Domingo, 18 de Outubro de 2009

Temos uma governação minoritária. Temos um parlamento mais equitatativamente distribuído pelos partidos.  Não vai haver coligações ou acordos parlamentares depois dos vários “não” das oposições.

A AR não pode ser dissolvida nos primeiros seis meses depois das eleições, nem nos últimos seis meses antes das eleições presidenciais, que deverão ter lugar no início de 2011.

Posto isto, a igualdade de acesso ao casamento civil deverá ser conseguida o mais rapidamente possível. Em 2010 deveríamos estar no Top 10 dos países que pugnam pela igualdade da sua cidadania.

Temos uma maioria no Parlamento que pode garantir isso. Para que aconteça é preciso negociação, diálogo, busca de denominadores comuns. Para bem da população gay e lésbica, para bem da nossa democracia. Às vezes uns avançam com tiradas para ganhar corridas partidárias ou para dizer que certas bandeiras são suas. Às vezes outros amolecem, pensam noutras coisas, preferem esperar. Ambos se comportam erradamente. É preciso que assim que a AR esteja a funcionar em pleno, depois de constituídas as Comissões, nomeados os seus presidentes, estabelecidos os deputados, se avance, e em força, para uma solução de discussão, apresentação (necessariamente) conjunta de projectos, e votação.

E, desde já, é necessário o trabalho político para o conseguir o mais rápido possível. No meio daquelas super-organizações, daquelas corporations que são quer a AR quer os partidos, já estou a fazer tudo o que consigo para que, no contexto acima enunciado, se consiga avançar e em força. Mas é preciso e é urgente. Caso contrário, temos muitos caldos entornados.


37 comentários:
De Caravaggio a 18 de Outubro de 2009 às 11:31
Este blog é muito CINZENTOLA


De Valter Marques a 18 de Outubro de 2009 às 12:01
O país não pode esperar, não pode adiar uma medida que deve ser tratada com a maior da urgência. É necessário avançar Portugal, tornarmo-nos um país mais justo, onde todas as pessoas sejam tratadas de forma igual..
Só não entendi se o PS deseja referendar o casamento entre homossexuais ou se em conjunto com o BE e o PCP vai tentar aprovar este diploma na Assembleia da República.

www.esquerdismosliberais.blogspot.com


De xico a 18 de Outubro de 2009 às 12:26
Para bem da população islâmica de Portugal é necessário e urgente a legalização do casamento polígamo...
estou farto de complacente. Os parlamentos fizeram-se para discutir e governar o bem comum, não para complacências... e os complacentes nunca lá deveriam pôr os pés...


De S a 18 de Outubro de 2009 às 13:24
Faça por isso Xico, o lobby gay organizou-se e lutou pelo casamento entre pessoas do mesmo sexo. Toca a andar!


De Xico a 19 de Outubro de 2009 às 11:58
Muito bem. Ficámos todos a saber que MVA, na opiníão do S., é hoje deputado do lobby gay e só lá está para resolver os assuntos que a esse lobby diz respeito.
Engano meu! Pensei que os deputados lá estivessem pelo todo colectivo. Mas o S. lá saberá...


De S a 19 de Outubro de 2009 às 13:30
Que ingénuo que é o Xico... Mas então, já pôs as mãos à obra? Toca a andar!


De nuvens de fumo a 19 de Outubro de 2009 às 11:37
Ó xico a legalização do casamento para pessoas que sofrem de profundo deficit cognitivo está longe de ser consensual, mas pode ser que seja para os seus descendentes, tenha fé irmão


De Ibn Erriq a 18 de Outubro de 2009 às 12:32
"Mas é preciso e é urgente. Caso contrário, temos muitos caldos entornados."

às armas, às armas......


O que significa "Temos uma maioria no Parlamento que pode garantir isso." vai haver disciplina de voto?

O PCP vota como?

O PR não veta?


PS:
Outro dia vi-o no programa da RPTN com o CAA e com a JAD, e deixe que lhe diga, esteve muito fraquiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiinho.
Aquela tirada envergonhada a defender o PM, nem foi carne nem peixe, não levantou a voz da, sua convicção, para o defender nem calou, teve que demonstrar que afinal sempre é da Bancada Paralamentar do PS!

Lembra-se que disse que não tinha só uma bandeira (o Casamento Gay)? Afinal, podem nem ser a única mas o estandarte que vele é mesmo este, vá lá os outros serão quanto muito uns lenços!


