é pena em portugal nunca ninguém se ter lembrado de fazer o mesmo, apesar de ter havido quem se queixasse às autoridades (in)competentes. caso de um pai algarvio que tentou, sem sucesso, que a escola de monchique onde o filho estava matriculado cumprisse a constituição de 1976 (que estatui ser a escola pública laica) e a lei (da liberdade religiosa) de 2001, de um outro que pediu a opinião do provedor de justiça e da associação república e laicidade, que em 2005 enviou à ministra da educação uma exposição a documentar a presença de crucifixos em dezenas de escolas públicas.
pode ser -- pode -- que agora o estado português resolva cumprir a constituição. ou será que é preciso ir para tribunal?
F.
Não confunda laicidade com laicismo. Parece-me que a F. escreve "laicidade" mas pensa em "laicismo".
"Laicidade" do Estado está certo. O Estado completamente separado da Igreja. Outra coisa é o "laicismo", uma forma abusiva de laicidade que consiste em juntar "laicidade" com ateísmo. Parece-me que é nesta perspectiva que a F. defende sempre as suas posições.
Se o Estado é laico (não se entenda laico = ateu, porque eu também sou laico mas não defendo a "laicidade" da F.) a sociedade não é laica, é plural: nela convivem ateus, agnósticos e crentes e o Estado, na sua laicidade, está ao serviço de todos. Por isso, se calhar devia-se fazer o seguinte: junta-se o pessoal que tem voluntariamente aulas de moral e religião católica numa mesma turma e nas salas onde essa turma tem aulas coloca-se o crucifixo. Nas outras, onde estão os filhos de pais ateus e agnósticos, não se coloca crucifixo nenhum. Assim, o Estado assume a sua neutralidade e laicidade. Não é por numa escola com 1200 alunos existir um pai que estrebucha de cada vez que vê um crucifixo que se vai colocar em causa a liberdade dos outros 1199. É que se o pai ateu tem direito a educar os filhos de acordo com as suas convicções os pais crentes também o têm. Ou não? E se todos pagamos impostos porque é que o Estado há-de estar só ao serviço dos pais ateus? Então há só liberdade para uns e não há para outros?
Pense no assunto e não me diga que "o antónio não tá a ver bem a coisa" porque hoje até tô a ver bem demais, já tirei o gel do cabelo, voltei ao normal.
Cumprimentos,
De nuvens de fumo a 4 de Novembro de 2009 às 09:52
Caro AP ,
Quando a maioria da sociedade religiosa não for da ICAr que propõe que se coloque na parede ?
Símbolos Wicca ?
E dada a grande influência do Harry Potter acha que deveríamos colocar corujas e afins ?
Ou não será melhor nas escolas do estado simplesmente colocar na parede mapas e projectores ??
Caro Nuvens de Fumo
Não tem nada a ver com minorias ou maiorias. Trata-se da defesa da liberdade e do acesso de todos ao espaço público.
Defendo que o novo ateísmo é uma religião e como tal deve ter os mesmos direitos que as outras confissões religiosas.
De nuvens de fumo a 4 de Novembro de 2009 às 10:52
Trata-se da defesa da liberdade e do acesso de todos ao espaço público.
E que tem isso a ver com os crucicoisos ?
De S a 4 de Novembro de 2009 às 17:49
"Defendo que o novo ateísmo é uma religião e como tal deve ter os mesmos direitos que as outras confissões religiosas."
Não sei se estou a perceber, mas pelo AP, tirando os crucifixos o Estado está a promover o ateísmo? A inexistência de símbolos religiosos é o equivalente ateísta ao colocar um símbolo de outra religião? Então qual é a solução, colocar lá todos os símbolos religiosos possíveis e imaginários nas paredes da sala de aula? E onde ficava o ateísmo?
Eu que pensava que o Estado estava simplesmente a ser laico...
"É que se o pai ateu tem direito a educar os filhos de acordo com as suas convicções os pais crentes também o têm."
