Quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

"Sendo a economia portuguesa muito aberta à concorrência internacional e predominando na sua estrutura produtiva as empresas de baixa tecnologia, aqueles resultados sugerem que a apreciação da taxa de câmbio real poderá ter sido um importante factor na destruição de emprego nas manufacturas no período 1988-2006. Esta hipótese é corroborada pelos testes empíricos, que sugerem que os sectores da economia portuguesa mais afectados pela apreciação da taxa de câmbio real foram os sectores com menor conteúdo tecnológico, a que corresponde uma menor produtividade, e dentro destes, os que estão mais expostos à concorrência internacional. Entre estes sectores encontra-se o sector do têxtil e calçado, que, como foi referido, registou uma destruição líquida de empregos correspondente, aproximadamente, ao total de empregos perdidos nas manufacturas naquele período."

 

Miguel Portela, artigo publicado no excelente e.conomia

 

Face a isto, economistas ilustres, como Vítor Bento, dizem-nos que temos de recuperar a competitividade perdida. Não entendo. Se a competitividade Portuguesa dependia essencialmente de um sector exportador caracterizado por baixos níveis de tecnologia, baixo valor acrescentado e mão de obra barata, tenho alguma dificuldade em entender por que carga de água haveremos de querer recuperar o que quer que seja. Alguém acredita que é possível recuperar um modelo de desenvolvimento deste tipo? Mais: alguém o deseja, tendo em conta que existem países como a China ou a India? Já criar competitividades que nunca existiram, ou que não foram devidamente exploradas, é uma história completamente diferente. Mas isto implica que se diga algo mais do que: temos de baixar salários. Não é fácil e implica um longo (e doloroso) processo de ajustamento. Mas é, sem dúvida, a nossa única salvação.


3 comentários:
De nuvens de fumo a 4 de Novembro de 2009 às 18:08
Baixar salários ?????'
Mais ???????
Eu hoje ganho menos do que ganhava há 7 anos !!!!!!
baixar que salários ???



De Natália Santos a 4 de Novembro de 2009 às 20:07
Parece-me que os (supostos e não supostos ) peritos que falam de economia andam tão à nora como os restantes mortais se é que não estão ainda piores. Então não é que uma pessoa que eu respeito, o Prof. Medina Carreira perguntava, no programa da SIC N ao José Gomes Ferreira, porque é que nós não crescemos nem temos investimento estrangeiro  como tinhamos nos  anos 60 ?

Fiquei parva- então Prof Medina Carreira, condicionamento industrial, matérias primas das colónias, ausência de sindicatos e consequente falta de poder revindicativo e baixos salários, a economia não estava globalizada e funcionava por blocos, etc, etc., etc.
Parece-me que ninguém sabe o que há-de fazer e então uns falam da baixa produtividade para reduzir ( mais) os  salários, outros pedem nacionalizações como se ser nacionalizado fosse um aval de boa gestão e portanto de competividade.


De ZMS a 5 de Novembro de 2009 às 11:32
Em Espanha, que tem problemas estruturais semelhantes aos nossos, há quem também contibua para este debate.
http://www.falternativas.org/content/download/15202/441944/version/1/file/El+Pa%C3%ADs+-+Un+nuevo+modelo+exigir%C3%ADa+un+cambio+hist%C3%B3rico.+28-10-09.pdf (http://www.falternativas.org/content/download/15202/441944/version/1/file/El+Pa%C3%ADs+-+Un+nuevo+modelo+exigir%C3%ADa+un+cambio+hist%C3%B3rico.+28-10-09.pdf)


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