Quinta-feira, 22 de Outubro de 2009
Ontem a administração Obama decidiu cortar em 90% as remunerações em dinheiro para os executivos dos bancos que receberam fundos do TARP. E esta é daquelas medidas que têm tanto de inevitável e sensato como de ineficaz. De facto, é absurdo perceber que ainda a lamber as feridas de uma das maiores crises financeiras, 2009 será o 2º melhor ano de sempre em bónus, logo a seguir a 2007! Suprema ironia, ou outra coisa qualquer talvez um pouco mais ofensiva. No entanto, mexer nos salários de 25 pessoas em 6 ou 7 bancos fica um pouco aquém das expectativas, especialmente depois das tão discutidas alterações regulatórias. Na verdade, nos EUA poucas foram as alterações propostas e pouco se sabe do que poderá acontecer no futuro. E convenhamos, isso sim parece ser mais relevante. É bem mais importante perceber como se evita a próxima crise do que ir aos bolsos de uns senhores por terem abusado no descaramento com que lidam com as suas responsabilidades.
Entretanto, o regulador Inglês, de longe o mais proactivo desde o início da crise (provavelmente por problemas de consciência) apresentará hoje um relatório que promete "revolucionar a regulação financeira". O lema parecer ser: Tax on Size. Maiores impostos ou maiores necessidades de capital ou outras formas de impedir o crescimento dos bancos. Será o início de uma nova era? Não me parece. Depois da proposta dos conservadores Britânicos apresentada no último congresso de acabar com a FSA e concentrar as actividades de regulação financeira no Banco de Inglaterra, esta parece mais uma tentativa de mostrar trabalho e justificar a função.
De
rui david a 22 de Outubro de 2009 às 09:51
se é inevitável e sensato não percebo porque é que há-de ser ainda que minimamente eficaz. se toda a gente se queixa dos delirantes ordenados dos gestores de certas instituições financeiras, não só pelos despudorados indices de desiguldade mas também pelo seu valor absoluto, não percebo porque é que é assim tão indiferente reduzir os ordenados de umas dezenas de rapazes que representam os ordenados de umas dezenas de milhar de outros rapazes. É claro que "isto" não resolve a crise, mas parece-me um bom princípio e um princípio eficaz. Não será que estarão a ser tomadas uma série de outras medidas mas é "isto" que chama mais a atenção?
É isso mesmo. É um bom princípio, mas não resolve nada. As outras medidas ainda não apareceram, e essa é a principal crítica. Ontem o responsável pela gestão do programa TARP dizia que se tivéssemos outra crise da mesma dimensão estaríamos pior preparados. Porque os bancos estão ainda maiores e os balanços dos bancos continuam perigosos. A única coisa que aconteceu foi a subida dos preços dos activos.
De Nathalie a 22 de Outubro de 2009 às 10:48
Pelos vistos a europa toda, esta a pensar em impor taxas aos bancos :
http://www.lemonde.fr/economie/article/2009/10/21/les-etats-europeens-tentes-de-taxer-les-banques-pour-remplir-les-caisses_1255820_3234.html
Mas também não me parece ser uma solução contra uma "nova" crise... até porque fundamentalmente nada ira mudar... e todos os ingredientes de uma nova "bolha" parecem estar novamente reunidos :
http://www.tdg.ch/actu/economie/ingredients-nouvelle-bulle-financiere-reunis-2009-10-15
Mas os governos também têm de "justificar" os milhões/milhares que emprestaram aos bancos... e que uns atras dos outros se apressam em reembolsar...
Talvez seria bem relembrar aos bancos o papel principal que devia ser o deles... emprestar dinheiro...
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