Começo com uma declaração de interesses: Saramago é um dos meus autores caros. Fora umas intermitências e um pretenso ensaio sobre a lucidez, gostei de tudo o que dali veio. Construí imaginários demasiados meus, demasiado densos, demasiado íntimos a partir de muitas das obras dele. Tudo por causa de todo aquele espaço que Saramago sempre deixa ao leitor. Aqui deixo o que escrevi, agora faz tu o resto. E, no caso de Saramago, o resto não se resume à leitura. As palavras são-nos entregues e dá – dá-me! – tanto trabalho (e prazer) arrancá-las à pedra que passam a ser minhas – mais que dele.
Dito isto, avanço para o que me parece óbvio. As últimas declarações de Saramago são um verdadeiro tiro no pé. No caso, Saramago está a fazer à Bíblia – a um livro – exactamente aquilo que muitos lutaram para que fosse feito (felizmente, não conseguiram) aos livros dele.
Ironicamente, esses radicais de ofício que - ironicamente outra vez - acabaram por contribuir positivamente para a construção de uma carreira ímpar, talvez vejam hoje os leitores de (educados na tolerância por) Saramago correr às livrarias em busca de uma boa edição da Bíblia. No que me diz respeito, já tenho a Bíblia (mais do que um formato e mais do que uma “versão”) e só lamento pegar-lhe poucas vezes.
Resta-me, pois, ignorar o que Saramago agora disse e ir comprar Caim. Se levasse a sério tão tontas declarações, teria, coerentemente, que não ler Caim. Faz o que eu digo mas não faças o que eu faço. Saramago fê-lo a preceito ao dizer o que disse da Bíblia e eu sou obrigado a imitá-lo para o poder ler.
Depois de o ler, vou arrumá-lo junto a uma Bíblia - pode ser que se ensinem tolerância.
De caim a 19 de Outubro de 2009 às 17:34
O que ele disse não foi mais do que debitar umas frases bombásticas para chamar a atenção da malta para o livro vender ainda melhor.
Esperto!
De fcl a 19 de Outubro de 2009 às 17:47
Parcialmente de acordo. Contudo, a realidade é que a Bìblia não é UM livro, mas são 66. E o que Saramago diz aplica-se a um bom número deles.
Cumprimentos
A questão não é essa. A questão é aquela espécie de deitar para a fogueira, como se o livro em causa fosse a origem de todos os males. "A Bíblia, reiterou, é um livro impróprio para crianças". ???
De aorta a 19 de Outubro de 2009 às 18:09
de todos os males parece-me um exagero. mas de 99,9% deles, pode ter a certeza que sim.
Exacto, Rogério da C. P.: a Bíblia não é a origem de todos os males. A origem de todos os males, tal como de tudo o que é o Bem, é o Ser Humano. A Bíblia foi feita por seres humanos, como o foram tantas formas de crueldade humana - individual, social, organizada ou não organizada - actuais e passadas e futuras.
E a maravilha das catedrais góticas, a pintura de da Vinci e de Miguel Ângelo, o tríptico de Bosch foram também feitas por seres humanos, interpretando os Livros Sagrados.
Declaração de não interesse: não sou católica nem crente de/em qualquer religião ou deus; sou agnóstica.
De aorta a 19 de Outubro de 2009 às 18:20
esqueceu-se das fogueiras da santa inquisição. as de outros tempos e as de agora.
De aorta a 19 de Outubro de 2009 às 18:28
e das cruzadas.
E aqueles papelinhos instrutivos que a igreja católica vomita cá pro poveco de vez em quando...como se chamam? Encíclicas? :)
De aorta a 20 de Outubro de 2009 às 10:59
esta a referir-se àquelas merdas escritas pelo papa e que os blogueiros e jornalistas manhosos dão muita importância e gostam muito de comentar?
são encíclicas, são... mais conhecidas pelas trelas dos bispos.
Exacto, Vera. Mas não me trate por Rogério da C. P., que não pertenço aos quadros de tal empresa. Quando à questão do ser isto ou aquilo. Por ali sei que não vou, o nome que se dá ao meu caminho não interessa nada. Talvez ainda nem tenha sido inventado.
De aorta a 19 de Outubro de 2009 às 19:03
rogério, leia o êutifron de platão. tem menos páginas e os ensinamentos são bem melhores.