O que é que um crucifixo tem haver com isso?
A fé é pessoal, não percebo porque tem que estar escarrapachada na sala de aula em que nem sequer é abordada.
Porque é que as religiões, ou melhor, a religião católica tem que ter lugar visivel na escola? Para preservarmos a herança salazarista? É o único motivo que encontro.
P.S.; Nos cartões únicos não vai constar o estado civil. Já estou a ver determinados grupos a berrar indignados. Que mania de implicar com ninharias.
De António Parente a 4 de Novembro de 2009 às 18:02
S
Releia o que eu escrevi e encontrará as respostas que procura. Em relação à ausência de estado civil nos cartões únicos nada tenho a opor. Sou casado (casamento católico) e não uso aliança no dedo nem penso usar.
De nuvens de fumo a 4 de Novembro de 2009 às 18:05
Está a ver? Dentro de si há um rebelde a querer sair 
De S a 4 de Novembro de 2009 às 18:14
O desavergonhado, casado mas sem aliança! Então o estatuto?
E o crucifixo de ouro pendurado no pescoço? (esteticamente horroroso, mas é bom para lutar contra a vaidade). Não me vai dizer que não usa, mas quer colocar nas salas de aulas, pois não?
P.S.; Continuo sem perceber.
De António Parente a 4 de Novembro de 2009 às 18:19
Por acaso não uso mas vou pensar em usar. Ouro não porque sou alérgico ao ouro.
P.S. - Se não percebeu, releia novamente. Está lá tudo. Eu sei que escrevo mal mas as ideias estão lá-
De S a 4 de Novembro de 2009 às 18:32
"Por acaso não uso mas vou pensar em usar. Ouro não porque sou alérgico ao ouro."
Mas Cristo vale menos que isso?
Tem que tê-lo sempre à mostra, bem almofadado entre os pelitos do peito, no meio da abertura de uma camisa rosa-choque ou outra cor berrante. E não se esqueça do cabelo seboso puxado todo para trás!
E voilá, ai porra, queria dizer prontos... o católico português em toda a sua glória!
Continuo sem perceber, mas isto;
"E se todos pagamos impostos porque é que o Estado há-de estar só ao serviço dos pais ateus?"
Leva-me a questionar; E porque é que o dinheiro de todos, ateus, agnósticos, cientologistas, wiccas, etc vai para a Igreja Católica? Hmm?
Sabe se a Associação Ateísta Portuguesa recebe algum? (esta é a nossa ICAR certo? O AP sabe disto melhor que eu...). (http://www.google.pt/url?q=http://www.aateistaportuguesa.org/&ei=KMfxSr_NDpe5jAfI_6SWAQ&sa=X&oi=spellmeleon_result&resnum=1&ct=result&ved=0CAcQhgIwAA&usg=AFQjCNGuH2XKW_CYASMDcBOoUuCP2Nd-Sg)
De nuvens de fumo a 4 de Novembro de 2009 às 18:34
No fundo, cada carrega a sua cruz....
De António Parente a 4 de Novembro de 2009 às 18:40
Se a AAP receber dinheiro do Estado de acordo com a legislação em vigor não me verá reclamar.
p.s.- não tente competir em piadas com o nuvens de fumo. ser piadista é uma arte, é um dom e nem todos o conseguem.
De S a 4 de Novembro de 2009 às 18:44
"p.s.- não tente competir em piadas com o nuvens de fumo. ser piadista é uma arte, é um dom e nem todos o conseguem."
Ohh. E eu esforcei-me tanto.
De António Parente a 4 de Novembro de 2009 às 18:47
Eu percebi mas penso que o S é melhor em hermenêutica ontológica... ;-)
De nuvens de fumo a 4 de Novembro de 2009 às 18:21
Mas ajuda no combate ao vampirismo, se o estado tivesse mais pendurados nos ministérios, os vapiros não comiam tudo .....enfim,
De S a 4 de Novembro de 2009 às 18:39
Isso é a prata! :P
De David a 4 de Novembro de 2009 às 19:10
Boa tarde, não costumo comentar este blog, apenas gosto de o seguir e ler as vossas opiniões mas desta vez senti necessidade de me expressar.
