Segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

o site da rtp anuncia que josé manuel fernandes vai hoje ao prós e contras 'enfrentar' joão marcelino. mas há 19 horas, no twitter, fernandes garantia que se o tema do p&c fosse 'emails e presidência' não ia. e que até já tinha avisado (não disse a quem, mas depreende-se que a rtp).

 

será que há mais algum assunto a propósito do qual josé manuel fernandes, num programa que se anuncia, entre outras coisas (aliás demasiadas e algumas mesmo bizarras), como sobre 'o caso das 'escutas a belém'', possa 'enfrentar' joão marcelino?

 

é que por exemplo quando isto sucedeu, ou seja, quando o jornal que josé manuel fernandes dirigia (a propósito, ainda dirige, certo?) publicou uma notícia de primeira página baseada exclusivamente numa entrevista feita por uma jornalista do dn, joão marcelino ainda não era director do dn -- era director miguel coutinho. e quando josé manuel fernandes acusou a direcção do dn de contribuir, com o dn, para 'criar uma agenda mediática favorável à tentativa de casamento de duas mulheres', era director antónio josé teixeira.

 

parece pois que se fernandes se propõe enfrentar marcelino deve ser mesmo a propósito de 'emails e presidência', assunto aliás sobre o qual não se fez rogado em várias investidas mediáticas a solo em que acusou o dn até de ser receptador de matérias surripiadas por serviços secretos (para depois, no mesmo dia, ter de reconhecer que 'a hipótese não se verificava') e de atentado à deontologia. por que raio então 'avisar' que não vai se o tema for esse? por que raio aceitaria ir, in the first place, se não estava disposto a discutir o assunto? está a tentar condicionar a condução do programa? está a tentar pressionar fátima campos ferreira? deus nos livre de imaginar que josé manuel fernandes não só não quer discutir cara a cara com marcelino o caso do mail como quer coarctar a liberdade de informação da rtp. a malta não conseguia-mos acreditar-mos nisso, pois não?

 

adenda: no final do p&c, josé manuel fernandes disse, para toda a gente ouvir, que não tinha ido ali para discutir aquele assunto (o limagate) e que tinha combinado que aquilo só levaria '20 minutos'. a moderadora do p&c respondeu que não tinha combinado 20 minutos mas que toda a primeira parte do programa tinha sido sobre outras coisas (ou seja, uma imensa seca). ficou assim claro que, como era aliás já evidente pelo 'aviso' que entendeu tornar público, jmf tentou fazer passar a ideia de que estava disponível para enfrentar joão marcelino a propósito do limagate enquanto nos bastidores pressionava a rtp para que o assunto fosse discutido o menos possível.

 

claro que o jmf director do público que aprendemos a conhecer faria um escândalo de manchete de algo parecido que se passasse, por exemplo, com alguém do governo. imagine-se que um ministro se virava para fátima campos ferreira e se saía com aquela com que jmf se saiu. imagine-se que os outros convidados não tinham sido informados das condições acordadas entre fátima campos ferreira e o tal ministro, como se passou com os convidados deste prós e contras. não seria só o provedor de espectador da rtp a indignar-se, certamente, como bem se indignou paquete de oliveira. quantos editoriais não escreveria o impoluto jmf, acolitado pelos inseparáveis pacheco pereira e cintra torres? ah pois é. e o mais espantoso é que jmf nem teve problemas em dizer publicamente que tinha 'combinado'. é porque acha, como também já tinhamos percebido, que as regras que exige aos outros não se lhe aplicam. nem as jornalísticas nem as outras.

 


27 comentários:
De Clara a 12 de Outubro de 2009 às 22:39
Eh, pá, desculpem: escreveram incorrectamente em português para imitar José Manuel Fernandes? Se o efeito pretendia ser mimético, conseguiram. Sabem que o rapaz, esse tal José Manuel Fernandes ontem escreveu "saiem" no twitter?! Fiquei encantada e conclui logo: neste país para se ser director de um jornaleco, basta assinar um contrato de fretes com o dono e os seus interesses. Não é preciso saber escrever correctamente o português básico. O resultado de dar poder a medíocres é esse: não é preciso ser grande coisa, basta ser moçoilo da lavandaria. Que bom!


De Damião Fernandes a 12 de Outubro de 2009 às 23:00
Essa coisa de não usar letras maiúsculas é deveras enervante. Fosga-se !!


De Paula a 13 de Outubro de 2009 às 09:20
Não diria enervante, mas sim intrigante. Estou curiosa para saber porque escreve f. assim! Eu gosto!