;-)
Ok, Rogério. Sorry: não reparei no resultado ferroviário das iniciais . . .
Deixa lá, Vera, na família as nossas iniciais dão todas coisas estranhas. RCP, ACP, BCP...
De lamp a 20 de Outubro de 2009 às 01:33
e um FCP, uiiiii, este é mesmo o pior de todos
lamp
De fcl a 19 de Outubro de 2009 às 19:30
Mas pode mesmo concluir das palavras de Saramago que o que ele, Saramago, pretenderia seria queimar a Bíblia? Pessoalmente, não foi essa a minha dedução.
Quanto a não ser aconselhável a crianças, plenamente de acordo, relativamente a certos livros que dela fazem parte (repito, a Bíblia não é um livro, mas uma colectânea de 66 livros - bem, sem contar com os que a versão da ICAR inclui e descontando todos os denominados apocrifa).
De aorta a 19 de Outubro de 2009 às 18:08
a bíblia não é UM livro. a bíblia é O livro. (declaração de interesses: sou ateu)
acho que os jornalistas foram pressurosos a descontextualizar as palavras do Saramago. Ou seja, fizeram aquilo para que são pagos e cada vez fazem melhor: fretes.
se virmos o saramago na sabatina do Folha de São Paulo, por exemplo, percebe-se o entretecer das suas ideias sobre a Bíblia. E quem é que no seu perfeito juízo não lhe daria razão?
http://reporter24horas.blogspot.com/2008/11/jos-saramago-bblia-um-desastre-cheia-de.html
De aorta a 19 de Outubro de 2009 às 18:48
que saudades dos tempos em que a moda era ser agnóstico ou ateu. agora é tudo crente, têm todos muito respeito pelas crenças uns dos outros e até, pasme-se, têm a bíblia em casa. uma ternura...
De aorta a 20 de Outubro de 2009 às 01:44
muito classe média. todos sonham em ter qualquer coisita prada.
De aorta a 20 de Outubro de 2009 às 10:53
mas a léguas...
De
CNS a 19 de Outubro de 2009 às 18:09
Mas apesar do que disse, ainda bem que Saramago a leu. Ainda bem que reflectiu sobre ela, sobre a sua mensagem. Mas pena que tenha esquecido que a tolerância é mãe de todo o conhecimento.
De aorta a 19 de Outubro de 2009 às 18:19
"a tolerância é mãe de todo o conhecimento"
e quem é o pai, já agora?
De M. Abrantes a 19 de Outubro de 2009 às 18:49
Saramago é um mago da escrita. Devia ser lido e relido nas nossas escolas [mas nós somos muito selectivos, não lemos comunas].
No entanto ... tem do debate em torno das questões religiosas uma perspectiva ultrapassada. Tal como os religiosos mais intolerantes, esquece que nenhum debate deste tipo deveria comprometer uma harmonia mínima. De contrário fica-se a patinar na lama do rancor.
Sem se aperceber(?), Saramago utiliza-se da mesma indiferença pelo outro que parece extrair do Velho Testamento. Enquanto seu leitor incondicional, guardo algum desancanto pela incapacidade que revela em desfazer essa espécie de nó amargo com que se atou a um tipo de discurso destrutivo á volta das religiões. Não entendeu que o caminho não passa por acabar com elas.
Quanto ao livro, Caim, é, por certo, mais beleza em estado puro saída da sua caneta.
De aorta a 19 de Outubro de 2009 às 18:58
o saramago já é lido nas escolas. o memorial do convento faz parte do programa do 12º ano (se não estou em erro).
quanto ao debate religioso, não existe essa coisa a que uns chamam deus e outros alá. pura e simplesmente não existe.
e está o debate encerrado.
