De sxzoeyjbrhg a 8 de Outubro de 2009 às 12:29
Nobel da Literatura para Herta Müller
2009-10-08
Herta Müller foi a vencedora anunciada hoje do prémio Nobel da Literatura 2009.
Herta Müller nasceu na Roménia em 1953, numa região de minoria de língua alemã. Poeta, romancista e ensaista, a sua obra é marcada pelas duras condições de vida na Roménia sob o regime de Ceausescu.
O júri destacou a "concentração da poesia e a franqueza da prosa, que descreve a paisagem dos despossados". Peter Englund salientou, durante a sessão de perguntas e respostas, o facto de Herta Müller ter uma história forte para contar. Segundo o representante da academia, a escritora ficou "radiante" com a notícia do prémio.
Da autora está publicado em português o romance O homem é um grande faisão sobre a Terra, edição da Cotovia.
http://livros.sapo.pt/noticias/artigo/9571.html
http://en.wikipedia.org/wiki/Herta_Muller
Hum, acho que as tuas dúvidas estão todas respondidas, João. Mais alguma coisa? Olha, publiquei tb uma coisita e agora não me apetece apagar.
Boa pergunta!...
...e pior mistério.
Li, vai para uns oito, nove anos, "O homem é um grande faisão sobre a Terra" e, francamente, fiquei indiferente ou antes pelo contrário.
Para um leitor compulsivo de livros, eu deveria ter vergonha desta ignorância sobre a senhora em questão - mas não tenho, no caso vertente.
Afinal, segundo os academistas nobeis, o Nobel foi-lhe atribuído pela sua intervenção ao lado dos "desapossados" ( quantos milhares de geniais escritores, COM OBRA DE UMA VIDA, estão neste rol dos criadores que puseram a escrita ao serviço dos perseguidos e sem voz?) pelo que só posso concluir que este Nobel foi, uma vez mais, determinado por lóbis cada vez mais obscuros de que cercam silenciosamente mas poderosamente aquele grupo de vetustas criaturas que anualmente nos trazem notícias destas.
Que lhe faça bom proveito, à senhora, o Nobel da Literatura.
Seguramente que não mexerei uma palha para comprar o outro livro dela publicado em Portugal, que a estas horas já deve estar na rotativa para inundar os escaparates dos jumbos e continentes...
De nuvens de fumo a 8 de Outubro de 2009 às 14:05
A vantagem de comprar o livro no hiper é que pode ao mesmo tempo meter no carrinho um pacote ou dois de salmão fumado , umas ovas a fingir pau-preto, uma muito boa vodka para acompanhar a leitura.
Estes piquenos e médios prazeres não se arranjam na livraria da esquina
,
Claro que eu faço isso tudo no conforto do lar, através do site online de algum deles.
Obrigado pela dica, Raul!
( nuvem de fumo...)
Registo e acaterei os comes e bebes, mas não vou à cata da Nobel.
A gaja que se lixe...
...venha a vodka!
:)
De joão viegas a 8 de Outubro de 2009 às 17:43
"Para um leitor compulsivo de livros, eu deveria ter vergonha desta ignorância sobre a senhora em questão - mas não tenho, no caso vertente".
A vergonha de não ter lido um livro ou um autor, por mais classicos que sejam, é um sentimento que me parece dificil de imputar a um verdadeiro leitor de livros, compulsivo ou não. Talvez possa surgir na mente de um politico, ou de um homem de negocios, ou em espiritos ignaros e rudes que imaginam que existem pessoas "cultas" que leram tudo o que pode caber numa biblioteca (biblioteca que orçam em 100 vezes o numero de livros que têm la em casa) e que aspiram a esse estatuto magico.
Mas um leitor a sério, uma pessoa que gosta mesmo de ler, nunca pode ter esse sentimento. Pode talvez sentir desejo de ler um livro que ainda não leu (mais ainda se for um classico, pois esses costumam ser bons livros), pode sentir desejo de o reler, pode sentir pena de ter lido até ao fim um mau livro (com tantos bons por ai ainda por ler).