De Sousa Mendes a 15 de Outubro de 2009 às 15:52
Suponho que também anda e ler o António Lobo Antunes!!! Será ??


De Armistead a 13 de Outubro de 2009 às 12:14
Tem sempre dois bons remédios:
- não lê;
- copia o texto para o MS Word, marca o texto, vai a Formatar > Maiúsculas/Minúsculas > Maiúscula no início da frase;

Ain't life precious?


De fernando antolin a 12 de Outubro de 2009 às 23:24
Mais Cavaco e escutas e tal e mais não sei o quê ??!!

Socooorrrooo !!


De mc a 13 de Outubro de 2009 às 00:08
eeheheh no ponto, f.

quem fez os ditos erros foi o luciano alvarez no mail. como é que um editor de um jornal supostamente de referência faz um erro desses é que é coisa para inquietar muitas mentes. a minha, pelo menos, inquieta. ca tristeza.


De Guilherme Pereira a 13 de Outubro de 2009 às 01:10
Prós a Contras, factos que retenho e expresso ainda telegraficamente:

1.

O desastre que foi a condução do programa pela jornalista Fátima Campos Ferreira – contei pelo menos duas vezes em que a própria afirmou “estar baralhada”; de resto, seria no final do programa publicamente humilhada pelo Provedor dos telespectadores da RTP;

2.

A fúria do ainda (?) director do Público José Manuel Fernandes (JMF) que confirmadamente, pelo próprio, tentou condicionar a pivot do programa sobre o tempo de duração do tema escutas e e-mails;

3.

A miséria moral de, inclusivamente, ameaçar de telemóvel nas mãos a pivot sobre SMSs trocados entre ambos e também a miséria moral de tentar apoucar o director do DN, João Marcelino, por ter sido jornalista desportivo;

4.

A serenidade do director do DN; ter razão ajuda muito.

5.

A prova que ficou de novo provada – Cavaco tentou envenenar a campanha eleitoral contra o PS, pelo que é urgente a tomada de consciência das mulheres e dos homens livres desta terra para a indispensabilidade de, nas próximas presidenciais, juntarem esforços para a remoção urgente e profilática do bronco de Boliqueime que faz as vezes de presidente da república.


De Bruno Simões a 13 de Outubro de 2009 às 04:41
Atenção, que essa 'miséria moral' a propósito do passado de Marcelino no jornalismo desportivo foi da parte de Henrique Monteiro, que tinha 30 anos de carreira ligados à política, e não da parte de JMF.

No geral, foi uma peixeirada, como disse o Hélder Silva no seu twitter. A única coisa que soubemos foi que foi uma fonte política a colocar o email no Expresso. No DN, não sabemos, que Marcelino não revelou, porque alegadamente não sabe, porque confia no jornalista que o recebeu.

De resto, JMF demonstrou estar claramente desconfortável com o frente-a-frente com Marcelino. Henrique Monteiro teve algumas boas intervenções, mas a parelha entre os convidados e as suas intervenções prova que as posições de cada um já eram óbvias.

Escusado era que o Paulo Baldaia só tenha intervido para concordar com Marcelino. Pode muito bem ter a mesma opinião, mas não acrescentou nada. Na verdade, o "assunto" era apenas o 'LimaGate', ao qual Baldaia é alheio.


De Guilherme Pereira a 13 de Outubro de 2009 às 05:30
ERRATA e ADENDA

Peço, Fernanda, em nome do rigor que me é exigido neste caso, as seguintes correcções e um pequeno acrescento ao texto que escrevi, apenas baseado nos apontamentos que tirei durante o Prós & Contras, que posteriormente revi:

1.

Foi o director do "Expresso" Henrique Monteiro que tentou ridicularizar o director do DN João Marcelino por ter sido jornalista desportivo, e não José Manuel Fernandes;

2.

Acrescento: a excelente intervenção do director de Informação da RTP José Alberto Carvalho, que muito ajudou, com clarividência e factos, na demonstração da monstruosidade jornalística do "Público", prestando-se a fazer um frete sujo ao emissário de Cavaco, Fernando Lima.


De G_L a 13 de Outubro de 2009 às 02:04
Concordo com o comentário anterior.
- -
Depois do Prós & Contras de hoje, estou a chegar à conclusão que José Manuel Fernandes, na verdade, é um ingénuo.

Prefiro pensar que é um ingénuo.


De Paula a 13 de Outubro de 2009 às 09:22
Concordo com todas as letras (inclusive as minúsculas). JMF há muito que se dedica a afundar o Público e levar com ele o que puder pelo caminho.


