosto de 2009 às 22:51
Como incomoda os senhores deste blog o crescimento do bloco!! Não se ponha a vaticinar a desgraça do bloco, porque isso já andm a fazer há 10 anos e têm errado sempre... ihihih
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