Quinta-feira, 29 de Outubro de 2009
As agências de rating já viveram melhores dias. A credibilidade destas "empresas" foi seriamente afectada nos últimos anos. Casos como a GMAC e crises como a do sub-prime tiveram um denominador comum, uma deficiente percepção do risco, fortemente ajudada pelo selo de garantia que estas agências se apressavam a colocar em produtos e emissões que hoje se percebe que nem eles percebiam.
Hoje foi notícia que a Moodys resolveu colocar o rating da dívida Portuguesa com outlook negativo. No entanto, se compararmos os dados económicos mais recentes da economia Portuguesa com os dados de outros países Europeus, ficamos com a estranha sensação que são usados outros critérios para analisar países com outra influência. Senão vejamos.
Em Espanha o PIB deverá cair pelo menos 4% este ano e na Irlanda mais de 7%. Em Portugal, espera-se uma queda de 3,9%. O deficit orçamental em Espanha e na Irlanda deverá ficar acima dos 12%!! Em Portugal deverá ficar abaixo dos 6%. O desemprego, que em Portugal será inferior a 10%, já chegou aos 18% em Espanha e aos 13% na Irlanda.
Se nenhuma economia está nas melhores condições, usando um eufemismo económico, é difícil perceber porque é que estas agências se mostram tão expeditas a rever as suas perspectivas para a economia Portuguesa e são tão complacentes com outros países que estão em igual ou pior situação que nós.
A somar a tudo isto, se procurarmos no mercado financeiro o que os agentes económicos, que compram a dívida dos estados, nos dizem sobre o risco de cada um dos países, ficamos ainda mais perplexos. É que enquanto o preço de um seguro contra o risco de incumprimento da dívida Portuguesa custa 0.56%, o mesmo seguro para a dívida Espanhola é de 0.70% e para a Irlanda é de 1.32%. No entanto, o rating da economia Portuguesa está 1 nível abaixo da Irlanda e 2 abaixo de Espanha.
Em Portugal sofremos do síndrome do deslumbramento. Moodys, S&P, FMI e tudo o que seja internacional, e de preferência com sede em NY, são entidades sacro santas que percebem mais de nós do que nós próprios. Poucos são os que criticam estas entidades , e quando o fazem é sempre numa lógica partidária, como um suporte para validar uma posiçao ou um argumento. Falta-nos algum espírito corporativo quando se trata de defender o país daqueles que nos podem prejudicar apenas porque somos mais pequenos.
De g_L a 29 de Outubro de 2009 às 17:09
É errado falar mais pequeno.
De aorta a 29 de Outubro de 2009 às 17:24
não conheço os números que cita, mas parto do princípio que estão correctos.
assim, e depois de ler o seu post, fiquei com a impressão de que não andamos a untar as mãos às pessoas certas em nova iorque. não é que eu ache que o devêssemos fazer. não. mas só isso pode justificar os resultados.
mas isto sou eu, que tenho uma péssima ideia do género humano e vejo o mal em todo o lado.
De aorta a 29 de Outubro de 2009 às 17:30
respondi ao g_L sem querer :-(
De nuvens de fumo a 29 de Outubro de 2009 às 17:49
Não está em todo o lado , a operação face oculta encerrou-o num local mais estreito : ))
A ver vamos, mas duvido que tremam como varas....
Também interessante é a explicação que a Moody's dá para a sua avaliação: que os políticos portugueses parecem não mostrar vontade para resolver os problemas do país.
Pergunto: agora a Moody's sente-se encartada para passar juízos sobre a política portuguesa? As suas avaliações já não se baseiam apenas em indicadores económicos objetivos, mas também em opiniões políticas subjetivas?
De aorta a 29 de Outubro de 2009 às 18:30
mas faz sentido, se pensar que a confiança, valor pelo qual se regem os mercados, é das coisas mais subjectivas que existe.
o que faz com que eu confie, por exemplo, em A e não em B? o que faz com que a minha confiança (ou desconfiança) esteja certa ou errada? serão os políticos portugueses de confiança? serão as agências de rating de confiança?
serão os políticos espanhóis e irlandeses merecedores de maior confiança do que os políticos portugueses? tenho dúvidas...
aliás, só tenho dúvidas. é a única certeza.
