confesso que pela primeira vez vi do início ao fim, ou se não do início ao fim pelo menos longamente, no vídeo que o daniel postou no arrastão, a cena ocorrida na inauguração pública na madeira em que a estrada foi vedada e os membros do partido da nova democracia impedidos de entrar. não tinha visto com atenção porque tenho visto pouca tv e porque, lamento ter de o reconhecer, já desenvolvi uma certa imunidade àquilo a que se chama ' a realidade madeirense'.
faço mal. e faz mal quem como eu sacuda o desconforto e a sensação de impotência que estas coisas causam preferindo tentar não as ver ou não as levar a sério. o que alberto joão jardim faz na 'sua' ilha é intolerável. estou-me nas tintas para o facto de ganhar eleições ou de ser popular porque canta, bebe, diverte as pessoas, invectiva 'o continente' e 'desenvolve' (com e sem aspas) a madeira. como qualquer outra parte do território nacional, na madeira aplicam-se as leis da república e a constituição, a polícia não está às ordens discricionárias de quem ganha eleições -- está às ordens da lei. os cidadãos não são discriminados e impedidos de entrar em espaços públicos em função das suas opções políticas ou da pertença a um partido, nem são agredidos por seguranças privados ou trolhas perante a passividade da polícia. isto não pode suceder em portugal perante câmaras de tv e não ter consequências -- a não ser que queiramos adoptar para todo o território nacional o epíteto de república das bananas.
como cidadã portuguesa, sinto vergonha daquilo a que assisti neste vídeo. e exijo aos que têm o dever de actuar -- a polícia, o ministério da administração interna, o procurador geral da república, a assembleia da república e o presidente da república -- que façam aquilo para que a constituição e a lei diz que servem: defender a lei e a constituição.
aquilo que está acontecer na madeira é intolerável. e quem neste país chama ditador a chavez, que também ganha eleições, ou clama 'fascismo' porque dois polícias foram a um sindicato fazer perguntas sobre uma manifestação ou um funcionário público levou um processo disciplinar por chamar nomes a um governante só pode, por coerência, chamar ditador a alberto joão e fascista ao seu modus operandi. tanto faz que as suas vítimas sejam de direita ou de esquerda ou de centro, azuis, encarnadas ou amarelas. têm exactamente os mesmos direitos que toda a gente, os que toda a gente no gozo pleno dos seus direitos civis tem: livre circulação, livre manifestação,livre expressão, discordância, protesto, resistência e integridade física.
aproveito para dizer que, como o daniel oliveira, espero que o pnd continue a resistir. e presto-lhe a minha homenagem. esta gente tem coragem e está a fazer uma coisa preciosa: combater pela democracia e pela liberdade, mesmo que isso implique ser agredido, injuriado, intimidado e ridicularizado. quem dera que houvesse, na madeira e no resto do país, mais gente capaz disso.
e agora vejam isto, por favor. esqueçam a música, que é péssima, e a letra, que é pior, e vejam bem. isto é o nosso país, no nosso país. não é 'a madeira'. é portugal.
Longe de mim ser um admirador de Alberto João Jardim, mas penso que neste caso os senhores do Partido Nova Democracia é que montaram uma peça de teatro, e a Fernanda vê e aplaude.
É normalíssimo que se encerrem ou se restrinja o acesso a espaços públicos para que neles se desenrolem cerimónias, manifestações, procissões, e 1001 outras coisas. Veja só a Fernanda o número de vezes que a Avenida da Liberdade, em Lisboa, é encerrada ao trânsito, por vezes para inutilidades como corridinhas de idosos. Imagine agora que uns automobilistas, depois de previamente combinarem com uns jornalistas ara estarem presentes a recolher imagens, se punham a tentar furar as barreiras políciais para invadis a Avenida no momento em que, suponhamos, estava a passar a marcha dos homossexuais!
Os senhores do PND montaram uma barraca, pretendendo furar umas barreiras metálicas que lá tinham sido postas por um período de tempo muito limitado para que tivesse lugar uma cerimónia pública. É normal que, numa tal cerimónia, os manifestantes, a existirem, fiquem do lado de fora de uns quaisquer gradeamentos. Ou como é quando os líderes da União Europeia se reúnem em Lisboa? Será que os manifestantes alter-globalistas são autorizados a furar as barreiras para se manifestarem mesmo ao pé dos governantes?
