"Sendo a economia portuguesa muito aberta à concorrência internacional e predominando na sua estrutura produtiva as empresas de baixa tecnologia, aqueles resultados sugerem que a apreciação da taxa de câmbio real poderá ter sido um importante factor na destruição de emprego nas manufacturas no período 1988-2006. Esta hipótese é corroborada pelos testes empíricos, que sugerem que os sectores da economia portuguesa mais afectados pela apreciação da taxa de câmbio real foram os sectores com menor conteúdo tecnológico, a que corresponde uma menor produtividade, e dentro destes, os que estão mais expostos à concorrência internacional. Entre estes sectores encontra-se o sector do têxtil e calçado, que, como foi referido, registou uma destruição líquida de empregos correspondente, aproximadamente, ao total de empregos perdidos nas manufacturas naquele período."
Miguel Portela, artigo publicado no excelente e.conomia
Face a isto, economistas ilustres, como Vítor Bento, dizem-nos que temos de recuperar a competitividade perdida. Não entendo. Se a competitividade Portuguesa dependia essencialmente de um sector exportador caracterizado por baixos níveis de tecnologia, baixo valor acrescentado e mão de obra barata, tenho alguma dificuldade em entender por que carga de água haveremos de querer recuperar o que quer que seja. Alguém acredita que é possível recuperar um modelo de desenvolvimento deste tipo? Mais: alguém o deseja, tendo em conta que existem países como a China ou a India? Já criar competitividades que nunca existiram, ou que não foram devidamente exploradas, é uma história completamente diferente. Mas isto implica que se diga algo mais do que: temos de baixar salários. Não é fácil e implica um longo (e doloroso) processo de ajustamento. Mas é, sem dúvida, a nossa única salvação.
Isabel Moreira
Miguel Vale de AlmeidaRogério da Costa Pereira
Rui Herbon