Concordo em parte com Aorta. O sensacionalismo religioso, a (pré) concepção de um Deus sem Nome que diz o que é Bem o que é Mal, que insiste em rotular de pecado algumas das coisas que fazemos, a pre-crença que existe alguem ou alguma coisa que está em todo o lado, a toda a hora, a olhar para tudo, desde sempre, que não tem inicio, nem fim, nem permeio... esta (pre)concepções inviabilizam todo e qualquer debate acerca destas questões. Quanto às palavras do Saramago (de quem sou "devoto"), podem ter sido um tanto ou quanto infelizes e deslocadas. A biblia (com um b pequeno) é, na realidade, um conjunto de livros, da mais pura e inteligente ficção romancista. Tem o seu mérito e a sua excelência enquanto livro. Mas realmente,não passa disso. Ficção. Enquanto romance, tem qualidade. Quando pegam nele e tentam translocar para a realidade na forma de qualquer tipo de imposição, orientação, lógicas do "faz isto senão acontece-te aquilo...", "faz isto porque ele também fez isto" e "isto é bom e aquilo é mau porque deus assim o determinou"...quando tentam fazer isto, então, realmente o livro perde qualidade e torna-se numa sucessão de disparates que nunca mais acaba.
sim senhor, que firmeza. pura e simplesmente encerrado
É preciso pachorra, Alexandra. E veneração, também, que o aorta deu por terminado um debate eterno.
ora, Rogério, sou uma rapariga cristã, respeitadora das limitações alheias. Caso contrário já teria lembrado ao aorta este excerto de uma crónica recente de Anselmo Borges no DN: "Ninguém sabe se Deus existe ou não. Como escreve o filósofo André Comte-Sponville , tanto aquele que diz: "Eu sei que Deus não existe" como aquele que diz: "Eu sei que Deus existe" é "um imbecil que toma a fé por um saber". Deus não é "objecto" de saber, mas de fé. E há razões para acreditar e razões para não acreditar.
De aorta a 20 de Outubro de 2009 às 01:38
"Ninguém sabe se Deus existe ou não."
também ninguém sabe se, noutra galáxia qualquer, existem elefantes cor-de-rosa e com asas.
"Deus não é "objecto" de saber, mas de fé."
errado. muito errado, minha senhora. conhecer é acreditar e fazer ciência um acto de fé. nisso, acreditar em deus e na lei de gravidade é a mesma coisa.
a diferença é que a primeira é uma crença (cada vez mais) injustificada, e a segunda uma crença justificada todos os dias.
tudo isto para lhe dizer que esses seus conhecimentozinhos filosóficos de aula de filosofia do secundário, são de uma mediocridade intelectual que até dói.
"há razões para acreditar e razões para não acreditar."
é mesmo mentalidade à tuga. adoram merdas que não dão nada. até metem dó.
pois claro aorta, não entendeu. Talvez se reler o que escreveu Anselmo Borges... Sem tempo para mais, deixo-lhe uma pequena pista - experimente ensinar a lei da gravidade (o exemplo é seu). Consegue não consegue? De seguida experimente ensinar fé.
E pronto. fechou a loja, ok?
De aorta a 20 de Outubro de 2009 às 10:52
lá vem a xanoca citar padrecos e as suas teses manhosas. leia autores de jeito, criatura.
leia o "fé na verdade" do daniel dennett e verá que ter fé é comum a qualquer cão e gato.
já agora, nunca ouvi falar de aulas de catequese e de madrassas, esses lugaritos onde se ensina a fé e a odiar o próximo?
n percebe mesmo. Ensina-se a Bíblia ou o Corão ou a odiar o próximo. N se ensina fé, homem.
ps - a sua má-criação resulta de insegurança, infelicidade ou e só mesmo parvoíce?
De aorta a 20 de Outubro de 2009 às 13:48
vá ler o dennett, já lhe disse.
Aorta: modere o tom ou não lhe aprovo mais comentários.
De aorta a 20 de Outubro de 2009 às 16:46
soa mal, mas (desta vez) não foi com intenção.
a si recomendo-lhe um simples dicionário. É que fé não é apenas sinónimo de crença ou religião ( a fé cristã, judaica, etc ). Pode ser mais qualquer coisa. vá ver.
De António Parente a 20 de Outubro de 2009 às 14:34
Penso que a má-criação do aorta resulta das 3 coisas. Tem de ter muita paciência, Alexandra.
É perfeitamente possível ensinar a ter fé. É mesmo isso que faz a catequese, as madraças, a EMR, etc. Mas concedo que é mais difícil. Até porque toda a lei da gravidade se mete pelos olhos dentro.
