Sexta-feira, 16 de Outubro de 2009
Ligo o computador, abro o mail e dou com uma notícia que me informa que "A Louisiana justice of the peace said he refused to issue a marriage license to an interracial couple out of concern for any children the couple might have. Keith Bardwell, justice of the peace in Tangipahoa Parish, says it is his experience that most interracial marriages do not last long.
"I'm not a racist. I just don't believe in mixing the races that way," Bardwell told the Associated Press on Thursday. "I have piles and piles of black friends. They come to my home, I marry them, they use my bathroom. I treat them just like everyone else."
Bardwell said he asks everyone who calls about marriage if they are a mixed race couple. If they are, he does not marry them, he said."
P.S. - Gosto muito do argumento do "eu não sou racista, tenho muitos amigos negros". Hum, em que discussões é que tenho ouvido isto nos últimos tempos mesmo? Este também me soa a muito familiar "There is a problem with both groups accepting a child from such a marriage," Bardwell said. "I think those children suffer and I won't help put them through it."
(obrigada, boss)
"Para efeitos de operacionalização de conceitos e investigação empírica, agora no contexto europeu, Pettigrew introduz a distinção entre racismo flagrante e racismo subtil, o primeiro designando a configuração tradicional de base biológica, o segundo com o objectivo de sintetizar num novo conceito o conjunto já mencionado de designações entretanto propostas para captar os novos sentidos da ideologia racista (Pettigrew e Meertens, 1993; Meertens e Pettigrew, 1999; 1999). "
Recomendo a leitura de estudos sobre o racismo subtil e o racismo flagrante para uma melhor análise dessas belíssimas afirmações.
Eu diria não ter nada de surpreendente. É o mesmo argumento utilizado contra a adoção por casais do mesmo sexo. Segundo essa linha de argumentação, nada haveria de errado em uma criança ter dois pais (ou duas mães), só que isso seria prejudicial para a criança devido ao preconceito ao qual ela seria submetida.
É um argumento conservador circular. Ou seja, justifica-se o nosso conservadorismo com o conservadorismo da sociedade. O juiz afirma que não é racista, tem até montes de amigos negros, só que, como a sociedade é racista, ele (juiz) também deve tomar decisões racistas, sob pena de as crianças virem a ser discriminadas pela sociedade.
Este argumento, por ser circular, tem a vantagem de ser inultrapassável. E permite às pessoas afirmar o seu progressismo, ao mesmo tempo que tomam posições conservadoras. A culpa fica toda para a sociedade.
Execrável, mas muito comum, este tipo de paleio rançoso.
De Chuckie Egg a 16 de Outubro de 2009 às 11:03
faz lembrar a bélgica, por exemplo:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/03/070321_casamentocoletivomb.shtml
De S a 16 de Outubro de 2009 às 13:33
Se os outros não são homofóbicos, então este também não será racista certo?
Entre os muitos pormenores, este é o meu preferido;
"...they use my bathroom..."
WTF?
Então eu estava tramado se, para me casar, tivesse dependido deste ditadorzeco de fancaria!
Ninguém tem por aí uns trocos para lhe pagar uma estadia de alguns dias em minha casa (pode usar a nossa casa-de-banho, sem problemas, e temos um "McDonald's" perto...)?
Entretanto, o melhor é tomar desde já nota para, quando crescerem, avisar os meus dois Filhos de que não são nada bem-vindos na "piolheira" do Tio Sam...
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