Eu vivo em Londres há quase dois anos e de vez em quando vejo campanhas publicitarias do movimento ateu nos autocarros e metro com as seguintes frases: "There's probably no God. Now stop worrying and enjoy your life.". Eu pensava que tinha uma mente muito aberta, mas isto eu achei que foi longe demais. Eu sou ateu, ou seja não acredito em deus nem tenho religião, e penso que acertei na definição. A minha questão é: Qual a necessidade de ter que confrontar as pessoas com algo em que não acreditamos? E se não acreditamos em nada, como podemos chamar ao novo ateísmo uma religião? A mim parece que vai contra à sua própria definição.
Resposta à sua questão:
A escola pública, enquanto nessa função, é laica e, como tal, não deve ter qualquer símbolo de qualquer religião.
Fora das horas de escola pública, isto é, à noite ou aos fins-de-semana, nada de mal há em que o Estado ganhe uns tostões arrendando a escola para que nela tenham lugar quaisquer atividades, por exemplo aulas de religião. Naturalmente que, nessas atividades, quem nelas participa poderá muito bem ser autorizado a decorar a escola da forma que quiser, desde que no fim da atividade retire a decoração.
Nada tenho contra escolas públicas serem arrendadas - a preço de mercado - à Igreja Católica para que esta nelas ministre aulas de catequese. Tenho tudo contra aulas de religião nas escolas públicas durante o horário letivo normal.
De nuvens de fumo a 4 de Novembro de 2009 às 10:38
Certo, desde que essa divisão de funções seja clara.
Caro Luís Lavoura
A sua observação desilude-me. Sei que é um liberal social e por esse motivo esperava de si uma abertura de espírito e uma tolerância diferente da de outros comentadores e bloguers.
Como disse no meu comentário, não pretendo que os crucifixos sejam ofensivos para quem não tem religião nem quero que a sua presença nas escolas públicas provoque convulsões e outros sintomas físicos e mentais em ateus.
Como já disse à F., uma escola ser laica não significa que tenha de ser ateia. Neutralidade é diferente de hostilidade. O Estado não é uma entidade abstracta, todos nós somos o Estado. Claro que alguns ainda pensam que o Estado são eles e os outros devem-se limitar a pagar impostos e a calar. Não me parece que essa seja uma sociedade justa.
Parece-me que afinal eu sou mais liberal que o Luís Lavoura. Olha que surpresa!
De nuvens de fumo a 4 de Novembro de 2009 às 11:01
Mas porque raio a hostilidade tem de ser sentida por si só ?
Eu não posso dizer o mesmo ?
Resultado , nada é menos hostil que alguma coisa
Lamento desiludi-lo.
Eu sou a favor da liberdade religiosa. Penso que os pais devem ser livres de, a suas expensas (isto é: pagando do seu bolso, sem qualquer apoio do Estado), educar relgiosamente os seus filhos.
Acho bem que edifícios do Estado, como as escolas, sejam arrendados a igrejas, ou a seja quem fôr, para que neles tenham lugar atividades religiosas, fora das horas de serviço.
Não vejo em que é que isto tudo seja iliberal.
Os liberais defendem que o Estado, em geral, deve ser apartidário, neutral. Não deve interferir nos gostos dos cidadãos, não deve favorecer nem desfavorecer uns em relação aos outros. Os liberais são especialmente claros na defesa dos direitos das minorias - uma maioria, por grande que seja, não pode oprimir uma minoria. Consistentemente com tudo isto, eu penso que o Estado não deve favorecer qualquer religião e deve manter-se apartidário em relação às religiões. Isto implica, evidentemente, que a escola pública, enquanto nessa função, não contenha símbolos religiosos nem apoie, de qualquer forma, qualquer religião. Mesmo que seja uma religião maioritária.