De António Parente a 20 de Outubro de 2009 às 14:32
Caro Ricardo Alves
Explique-me lá essa da lei da gravidade (polícia mau)
bem gostariam as igrejas que a fé se ensinasse, Ricardo. Ensina-se doutrina, incute-se respeito, medo, crendice ou superstição. Nada disso é fé. A fé não se ensina. "Nem se educa", defende Agustina Bessa Luís. "Não se pode ensinar um dom".
A fé ensina-se. E ensina-se a ensinar a ter fé. Leia Daniel Dennett em vez de Agustina Bessa Luís e compreenderá o que quero dizer.
De aorta a 20 de Outubro de 2009 às 00:44
conversa eterna? o ateísmo tem 2500 anos, e na forma que o conhecemos hoje, pouco mais de 200.
a nossa de eternidade, por aqui, é muito curta.
De António Parente a 20 de Outubro de 2009 às 09:48
Curta mas assustadora. Já têm o vosso imperador Constantino - o Richard Dawkins - e felizmente não vou estar por aqui quando chegarem ao vosso tempo das fogueiras.
De nuvens de fumo a 20 de Outubro de 2009 às 14:08
O AP anda com o RD atravessado. Olhe eu não tenho nenhum imperador ou rei que sou republicano laico, por isso ...
De António Parente a 20 de Outubro de 2009 às 14:37
Não me diga que pensa pela sua cabeça, Nuvens de Fumo. Isso seria ao mesmo tempo surpreendente e dramático.
De nuvens de fumo a 20 de Outubro de 2009 às 15:26
Caro,
Mas deveria saber , por Zeus, deveria saber....
Seja como for não me identifico com a tentativa de transpor para o plano do racional a negação da religião, acho que o simples bom gosto serve.
Um pouco de olfato e a noção de ridículo ....

Estou a brincar, vá não se zangue que não vale a pena, eu irei a gozar quando entrar pelas portas dos danados. é genético que quer, não resito
De S a 20 de Outubro de 2009 às 15:20
Espero que não esteja a sugerir que vou mandar para a fogueira 80% da minha família e mais uns 60%(?) dos meus amigos, pois não?
De António Parente a 20 de Outubro de 2009 às 15:31
Não sugiro nada, acho estranho é como essa ideia lhe surgiu logo na cabeça (o sítio onde normalmente aparecem as ideias).
De nuvens de fumo a 20 de Outubro de 2009 às 16:07
Tempo das fogueiras ?
Que coisa é essa ?

De Jairo Entrecosto a 20 de Outubro de 2009 às 17:02
Tempo das fogueiras é aquilo que todos os cristãos, católicos e protestantes, condenam sem margem para dúvidas. É algo pelo qual os cristãos de hoje não são responsáveis, mas que ainda assim os envergonha. É algo pelo qual pedem perdão.
Tempo das fogueiras é algo que agrada a pessoas como o nuvens, que os diverte, que os alivia, dá conforto e satisfação.
O nuvens está-se a lixar para semelhantes seus terem sido queimados vivos. O nuvens alegra-se por terem sido essas pessoas queimadas por católicos e protestantes. À semelhança dos que só criticam crimes contra crianças quando são cometidos por religiosos. Fazem-no de forma jocosa, divertida, alegre, com piadas, sarcasmos e ironias. Não os incomoda que crianças sejam abusadas, alegra-os que tenham sido religiosos a fazê-los, porque assim tem razões para legitimar o ódio às religiões e aos religiosos, mesmo aos que não fizeram crime algum. Mesmo aos que pedem perdão e sentem vergonha por aquilo que não fizeram.
É isso o tempo das fogueiras, das nuvens....
Muito bem, Jairo. Eu ia responder mas subscrevo o seu comentário.
De nuvens de fumo a 20 de Outubro de 2009 às 17:21
Ke falta de humor...
Há católicos que ainda hoje defendem a inquisição.
Católicos em defesa da Inquisição:
«The alleged horrors of the Inquisition generally come at the head of the list of the arguments of the enemies of the Church.
(...)
However, the saints who lived in the era of the Inquisition never criticized it, except to complain that it did not repress heresy severely enough.
(...)
In fact, criticism of the Inquisition by Catholic authors did not begin to appear until the 19th century, and then only among the liberal Catholics, since the ultramontanes [clerics believing most strongly in and supporting most vigorously papal policy in ecclesiastical and political matters —Ed.] were vigorously defending the tribunal.4 Prior to the French Revolution, anti-inquisitorial discourse was the province of the Protestants.
