Quarta-feira, 30 de Setembro de 2009

Ainda mal refeita da vergonha que senti ontem, eis se não quando  abro as páginas virtuais do Público e deparo com um editorial tão nonsense (e info-excluído) quanto as declarações à comunicação social do presidente supostamente de todos os portugueses.  Realço a parte que me surpreende, pela total tolice:

 

«E a seguir acrescentou que essa publicação desse e-mail privado lhe suscitou a seguinte dúvida: 'Será possível alguém do exterior entrar no meu computador e conhecer os meus e-mails? Estará a informação confidencial contida nos computadores da Presidência da República suficientemente protegida?'»

 

Presumo que o presidente, que não lê jornais e apenas ontem consultou «especialistas» sobre o tema, não saiba que ninguém está livre de ataques de hackers, nem mesmo a Casa Branca ou o Pentágono.

 

Mas José Manuel Fernandes deveria estar melhor informado e não continuar esta ópera bufa mal amanhada num editorial tão desconchavado quanto a comunicação de ontem. Ou seja, quer o PR quer JMF tomam-nos a todos por tolos ao pretenderem sacudir a água do capote com verdades de La Palice absolutamente cretinas. Será que nos querem convencer que as tais prometidas questões de segurança que só os «ingénuos» não percebiam se referem a segurança informática e que os espiões não vêm do frio mas da rede?

 

Isto é, o PR vem dizer que afinal nunca teve suspeitas de escutas e de espiões com falta de maneiras à mesa - e JMF assobia para o lado sobre as duas manchetes sensacionalistas  à conta destas suspeitas.  O que é relevante  não é o caso dos espiões que nunca existiram mas o mail revelado pelo DN que, esse sim, suscitou suspeitas no PR -  tão importantes que o PR sentiu a necessidade de as comunicar ao país mesmo antes de as confirmar. Palermices Vulnerabilidades informáticas que configuram, para JMF, outro caso, «que é grave e deve ser esclarecido depressa».

 

Mas esta gente, quem escreveu o discurso do presidente e JMF, passa-se toda ou considera mesmo que os portugueses são uns imbecis info-excluídos? Será que consideram mesmo que aquele balbuciar de disparates a que todos penosamente assistimos esclareceu alguma coisa para além de dúvidas que eventualmente persistissem em alguns sobre os sentimentos de Cavaco em relação ao Governo? Há certamente muito jogo sujo nesta história mas penso ter ficado igualmente claro qual foi a mão que deu as cartas viciadas!

 

Adenda: De leitura imprescíndivel o editorial de João Marcelino. Igualmente imprescíndivel este esmiuçar de toda a água do capote sacudida...

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18 comentários:
De Luís Lavoura a 30 de Setembro de 2009 às 11:09
Constato com pesar que a Palmira continua a ler o Público e, muito pior do que isso, os seus editoriais.

Verifico também que a Palmira andou neste blogue a fazer muita pressão para que o Presidente da República falasse ao país, apenas para depois nos vir dizer que a fala dele a encheu de vergonha. Ora bem, mas que esperava a Palmira da fala de tal pessoa? Que ela a inflasse de orgulho patriótico, ou quê? E, se nada de bom esperava da fala dele, por que motivo andou a pedir que ele falasse? Que raio de contradição, Palmira.


De Inês Meneses a 30 de Setembro de 2009 às 11:27
Vá lá, Luís... por baixa que fosse a expectativa, ninguém ousou sonhar tão baixo.


De Luís Lavoura a 30 de Setembro de 2009 às 11:34
Oh Inês, deixe-me gozar um bocadinho com a Palmira, tá bem?

Se quer ler as minhas opiniões mesmo, vá ao meu blogue, elas estão lá.


De António Parente a 30 de Setembro de 2009 às 11:41
Onde é o seu blogue? Se não se importar, quero ler. Terminou o meu ciclo de comentador residente do jugular, procuro outro poiso.


De Luís Lavoura a 30 de Setembro de 2009 às 11:53
http://blog.liberal-social.org/

É um blogue coletivo. Mas se quiser ver apenas os meus posts (que, naturalmente, são muito melhores do que os outros todos!), há na coluna da esquerda um linque que conduz apenas aos posts de cada um dos participantes.


De António Parente a 30 de Setembro de 2009 às 12:13
Terá a minha visita e os meus comentários. Obrigado.


De Inês Meneses a 30 de Setembro de 2009 às 11:45
Tem razão. Vou lá, sim senhor.