De nuvens de fumo a 4 de Novembro de 2009 às 16:31
E a ICAR não é maioritária, basta ver a igrejas vazias.
POissss
"junta-se o pessoal que tem voluntariamente aulas de
moral
e religião católica numa mesma turma e nas salas onde essa turma tem
aulas coloca-se o crucifixo. Nas outras, onde estão os filhos de pais
ateus e agnósticos, não se coloca crucifixo nenhum". já agora, António,
que tal professores ateus para um lado, professores católicos para
outro, turmas e professores islâmicos no primeiro piso ,judeus no
segundo e, até, porque não,programas conformes às várias
crenças? No intervalos, proponho pancadaria no recreio com várias
Biblias e Corões pelo ar.
Desculpe a ironia, António, mas não está mesmo a ver bem a coisa. E andou lá muito perto, aqui: 'o
pai ateu tem direito a educar os filhos de acordo com as suas
convicções os pais crentes também o têm'. Um pai, disse bem. O ESsado
não tem esse direito nem esse dever. Não compete à escola
pública dizer aos nossos filhos se devem ou não crer em Deus.Que sentido faz então ter na parede de uma sala de aula uma imagem de Cristo? Nenhum, mesmo que a turma seja composta exclusivamente por alunos cristãos. A presença de um crucifixo é impositiva, a a ausência não obriga a nada. Nem desobriga.
Alexandra
Faz sentido juntar os alunos que têm educação moral e religiosa na mesma turma por uma questão de organização dos tempos lectivos. Se fizer isso, não obrigará os alunos a permanecerem na escola só para frequentarem essa disciplina desenquadrada dos restantes tempos lectivos.
Se colocar um crucifixo nas aulas onde se ministra educação moral e católica então isso não incomodará ninguém dados que os ateus e agnósticos não frequentarão essas aulas.
Parece-me que a sua ironia não se justifica porque as crianças, felizmente, têm uma maior abertura de espírito que os adultos e não se dividem por causa da religião e a frequência, ou não, de uma aula de religião e moral não incompatibiliza ninguém.
O crucifixo é, para mim, desde que esta polémica se despoletou, mais do que um símbolo religioso um símbolo de resistência à intolerância e à diferença e à diminuição da liberdade religiosa, de opinião e pensamento. Já aprendi que hoje é uma coisa, amanhã é outra e assim sucessivamente até que o objectivo final seja atingido. São pequenos passos para uma longa caminhada. A uniformidade estatal em benefício de uma corrente filosófica anti-cristã não significa nem laicidade nem neutralidade do Estado em relação à religião.
Ainda bem que está comigo quando afirma que o Estado não tem o direito de educar nem o dever de impôr nada contra as convicções filosóficas e religiosas dos pais. Falta a Alexandra dar o passo seguinte e assumir-se contra os aspectos mais controversos da lei da educação sexual que entram em choque com as convicções filosóficas ou religiosas dos pais.
Quanto à aula de alunos cristãos onde um se manifesta contra o crucifixo (o que eu acho muito estranho, acrescente-se) é claro que se essa questão se tornal de capital importância para esse estudante e o impeça de se concentrar, de ter rendimento escolar e lhe provoque angústias e desconforto emocional então a escola deve fazer tudo o que for possível para que essse aluno se sinta bem, incluindo retirar o crucifixo da aula.
Esperando ter respondido às suas objecções, despeço-me apresentando os meus cumprimentos e lamentando que os crucifixos a incomodem tanto. Mas respeito as suas posições.
os crucifixos não me incomodam. respeito-os e por isso mesmo custa-me vê-los pendurados em paredes onde não é suposto estarem. Quanto à educação sexual , antónio, não encontro nada na lei que me faça (ou me obrigue) a vaciliar nas minhas convicções ou na minha fé ou na dos meus.
Ainda bem. Fico feliz por si.
Cumprimentos,
De nuvens de fumo a 4 de Novembro de 2009 às 17:19
E se em vez de educação sexual for a procriação animal ? seria questionável ?