Agora "vergonha de não ter lido" um livro, não vejo como...
Eu considero-me um leitor, uma pessoa que gosta de ler, e que lê razoavelmente. No entanto, nem saberia por onde começar a lista dos classicos que nunca li. Podia começar por muitos livros da Biblia, ou por Pindaro, ou mesmo por cantos inteiros dos Lusiadas (sim, porque não se pode chamar ler ao rapido passar de olhos que fui obrigado a dar pela obra quando andava no liceu).
Devia sentir "vergonha" por causa disso, enquanto leitor ?
Um amigo meu, grande admirador de Stendhal, costumava dizer : "sabes qual é o livro que eu mais me arrependo de ter lido ? E' a Cartuxa de Parma ! E' que depois de o ter lido, deixei de ter a possibilidade de o descobrir pela primeira vez...
De S a 8 de Outubro de 2009 às 13:12
Não é o Philip Roth. E como era de esperar, a controvérsia continua à volta deste Nobel.
Nunca li nada dela. Aliás, nem nunca tinha ouvido falar dela. Mas a academia tem-nos habituado a consagrar e revelar, alternadamente, o que me parece positivo, embora os critérios sejam sempre subjectivos. Creio que não se pode é avaliar a qualidade da obra de alguém pelo facto de ser ou não conhecido, nomeadamente em Portugal. Se fosse por conhecimento internacional (isto é, vendas), o prémio ia para o Paulo Coelho, o que, digamos, seria surreal.
De ECD a 8 de Outubro de 2009 às 13:31
Honestamente: só ouvi falar dela agora. Todavoa, vendo o texto abaixo percebemos a logica do premio: teve o prémio porovavelmente porque é simplesmente uma autora nascida numa comunidade alemã "perdida" nessa europa oriental! .... foi simpático como prenda do 20º aniversário da queda do Muro de Berlim. Estes jurados suecos são uns patuscos... mas patiuscos com mundo!
Esthétique de la résistance », l'œuvre de Herta Müller, qui appartient à la dernière génération des écrivains roumains de langue allemande, est née dans une situation d'isolement absolu, due à la fois au contexte linguistique exceptionnel et au vide politique et historique. Lorsqu'en 1988 elle a quitté, pour l'Allemagne fédérale, sa terre natale, le Banat où elle est née en 1953, Herta Müller a fait l'expérience d'une autre réalité culturelle, sociale, politique, d'une autre langue aussi, bien que sa langue maternelle fût l'allemand. « Mon allemand de minorité, écrivait-elle peu de temps après son installation à Berlin-Ouest, est maintenant relié. Désormais le lien te semble corde. » À ce propos, elle souligne la situation linguistique tout à fait particulière des écrivains de langue allemande en Roumanie. « La langue de l'écriture, le haut-allemand, coexistait avec le dialecte, le souabe du Banat, et la langue véhiculaire, le roumain. À cela s'ajoutait la langue de bois du régime qui avait détourné le langage à son profit. D'où notre vigilance pour éviter les mots ou les concepts violés ou souillés par le politique. Ils renvoyaient à une réalité qui n'était pas la nôtre.[...]
De fernando f a 8 de Outubro de 2009 às 13:32
Não creio que esteja errada a política da Academia Sueca em dar primazia aos autores menos sonantes, mas cuja obra seja densa, como tem sido o caso da maioria dos premiados. E é como diz o Nuvens, a profusão de escritores é tal que se torna impossível conhecê-los todos.
De fernando antolin a 8 de Outubro de 2009 às 18:36
E quem eram Kenzaburo Oë, Woyle Soiinka ,Nadine Gordimer e até o Cela, para o público tuga em geral, antes do Nobel ?? E até nem vou dizer mais nomes...
De
Plúvio a 9 de Outubro de 2009 às 13:19
Pois.
http://chovechove.blogspot.com/2009/10/herta-muller.html
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