Quarta-feira, 14 de Outubro de 2009

anda para aí gente um pedaço confusa.

 

primeiro, era óbvio que nos termos da lei a erc só podia decidir pela ilegalidade da decisão da administração da tvi -- formalmente, quem decide sobre os conteúdos editoriais dos órgãos de comunicação social são as direcções editoriais. o que quer dizer que se a administração da tvi queria acabar com o jornal nacional de sexta tinha de tratar desse assunto com a direcção editorial. não o podia fazer como fez, mesmo que tenha obviamente poder para o fazer da maneira 'correcta', ou seja, dando ordens à direcção editorial para o fazer ou mudando a direcção editorial caso esta se recusasse.

o que isto quer dizer é que, de forma bastante incompreensível, a administração da tvi infringiu a lei e as normas gerais de procedimento nos media -- coisa tanto mais difícil de perceber quanto é suposto que o grupo que detém a tvi é experimentado nessa área e gabinete jurídico é coisa que não lhe deve faltar;

 

segundo, se a administração da tvi achava que o jornal nacional de manuela moura guedes afectava negativamente a imagem da estação é estranho que só o tenha constatado tanto tempo depois de este ter iniciado a sua peculiar prática 'jornalística' e sido alvo de variadas e diversificadas críticas, incluindo a do conselho deontológico do sindicato dos jornalistas. porquê deixar um programa que prejudicava a imagem da estação manter-se tão longamente? que mudou para que a decisão de o terminar fosse tomada?

 

terceiro, a decisão tomada na altura em que o foi e da forma de que se revestiu  só podia ter repercussão na campanha eleitoral -- mais concretamente, penalizando quem das forças políticas concorrentes criticara o jornal nacional de manuela moura guedes e dando gás à tese da 'asfixia democrática'. não é preciso ser um cientista astrofísico para perceber isso: basta ter estado em portugal na altura e não ser cego e surdo.

 

quarto, talvez fosse interessante que o autor do post linkado se informasse sobre os poderes do regulador, ou seja, da erc, para proceder à 'reintegração da legalidade violada'. tenho a ideia de que essas coisas se costumam resolver em tribunal. mas isto sou eu, que devo andar mal informada.


13 comentários:
De Daniel Santos a 14 de Outubro de 2009 às 21:48
Não vai dar em absolutamente nada.

Estamos perante uns senhores que tentam descobrir a pólvora, descobrir o óbvio.


De Rafael Marques a 14 de Outubro de 2009 às 21:56
Isto hoje está fraquito.

Não tem por ai ninguém que lhe sopre melhor argumentação?

Nessas alturas, o silêncio costuma ser bom conselheiro.


De f. a 14 de Outubro de 2009 às 22:51
caro rafael, muito obrigada. não sabia q usualment m considerava forte. em todo o caso, fico a saber q acha q m sopram coisas. é porq lhas costumam soprar a si ou é porq, s bem m parece, é mais do tipo soprador? há mais sob o céu e sobre a terra do que a sua sopradora prática alcança, rafael. mas como explicar-lho?


De f. a 14 de Outubro de 2009 às 22:53
melhor dito: eu podia explicar-lho, mas como fazer-lho entender?


De fernando antolin a 14 de Outubro de 2009 às 23:49
Esta foi um bocadinho estilo nhanhanha ou quem diz é quem faz... :-)

Não está cá o JorgeC, pode bater !!


De carla amaro a 15 de Outubro de 2009 às 13:33
É Fernanda. Esta era escusada.


De João Veiga a 15 de Outubro de 2009 às 00:35
Não fosse a inabilidade política da Dra. Manuela Ferreira leite e teria feito mossa. Querer argumentar o contrário é um exercício sofista. Contam-se pelos dedos de uma só mão as vezes que assisti ao extinto noticiário :). Na última delas discutia-se a manifestação antecipada de vontade, também conhecida por “testamento vital”. Foi um momento hilariante que passei utilizar para os meus alunos compreenderem que o despudor argumentativo torna impraticável qualquer ética discursiva. O jornal de sexta extinguiu-se para todo o sempre na minha TV. Mas essa foi uma opção pessoal, livre, não imposta.


De Guilherme Pereira a 15 de Outubro de 2009 às 04:11
Que se lixe, Fernanda, a deliberação da ERC!...a qual, por via de uma entrevista que concedi à SIC, para o programa "Nós por cá", da Conceição Lino,
( defendi a extinção da dita cuja ERC) me chateou a cabeça.

