Quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

a discussão sobre os crucifixos nas escolas portuguesas voltou. como os argumentos se repetem, repito aqui um texto publicado a 5 de dezembro de 2005 no glória fácil. para quem não tiver paciência para ler o texto todo, segue a conclusão:

 

imagine-se, há quem veja a liberdade de prisma ligeiramente menos absolutista. quem a proclame como individual e não colectivizante, quem se atreva a pensar que a crença e mesmo o partisanismo dos mais não implica a anulação dos menos (no sentido numérico, of course).

que defender a presença de um crucifixo ou de qualquer outro símbolo religioso nos edifícios públicos (não confundir com o espaço público, como muitos têm torpemente feito, esquecendo talvez que durante séculos, mais precisamente até ao século xx, foi a igreja católica que, através da sua aliança com os poderes existentes, negou às outras confissões o direito a visibilidade no espaço público, obrigando os seus templos a esconderem-se atrás de altos muros -- caso da sinagoga de lisboa) em nome da crença ou do desejo da maioria equivale a defender que lá se ponha o símbolo do partido que ganhou as eleições ou do clube de futebol com mais adeptos.


que a inépcia e o imobilismo de décadas não podem permitir que o cumprimento dos preceitos constitucionais seja apelidado de 'violento' e 'inesperado'. que a hierarquia da igreja católica e os seus fiéis escribas, que se comprazem em denunciar atentados contra a liberdade religiosa pelo mundo fora quando é a sua liberdade religiosa minoritária que está sob ataque em países onde a maioria professa outra religião, revelam nestas atitudes que nada aprenderam e nada se mostram dispostos a aprender das mensagens mais universais do seu maior profeta -- a tal mensagem que o crucifixo é suposto tornar presente.



que, por último, não se trata de negar a história mas de aprender com ela -- e que tentar combater uma medida justa e legal como a da retirada de símbolos religiosos dos edifícios públicos com a alegação de que se abriu guerra ao cristianismo e que a seguir vão (porque 'têm de', em nome da coerência, assevera-se) queimar as igrejas, arrasar o natal e abolir os feriados religiosos é pura e simples estultícia (mesmo se, do meu ponto de vista laico, me faz mais sentido celebrar o dia em que a inquisição queimou giordanni bruno que o da nossa sra da conceição, que não faço ideia quem seja).

 

a quantidade de dislates que se tem escrito a propósito da chamada 'guerra dos crucifixos' (uso a expressão por em si conter a génese do disparate) é de de fazer perder a cabeça a um santo (e como toda a gente sabe, tal não é o meu caso) ou de rebentar de riso o mais sorumbático(then again, not me).



de bagão félix a sarsfield cabral, de joão miguel tavares a barata feyo, para culminar no papa espada e nos habituais rigorismos informativos do espesso, les beaux esprits encontram-se na tese de que os crucifixos "são naturais", estão "naturalmente" nas salas de aula, em nome da "tradição" (pois claro, a tradição, esse garante de civilidade e progresso, esse sinónimo de bondade absoluta e inquestionável e, já agora, de 'cultura') e querer de lá retirá-los é como extirpar uma parte da alma ao país sem sequer um pó de anestesia, atentando contra a 'liberdade religiosa' da 'maioria cristã' e desrespeitando 'as mais fundas convicções' do povo, contra o 'bom senso' e a 'boa convivência' -- e a cultura, que, claro está, 'é de todos nós', mesmo dos muçulmanos e dos judeus e dos ateus.



sempre apreciei sobremaneira o o modo como se conseguem escrever as coisas mais abstrusas e contraditórias e, muitas vezes, absolutamente mentirosas, com o mais inefável ar de seriedade. joão carlos espada, por exemplo, chega ao ponto de, na primeira linha da sua crónica do espesso, certificar que 'parece que, na semana passada, terá chegado às escolas estatais uma ordem do ministério da educação para remover os crucifixos das salas de aula', o que apelida de 'gesto gratuito'.



parece (eu diria mesmo que é certo) que o dr (ou será prof dr???) joão carlos espada escreve n'importe quoi, não sabe do que fala nem se incomoda em saber (mas nada disso é gratuito, não)-- desde que, a propósito, possa citar a rainha de inglaterra, por acaso chefe de uma igreja, sobre as vantagens dessa mesma igreja (foi coincidência) e proclamar a 'indestrutibilidade do cristianismo' (porquê o receio, então? vai-se a ver e até pode ir à máquina a noventa graus e não encolhe), com esta citação tão curiosa: "quanto mais pequena a minoria, quanto mais severas as punições e ameaças, mais forte era a fé" (será que a inversa também é verdadeira? e que tal aplicar essa teoria do esmagamento e da sobreveniente virulência aos credos esmagados pelo cristianismo e ao apagamento da não crença em nome de uma fé 'maioritária'? pense lá nisso dr -- ou prof, ou o que for). dá-se o caso, dr, ou prof ou o que for, de que nunca houve notícia de que o ministério tinha 'na semana passada' dado ordem de retirada dos crucifixos das escolas estatais, pelo que lhe forneço, absolutamente de graça e sem tábuas nem fogo sagrado, um mandamento para a exposição pública de ideias: quando se resolve dar ares de reflectir sobre alguma coisa sempre convém ler mais que as manchetes dos jornais -- até porque, creio, a inverdade e a manipulação não fazem parte das virtudes cristãs, mesmo se às vezes parece.