De Susana a 18 de Outubro de 2009 às 21:38
A bandeira rendeu votos ao PS.
As propostas do PS ganharam rosto e credibilidade com a candidatura de Miguel Vale de Almeida.
O seu empenho é mais do que natural. Ninguém esperaria que não se empenhasse neste tema. Bem pelo contrário!


De rafael a 18 de Outubro de 2009 às 13:51
Ibn Erriq - o PCP vota a favor, como já o fez na anterior legislatura

MVA - parabéns. é raro ver alguém eleito nas listas do ps assumir um compromisso tao claro (com tempo e tudo-2010) numa proposta de avanço social e progresso. Gostava que os seus companheiros de bancada tivessem a mesma atitude...


De Guilherme Pereira a 18 de Outubro de 2009 às 14:31
Tás com uma pica do caraças, Miguel!....
...YES...dá-lhe(s) gaz.


De nuno a 18 de Outubro de 2009 às 19:11
isto dos partidos, dos oportunismos e das estratégias só complica. o PS já teve uma oportunidade de votar a favor, quando outro partido levou uma proposta à AR. ficámos com a ideia de que o PS quis ter o mérito, usando de caminho a causa como bónus para a campanha. esqueça-se tudo isso. o que importa é que venha finalmente a lei, que seja estabelecida a igualdade de facto, que a Constituição já consagra mas que a lei do casamento ainda não manifesta. seja o PS a ter o mérito ou qualquer outro partido, não importa.

venha a igualdade de direitos, o quanto antes.



De José Cid a 18 de Outubro de 2009 às 18:52
isso vai criar quantos postos de trabalho e matar a fome a quantas pessoas?
Caga nisso!o que é preciso é andarem todos contentinhos, não é?
tenham vergonha!porem costumes à frente da fome é uma prioridade demonstrativa do tipo de pessoas que são.


De Nuno Ribeiro Ferreira a 18 de Outubro de 2009 às 19:26
Mas esta questão do casamento entre pessoas do mesmo sexo, também é uma questão de fome, caro José Cid. Fome pela liberdade. Fome pela igualdade. Fome por uma sociedade justa em que A=B=C=D em direitos e em deveres. FOme pelo fim de uma discriminação que já dura há tempo demais. LIberdade, Igualdade, Fraternidade. Nem imagina os esfomeados que há por aí, em relação a estes aspectos. Espero que me matem esta fome, muito em breve.


De S a 18 de Outubro de 2009 às 19:38
E esse é um comentário demonstrativo do tipo de pessoa que é.


De Susana a 18 de Outubro de 2009 às 21:44
A liberdade de expressão também não dá de comer. E se alguém quisesse acabar com a sua por ser inutil nos tempos de crise em que vivemos????
Eu oporme-ia, por princípio.


De Susana a 18 de Outubro de 2009 às 21:47
digo: "opor-me-ia"


De Maria a 19 de Outubro de 2009 às 01:41
Por que razão as soluções para problemas sociais, de índole tão distinta, terão de ser tratadas em alternativa?
Não será possível tratar da fome alimentar, do desemprego, do isolamento de idosos e de comunidades fragilizadas e, ao mesmo tempo, resolver situações que apenas necessitam de legislação adequada?
O casamento entre pessoas do mesmo sexo (género) não é uma questão de "costumes", não implica necessariamente a prática de sexo e pode trazer justiça e estabilidade a muita gente. E que não se esqueça também a questão da adopção.


De S a 20 de Outubro de 2009 às 14:59
Os sete blefes mortais da homofobia
Paulo Pinto

"O terceiro blefe é preguiçoso. Assenta no apuradíssimo argumento de que não vale a pena mexer nisso agora porque temos todos mais o que fazer, há uma crise à porta, o desemprego espreita, a deflacção ameaça, o Benfica está à rasca e ainda falta muito para chegar Agosto. O tempo escasseia. Não é oportuno. Pois, pois, esperemos a ver quando é que o será. Mas sentados, é melhor. Ainda estaríamos com o Código de Justiniano em vigor, com argumentos destes, porque haveria sempre problemas mais prementes a resolver do que tratar das liberdades civis e dos direitos humanos."

(Os outros 6 também são muito bem conseguidos. Ora veja-se;


http://jugular.blogs.sapo.pt/647565.html)


De M. Abrantes a 18 de Outubro de 2009 às 23:06
Mas o Miguel não se juntou a um partido que podia ter resolvido a situação quando tinha maioria, mas achou que "não era o momento" (isto cabe/coube na sua cabeça?)?

Então mantenha-se calmo, porque nenhuma outra barracada/treta parlamentar sobre o assunto terá pior aspecto.