Sei que o Nuvens acha ter imensa piada mas julgo que deve ter consciência que nem todos pensam da mesma maneira.
De nuvens de fumo a 4 de Novembro de 2009 às 17:36
Eu não acho piada ao facto de algumas pessoas acharem que devem impedir conhecimento de natureza científica seja sonegado às gerações vindouras por causa de ideias morais.
Desse peditório acho que todos já demos. Podemos talvez discordar dos detalhes ( eventualmente ) mas não da forma que está em causa, i.e., a de se formar para a educação responsável e cientificamente correcta.
Mas resumindo , não foi para ter piada mas sim para mostrar que não entendo porque raios o conhecimento possa ser alvo de censura.
porque é de censura que estamos a falar.
Se é de censura que está a falar então estamos a falar de coisas diferentes.
De nuvens de fumo a 4 de Novembro de 2009 às 17:47
Querer impedir educação sexual com base em critérios morais / pessoais é censura.
Dos pais para os seus filhos, mas não deixa de o ser
De António Parente a 4 de Novembro de 2009 às 18:03
Censura? O que me aconselha: devo logo a partir dos 3 anos dar preservativos aos meus filhos para eles começarem a brincar?
De nuvens de fumo a 4 de Novembro de 2009 às 18:07
Capaz de não ser o ideal....
Eu disse que o detalhe poderá ser debatido, se não exagerar tanto
De mimi a 5 de Novembro de 2009 às 00:46
Desculpe lá, António Parente, mas não faz a mínima ideia como funciona uma escola. <o:p>
Não há salas exclusivas para Religião e Moral nem pode haver, por uma questão de rentabilização dos espaços. Logo a decoração das paredes tem que ser neutra, de modo a representar todos - católicos, judeus, muçulmanos, ateus, hindus.
Também não há turmas-gueto, são expressamente proibidas e juraria até que essa pretensão vem precisamente da ICAR. Também a mim não me pareceria muito católico a existência de turmas de protestantes, turmas de muçulmanos, turmas de hindus, turmas de judeus, turmas de ateus.
Mas mesmo que isso um dia passasse a critério, continuaria a ser impossível a pretensão dos católicos, e mais uma vez por uma questão de ocupação dos espaços escolares, pois é praticamente impossível que cada turma tenha a exclusividade de uma sala.
Nas horas mortas dessa turma, quem poderia lá entrar?
Logo, estamos num impasse. Como respeitar as convicções religiosas de todos numa instituição pública não confessional? Vá lá, responda comigo: só mantendo… as escolas… sem… adereços… religiosos.
Vê, não há outra solução?
Falar em ‘resistência à intolerância e liberdade religiosa’ só por brincadeira, quando uma e apenas uma das religiões que por ali convivem entende que os seus símbolos são universais e devem ser impostos a toda a gente.
Permita-me discordar. Para sua informação já dei aulas no ensino secundário. Foi só um ano e foi há muito tempo mas pela experiência que tenho actualmente com os meus filhos não me parece que o funcionamento das escolas tenha mudado assim tanto. Como sou um pai interessado, asseguro-lhe que tenho um bom conhecimento do funcionamento das escolas.
Essa teoria dos guetos parece-me anacrónica. Como um Governo é dum só partido teremos um Governo-Gueto? Para termos um Governo que não seja gueto então deveremos nomear ministros da oposição? Num estádio de futebol em que uma bancada é só para sócios de um clube teremos uma bancada-gueto? Ou se uma escola faz actividades extra-curriculares de voleibol teremos então o voleibol-gueto? Gueto é uma coisa diferente e eu acho que sabe isso muito bem.
Juntar pessoas com interesses comuns não é criar guetos, é ser pragmático. Peço-lhe que não faça o juramento que se propunha fazer dado que fiz uma pesquisa no google e encontrei pelo menos uma escola pública onde no mesmo ano vi turmas onde há no horário emrc e outras onde não há.
