Terça-feira, 4 de Agosto de 2009

"O governo do PS foi um dos fiéis seguidores da ideologia neoliberal que promove um Estado minimalista. No momento da crise, no entanto, predominou a nacionalização do prejuízo. O capital quer a receita de sempre: espoliação do Estado e esmagamento dos direitos dos mais desprotegidos. Chega a hora de o governo prestar contas pelo aumento do desemprego e da precariedade, pela redução dos salários e pensões, por um código do trabalho que aprofundou o retrocesso civilizacional iniciado por Bagão Félix, pelas privatizações, pelas desigualdades sociais e pela degradação dos serviços públicos. Passados quatro anos de governação, temos um país mais desigual e socialmente mais inseguro, onde o medo impera em muitas empresas e serviços" (Programa do Bloco de Esquerda para as legislativas, pp. 11)


 

 1. Aumento do desemprego: Apesar da modernização do país, o PS não fez nada para reduzir o desemprego. A crise financeira também é irrelevante. A culpa é toda do PS. Se o bloco estivesse no governo não haveria desemprego e a economia estaria a crescer ao nível da China;

 

2. Precariedade: Não chega penalizar fiscalmente o recurso a recibos verdes. Não chega combater os falsos recibos verdes. Se o bloco estivesse no governo os recibos verdes. seriam proibidos. A precariedade seria ilegalizada. Se o desemprego disparasse, a culpa seria obviamente dos patrões;

 

3. Redução dos salários: Esta é uma acusação a priorienquanto o PS estiver no governo, os salários descem, por definição. A luta de classes é uma necessidade lógica. e a redução dos salários é um axioma Não interessa que o PS tenha aumentado o salário mínimo para 450 euros. Ou melhor, temos de ignorar este facto, caso contrário deixamos de poder acusar o PS de ser um dos mais fíeis seguidores do neoliberalismo. Se o Bloco estivesse no governo, os salários seriam iguais aos da Suécia;

 

4-Redução das pensões: A reforma da segurança social era totalmente desnecessária, pois a história da sua ruptura financeira é uma mentira inventada pelo PS e pela direita neoliberal. Que a reforma feita por Vieira da Silva tenha sido amplamente elogiada, só mostra como os neoliberais estão em todo o lado. Se o Bloco estivesse no governo, não só não teria feito qualquer reforma, como teria aumentado a pensão mínima para 500 euros, ou até um pouco mais — tanto quanto necessário;

 

5. O código do trabalho que é um retrocesso civilizacional. Não interessa a criação da licença parental.  Nem interessa que o PS tenha optado por flexibilizar o tempo de trabalho em vez de liberalizar os despedimentos. Para o Bloco, o éden laboral era aquele que existia em 1975. Desde então, tem sido sempre a retroceder. Qualquer tipo de flexibilização, é neoliberalismo — e o neoliberalismo é pecado. Se o BE estivesse no governo, não só proibiria os despedimentos, como tornaria a admissão de trabalhadores numa obrigação legal. Como o Bloco não é um partido revolucionário, a criação da sua Utopia depende de um simples acto administrativo. Tivessem eles o poder e tudo se resolvia num ápice;

 

6. Privatizações. São sempre erradas. Se o Bloco estivesse no governo, nacionalizava a Galp e a EDP. Não interessa que o PS tenha nacionalizado a COSEC. Como o PS não nacionalizaou aquilo que o BE acha que deve ser nacionalizado, é neoliberal;

 

7-Desigualdades: Isto é mais um chavão do que uma crítica empiricamente fundamentada. Todos os dados disponíveis mostram que a desigualdade efectivamente diminuiu durante o governo PS, e tal deveu-se uma aposta em políticas sociais, como o complemento social para idosos, o aumento do salário mínimo e o reforço da acção social escolar. Se o Bloco estivesse no governo o importante não era tomar medidas cujos resultados se traduzissem numa redução desigualdades. O importante seria Acabar com as Desigualdades, que é algo inteiramente distinto dos gradualismos e das prudências burguesas do PS.

 

8-Degradação dos serviços públicos: Não interessa que o PS tenha  procurado salvar o SNS, Não interessa que tenha substituido os Hospitais SA. pelos EPE. Não interessa a aposta no reforço do SNS, com a reforma dos cuidados primários e a criação da Rede Nacional de Cuidados Continuados. Como o PS fechou maternidades, é neoliberal. Se o Bloco estivesse no governo havia maternidades em cada casa e um hospital em cada aldeia, vila e cidade de Portugal.

 

O diagnóstico do Bloco à governação PS não decorre de qualquer leitura da realidade. O bloco prefere inventar a sua própria realidade, e o retrato do PS é sobretudo uma forma a priori que o Bloco usa para desqualificar os seus adversários. Ou seja, como Bloco é contra o neoliberalismo, e como o PS não embarca na irresponsabilidade, no populismo, na demagogia e no radicalismo do Bloco, o PS é necessariamente neoliberal. Em política não há compromissos.
 (publicado também aqui)


2 comentários:
De Ibn Erriq a 4 de Agosto de 2009 às 14:09
O João galamba, está bem lançado, imagino o que terão para lhe dizer as pessoas de Monsanto quando for com essa conversa, isto se souber onde tal coisa fica!

Bom, de facto é engraçado ouvi-lo falar de chavões

1) "Não interessa que o PS tenha nacionalizado a COSEC.", onde, como e quando? Já está?

Diz assim na página da COSEC "A estrutura accionista da COSEC reúne a solidez do BPI, o 4º maior grupo financeiro Português e a experiência da Euler Hermes, o maior grupo segurador de créditos a nível mundial."

Diz mais, que é detida a 50% por cada um dos acionistas!

2) "Não interessa que o PS tenha procurado salvar o SNS", pena que o seu fundador seja tão critico relativamente ao andamento do SNS, mas não é o unico histórico do PS!

3) "Como o PS fechou maternidades, é neoliberal. Se o Bloco estivesse no governo havia maternidades em cada casa e um hospital em cada aldeia, vila e cidade de Portugal."
-Como explica, então, que se abram maternidades e clinicas onde o estado fecho maternidades e unidades hospitalares?
- Que estranho se o PS estavam tão convencido do que estava a fazer porque é que substituiu o ministro e parou com a sangria de fechos?

4) "Não chega penalizar fiscalmente o recurso a recibos verdes. Não chega combater os falsos recibos verdes. Se o bloco estivesse no governo os recibos verdes. seriam proibidos. A precariedade seria ilegalizada. Se o desemprego disparasse, a culpa seria obviamente dos patrões;"
-Como explica, então, que os recibos verdes sejam usados de forma selvagem, quando de verdadeiros trabalhadores por conta de outrem se trate? Como explica que o próprio Estado se permita ter anos a fio pessoas a serem pagas por recibo verde quando estas são funcionários que preenchem lugares de necessidades permanentes?

Seriedade é aceitar os erros, conviver com eles, não transforma-los em virtudes ou dizer que nunca acontecerem!


De closer a 4 de Agosto de 2009 às 23:33
Aqui, no aconchego do seu blog, o João Galamba, é o campeão dos campeões. Mas , frente a frente com Louçã, ei-lo mansinho, encabulado, completamente engolido nas discussões sobre matéria económica, protestando de forma mole e de mansinho, perante os argumentos avassaladores do seu interlocutor, como um aluno reverente e cábula abismado perante a sabedoria do professor. Bom presságio para o futuro deputado...


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