Substância desta deliberação: mais do mesmo.

A questão central - acho eu que só acho coisas cretinas - era a de se saber se aquela porcaria era um jornal ou um folheto audio-visual de campanha odiosa contra uma pessoa, que por acaso era Primeiro-Ministro de Portugal mas poderia ser a minha mãe ou o meu único filho biológico, de 10 anos, o Afonso, ou tu, quem sabe.


Ora: aquilo era, desculpa lá o substantivo pouco elegante, uma merda-homicida-com-aspecto-de-telejornal-e-máscara-de-jornalismo.

Logo, coisa a exterminar.

Como a ERC.

p.s.

não acredito que estivesses á espera de deliberação ( isso é o k?) diferente.

" os maus cinzentos infelizmente tendem para mulatos e pior que isso para pretos" - ouvi isso do José Craveirinha há uns tempozitos e por acaso o meu querido amigo Eduardo Pitta, ainda ambos putarecos, foi testemunha.

É disso que se trata.


De Isabel Moreira a 15 de Outubro de 2009 às 10:32
Chega a ser cansativo o oportunismo sobre este episódio. Obrigada, F. Sou jurista e não conseguiria explicar isto com tanta clareza.


De Rafael Marques a 15 de Outubro de 2009 às 12:08
f., vi isto no Mar Salgado e, não sei porquê pensei em si. lembro-me muito de si, é o que é.

Aqui fica:



1) O cancelamento do telejornal de Moura Guedes prejudicou o PS, porque favoreceu a ideia ( e a matéria ) da asfixia democrática. É favor indemnizar o senhor Primeiro-Ministro pelo inconveniente de as coisas parecerem o que são.

2)A ocultação da identidade de quem forneceu ao DN as mensagens trocadas entre jornalistas da concorrência prejudicou o senhor João Marcelino, porque, dada a ausência de publicidade a tão heróico feito, no futuro a referida identidade pode perder motivação.


De f. a 15 de Outubro de 2009 às 13:27
rafael, estou desvanecida. não me quer dedicar um poema, já agora? pode ser um haiku.


De fernando antolin a 15 de Outubro de 2009 às 15:00
.用なしは我と葎ぞ時鳥
yô nashi wa ware to mugura zo hototogisu

Não seja por isso, com a permissão de Issa Buson.

depois traduzo...


De jorge c. a 15 de Outubro de 2009 às 15:41
Qu'esta merda a pedir a outros que lhe dediquem coisas? Está tudo acabado entre nós.

(Como é que eram aqueles haikus do Pacheco? Eheheh. Esses é que eram...)


Comentar post

Autores
Alexandra Tavares-Teles
Ana Matos Pires
Ana Vidigal
Diogo Serras
Domingos Farinho
Fátima Rolo Duarte
Fernanda Câncio / f.
Filipe Nunes
Gonçalo Pires
Hugo Mendes
Inês de Medeiros
Inês Meneses
Irene Pimentel
João Cóias
João Galamba
João Pinto e Castro
Maria João Guardão
Mariana Vieira da Silva
Palmira F. Silva
Paulo Côrte-Real
Paulo Pinto
Shyznogud
Tiago Julião Neves

Arquivo

Isabel Moreira

Miguel Vale de Almeida

Rogério da Costa Pereira

Rui Herbon

correio | twitter | facebook

Fevereiro 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
11

12
13
14
15
16
17
18

19
20
21
22
23
24
25

26
27
28
29


artigos recentes

A pólvora seca do BCE

o piegas coelho

"Sit Ubo Sit!.Good dog!!!...

joão duque,

Populus in res publica su...

Os Cinco Pecados Mortais ...

Os Cinco Pecados Mortais ...

AT/DT

Todos os dias há uma nova

Hum, como falar do assunt...

Leituras: History Will Te...

João Fernandes no Reina S...

O tempora! O mores!

...

Antoni Tàpies (1923- 2012...

últimos comentários
E ainda há mais:passos coelho começou por dizer qu...
A realidade, e os factos que se passaram não mudam...
"São uns sacanas saudosistas do colonialismo, este...
Em boa verdade, se a política só se fizesse com co...
Pimenta no cu dos outros...
O Pedro devia ter deixado claro que a "tal persona...
O título deste artigo deveria ser: "Ainda a piegui...
tão generalizado? henrique pereira dos santos
Mais um excelente texto.
José Luís Sarmento, eu não conheço lingua mais ins...
arquivo
tags

todas as tags

outros lugares
Subscrever feeds