O seu argumento do espaço parece-me lógico e numa situação em que não há espaço disponível tem de se ser pragmático e parece-me razoável que não existam símbolos religiosos expostos.
Como vê, se me apresentam argumentos racionais onde estão afastados os preconceitos anti-religiosos eu tenho capacidade suficiente para perceber o que é e não é razoável. Se me diz que o problema é o espaço e que estão todos apertadinhos, filhos de crentes e não crentes, então para mim não me faz confusão, como cristão, respeitar as crenças dos outros mesmo que os outros não respeitem as minhas. Agora se os únicos argumentos que me colocam na frente é um laicismo intolerante cheio de preconceitos anti-religiosos, aí sinto necessidade de vincar a diferença.
Discordo do seu último parágrafo, como deve calcular. Julgo que o escreveu para acrescentar um toque de bom humor ao seu comentário. Não o levei a sério, como é óbvio.
Tenha uma excelente madrugada, mimi.
De S a 5 de Novembro de 2009 às 10:28
"respeitar as crenças dos outros mesmo que os outros não respeitem as minhas"
É isto que não entendo na sua argumentação. Mas o AP acha que é um direito de alguém os crucifixos na sala de aula? E quem diz crucifixos diz qualquer outro símbolo religioso...
E qt às crenças nem comento. A escola pública não se constrói com base nas crenças individuais de cada um, bem tramados estávamos.
Basicamente, o que lhe dá o direito de impôr crucifixos nas salas de aula? E nem digo numa sala de ateus, mas numa sala de alunos católicos qual é esse direito? Não há justificação, é salazarento.
Não sei se o S não percebe ou se faz que não percebe. Deixe-me pensar no assunto, depois digo-lhe um dia destes. Quanto ao salazarento, devolvo-lho. Acho que fica melhor em si do que em mim.
De S a 5 de Novembro de 2009 às 16:11
Um crucifixo numa sala de aula ser um direito de alguém? A sua remoção ser um atentado contra a liberdade de religião?
Não, juro que não entendo.
De Romeu a 5 de Novembro de 2009 às 17:57
Mas porque é que se for aluno e não quiser ter aulas sob a égide do crucifixo tenho de apresentar reclamação para que seja tirado?
Não é meu o direito à liberdade religiosa, e à privacidade quanto às minhas práticas religiosas?
Se estudar numa localidade profundamente católica tenho o direito a que não me imponham nenhuma religião mesmo na escola, sem ter de arranjar problemas por isso, correcto?
E continuo sem perceber: em que é que retirar um símbolo religoso constitui um atentado à liberdade religiosa? É como dizer que pelo facto de também não termos uma estrela de David na parede estamos a atentar contra o judaísmo! For God sake!
De mimi a 5 de Novembro de 2009 às 16:00
António Parente, não sei o que se passa, o comentário não entra. Obtenho como resposta que é demasiado extenso quando ainda me faltam quatro mil e tal caracteres.
Tentarei mais tarde, pode ser que a 'máquina' já esteja mais bem disposta.
De S a 4 de Novembro de 2009 às 04:02
Apenas uma dúvida/possível reparo;
"A decisão surge na sequência de uma queixa de um cidadão italiano que em 2002 pediu aos dirigentes do Instituto Público, onde o filho estudava, que fossem retirados os crucifixos. Perante a recusa, recorreu -também sem êxito- para os tribunais italianos."
Não será cidadão italiano e não cidadã filandesa? Ou está-me a falhar o link?
De No Name Boy do Glorioso a 4 de Novembro de 2009 às 08:56
podem retirar os crucifixos que quiserem desde que não toquem no nosso Jesus
Que fizeste ao banco, jovem?
De No Name Boy do Glorioso a 4 de Novembro de 2009 às 10:52
hã?
seja menos críptica, os meus dois neurónios não atingem.
"ou será que é preciso ir para tribunal?"
Pode ir a tribunal à vontade, que o tribunal não resolve nada.