(...)
Nevertheless, the most serious historical studies have henceforth recognized that the Inquisition was an honest tribunal, which sought to convert heretics more than to punish them, which condemned relatively few people to the flames, and which only employed torture in exceptional cases.
(...)
However, those who have the Faith must convey a positive judgment on the Inquisition. In purging the Catholic Church in Spain of Marranos influence, the Holy Office saved Spain from Protestantism and spared her the horrors of a religious war similar to those which ravaged the greater part of Europe in the 16th century. Recall that a third of the German population perished during the numerous religious wars which took place between 1520 and 1648. If the burning of a few hundred heretics had enabled Spain to avoid such a conflict, one must conclude that the Holy Office performed a humanitarian act.
(...)
Certainly one must not propose the re-establishment of the Inquisition. Now it is too late. The Inquisition can only be effective in a society which is already profoundly Christian. It is a defensive weapon, which is of no use in restoring the world to the Faith. Today’s Church is at the stage of the Reconquista.
But if there is not occasion to restore the Inquisition, one must certainly rehabilitate it in the eyes of history. With all due deference to those who love to see the Church disparage itself, Catholics have nothing to be ashamed of in the past work of this holy tribunal.»
Defense of the Inquisition
http://www.sspx.org/against_sound_bites/defense_of_the_inquisition.htm
Ricardo Alves
Não me reconheço nem aceito a doutrina da SSPX. Como é óbvio não aceito e repudio as justificações apresentadas para a Inquisição.
Tudo bem, António. A sua postura não me surpreende. Mas o Papa tem uma posição diferente da sua...e vai re-comungá-los.
O Papa explicou os motivos porque os vai recomungar e eu concordo com ele. Se vai conseguir os seus objectivos, não sei. Mas a intenção é boa.
Pois. O Papa vai recomungar os «católicos» que defendem a Inquisição, e o António, que acha a Inquisição uma coisa má, concorda com ele e diz que «a intenção é boa». Certíssimo.
De repente veio-ma à cabeça o termo «duplipensar».
Veio-lhe mal, Ricardo Alves. Na carta que o Papa escreveu aos Bispos explicou o porquê da re-comunhão. A preocupação do Papa, segundo ele escreveu, prendeu-se com a crescente implementação da SSPX. O Papa pensa poder controlá-los e impor a sua autoridade, o que é uma coisa boa. Se o vai conseguir, é outra questão.
Se eu seguisse o pensamento do Ricardo, não devia estar aqui a dialogar consigo porque há um mundo que nos separa. Mas eu penso de uma forma diferente: o diálogo é a maior arma contra a intolerância.
De nuvens de fumo a 21 de Outubro de 2009 às 11:11
Não sabia a existência de alucinados que apoiam a inquisição. Nada como um bom carnaval, delicioso , delicioso.
Mas seria com ou sem fogueiras ? Hummm Sem , devido ao aquecimento global.

Temos de ter cuidados com todos os alucinados, Nuvens. Inclusivé com os que não são religiosos...
De nuvens de fumo a 21 de Outubro de 2009 às 11:42
só me preocupam os religiosos, os outros internam-se.
O religiosos podem parecer saantos e iluminados e receitar anti-psicóticos pode ser vista como uma intromissão na liberdade de falar com a divindade.
Enfim, 
A mim preocupam-me todos, especialmente os não religiosos que metem na cabeça que são inteligentes... enfim....
De nuvens de fumo a 21 de Outubro de 2009 às 12:13
Não se preocupe, nós os realmente inteligentes estamos cá para ajudar.

De aorta a 20 de Outubro de 2009 às 18:37
pois, pois...
Tá hoje muito melga, aorta. Eu falo ali com o Dr. Rogério da C. P. e ele põe-o na ordem.
De aorta a 21 de Outubro de 2009 às 12:28
que medo. pensei que ia fazer queixas ao seu deus, ou o rogério é o seu novo "objecto" de culto.
De aorta a 20 de Outubro de 2009 às 17:19
é em junho, por altura dos santos populares.
De aorta a 19 de Outubro de 2009 às 19:00
"Saramago é um mago da escrita"
e pronto... não conseguem passar do pensamento mítico. ó ignorância!!!!!!!!