Isto, Fernanda, foi um teatrinho que o PND montou, com a conivência de alguns jornalistas, precisamente para dar lindas imagens para os telejornais, e passar a mensagem de imensa heroicidade desse partido.
De
f. a 9 de Outubro de 2009 às 12:05
o luis lavoura acha portanto que seguranças privados e trolhas ou lá o que eram aqueles tipos de colete amarelo têm legitimidade para impedir a passagem de pessoas, sem explicação, num espaço público. e acha que é legítimo impedir a passagem de deputados num espaço público 'porque sim'. acha também que o facto de haver pessoas com cartazes enrolados junto ao local da inauguração e outras pessoa com cartazes terem sido impedidas de passar é perfeitamente normal: quem manda escolhe as manifestações que são permitidas. e se calhar até chama a isso, como o representante da cne na madeira, 'excesso de liberdade'. excesso de democracia, sem dúvida.
1) Eu acho normal, sim, limitar o acesso do público quando um certo governante vai estar num certo local e teme manifestações que prejudiquem o ambiente. As manifestações podem fazer, e fazem-se, em ocasiões e em locais permitidos. Nãos e fazem em qualquer local, à queima-roupa.
2) Considero errada (e possivelmente ilegal) a utilização de seguranças privados, nisso tem a Fernanda razão.
3) Os deputados têm que obedecer às limitações de circulação impostas, creio eu. Se há uma barreira policial a impedir o acesso a um determinado local, os deputados têm que se submeter a essa interdição, tal como todas as outras pessoas, penso eu. Posso estar enganado, mas julgo que a lei não concede a deputados nenhum poder especial neste campo.
Quanto ao resto, repito que não sou nenhum admirador de Alberto João nem do seu regime caciquista, muito pelo contrário. Mas daí até aplaudir esta peça de teatro encenada pelo PND "para jornalista ver", vai um grande passo.
De j a 9 de Outubro de 2009 às 15:37
Têm ambos razão em função dos argumentos que sustentam. Mas as vossas razões não me interessam.
Porque o que retiro de mais importante deste episódio, em que o PND, obviamente, não foi inocente, e ainda bem que não foi, e que continue, porque para palhaço, palhaço e meio.
Dizia, que o mais importante é a habitual boçalidade dos palhaços insulares. Sendo isto que me interessa, e devendo entender-se insular num conceito lato, na medida em que ilhas destas também as temos no continente.
Não é por razões inocentes que muitos municípios querem polícias municipais. Quando um actual candidato a um município não se entendeu com um responsável policial, que, os mais atentos, bem conhecem, onde este apontava soluções, aquele palhaço arranjava argumentos para confusões.
Ao ponto de ter posto, às horas de ponta, em locais de grande visibilidade, motociclos da polícia municipal apenas a fazer figura de corpo presente.
Ou melhor, de palhaços, pois, na altura, e julgo que ainda hoje, não estou seguro, nem competência tinham para regularizar o trânsito.
Pior que isso, chegou a pôr bombeiros a regularizar o trânsito, querendo com esta, e aquela, idiotices demonstrar a suposta falta de polícias.
E quando a polícia, as mais vezes, quando se põe a regularizar o trânsito, só atrapalha. Porque o tempo do polícia sinaleiro já não existe.
Os problemas de trânsito resolvem-se, atenuam-se, antes de mais, com regulamentação e não com regularização. Com atitudes de cidadania. Com autoridade. Com políticas integradas de ordenamento do trânsito. Devendo a intervenção policial na regularização ser quanto baste.
Alguns comandos locais, na falta de cooperação, como dizem os palhaços insulares, mas que eu diria subserviência, ao não acatarem ordens de quem não tem legitimidade para as dar, podem ver, alguns viram, as suas carreiras prejudicadas com transferências por conveniência de serviço. Tantas vezes para prateleiras douradas e onde se chateiam bem menos sem palhaços à vista.
Sendo a fundamentação (política…) da transferência por conveniência de serviço um reles eufemismo para foder profissionais competentes e com os testículos no sítio…
Com os testículos no sítio, para quem os tenha, porque hoje já existem bem poucos, porventura nenhum. E se existe algum, então, anda com eles bem apertados.
Nos tempos que correm, os responsáveis policiais locais não passam também de uns palhaços. Que têm que rir e chorar conforme a qualidade (e a cor…) do circo.
