Sábado, 17 de Outubro de 2009
Palmira F. Silva

No Jornal de Negócios, Baptista Bastos discorre de pena escorreita e certeira sobre o Pós&Contras do passado dia 12 de Outrubro, aquele que foi anunciado pela RTP como sendo o programa em que José Manuel Fernandes, adiante referido por JMF, iria enfrentar João Marcelino, supostamente a propósito do LimaGate.

 

Quem assistiu ao programa foi mimoseado com uma primeira parte muito chocha, em que jornalistas sem qualquer formação estatística discutiram sondagens de forma muito polida e perfeitamente inconsequente, soube-se depois por imposição de JMF. A 2ª parte foi francamente mais animada, «pouco faltou para que os jornalistas participantes se engalfinhassem», Baptista Bastos dixit, que continua:

 

«Dois dos jornalistas presentes (neste caso são dois, mas há muitos outros) não me merecem a mínima consideração nem o mais escasso respeito. Não há memória de qualquer deles ter escrito uma grande reportagem, um artigo assinalável pela pedagogia e pelo estilo, uma crónica definitiva, uma entrevista para figurar no armorial do ofício. São dois zelosos burocratas medíocres, que os acasos do descaso fizeram trepar a postos importantes em dois jornais.

Adiante. Os dois exemplares apontados correspondem ao retrato do País e a um certo tipo de desaforo que se tornou comum na sociedade portuguesa. Não lhes ferro, aqui, os nomes porque desejo manter asseada esta página

 

Mantendo a promessa de asseio, Baptista Bastos prossegue fazendo a defesa dos jornalistas desportivos, apoucados como argumento de autoridade em tentativa ignóbil de lavagem da honra jornalística de quem publicou duas pseudo-notícias plantadas, sobre supostas «suspeitas» da Presidência da República, e se incensou contra a publicação do e-mail, por um director que começou nos «desportivos», que confirmava serem  apenas isso: uma plantação política de notícias sem fundo de veracidade. Baptista Bastos refere grandes jornalistas nacionais que foram sempre e só jornalistas desportivos e alguns episódios denotadores dessa grandeza.

 

E remata com força à baliza no final: «Ouvi, na segunda-feira, com surpresa e nojo, designarem-se, uns e outros, por "colegas." Quando entrei nos jornais ensinaram-me o seguinte: "Jornalistas são camaradas e tratam-se sempre por tu. Colegas são as putas." Ficou-me para sempre.»


28 comentários:
De fernando antolin a 17 de Outubro de 2009 às 08:40
Algo que nunca pensei ver : Palmira Silva incensando o já gasto santinho do BB. Quem quiser que o(s) compre...


De Guilherme Pereira a 17 de Outubro de 2009 às 16:19
Caro Antolin:

O Baptista ( com p...) Bastos não é comprável porque não se vende.

Terá, como todos, os seus defeitos.
Mas foi um dos Mestres com quem aprendi, por exemplo, que o jornalismo só será profissão nobre se exercida por gente nobre, exigente, imprevisível, disciplinada e desobediente, descomprometida mas comprometida ao mesmo tempo.

Ouvi-lhe dizer, justamente a propósito dos pára-quedistas plantados nas redacções á espera de (outros) voos de promiscuidade e prostituição intelectual, que camaradas são as putas - também com ele aprendi o saudável jargão de que uma redacção é um armazém de loucos a preservar, quando os jornais vespertinos viviam no Bairro Alto.

Rezingão, implacavelmente honesto, homem íntegro a quem o País e o jornalismo tanto devem, sinto-o hoje mais azedo quando opina e por vezes discordo dele.

Mas o azedume dele, meu caro, advém justamente ou talvez principalmente porque nas redacções há cada vez mais putas ( JMF e afins) e menos jornalistas.

O meu caro tem aqui, neste JUGULAR, um caso bem paradigmático de uma bloguer que nunca foi "jornalista" da colecção putas.

Já tinha reparado nisso?


De fernando antolin a 17 de Outubro de 2009 às 21:01
Tenho a mania de não ter ídolos, Guilherme. Nisso sou incurável. E também não me levo demasiado a sério.Opiniões e coisas que valem o que valem,já reparou ?


De Guilherme Pereira a 18 de Outubro de 2009 às 04:54
Não tenho ídolos.

Ícones, certamente.

O CHE ou o Samora, por exemplo.
O meu Pai.

Referências, MUITAS.

Mestres, em suma, que me ajudaram a gatinhar no ensino ou no jornalismo.

O Baptista Bastos é SÓ um deles.


De fernando antolin a 18 de Outubro de 2009 às 21:47
Ídolos,ícones,santinhos. Tudo e SÓ a mesma realidade.Adeus.


De Rafael Marques a 17 de Outubro de 2009 às 10:57
O que mais me supreende neste caso todo são estes dois factos indesmentíveis:

O silêncio de Luciano Alvarez.

O portador do famoso email para os jornais é uma fonte política.