De Guilherme Pereira a 30 de Setembro de 2009 às 17:08
Caro Luis Lavoura:

Desculpe que lhe diga, mas no seu blogue escreveu as asneira ao afirmar que o PR pode escolher o PM que quiser.

Não pode.

Convém referir-lhe o que já sabe certamente - que o PR jura defender a Constituição da República, a qual é muito clara sobre os limites desse mesmo PR na indigitação do PM.

No tempo do Tomás, talvez vivessemos numa república de abóboras.

Agora, malgré, não vivemos numa república das bananas e muito menos de bananas.


De Luís Lavoura a 30 de Setembro de 2009 às 17:17
Não sei exatamente qual o texto da Constituição, mas penso que o que diz é que o Presidente da República tem que indigitar o Primeiro-Ministro tendo em conta os resultados eleitorais.

Esta é uma formulação muito vaga. É claro que o PR tem que ter em conta os resultados eleitorais, até porque o programa do governo tem que ser aprovado pela Assembleia da República, pelo que, se o PR não tiver em conta os resultados eleitorais, o governo acabará por soçobrar. Mas ainda assim o PR tem alguma margem de manobra. Não é forçodamente (em geral, não digo no atual caso particular) obrigado a escolher como PM o líder do partido mais votado.


De nuvens de fumo a 30 de Setembro de 2009 às 11:34
Depois do discurso mais idiota de sempre exige-se um exame mental ao Sr. PR.
A minha teoria relativa ao Alzheimer mantém-se, uma pessoa mentalmente sã não pode produzir artefactos desta natureza.

A Republica está em perigo, é apenas isso que tenho a certeza.

Há que estar preparado para qualquer palermice de iniciativa presidencial, a começar por um governo PSD-PP.

Não passarão


De Marcelo do Souto Alves a 30 de Setembro de 2009 às 12:17


Luís Lavoura à presidência, JÁ!


Pior que isto não há-de ser...


SAFA, que é preciso ser muito safado.


De Luís Lavoura a 30 de Setembro de 2009 às 12:30
Eu tenho idade mas não tenho perfil para ser presidente da república. Muito obrigado em todo o caso.

Posso dizer-lhe, entretanto, que conheço no Movimento Liberal Social duas pessoas (um homem e uma mulher) que, apesar de não terem idade para isso, dariam excelentes presidentes da república, porque têm muitíssimo mais juízo e bom senso, não só do que o que lá está, como também do que qualquer dos candidatos na última eleição presidencial.


De Inês Meneses a 30 de Setembro de 2009 às 12:38
Não é preciso perfil! estamos em saldos.


De Orang, o Tango a 30 de Setembro de 2009 às 12:20


O "manequim da Rua dos Fanqueiros" está-se a desconjuntar sózinho!...


De Inês Meneses a 30 de Setembro de 2009 às 12:26
Palmira, lá está, outra vez: o Público continua a ter a caixa de correio cheia de spam vindo da Presidência.


De Guilherme Pereira a 30 de Setembro de 2009 às 13:03
Intriga-me como é que a Palmira e os ilustres comentadores que me antecedem ainda perdem tempo a maçar-se com a pandilha de um terrorista de Boliqueime e sus muchachos.
Não é por nada e livre-me a providência de meter aqui a tesourada da censura.
É que o JUGULAR, digo eu, geralmente caracteriza-se por ser um espaço de gente com rasgo que, ainda por cima, tem o mérito de surpreender e despencar das cantilenas ou coros politicamente correctos, e no fundo estão a cair ( hélas!) na armadilha.

Com excepção do grandiloquente marmeleiro JPP, é unânime a devastação opinativa ao paleio terrorista do cronista televisivo de ontem às 20 h, e de todos os quadrantes ideológicos.
Vá lá…virem o disco.
Estão aí as autárquicas e depois chegará a indigitação que, novamente, trará o JUGULAR para a matriz inteligente e divertida a que nos acostumou.
Assunto não vos falta, meus queridos…e queridas, pois claro.

:)



De Anónimo a 30 de Setembro de 2009 às 16:02
"...colar o Presidente ao PSD" - aqui o pr até tem razão: quem escreveu no site da MFL que assessores do pr estavam a colaborar no programa do psd! Porque é que isto não é mais divulgado???!!!


De Inês Meneses a 30 de Setembro de 2009 às 16:45
se calhar ao PSD não convém estar colado a este PR, digo eu


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