Não mandam nada. São mandados. Às vezes, à merda. Sem que para tal seja preciso ser tão explícito. Bastando o argumento da conveniência de serviço.
De
DG a 9 de Outubro de 2009 às 12:44
if it looks like a duck, quacks like a duck, and wadles like a duck, it is a duck dummy!
De Uma madeirense a 9 de Outubro de 2009 às 14:09
"Ou como é quando os líderes da União Europeia se reúnem em Lisboa? Será que os manifestantes alter-globalistas são autorizados a furar as barreiras para se manifestarem mesmo ao pé dos governantes?"
Os termos de comparação são muito bons, sem dúvida.
Uma notazinha, caro Luis Lavoura.
O imperador da Madeira, no meio da algazarra ( dá-lhe sempre muito jeito...) berrou para um elemento da PSP qualquer coisa como " ó senhor guarda deixe lá ver os cartazes, sou eu que estou a mandar" - cartazes laranja, recordo.
A PSP obedece aos comandos nacionais locais, que por sua vez reportam à Direcção Nacional e esta ao MAI.
Esta tentativa de subversão do Estado de direito não o preocupa?
Imaginou já um presidente de câmara do continente a fazer tal coisa?
Pessoalmente, concordo com a Fernanda, malgré: o PND, naquele espaço do TERRITÓRIO NACIONAL, faz o que pode para desmascarar aquele insuportável cavalheiro, que pelos vistos ninguém põe na ordem.
Nem a PSP, que de resto lhe guarda os costados com os agentes do Corpo de Segurança...
...QUE VÓMITO!
De nuvens de fumo a 9 de Outubro de 2009 às 11:42
Mas forçar a entrada numa inauguração não é método, nem protesto nem se percebe o sentido.
Não concordo com nada do que se passou, ficaram todos mal na fotografia.
Pior era difícil
De
f. a 9 de Outubro de 2009 às 12:01
nuvens, 'forçar a entrada numa inauguração'? mas qual era o critério de exclusão? como se explica que uma estrada pública seja vedada por seguranças privados para impedir a entrada numa cerimónia pública, e que deputados (havia ali deputados) fossem impedidos de passar e agredidos, sem sequer se ver um polícia na zona? como se explica que a polícia não soubesse responder às perguntas que lhe eram feitas sobre o motivo da vedação e do impedimento, e que perante a denúncia de uma agressão não tenha, que se perceba, sequer identificado o agressor? como se explica que estivessem ali dezenas de jornalistas 'do lado de dentro' e os deputados do lado de fora?
De nuvens de fumo a 9 de Outubro de 2009 às 12:12
Obviamente que aquilo é tudo uma trapalhada , mas o que se retira sem interpretações extra das imagens é que alguém tenta forçar uma barragem que veda o acesso a uma inauguração, esta acção é acompanhada de provocação por parte do "invasor" e por violência física por parte dos "defensores". A polícia observa tudo isto com aparente indiferença e só se mete quando a coisa podia ter piorado ainda mais.
Parece uma cena da aldeia gaulesa, com tabefes à mistura.
Enfim, é como digo, não sei quem tem razão neste caso específico. O PND começa a usar a provocação sem conteúdo para aparecer nas notícias, AJJ continua a usar a força da impunidade, e isto é tudo muito triste porque faz lembrar o terceiro mundo e não nada lá muito longe.
Todo o mundo sabe perfeitamente que na região autónoma da Madeira não se respeita a Constituição da República Portuguesa e a própria Declaração Universal dos Direitos do Homem.
Além do mais, aqui no continente, em várias situações, acontece exactamente o mesmo.
Quanto a isso não há surpresa.
Surpreende-me é ver a líder de um partido político afirmar que a Madeira é um exemplo para a Democracia. Mas nem me devia surpreender, porque, ironia ou não, essas palavras vieram da mesma boca que solucionava os problemas do país do país suspendendo a Democracia.
Aquilo que o João Jardim faz na Madeira é triste.
Muitos Madeirenses, infelizmente, não estarão cá para contemplar os efeitos nefastos da sua política - esperemos que a juventude, a faixa etária mais indignada, ou que mais se devia indignar, por este tipo de privação de liberdade, possa abrir os olhos e iniciar um movimento de resposta aos que desprezam a democracia e, acima de tudo, a liberdade e a autodeterminação! João Jardim, pelo que faz, é uma dessas pessoas - diga ele o que disser -, os seus actos falam por si.