De thestudio a 18 de Outubro de 2009 às 23:51
Com uma taxa de desemprego de 20% e tanta gente a passar fome, não me parece que este fait-divers deva ser prioritário. Aliás, acho que o casamento gay serve mesmo é para desviar as atenções do que é essencial.

No entanto, não tenho nada contra que o casamento gay seja referendado. Obviamente, que não me passa pela cabeça que possa ser aprovado sem referendo. Tanto quanto sei ainda somos uma democracia.


De Luc a 19 de Outubro de 2009 às 01:02
Tanto quanto sei uma democracia não é uma ditadura da maioria.

Quer um referendo ao seu direito a casar-se? Mas porque quer perder tempo e dinheiro a referendar fait-divers? Com tantas outras prioridades...


De nuvens de fumo a 19 de Outubro de 2009 às 11:42
Que demagogia parva, a forme vs o casamento !!!!!!!!!!
Até irrita, aliás por essa lógica a assembleia nem legislava sobre mais nada enquanto a fome no mundo nºao fosse resolvida, depois a saúde , etc

Aprendam pelo menos como funciona a aprovação de leis num sistema parlamentar e sobretudo que aprovar a lei A não implica não votar a lei B

Nota: Não há assim à vista nenhuma lei que só mudando uma linha acabe com a fome, mas se tiverem ideias partilhem,


De João a 19 de Outubro de 2009 às 13:51
Thestudio,

Está a fazer uma grande confusão a respeito do conceito de democracia.
Como ponto de partida, pode ler http://en.wikipedia.org/wiki/Democracy, e em particular este ponto:
"Even though there is no specific, universally accepted definition of 'democracy',[3] there are two principles that any definition of democracy includes, equality and freedom.[4] These principles are reflected by all citizens being equal before the law, and having equal access to power.[5] "
Ou seja: não é democrático fazer um referendo para que uma maioria decida se uma minoria deve ou não ter os mesmos direitos! Já pensou por um momento onde isso nos levaria? Não se esqueça que também pertence a alguma minoria. Todos pertencemos. E seguindo a sua ideia errada de democracia, qualquer irresponsável pode em qualquer momento decidir que é engraçado referendar os direitos da minoria a que o thestudio pertence.

João


De nuvens de fumo a 19 de Outubro de 2009 às 14:28
Eu não falei nada disso, deve ser engano


De Anónimo a 20 de Outubro de 2009 às 12:13
As mulheres que abortam são uma minoria?

Quem pretende praticar a eutanásia é uma minoria?

Passa-lhe pela cabeça não fazer um referendo?

É um bocado como o tratado de Lisboa. Sabemos bem porque não foi referendado. E também sabemos o que aconteceu quando o foi.

PS: por mim, as pessoas devem ter o direito de se casar com quem quiserem, desde que haja consentimento mútuo.

Mas se vão pôr as coisas em termos técnicos...


De M a 19 de Outubro de 2009 às 00:51
Miguel,

esta é de facto a maior preocupação do nosso país. Tudo vai bem menos a igualdade no casamento.
Que se respeite os resultados das eleições e esse foi, antes de tudo, que há problemas críticos e estruturais que precisam ser resolvidos, não questões minoritárias e fracturantes da sociedade.
Lamento... mas parece-me um verdadeiro erro de casting seu... ou apenas de interpretação da sua missão.

Respeitosamente,
M




De João a 19 de Outubro de 2009 às 13:21
Estávamos mal se o Governo só conseguisse resolver o Maior Problema Do País!! Já agora, se retirassem às pessoas cujo nick é M o direito a casar-se, calculo que não diria nada... afinal, há outros problemas mais graves! E as pessoas cujo nick é M não passam duma minoria...
Quanto ao resultado das eleições: ganhou um partido que incluía no seu programa a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo.


De S a 19 de Outubro de 2009 às 13:43
"esta é de facto a maior preocupação do nosso país."

Neste momento, a maior preocupação do país é a cabeça da Maitê numa bandeja.

Acha que o país deve parar enquanto não chega?


De Susana a 19 de Outubro de 2009 às 22:31
"Que se respeite os resultados das eleições"

Nem mais!

Ganhou o PS, partido cujo programa previa expressamente a alteração da lei eliminando todo e qualquer obstáculo à igualdade no acesso ao casamento civil.

Aos três partidos que defendem a referida alteração à, foi mesmo conferida a maioria absoluta dos mandatos.

"Que se respeite os resultados das eleições"


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