Quarta-feira, 4 de Novembro de 2009
João Pinto e Castro

Anos a fio, a Aerosoles foi-nos apresentada como um caso de sucesso empresarial português, um exemplo de modernização e internacionalização bem sucedida.

Quando começa a crise, porém, vai-se a ver e descobre-se que, afinal, o capital da empresa é detido maioritariamente pelo Estado português, directa ou indirectamente (através de fundos públicos de capital de risco), em parceria com investidores privados.

Ora, eu gostaria de perceber que sentido faz o Estado sair da petroquímica e das telecomunicações para ir meter-se em fábricas de sapatos. Que espécie de superior interesse estratégico é defendido por políticas deste tipo? Que critérios orientam a escolha deste ou daquele projecto, deste ou daquele parceiro privado?

Mais: que sentido faz o Estado português deter sociedades de capital de risco? Que propósitos e que objectivos estratégicos foram atribuídos a essas sociedades? Quem e como avalia o que elas andam a fazer? A quem prestam contas? E assim sucessivamente.

Quem, como eu, acredita que a política económica tem um papel a desempenhar no reforço da competitividade das empresas portuguesas, inquieta-se, ademais, com o descrédito que situações como esta inevitavelmente lançam sobre a intervenção do Estado.

Este caso veio a público há cerca de um ano. Curiosamente, nem a quezilenta oposição nem os vociferantes media parecem interessar-se por ele.

Os nossos liberais domésticos prestariam um grande serviço à pátria se, em vez de se refugiarem em declarações doutrinárias sobre as vantagens da liberdade de iniciativa, tentassem descobrir quantas mais Aerosoles há por aí acoitadas sob as saias do Estado.
 


6 comentários:
De nuvens de fumo a 4 de Novembro de 2009 às 17:17
Ai não faça isso ke lhe cai o carmo e a trindade em cima

Isto é país para ter empresários de sucesso , mas com umas ajuditas.

Repare como o outro sucateiro lidava com as forças de bloqueio : desbloqueando.

O verdadeiro espírito proactivo, dinâmico que interessa.

Há aí muito talento, muita iniciativa, desde que com dinheiro dos outros....


De fernando antolin a 4 de Novembro de 2009 às 17:36
O problema é que quem quer investigar e questiona , vai logo para  o rol dos maledicentes e que não acreditam na excelência do nosso tecido empresarial e das vanguardas tecnológicas em que supostamente nos encontramos. Aerosoles,Quimondas e tantos outros exemplos de solidez. Esperemos até ao dia em que a AutoEuropa se "canse"...


De nuvens de fumo a 4 de Novembro de 2009 às 17:50
Fernando

E as consultoras, e as empresas escondidas de génios do direitos e  e e e e e


De Rosa Maria a 4 de Novembro de 2009 às 17:59
enaaaaaaaa ...afinal somos comunistas e não sabia!!!!!


De Luís Lavoura a 5 de Novembro de 2009 às 10:05
O João Pinto e Castro, neste post, desacredita completamente as teses do intervencionismo estatal na economia que o seu colega João Galamba defende noutros posts no mesmo blogue.

Eu acho que o João Pinto e Castro tem toda a razão, e espero que o colega Galamba o leia e pondere.


De bom-dia a 5 de Novembro de 2009 às 16:01
E eu que gostava tanto dos sapatinhos da Aerosoles.


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