De D'Artagnan a 29 de Outubro de 2009 às 17:52
Muito bom post e sobretudo actual. De facto, as agências de rating parecem nos últimos tempos embutidas de uma necessidade de afirmação "ahead of the curve" que as coloque a salvo de um eventual novo "missing the big picture" de que foram, justamente aliás, acusadas no decorrer desta última crise financeira. O ponto relevante é que a mesma disponibilidade com que se revêem outlooks e ratings para Portugal e as suas empresas não parece ser o mesmo com que se revêem, ou melhor não se revêem, os de países com situações económicas bastante mais frágeis e dificeis que a nossa.
De Cristiano a 29 de Outubro de 2009 às 18:06
Concordo plenamente consigo acerca da posição, muitas vezes passiva, com que encarámos as avaliações destas instituições de ratting.
De qualquer forma, parece-me que na comparação que faz de Portugal com Espanha e com a Irlanda, faltam alguns dados:
Quer a Irlanda, quer a Espanha estavam a ter, ao contrário de Portugal, um desempenho económico notável antes da crise, isto leva a perceber que a mau desempenho actual desses dois países será muito mais conjuntural, enquanto que o problema da economia Portuguesa será muito mais estrutural.
Esta situação tem um impacto grande na divida pública que em % do pib creio que em Portugal é muito superior á Espanhola e Irlandesa.
De
JP Santos a 29 de Outubro de 2009 às 20:18
Inteiramente de acordo. Este post fez-me recordar aqueles treinadores para quem a culpa é sempre do arbitro. A verdade é que segundo os dados do Eurostat em 2008 a divida pública portuguesa deverá atingia 66,3% do PIB enquanto a Irlanda tinha 44,1% e a Espanha 39,7%.
E para analisar a sustentabilidade da dívida é necessário ter em conta três factores: nível da dívida, taxa de crescimento económico potencial de médio prazo e nível do défice estrutural e a verdade é que, pelo menos nos dois primeiros Portugal está em situação significativamente pior que Espanha ou Irlanda.
De O Beirão a 29 de Outubro de 2009 às 18:40
Digam-me uma coisinha: Por acaso não terão dado por aí conta de um tal Armando Vara e uns Penedo (pai e filho)? Arguídos numa grande caldeirada à portuguesa, que mete corrupção da grossa, muita aldrabice e muitíssima falta de vergonha na cara? Para onde vai tu, pobre Portugal!
De fr a 29 de Outubro de 2009 às 21:12
Pois, a culpa é do árbitro. Os saltos à vara que nos desgraçam e enchem os bolsos de alguns, não são para aqui chamados.
De cautopates a 29 de Outubro de 2009 às 21:13
Tadinho de Portugal. É uma injustiça. Um país com tanto potencial e tão mais confiável que Espanha e Irlanda.... e tão mal compreendido e avaliado pelos "de fora". O Gonçalo precisava de fazer business com gente lá de fora e ter um bocadinho mais de mundo para perceber a imagem que têm da nossa justiça e das nossas instituições governamentais e administrativas (só para pegar por estas) passando pelos licenciamentos industriais e pelas práticas de protecção artificial da concorrência/concursos públicos para o milieu - ía logo compreender estes "reitings"...
"O Gonçalo precisava de fazer business com gente lá de fora e ter um bocadinho mais de mundo "
Gonçalo, a que horas regressas de Madrid?
De cautopates a 30 de Outubro de 2009 às 01:45
uau! madrid é super à frente. olé!
De Fartinho da Silva a 30 de Outubro de 2009 às 20:50
A culpa do atraso português é das... agências de rating!!!!
Quando compara com Espanha e Irlanda está a esquecer um pequeno pormenor, estes países tiveram crescimentos acima dos 4% do PIB desde 1986 e apresentaram superavits em quase toda a década, além de terem vencimentos MUITO mais altos que os nossos, gestores MUITO melhores que os nossos, políticos incomparavelmente MELHORES que os nossos, uma justiça que é semelhante para TODOS, etc., etc., etc.... portanto, quando compara com Espanha, por favor, dobre a língua se faz favor! Eu conheço MUITO bem este conjunto de nações, e levam mais de vinte anos de avanço em relação a nós!
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