A Madeira é Portugal. Enquanto assim for, aplica-se-lhe a Constituição da República Portuguesa, a Declaração Universal dos Direitos do Homem e a Declaração Europeia dos Direitos do Homem. Se a justiça e a lei Portuguesa não responder a este tipo de ingerência, existe a justiça europeia - haja pessoas com coragem para irem até ao fim pela luta pelos seus direitos.
De g_l a 9 de Outubro de 2009 às 12:29
Fernanda, eu vim de uma República das Bananas, estou cá há 20 anos, sou português e falo com conhecimento de causa:
Portugal é uma República das Bananas.
Esse video é apenas um pequeno exemplo. Essa pequenas tiranias contra os direitos das pessoas acontecem de inúmeras formas, todos os dias, a todos aqui que estão a ler este blog. Não é só aos activistas da Nova Democracia. Nem apenas na Madeira.
De
DG a 9 de Outubro de 2009 às 12:34
BRAVA!
De Anónimo a 9 de Outubro de 2009 às 14:22
depois do deputado josé manuel coelho ter sido barrado à entrada da assembleia regional (sem consequências) confesso que a minha capacidade de indignação está muito por baixo.
(não invalida que estes tipos do PND sejam uns pândegos, assim a modos que os «homens da luta», que tb já foram barrados várias vezes)
De giramondu a 9 de Outubro de 2009 às 14:45
Ponto 1: A lógica do PND é pura provocação. É um partido com uma ideologia de sentido único: rebentar com o sistema de AJJ na Madeira. Ponto final. Assim, sendo um partido revolucionário, é normal o tipo de acções que fazem, trazendo também os media à liça, porque é dessa amplificação que depende a sua sobrevivência.
Ponto 2: A reacção absurda do "sistema AJJ" é inacreditável, ilegal e demonstra bem que o fim está mesmo próximo. Além de servir os interesses máximos do PND (melhor: aumentaram toda a amplificação mediática da acção rebelde), começa a não dar grandes margens de manobra para que as instâncias mais sérias deste país se envolvam no processo e coloquem um travão a um princípio de avalanche que vai descambar em violência pura dentro de momentos.
Ponto 3: A Madeira está sem dinheiro. Com razão ou não, José Sócrates cortou as vazas ao despesismo de AJJ e nos próximos 2 anos, ou existe um entendimento tácito, muito bem negociado, ou se as coisas continuam deste modo, não falta muito para que a RA Madeira se torne num palco de violência social muito perigoso.
De nuvens de fumo a 9 de Outubro de 2009 às 14:56
É bem verdade, o dinheiro da madeira esgota-se e quando começarem os cortes....
De fernando antolin a 9 de Outubro de 2009 às 21:29
O jardinismo é grotesco mas não me lembro de grande indignação por aqui sobre as perguntas policiais antes das manifs dos profs e nem de iguais preocupações a quando do caso Charrua. Posso não ter estado com atenção.
De Nathalie a 9 de Outubro de 2009 às 23:20
Eu não conheço tudo o que diz respeito a "forças policiais" em Portugal... (a não ser GNR e PSP) mas não me parece que aqueles senhores de camisa branca e gravata vermelha façam parte de alguma delas... e muito menos aqueles de colete amarelo... Se são seguranças privadas não entendo como é possivel estarem a prestar tal serviço que deveria ser prestado por "forças publicas" (policias) ... e, perdoem a minha ignorançia, também não sei verdadeiramente quem é o PND (ou apenas de nome) ... mas sejam eles quem for, se é uma cerimonia publica, todos deviam poder entrar... ou então se é privada, não entrava ninguem... !!! Acho essa forma de agir anti-democratica... mas talvez não conheça a historia toda... E ja agora, do que estavam a espera os policias para intervir ?! Que pessoas sem autoridade batessem mais em outros cidadãos ?!
De
Valentim a 10 de Outubro de 2009 às 00:00
Com razão ou sem razão, este infeliz acontecimento não devia ter acontecido. Isto é uma palhaçada, uma cambada de parolos que não são exemplo para ninguém. Depois ficamos surpresos com as atitudes de mau gosto e arcaicas dos nossos semelhantes.
Que infelicidade ter nascido aqui e, num mundo que no século XXI ainda se presta a cenários e atrocidades deploráveis.
Duzentos mil anos de uma história infeliz...
Pleeeease !!!
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