Tudo o resto, incluindo todos os que sobre o assunto escrevem neste blogue: a tropa fandanga do costume. Ruido e fumo. Ou antes fumaça.

E não tenho dúvidas de quem mais beneficia com isso: Sócrates.


De Rogério da Costa Pereira a 17 de Outubro de 2009 às 11:33
Rafael: você sabe que nós sabemos, certo?


De fernando antolin a 17 de Outubro de 2009 às 11:35
e que tal a festa do erecções2009 no Frágil ??

Soltaram a franga ?? Malharam bem no JorgeC ??



De Shyznogud a 17 de Outubro de 2009 às 11:52
Não fizemos outra coisa que não espancá-lo, claro.


De fernando antolin a 17 de Outubro de 2009 às 12:26
Eu, de inveja, nem dormi bem...!! Por isso e dado que me levantei às cinco e meia para aeroportuar,até me dói o cabelo com o sono !! Pobre Jorge e eu sem o ter podido defender, sei lá tínhamo-nos barricado atrás do balcão com uma travessa de salgados e uma prateleira de garrafas a jeito e assim resistiríamos ao assédio da esquerdalha destemperada...



De f. a 17 de Outubro de 2009 às 16:09
palmira, admiro muito a escrita do bb e concordo com muito do q diz. mas o remate dele é d uma infelicidade atroz.


De Palmira F. Silva a 17 de Outubro de 2009 às 16:31
eu sei, estive a ler a troca de mails há bocadinho... não sei se BB se queria referir mesmo a prostitutas, mas eu li este putas metaforicamente e dirigido mesmo à classe jornalistica


De fernando antolin a 17 de Outubro de 2009 às 21:03
Creio, Palmira, que o ditado é antigo, ante-BB e sim, são mesmo as putas...


De aires bustorff a 18 de Outubro de 2009 às 20:39
Tanto quanto julgo poder interpretar este "putas" de BBastos

- na tropa, e enquanto o fui, usava-se o mesmo "dito" -

aplica-se generalizadamente a "putas, cabrões e quejandus",

enfim a gente abjecta, sem rastos de espinha, coluna, vertebral...

enfim a invertebrados como JMF, HM...

abraço e parabens 1º ano de jugular!


De A. Dias a 19 de Outubro de 2009 às 11:58
"Colegas são as putas; nós somos camaradas" é uma frase também usada no Exército. Não, parece-me, qualquer sentido de ataque às prostitutas


De Rafael Marques a 17 de Outubro de 2009 às 16:25
Uma opinião distinta:

«Prós e Contras. Tal como o Telejornal, este programa é, na minha opinião, um importante instrumento da estratégia e da táctica concreta de comunicação da central de propaganda governamental. Mas, no programa de segunda-feira, 12.10, autodesmascarou-se. A edição foi toda construída como armadilha ao director do PÚBLICO e para ligar o jornal a "disparates de Verão" de Belém e a "encomendas" de notícias. Disfarçar-se-ia com temas anódinos e estafados (sondagens, etc.), apenas para se centrar no caso da vigilância. Mas aconteceu a beleza do directo. A RTP (a central de propaganda do Governo?) contava com uma posição do director do Expresso que não veio a confirmar-se. Em Agosto, Henrique Monteiro tinha sido mais crítico com o PÚBLICO e escarneceu com a possibilidade de vigilância. O Expresso usou em manchete uma expressão derivada da posição então assumida por Sócrates: sillygate. Entretanto, o Expresso investigou o assunto. E uma "fonte política" (que presumo do Governo ou do PS) tentou passar ao Expresso o famigerado e-mail entre jornalistas do PÚBLICO. O Expresso ter-se-á apercebido, entretanto, da montagem de uma acção de envenenamento pela propaganda mentirosa. Mas a central do Governo e a RTP não devem ter notado a alteração de posição do director do Expresso. Resultado: além de José Manuel Fernandes ter desmentido uma série de mentiras que a apresentadora queria fazer passar como factos e ter reposto a essência jornalística do trabalho do PÚBLICO em 18 e 19 de Agosto, o director do Expresso revelou em directo para todo o país que foi uma "fonte política" quem tentou plantar o e-mail no Expresso e que, não o conseguindo, o passou para o DN, sempre pronto a fazer fretes ao poder. A apresentadora do Prós e Contras e o director de Informação da RTP ainda tentaram salvar as posições da propaganda governamental, mas a intervenção de Monteiro, não cumprindo o papel que aqueles esperavam dele, estragou a jogada. Pela primeira vez em anos, o Prós e Contras não conseguiu servir cabalmente a propaganda do Governo e, pelo contrário, viu desmoronar-se a cabala e revelar-se a sua natureza abjecta.»