O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos apenas condenou o Estado italiano a pagar à agravada uma indemnização miserável de 5.000 euros. Trocos. A Itália poderá continuar, a seu bel-prazer, a violar a decisão do tribunal europeu. Penso eu de que.
Portugal já foi condenado montes de vezes pelo Tribunal Europeu de Direitos Humanos, em diversos casos. Portugal já está habituado a isso. Mais uma condenaçãozinha, não fará mal.
De ana a 4 de Novembro de 2009 às 09:43
As escolas públicas são públicas e mais nada. Se os papás quiserem crucifixos, usem-nos em casa ou ponham os filhos em escolas religiosas. E o facto de os que se acham católicos (embora nunca tenham lido a bíblia, nem estejam habituados a pensar, nem sejam capazes de qualquer coisa para além de repetir o que a igreja diz) estejam habitualmente em maioria, não lhes dá o direito de impor símbolos da sua pretensa religião num espaço que é de todos, católicos, ateus e crentes de várias outras religiões. Mas o que é mesmo assustador é a indignação do vaticano , ainda bem que já não há fogueiras. Safa!
De nuvens de fumo a 4 de Novembro de 2009 às 10:21
Um crucifixo, com ou sem o JC lá colocado ?
Já agora porque não , logo na primária , colocar crucifixos com o JC a espirrar sangue, cheio de picos e assim. Afinal é disso que estamos a falar , certo ?
Teria era de ter bolinha vermelha....
Haja pachorra
cara ana , não generalize. Dou-lhe o meu caso- sou cristã e absolutamente contra a existência de símbolos religiosos nas escolas. A favor da laicidade do Estado e do respeito devido, no caso, à figura de Cristo , cuja imagem, defendo, deve guardar-se o mais possível no espaço e na intimidade dos que seus crentes. É por isso (entre vários outras razões) que também me incomoda a estátua do Cristo-Rei. Até porque não é pendurando crucifixos que se 'ganham almas'.
De
Director a 4 de Novembro de 2009 às 11:08
Nós temos por religião um culto sectário ao nudismo. A nossa religião acha símbolos que os não crentes usam - roupas - ofensivos. Exigimos que os professores nas nossas escolas não usem roupas para não nos sentirmos ofendidos na nossa fé. O uso de roupa é, para nós, tendencioso. Quem quiser usar roupa, que a use mas não de forma ostensiva ou seja, escondida nas pregas e orifícios do corpo.
De nuvens de fumo a 4 de Novembro de 2009 às 11:09
Blasfémia
http://www.ionline.pt/conteudo/16338-biblias-crucifixos-altares-e-mulheres-arte-ou-blasfemia-
Para mim é arte 
De fernando antolin a 4 de Novembro de 2009 às 16:35
E já se faz tarde para deixarmos de comemorar feriados religiosos católicos, mudar o nome de hospitais e escolas que ostentam o Santo isto ou Santa aquilo,impedir que as autarquias torrem um batatão de euros em enfeites e iluminações de Natal e tratem mas é de promover a demolição do Cristo-Rei em vez de terem andado a comemorar o cinquentenário do mesmo ,com a cobertuta estatal e mediática que se viu.Não me lembro de mais coisas ofensivas e importantes para tratar/corrigir/eliminar neste País, por isso estejam à vontade para acrescentar...
A Palmira ajuda, não é ? ...
De nuvens de fumo a 4 de Novembro de 2009 às 16:39
Nem me falem disso, é o meu sonho, é estético é fantástico , o cristo rei a ser metido rio dentro....
De fernando antolin a 4 de Novembro de 2009 às 16:52
Qual o quê, meu caro cirrocúmulo, à bomba, como merecem esses perversos seguidores da ICAR...E Fátima bombardeada até ao aniquilamento total, que afronta aqueles milhares de hectares sem préstimo ,a não ser o do obscurantismo fanático desses zelotas retrógrados, como podem os pobres não crentes ou crentes não ICAR suportá-lo ?? Abaixo assinado já !! Eu quero assinar antes da Palmira !! ...
