Quinta-feira, 6 de Agosto de 2009
Gonçalo Pires

O ruído de fundo que se ouve há muitos anos em Portugal decreta, por fatal incompetência, um miserável destino ao povo Português. Somos mais pobres, pouco qualificados, não queremos trabalhar e estamos sempre muito endividados. A voz da consciência crítica Portuguesa é muito lesta no diagnóstico e ainda mais expedita a apontar os responsáveis. Os nossos políticos são incompetentes. 

 

Não se deve exigir aos nossos marretas que apontem caminhos, que encontrem soluções ou que resolvam os nossos problemas. No entanto, dever-se-á exigir que sejam um pouco mais desenvoltos a explicar ao povo os méritos de algumas das políticas públicas mais inovadoras perseguidas por Portugal nas últimas décadas. Falo das energias renováveis, do choque tecnológico, especialmente na educação, e da mais recente aposta no carro eléctrico.     

 

Confesso, gostava de ouvir o Medina Carreira falar do impacto das renováveis no nosso deficit externo, gostava de ouvir dos nossos 28 economistas credíveis uma explicação sobre a importância de um provável sucesso do carro eléctrico na economia Portuguesa, sobre a importância da aposta do choque tecnológico na educação para um crescimento mais qualificado nas próximas décadas, gostava de os ouvir a criticar estas políticas como ouvimos em tempos uns miserabilistas assumidos a criticar o investimento em comboios no século XIX.

 

Tudo isto por causa dos últimos textos da Palmira que tocam num ponto fundamental. Quando se faz algo de inovador, arrojado, que envolve mais risco que certezas, está-se exposto às críticas dos cépticos profissionais, imortalizados pela nossa história como os velhos do Restelo.  Ridicularizar os projectos que não podem ser suportados pelas melhores práticas, simplesmente porque não existem exemplos para guiar a nossa acção, podem até ser acertadas, mas excluem o mérito de quem tenta chegar primeiro, crítica fundadora de quem tenta explicar o nosso miserável destino.    
 

3 comentários:
De tz a 6 de Agosto de 2009 às 12:35
Muitos dos "nossos políticos" são incompetentes, mas o seu maior defeito é a desonestidade.
As medidas que tomam caem no limbo da publicidade para enganar o povo e raramente são sujeitas a avaliação.
Dou um exemplo, por exemplo, entre mil: há uns anos José Sócrates, então Ministro do Ambiente, mandou montar uma tenda junto a uma charca, ali para os lados de Castro Marim, para anunciar um programa de investimento fantástico na recuperação das pequenas albufeiras que há por esse país fora.
Tenda montada, imprensa chamada, milhares de contos gastos, procissão de funcionários públicos fingindo trabalhar (dos mais bem pagos)...
Saberá Gonçalo Pires do miserável destino desse pioneiro programa? Houve alguma acção em alguma barragem? Não houve nada que se visse.
Enfim, eram ricos tempos: em que Guterres recebia mensagens na barrinha de Esmoriz entregues por astronauta que entrava na tenda em rapel... tempos em que a nossa acção se guiava pelos relógios Polis...
Somos uns ingratos sem desenvoltura nem arrojo. Uns miseráveis.


De PALAVROSSAVRVS REX a 6 de Agosto de 2009 às 13:00
Mas o Velho do Restelo estava certo e é a figura mais lúcida e sábia que comparece n'Os Lusíadas. Só pode invocar depreciativa, pejorativamente o Velho do Restelo que nunca leu o Velho do Restelo. A solução para Portugal é articular o Velho do Restelo com Vasco da Gama: o Carro Eléctrico e o Magalhães são geringonças com visão e potencial. Padecem do problema de serem anunciadas por feirantes que descuram o essencial: há fome e miséria em Portugal. E muita de essa fome provém do modo como o Partido Siciliano e a corrupção de décadas tem subvertido o progresso em Portugal. First things first.


De nuvens de fumo a 6 de Agosto de 2009 às 13:49
Acho que um dos maiores problemas deste PS foi o explicar muito mal as medidas tomadas. Nomeadamente deixou que iniciativas como o Magalhães fossem viradas contra si.
Pena mesmo porque isso só alimenta o cometário de café habitual.


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