Eduardo Cintra Torres, Público


De Shyznogud a 17 de Outubro de 2009 às 16:38
O eduardo Cintra Torres é um bocadinho distraído (ó para mim a ser muito correcta não chamando desonsesto e mentiroso ao senhor), só assim se pode escrever isto "Mas a central do Governo e a RTP não devem ter notado a alteração de posição do director do Expresso."... Henrique Monteiro alterou a posição dele? Só quem não o lê e observa há 2 meses é q pode falar de alteração do q quer q sej.

A sério, eu fico com cara de parva ao ver o q é distorcido por certos escribas na CS.

p.s. - é agora q combinamos o nosso rendez-vou, Rafael?


De fernando antolin a 17 de Outubro de 2009 às 21:05
Se o Rafael não puder, eu vou !! Levo um girassol na lapela...


De aires bustorff a 18 de Outubro de 2009 às 20:46
Terá sido Fernando Lima quem HM referiu e aqui ECT recupera?

De facto ele, FL, parece estar implicado, e ter jeito, na implantação de "noticias" pelos jornais...

Terá sido ele, de novo?

Fiquemos calmos à espera dos próximos numeros do Expresso...

abraço


De pedro oliveira a 18 de Outubro de 2009 às 21:32
Caro Rafael,

Eduardo Cintra Torres escreve sobre o programa televisivo: Prós e Contras.
Palmira escreve sobre algo que Maradona não desdenharia participar:
Pós&Contras
«sobre o Pós&Contras do passado dia 12 de Outrubro» sic, em 2009.10.18 pelas 21H31


De Guilherme Pereira a 19 de Outubro de 2009 às 12:33
Ó ilustre Rafael Marques: não será opinião sobejamente (já) conhecida, mais que previsível ou mais do mesmo, frete, propaganda, cronismo de cordel e sarjeta, ódio de esgoto - o "cavalheiro" ECT imaginará que engana ou convence quem?

DISTINTA?

Excelente com DISTINÇÃO é a minha mãe, caraças!





De Rafael Marques a 17 de Outubro de 2009 às 17:27
Maria João,

Temo desiludi-la quando nos encontrarmos.

É que sou um rapaz simples. Não tenho causas fracturantes e só sei o que vem nos jornais, nos blogues e na televisão.

Mas gostava de saber mais. Por exemplo, gostava de saber quem entregou o mail de Luciano Alvarez (partindo do pressuposto de que é ele o autor do mail ) ao (ou será à?) jornalista do DN que o entregou a João Marcelino, esse principe do jornalismo português que tem no seu curriculum, entre outras, a façanha de conseguir que o DN quase não se distinga do Correio da Manhã.

Devo dizer que não me canso de admirar esse exemplo notável de fé na natureza humana que João Marcelino deu ao explicar que não lhe ocorreu sequer perguntar a quem lhe entrega o tal email como e onde o arranjou.

Se não fosse, como por certo é, a mais pura das verdades, poderíamos pensar como é conveniente a João Marcelino dizer que não sabe de onde veio o mail, não lhe parece?

Mas havemos de nos encontrar um dia destes, fica combinado.



De Shyznogud a 17 de Outubro de 2009 às 18:21
Não se inquiete que não sou dada a grandes expectativas.


De luis eme a 17 de Outubro de 2009 às 20:53
acho que o BB se equivocou, pensou que estava a escrever ficção, pelo menos na parte final...

foi no serviço militar que aprendi que éramos todos camaradas e que colegas eram as putas, nunca na redacção de um jornal.

aliás, as redacções sempre foram povoadas de gente importante (especialmente no tempo dele), que não se "acamaradava" com toda a gente, muito menos com novatos, por exemplo...


De Guilherme Pereira a 19 de Outubro de 2009 às 02:52
Luis Eme:

Vc é mto capaz de ter feito recruta e especialidade na tropa.

Por lá, nunca se disse o vc escreveu.

Digo eu que fiz q guerra colonial e comandei tropas.

O que certamente não fez, desculpe que o corrija, foi a guerra das redacções nos tempos em que não havia cursos a granel sem qualquer utilidade, nos tempos, aliás recentes e ainda actuais, de ainda haver redacções nas quais o critério era, e é, vai lá esgalhar uma notícia na rua e esgalha aí 500 caracteres pra eu ver o que ainda podes valer.


De luis eme a 20 de Outubro de 2009 às 23:38
andámos em batalhões e redacções diferentes, Guilherme, acontece aos melhores...

os cursos não têm qualquer utilidade? então fechem-se as escolas...


De Guilherme Pereira a 21 de Outubro de 2009 às 03:40
Caro Luis Eme:

Agradeço a paciência e cortesia da resposta.

Respondendo: se calhar não andámos nas mesmas guerras, admito que sim.

Mas nunca será por isso que comprarei consigo guerras inúteis.
Para ambos.

Abraço!


De Fernando P a 17 de Outubro de 2009 às 20:59
Pena escorreita a do Bautista Bastos? O que o homem escreveu de razoável já foi há muitos anos. Mas ainda não compreendeu que nem sequer é a sombra do Aquilino. Ficou-lhe apenas a voz grossa do macho. Latino, presumo


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