Quarta-feira, 23 de Setembro de 2009
Inês Meneses

 

Independentemente da opinião que se tenha sobre as farmácias hospitalares, estas declarações são de uma irresponsabilidade inaceitável, para além de uma falta de decência que me confunde. Alguém lembra a esta senhora que a missão e os poderes que tem lhe são directamente outorgados pelo Estado, e que ela tem deveres estritos perante o interesse público? Se querem fazer uma associação empresarial, que defenda os seus direitos comerciais (mesmo que à custa de lançar boatos irresponsáveis), façam-na; não podem é chamar-lhe Ordem.


6 comentários:
De Luís Lavoura a 23 de Setembro de 2009 às 11:14
A Inês tem naturalmente razão mas, vendo esta situação do ponto de vista do Estado e da política que este deve seguir, o que há a fazer é, precisamente, retirar à Ordem dos Farmacêuticos os poderes e os deveres estritos que ela tem, e transformá-la naquilo que ela efetivamente é - uma associação empresarial que defende os seus direitos comerciais.

O mal está em o Estado ter transferido para associações profissionais poderes reguladores que ele próprio, Estado, é que deveria exercer.

Ou seja, o problema até nem é da bastonária da Ordem dos Farmacèuticos - a qual faz aquilo para que uma associação profissional sempre foi vocacionada, que é defender os interesses comercias da sua profissão - o problema é do Estado, que comete o disparate de atribuir a uma associação profissional poderes que ela jamais poderá exercer com independência.


De Inês Meneses a 23 de Setembro de 2009 às 11:20
não fui eu quem o disse... Também tenho muito pouca fé no sistema de ordens, Luís. Mas apesar de tudo, é um acordo entre partes, vale para os dois lados. Enquanto durar, espera-se que os profissionais, em troca da autoridade recebida, cumpram a sua parte, defendendo os direitos dos utentes; e temos todo o direito de lhes exigir um mínimo de lisura nisso.


De Luís Lavoura a 23 de Setembro de 2009 às 11:26
Tem mais uma vez razão, Inês, mas, digo eu, tratando-se de "um acordo entre partes" que a Ordem violou, não é verdade que o Estado tem o direito, mais, tem de facto a obrigação, de então também violar o acordo?

Eu digo, se a Ordem viola o acordo que tem com o Estado, então o Estado também deve violar o acordo que tem com a Ordem - deve retirar a esta os poderes e prerrogativas legais que ela detem.


De Inês Meneses a 23 de Setembro de 2009 às 11:29
I'm all for that.


De Francisco a 23 de Setembro de 2009 às 16:51
I'm all for that 2.

Junto também a Ordem dos Médicos que convive demasiado bem com as más práticas, ou até pela questão de ter que ser o ministério a dizer aos médicos que têm que lavar as mãos.

Outra a juntar é: a Ordem dos Engenheiros, cuja postura relativamente ao caso de entre-os-rios é lamentável: a ponte cai sob as alegadas maiores cheias de 40 anos e a OE finge que as pontes são projectadas para durar menos do que isso. Não consigo esquecer sempre que olho para uma ponte romana.


De Ana Matos Pires a 23 de Setembro de 2009 às 13:30
"Incomentável".


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