De Romeu a 4 de Novembro de 2009 às 22:14
"E já se faz tarde para deixarmos de comemorar feriados religiosos católicos, mudar o nome de hospitais e escolas que ostentam o Santo isto ou Santa aquilo,impedir que as autarquias torrem um batatão de euros em enfeites e iluminações de Natal"
Chiii! Que loucura! :P
Olhe, eu cá estou na Finlândia,e está tudo isso resolvido. Não há feriados religiosos, os hospitais e escolas não têm nomes religiosos, as autarquias gastam dinheiro em luzes que usam no inverno com formas de flocos de neve, cavalos, flores, etc. E sabe que mais? Vive-se muito bem cá! Há liberdade religiosa para todos, quem quer é religioso, quem não quer não é, cada um celebra o que lhe apetece. Simplesmente não existem problemas desses e toda a gente é respeita.
A ideia das pessoas de que em Portugal se tem de ter religião por todo o lado senão está a desrespeitar-se os católicos é algo de muito muito estranho. E eu cá acho, digo eu, que tanto tenho direito à minha liberdade religiosa na Finlândia como em Itália ou em Portugal. Talvez tenha sido isso que aquela mãe finlandesa sentiu.
Se fosse eu também não gostaria de ter o crucifixo na sala de aula. A sala de aula é para todos, e é para aprendermos história, matemática, ciência, português, etc, não é um sítio onde a religião deva estar presente. Que os outros alunos usem símbolos religiosos, a mim não me importa, mas não me obriguem a estar numa escola e instituição que me obriga a passar os dias sob a égide de uma religião na qua não acredito. Há liberdade de religião, e liberdade da religião. Todos podemos praticar as nossas religiões, mas não temos de levar com elas na escola. (Tal como não vai ninguém ensinar a evolução darwiniana para a igreja.)
De Carlos Pimentel a 4 de Novembro de 2009 às 18:36
Um link que me pareceu interessante sobre a matéria:
http://www.guardian.co.uk/commentisfree/belief/2009/nov/04/italy-crucifixes-classroom-european-court (http://www.guardian.co.uk/commentisfree/belief/2009/nov/04/italy-crucifixes-classroom-european-court)
De Romeu a 4 de Novembro de 2009 às 23:28
Tirado do press release do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (só não percebe a decisão quem não quer):
Decision of the Court The presence of the crucifix – which it was impossible not to notice in the classrooms – could easily be interpreted by pupils of all ages as a religious sign and they would feel that they were being educated in a school environment bearing the stamp of a given religion. This could be encouraging for religious pupils, but also disturbing for pupils who practised other religions or were atheists, particularly if they belonged to religious minorities. The freedom not to believe in any religion (inherent in the freedom of religion guaranteed by the Convention) was not limited to the absence of religious services or religious education: it extended to practices and symbols which expressed a belief, a religion or atheism. This freedom deserved particular protection if it was the State which expressed a belief and the individual was placed in a situation which he or she could not avoid, or could do so only through a disproportionate effort and sacrifice.
The State was to refrain from imposing beliefs in premises where individuals were dependent on it. In particular, it was required to observe confessional neutrality in the context of public education, where attending classes was compulsory irrespective of religion, and where the aim should be to foster critical thinking in pupils.
The Court was unable to grasp how the display, in classrooms in State schools, of a symbol that could reasonably be associated with Catholicism (the majority religion in Italy) could serve the educational pluralism that was essential to the preservation of a “democratic society” as that was conceived by the Convention, a pluralism that was recognised by the Italian Constitutional Court.
The compulsory display of a symbol of a given confession in premises used by the public authorities, and especially in classrooms, thus restricted the right of parents to educate their children in conformity with their convictions, and the right of children to believe or not to believe. The Court concluded, unanimously, that there had been a violation of Article 2 of Protocol No. 1 taken jointly with Article 9 of the Convention.
Comentar post