De Freyja a 19 de Outubro de 2009 às 21:49
Caríssimo,
Declaração de desinteresse: Sou "Gnóstica".
Penso que a partir daqui entenderão muita coisa sobre a divergência dos pontos de vista existentes sobre as religiões. E "Gnóstica" com aspas. As elações, como diz o caríssimo, ficam naquele espaço deixado pelo autor para que o leitor complete como melhor lhe aprouver.
Pois eu subscrevo absolutamente tudo o que o Excelso escritor português disse no lançamento do seu livro, e mais lhe acrescento que aquilo proferido por tão sábia boca (no meu humilde ponto de vista) só pecou por não afirmar que tudo aquilo se refere a qualquer que seja a Bíblia, ou livro sagrado, e não exclusivo à Bíblia da Igreja Católica Apostólica Romana – vulgo A Bíblia.
Qualquer que seja a Bíblia que livremente escolham, repararão que se insinua como única e exclusiva do domínio da visão ou teoria de Deus. Seja ela qual for!
Agora de facto há algo que lamento. È que o Excelso não viva anos suficientes para escrever sobre tudo o que é Caim, de todas as religiões. Isso sim seria uma Bíblia, de valor igual a todas as outras, note-se!
Tentem por favor entender o ponto de vista do Excelso, garanto-vos que entenderão facilmente o mesmo, independentemente da vossa postura religiosa ou crença, ou a inexistência destas ultimas.
Há porém um senão, é que poderão seriamente virar escritores de apócrifos...
Seja como for, é evidente o motivo da escolha da referida religião já que é a dominante social e culturalmente, no nosso planeta. Pena, tenho eu que não possamos ter escolha, desde que nascemos. Ou seja, os pais e as mães deste mundo poderiam ao menos pensar que haverá certamente uma altura em que a persona que criam com tanto amor e carinho, tenderá a escolher uma religião (ou não escolher como opção) e seria de todo muito civilizado que o pudesse fazer com TOTAL liberdade de escolha.
Ou seja, o facilitismo impregnado à raiz do dilema.
Discordam?
Para remate deixo-vos uma Bibliografia recomendada, quer por mim, quer seguramente pelo Excelso José Saramago no que toca a estes assuntos – "deus não é grande" de Christopher Hitchens.
Caso se sintam capacitados de tamanha aventura e acaso o tempo vos permita, é uma leitura "engraçada" e certamente todas as religiões "não se sentiram incomodadas" com os referido, quer no livro, quer por Saramago, já que segundo consta, a fé é inabalável e a crença ultrapassa tudo o que seja racionalidade e poder de argumentação.
José Saramago só deu voz a uma opinião.
Não é para isso que tivemos o 25 de Abril? Para termos liberdade de expressão?
Por favor só não argumentem que o que ele disse ultrapassou o racional e o bom senso porque aí, quem ficaria sem argumentos seria eu (porque será?).
Os meus parabéns pela publicação no blogue de tão extenso e “bárbaro” assunto.
E desde já os meus agradecimentos pela partilha do mesmo.
Um bem-haja e até breve.
De
Valentim a 19 de Outubro de 2009 às 23:35
Inteligente, belíssimo e dotado de sagacidade o seu comentário...
São seres humanos com a essência de Saramago, que deveriam cobrir o nosso mundo... Mundo este, repleto de falta de inteligência e de delicadeza de sentimentos.
É tudo tão efémero e cheio de fantasia que por vezes não se vê o obvio.
De Ana Paula Fitas a 19 de Outubro de 2009 às 22:42
Gostei deste texto, Rogério... entretanto, também escrevi sobre a matéria no A Nossa Candeia...
Abraço,
Ana Paula
De nuvens de fumo a 20 de Outubro de 2009 às 12:41
Anda tudo a falar de um tema choco, qualquer um pode dizer que a biblia é uma porcaria, até porque se sem contexto fosse dada a ler a alguém, não havia pachorra.
Mais de metada é a história dos amores e desamores de uma entidade meia psicótica , que sempre que não fazem a sua vontade desata a chacinar pessoal, a outra parte é o arrependimento ora a divindade ora dos seus seguidores que são pastores e que vão cometendo algumas atrocidades dignas de um tribunal de guerra.
