«Geralmente, mesmo alguém que não é cristão conhece algo sobre a Terra, [...] e esse conhecimento é tido como sendo proveniente de razão e experiência. Agora, é um perigo e uma desgraça um infiel escutar um cristão, presumivelmente citando a Escritura Sagrada, falar absurdos nesses assuntos; e nós devemos usar todos os meios para prevenir uma situação tão embaraçosa, na qual pessoas demonstram a vasta ignorância de um cristão e riem até ao escárnio» Agostinho de Hipona, De Genesi ad litteram, livro XII.
Desde os primórdios do cristianismo que os mais notáveis pensadores cristãos advertem que a Bíblia deve ser interpretada metaforica ou alegoricamente. Nomeadamente aquele que até hoje permanece como um dos grandes teólogos do cristianismo, Agostinho de Hipona, na passagem supra citada avisa os cristãos de que não devem sustentar «opiniões tolas», negadas «através de experiência e à luz da razão».
No entanto, parece que demasiadas vezes a tentação de fazer prevalecer leituras literais de uma narrativa de mitos faz muitos cristãos debitar tolice atrás de tolice. O Sínodo dos Bispos Africanos parece ter sido especialmente atreito a estas tonterias e, depois do tóxico início, terminou em apoteose de disparates que seriam de rir até ao escárnio não fora serem trágicos pelas consequências.
De facto, a mensagem final do Sínodo adverte contra os «vendedores de ideologias de género e sexualidade estrangeiras e moralmente venonosas», os tais que andam a desencaminhar os africanos com uma «antropologia» super tóxica que, horror dos horrores, «propõe soluções baseadas nos valores da igualdade, saúde e liberdade».
Mais concretamente, o ponto 30 acusa a ONU de subrepticiamente querer minar os valores da família e do respeito pela vida.Para não haver dúvidas, no ponto seguinte, o 31, são retomadas as palavras de Bento XVI sobre o execrado preservativo e reafirmado que a luta contra a sida não passa pela distribuição de preservativos, mas sim pela fidelidade e pela castidade.
E se, entre nós, estas «opiniões tolas», negadas «através de experiência e à luz da razão», são alvo de um merecido escárnio, no contexto de ignorância e miséria de que tão bem nos falou a Fernanda, podem ser muito, mas muito perigosas...
Isabel Moreira
Miguel Vale de AlmeidaRogério da Costa Pereira
Rui Herbon
