Segunda-feira, 26 de Outubro de 2009
Teresa Forcades é uma feminista, doutorada em Saúde Pública pela Universidade de Barcelona, que tem igualmente ... um mestrado em Divindade por Harvard e um doutoramento em Teologia, pela faculdade de Teologia da região cujo conselho escolar pretende alterar o nome das férias de Natal e Páscoa para férias de Inverno e Primavera.
Teresa Forcades tomou votos no convento beneditino de Sant Benet de Montserrat que há dias recebeu uma ordem inusitada do cardeal Franc Rodé, prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica. Rodé exigia de Teresa a retractação das suas opiniões sobre a pílula do dia seguinte e sobre o aborto. Teresa, numa entrevista em Junho à TV3, argumentou em favor do direito a decidir da mulher e afirmou que gostaria de ver a pílula do dia seguinte disponível para todas as mulheres.
Também Josep Miró i Ardevol, fundador de E. Cristians e membro do Conselho Pontifício para os Leigos, pediu à freira que «deixe de cometer o pecado de escândalo» com a sua posição pública em relação ao aborto.
Vale a pena ler a resposta de Teresa no número de Outubro da revista Foc Nou ("Un aclariment sobre l’avortament", traduzido para inglês aqui), em que a freira explica que, embora respeitando o Magistério da Igreja, tem o direito a expressar publicamente opiniões contrárias às da hierarquia da Igreja. Assim, explicita teologicamente a sua posição favorável em relação ao direito de a mulher decidir por um aborto.
Tenho uma certa curiosidade em ver os próximos capítulos desta novela porque me parece pouco provável que o Vaticano ignore esta «afronta» da freira feminista. Aliás, como nos informa a Info católica:
«Fontes consultadas por este meio de comunicação asseguram que a actuação de Roma será drástica, e pode mesmo aconteça que Teresa Forcades seja afastada da vida consagrada no caso de não se comprometer a aceitar sem condições [isto é, acefalamente e recusando pensar pela sua cabeça] a doutrina católica em todos os pontos e a não voltar a fazer nenhum tipo de declaração pública contra a mesma.»
De Jairo Entrecosto a 27 de Outubro de 2009 às 01:24
Diz a Palmira Silva
"Assim, explicita teologicamente a sua posição favorável em relação ao direito de a mulher decidir por um aborto."
Ora, mas se a Palmira acha isto da teologia( quando se discutia uma tese histórica e não de teologia, sublinhe-se):
"(...)e tanto quanto eu saiba não há um único facto comprovável em teologia, são efabulações fantásticas."
http://jugular.blogs.sapo.pt/1206902.html?thread=14103414
Acho muito estranho que dê valor a Palmira a supostas explicitações de teologia, só para o que lhe convém. Faz lembrar aqueles que ridicularizam o modo de vida e os ensinamentos cristãos, mas são os primeiros a apelar à cristandade alheia quando passam das marcas e têm respostas de que não gostam.
Acontece que o aborto não precisa de nenhuma argumentação teologica ou religiosa para o provar como imoral e contra a ética. Já vários religiosos expuseram argumentários nesse sentido, e apoiaram-se em factos científicos e regras éticas básicas para sustentar tal conclusão, não em "teologia", que trata de Deus.
Finalmente, faz todo o sentido que alguém que não concorde com a doutrina católica, deixe de ser considerado pela Igreja Católica como autoridade para falar em seu nome ou representá-la junto de fiéis.
Acéfalo é achar que se pode ser contra o que defende uma organização a que se aceitou pertencer de livre vontade, e continuar a fazer parte desta. Isso chama-se incoerência.
De nuvens de fumo a 27 de Outubro de 2009 às 10:10
Esqueça o aborto, foi aprovado e nunca voltará atrás, entende isso ?
Faz apenas quem quer, esqueça essa cruzada, dedique com mais ênfase aos casamentos gays e Às adopções é mais divertido e mais radical.
De Jairo Entrecosto a 27 de Outubro de 2009 às 10:31
"Esqueça o aborto, foi aprovado e nunca voltará atrás, entende isso ?"
Não entendo não, nuvens. Quer explicar melhor?
De nuvens de fumo a 27 de Outubro de 2009 às 11:10
Eu explico-lhe então melhor:
O povo foi chamado a pronunciar-se e falou.
Para os amantes dos referendos é assim que funciona.
Agora , pelo que percebi não se pode mexer neste tema a não ser com uma vara de 15 metros :)
Tem mesmo a certeza que não voltará atrás? Eu não teria tantas certezas, o futuro reserva-nos muitas surpresas...
De nuvens de fumo a 27 de Outubro de 2009 às 11:44
Acho que não pode, primeiro porque poderia perder novamente e seria quase certo, segundo nenhum dos partidos terá como programa referendar outra vez o aborto, por isso, esqueça
aaahhhh, prontus. fico mais esclarecida em relação a anteriores posições do caro entrecosto aqui neste mesmo espaço ao saber que a liberdade de pensamento e opinião deveriam ser anátema para um católico. estamos esclarecidos...
Já vários religiosos expuseram argumentários nesse sentido, e apoiaram-se em factos científicos e regras éticas básicas para sustentar tal conclusão, não em "teologia", que trata de Deus.
certamente que nunca viu tal coisa, nomeadamente a parte que respeita a factos científicos ou regras éticas. a única coisa que viu foi manipulação de factos científicos e uma confusão entre ética e religião.
depois, confunde direito e moral, algo pode ser moralmente reprovável, sei lá, por exemplo, o adultério, mas já há alguns aninhos que deixámos de criminalizar «imoralidades».
apenas nas teocracias puras e duras se criminalizam «imoralidades», sem grandes espantos, na sua maioria «imoralidades» cometidas por mulheres, como serem violadas, usarem calças ou vestuário imodesto, etc., etc.
esta é a mesma teresa forcades mencionada aqui?:
http://jvcosta.planetaclix.pt/gripe.html#gripe48
De Pedro Freitas a 27 de Outubro de 2009 às 10:22
Julgo que sim. E esse texto até vem citado no De Rerum Natura:
http://dererummundi.blogspot.com/2009/10/as-aldrabices-da-freira-espanhola.html
De cautopates a 27 de Outubro de 2009 às 11:09
Palmira,
já leu o Richard Zimler no Público? "Saramago e a insustentável leveza da ignorância":
http://ipsilon.publico.pt/livros/texto.aspx?id=243802
Já e gostei muito ;), obrigado pelo link.
De Asdrubal de La Palisse a 27 de Outubro de 2009 às 19:34
A igreja nunca foi uma instituição democrática e os seus membros têm o dever de obediência aos seus bispos. Por isso espanto-me (já me espantei mais) quando certos laicos ficam todos escandalizados com cenas destas. A senhora já sabia ao que ia por isso não tem nada que reclamar, se está mal que se mude.
E, o que é mais extraordinário, há por aí gente que até nem é cristã que pretende alterar o comportamento das igrejas.
De nuvens de fumo a 28 de Outubro de 2009 às 09:51
O curioso é que as empresas tem de não discriminar, o exército tem de não discriminar e perseguir, as polícias, etc
A igreja pode discriminar, pode segregar que só porque se diz mandatada por deus pode tudo
Olhe ele que apareça e ponha a casa em ordem.
Comentar post