De Aquasky a 13 de Outubro de 2009 às 09:53
E quando JMF saca do telemóvel e ameaça Fátima Campos Ferreira que vai revelar os SMS que ela lhe enviou!!! Inenarrável.

Este José Fernandes não tem classe. Não quero ser maldoso, mas quase todos os ex-maiostas têm problemas de carácter. São mal formados.


De nuvens de fumo a 13 de Outubro de 2009 às 10:08
Eu não vi, e pedia se alguém tem o programa e o poderia partilhar.
Não gosto de falar sem ver as coisas, mas a fazer fé do que aqui está escrito é uma vergonheira de primeira.

Anda tudo doido ?



De nuvens de fumo a 13 de Outubro de 2009 às 10:19
Obrigado,


De Palmira F. Silva a 13 de Outubro de 2009 às 10:21
penso que repete na RTPN, não sei quando. Mas se quiser ver as apreciações em real time da coisa espreite os twitters de, por exemplo, algumas jugulares :)

moi même aqui, http://twitter.com/palmira_maria


De nuvens de fumo a 13 de Outubro de 2009 às 10:27
Ok, eu e o twitter ainda não nos relacionamos sequer uma vez.


De Inês a 13 de Outubro de 2009 às 13:05
A tentativa de plantar uma notícia (argumento dos que publicaram os e-mail's trocados pelos jornalistas do Público) morreu à sede. Mas ficou o vestígio da semente atirada (o e-mail), a que Marcelino se agarra para justificar a decisão de publicar um documento interno e pessoal, ignorando a forma como chegou à sua redacção e que Henrique Monteiro oportunamente desvendou.

Se há coisa que José Manuel Fernandes fez bem (não fez muitas) no Público foi publicar a notícia sobre as suspeitas de Belém que revela somente, como se prova agora, a forma como Cavaco Silva está na política e desempenha o mais alto cargo da Nação. Durante toda esta história vem-me recorrentemente à memória o que Cavaco fez a Fernando Nogueira, seu ex-número dois. Porque será?

Fontes da Casa Civil, que embora não sendo iidentificadas estão localizadas, são suficientemente fortes para justificar a publicação da notícia, que teve aqui o efeito boomerang. Será que ninguém percebe isto? Afinal, o Público teve o grande mérito (intencional ou não) de revelar um Presidente da República que não tem estatura para desempenhar o cargo. Se tinha suspeitas, a Presidência devia ter usado os canais próprios para as esclarecer e não dar corda a um enredo palaciano da mais medíocre literatura.

O papel de João Marcelino, por mais que o justifiquem, não tem justificação. Devia ter usado da mesma prudência que Henrique Monteiro e o Expresso e não servir, como tem servido, os propósitos de uma das partes, sacrificando colegas. Incorreu nos mesmíssimos erros que acusa o Público de ter cometido. A forma como Marcelino se portou no Prós e Contras também não mostrou grande lisura, nem elevação de carácter, disparando comentários, acusações e insinuações sobre José Manuel Fernandes que estiveram à altura das atitudes que vi criticadas ao ainda director do Público.

Um triste espectáculo aquele que vi ontem no Prós e Contras. Tirando o comentário final de Henrique Monteiro sobre João Marcelino e o jornalismo desportivo, senti-me apenas reconfortada pelo que ouvi da boca do director do Expresso.

Inês


De Arsénio Baldruega a 14 de Outubro de 2009 às 15:17
Diz a comentadora Inês: «Afinal, o Público teve o grande mérito (intencional ou não) de revelar um Presidente da República que não tem estatura para desempenhar o cargo.»

Ah. Então afinal, segundo a comentadora Inês, terá sido «o Público» -- quem sabe se não mesmo o J. M. Fernandes a passar a notícia do email, chave de toda a intriga urdida em Belém -- cá para fora...

É que sem isso ainda se andaria a discutir se havia ou não havia espionagem de S. Bento em Belém, em vez de pura e simplesmente se houve ou não houve participação directa do PR numa conspiração furtiva para sugerir que S. Bento patrocina actividades criminais.

Não, é claro, que alguém esteja ou pareça estar interessado em tirar esta «insignificante» questão -- que literalmente parece não interessar ninguém, a não quanto à «urgente necessidade» de pôr cobro a toda e qualquer investigação à presidência -- a limpo...

É que watergates e jornalismo investigativo a sério é lá na estranja. Isto aqui reduz-se sempre à admiração da dita estranja, mas daí não passa.


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