Sábado, 3 de Outubro de 2009

Foi com bastante surpresa que li mais uma exegese do discurso presidencial, desta feita debitada por Januário Torgal, o bispo das Forças Armadas. O objectivo do exegeta terá sido certamente o de esclarecer os passos de maior dificuldade de interpretação da recente alocução do seu comandante supremo. Pelo menos a mim, tal como à Joana, a hermeneutica sacra deixou-me ainda mais baralhada, quiçá por me escapar a sua dimensão teológica, e agradecia ajuda na interpretação deste texto interpretativo. Alguma alminha caridosa me explica o que cargas de água quer dizer a prosa do ordinário castrense, em particular os parágrafos que reproduzo, que me parecem totalmente contraditórios (embora no espírito da coisa "exegetada")?

 

«Acho que ninguém compreendeu nada. E ainda bem, ao evitar deixar-se embalar por “cantos de sereia”, onde as denúncias cavilosas e os esquadrões a entrarem pelo computador adentro nunca deveriam ter ocasionado mais um “mártir do dever”… (...)

 

Em questões da mais simples hermenêutica, a confusão semeada não impede uma visão cristalina. E esta é acompanhada por gente que pensa. Felizmente.
Como reorganizar a confiança e reconstruir abalos e suspeitas, se uma narrativa cheia de alçapões não nos garante, de momento, a solidez e a esperança de que todos carecemos?»

4 comentários:
De Joana Lopes a 3 de Outubro de 2009 às 10:54
Li o texto às tantas e foste a primeira pessoa que me veio à cabeça - estive mesmo para te mandar o link. Este também se passou, no mínimo.


De Palmira F. Silva a 3 de Outubro de 2009 às 11:10
O passanço completo está a atingir tais dimensões que me pergunto se não será um virus tipo H1N1 :)


De Guilherme Pereira a 3 de Outubro de 2009 às 11:03
O PR é o Comandante Supremo das Forças Armadas, segundo a Constituição.

O ordinário castrense é explicável - será? - no texto que se segue com o respectivo link:

"O primeiro “Pastor do exército e de toda a mais gente da guerra” data de 29.4. 1794, sendo seu Ordinário o Patriarca de Lisboa. Suprimida a assistência religiosa, em 1910, ela foi assegurada por voluntários aquando da participação portuguesa na guerra de 1914-1918, destacando-se a figura do futuro Bispo de Beja, D. José do Patrocínio Dias. Em 1937, a Lei 1961 estabeleceu que os sacerdotes católicos prestariam serviço militar sob a forma de assistência religiosa, o que foi confirmado pela Concordata de 1940. Segundo ela (art. 18.º), o Estado asseguraria esta assistência em campanha, e o bispo com funções de Ordinário Castrense seria nomeado pela Santa Sé de acordo com o Governo, podendo delegar as suas funções num Vigário-Geral Castrense. A organização da assistência religiosa, quando da guerra colonial, foi sendo feita, na década de 50, por recrutamento de capelães pelos diversos ramos das Forças Armadas. Por Decreto da Santa Sé de 29.5.1966, foi constituído formalmente o Vicariato Castrense, tendo como Ordinário o Patriarca de Lisboa, primeiro D. Manuel G. Cerejeira e depois D. António Ribeiro, que delegaram as suas funções num bispo, Vigário-Geral Castrense. À morte prematura de D. António Ribeiro (24. 3.1998), permaneceu em exercício o Vigário-Geral D. Januário Torgal Ferreira, até que a Santa Sé, a pedido do novo Patriarca D. José Policarpo, e feitas as devidas consultas, pela Const. ap. Spirituali Militum Curae, de 21.4.1986, tornou autónomo o Vicariato, com o título de Ordinariato Castrense de Portugal, passando D. Januário a Ordinário Castrense (nomeação a 3.5.2001 e posse a 22.6.2001), sendo membro de pleno direito da Província Eclesiástica de Lisboa e da Conferência Episcopal Portuguesa."

In

http://www.portal.ecclesia.pt/catolicopedia/artigo.asp?id_entrada=1381


De fernando antolin a 3 de Outubro de 2009 às 16:56
A maior intérprete/conhecedora da ICAR,depois de Aurea Miguel,(se não me engano no nome) baralhada ?? Meu Deus, ao que chega a perversidade da bi-milenar instituição, que assim confunde a sua mais diligente e esforçada crítica/observadora/comentadora...

Vera Lagoa,no extinto Diário Popular, era uma aprendiz do comentário...

Tal como eu.


Comentar post

Autores
Alexandra Tavares-Teles
Ana Matos Pires
Ana Vidigal
Diogo Serras
Domingos Farinho
Fátima Rolo Duarte
Fernanda Câncio / f.
Filipe Nunes
Gonçalo Pires
Hugo Mendes
Inês de Medeiros
Inês Meneses
Irene Pimentel
João Cóias
João Galamba
João Pinto e Castro
Maria João Guardão
Mariana Vieira da Silva
Palmira F. Silva
Paulo Côrte-Real
Paulo Pinto
Shyznogud
Tiago Julião Neves

Arquivo

Isabel Moreira

Miguel Vale de Almeida

Rogério da Costa Pereira

Rui Herbon

correio | twitter | facebook

Maio 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9

19

20
21
22
23
24
25
26

27
28
29
30
31


artigos recentes

O que parece é?

têm medo de quê?

pobreza estrutural

Bons exemplos.

Era da era das discotecas...

dia c

10- Ryuichi Sakamoto

Também com prata da casa

É amanhã

(contorne a crise) | Vá à...

Como eu deixei de me preo...

Liliana Porter @Lisboa

9- António Pinho Vargas

MESA REDONDA | JOSEF ALBE...

"Auschwitz? Que se passou...

últimos comentários
claro que é
Lindissimo!
Caríssima, Espero que tenha ficado elucidada acer...
Na necessidade de estarem operacionais/preparados ...
Mraravilhoso. Venham mais 10 : ansiosamente espera...
sim, pedro, é.
Igualdade, liberdade e fraternidade. Hm...
Já agora, curiosamente, hoje é o Dia Internacional...
welcome, you are.
As intenções parecem-me boas e genuínas. A carênci...
arquivo
tags

todas as tags

outros lugares
Subscrever feeds