A segunda parte é ainda mais estranha, a mesma entidade que uns séculos antes tinha afogado o planeta, mandado ursas comer crinaças, que tinha queimado cidades por causa do pecado, que tinha...enfim estão a ver o cenário patético, mando o seu filho , concebido numa virgem morrer pela humanidade depois de ter sido traído por um dos seus discíplos.
E é isto considerado um livro para ser ensinado a que crianças ?
Isto de facto é uma bela porcaria, sem o contexto de ter sido soprado pela inspiração divina e retratar a verdade conforme convém e ser uma metáfora nos que não convém.
Poligamia, incesto, crime, assassinatos, massacres, vinganças, deus irado, o fogo do inferno, castigos eternos,dor agonia, castigo sem fuga, martírio, mortre, e uma repetição de cenas com bolinha vermelha.
Saramago tem razão , 
De S a 21 de Outubro de 2009 às 12:49
Para além de algumas passagens serem muito pobrezinhas. Por exemplo esta, que nem conhecia;
“Em meu leito, durante a noite,
busquei o amor de minha alma:
procurei, mas não o encontrei.
Hei de levantar-me e percorrer a cidade,
as ruas e praças,
procurando o amor de minha alma:
Procurei, mas não o encontrei.
Encontraram-me os guardas que faziam a ronda pela cidade.
Vistes o amor de minha alma?
Apenas passara por eles,
encontrei o amor de minha alma:
agarrei-me a ele e não o soltarei
até trazê-lo à casa de minha mãe,
à alcova daquela que me concebeu.”
Cântico dos Cânticos, in Antigo Testamento
Copiado do 5 dias.
Isto é suposto ser o quê? Poesia? Aqueles rabiscos muito sofridos, pretensiosos e insuportáveis típicos de certas fases da adolescência têm mais interesse e profundidade que isto... Quem organizou a Bíblia, escolheu mal. Ou se culpa o poeta ou no que respeita a inspiração para Poesia, Deus deixa muito a desejar. :P
De nuvens de fumo a 20 de Outubro de 2009 às 14:44
Alguns doces bíblicos sempre úteis de lembrar :
1) Em 1 Timóteo 2, 12, São Paulo é citado assim: “Não permito, porém, que a mulher ensine, nem use de autoridade sobre o homem, mas que esteja em silêncio”.
2) “Vai, pois, agora e fere a Amaleque, e destrói totalmente tudo o que tiver, e não lhe perdoes; porém matarás desde o homem até a mulher, desde os meninos até os de peito, desde os bois até as ovelhas, e desde os camelos até os jumentos” (1 Samuel 15, 3). Amém
3) Efésios 5, 22, : “Vós, mulheres, sujeitai-vos a vossos maridos, como ao Senhor”.
Assim é que é , e caladas que sois parvas
Eu , 1,1 - da minha primeira encíclica depois de iluminado pelo esparguete sagrado.
feliz aquele que come trigo duro, amémmmmmm
De S a 20 de Outubro de 2009 às 14:55
De aorta a 20 de Outubro de 2009 às 17:40
mas isso deve ser ensinado a qualquer criança.
tenho outra para a troca:
Não faças para ti ídolos, nenhuma representação daquilo que existe no Céu e na Terra, ou nas águas que estão debaixo da Terra. Não te prostres diante desses deuses, nem os sirvas, porque Eu Javé teu Deus, sou um Deus ciumento: quando me odeiam, castigo a culpa dos pais nos filho, netos e bisnetos; mas quando me amam e guardam os meus mandamentos, trato-os com amor por mil gerações.” – em êxodo 20: 4-6.
eu adoro a parte em que deus se vinga nos inocentes dos filhos, netos e bisnetos.
quem disse que isto não deve ser ensinado às crianças?
De nuvens de fumo a 20 de Outubro de 2009 às 15:04
Muito boa a crónica de FF no DN
http://dn.sapo.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1395677&seccao=Ferreira%20Fernandes&tag=Opini%E3o%20-%20Em%20Foco
As usual, na mosca
De aorta a 20 de Outubro de 2009 às 17:32
sim, pelo menos não foi pelo caminho mais óbvio e simultaneamente mais obtuso.
a isto chama-se ter carácter e ser um não-covarde:
"Ser velho e continuar a tentar - e nessa coisa tão íntima e temível que é a religião, e indo a contracorrente - é simplesmente admirável."
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