o mesmo se aplica ao próprio do espesso que, fiel à sua própria tradição, titula um texto sobre o assunto crucifixos com esta estupenda exactidão -- 'só 20 escolas têm crucifixos' -- fundamentando o 'facto' (que é o nickname do espesso, como se sabe) em 'fonte oficial' do gabinete da ministra que teria dito ao jornal que 'o número de escolas nessa situação não ultrapassa as duas dezenas' e no último parágrafo do texto: 'em abril, a associação república e laicidade enviou ao ministério um pacote com cerca de 20 fotografias de crucifixos em salas de aula, pedindo a sua retirada ao abrigo da lei de liberdade religiosa e da constituição. os casos eram relativos a escolas abrangidas pela direcção regional de educação do norte, que a partir de maio enviou os ofícios exigindo que os símbolos fossem retirados'.



uuuuffff.


que seriedade, que rigor, que inatacável sentido do serviço público (note-se que o dito texto, que refere o início da acção do ministério como sendo relativa a maio, sai na mesma edição que o já citado artigo de espada, que a situa 'na semana passada'. eheh -- factos há muitos, e cabem todos no espesso) .


primeiro: a rl enviou 'um pacote'?????? jesus, maria, espírito santo. agora um documento, que por acaso está disponível no site da associação e foi enviado a uma série de media, é 'um pacote'?


segundo: só há 20 escolas com crucifixos, diz o ministério, e calha ser esse exactamente o número que é apresentado pelo'pacote' da rl? que extraordinária coincidência.


terceiro: mais extraordinária ainda se torna a coincidência quando se afiança que todas as escolas em causa pertencem à área da dren (mesmo, presume-se, as que estão situadas em sintra, e são várias as que no 'pacote' da rl ali se encontram -- o mapa de portugal é muito traiçoeiro, e as divisões administrativas do ministério da educação ainda mais). e que foram essas as escolas que receberam os tais ofícios da dren no sentido de que retirassem os símbolos.


quarto: a directora da dren já disse publicamente, sem ter sido desmentida por ninguém, que enviou ofícios a 'uma dezena de escolas'. se todas as outras dez fossem da sua área, por que motivo não teriam recebido ofícios? por outro lado, dá-se o caso de a ministra da educação ter já dito que os 'serviços' só agem no sentido de mandar retirar os símbolos quando 'alguém se queixa'. se o 'pacote' da rl constitui, do ponto de vista dos 'serviços', uma 'queixa', então não deveriam os símbolos ter sido retirados de todas as 20-escolas-20 referenciadas?


quinto: houve jornalistas que encontraram escolas com crucifixos em lisboa, no porto e em faro -- nenhuma das quais referenciada no 'pacote'. vai-se a ver e inventaram-nos (é isso ou o espesso não é um facto, é um artefacto).


sexto: por que será que não ocorreu às autoras do texto ouvir a associação do 'pacote' e, já agora, requerê-lo? grande mistério.


sétimo: suuuuuuuuuuuuuuuspiro.


mas, deixando o melhor para o fim, na boa tradição das bodas de canaan (ah-ah, por esta não esperavam), mas sem necessidade de maior milagre que o da existência de tão admirável criatura, chegamos ao homem das neves, tão adequado a esta quadra natalícia. que hoje disserta no dn sobre o assunto, sob o título 'os inimigos da liberdade'.


ah, valente.


nem mais, nem menos: tirar crucifixos ou quaisquer outros símbolos religiosos das escolas públicas do estado laico é atentar contra a liberdade -- porque 'os crucifixos na sala de aula são apenas um pequeno detalhe. mas um pormenor revelador de uma luta crucial da humanidade, a luta em prol da liberdade'.


que, pequeno detalhe, essa crucialíssima luta pela liberdade tenha sido iniciada por esse grande libertador, oliveira salazar, em 1936, esse ano de tão boa colheita em prol da liberdade por toda a europa e no mundo em geral, quando os judeus e outros subversivos (ciganos, comunistas, homossexuais, etc) eram 'limpos' em nome de pecados originais, não vem ao caso -- já se sabe que deus (o tal cuja inexistência, escreve das neves, não pode ser demonstrada logicamente, transformando assim 'o ateísmo em apenas a crença de que deus não existe' -- olé! se isto não é uma chicuelina com pirueta invertida e mortal triplo empranchado, do touro ao toureiro, não sei o que seja uma) escreve direito por linhas tortas (e que tortas, senhor, por piedade -- assim ainda fica com vista cansada). e que a verdade agora não interessa nada -- o que conta é lutar contra os infiéis, esses anti-cristos que por obra do demo lograram furtar-se a séculos de fogueiras, perseguições e purgas sortidas (e muito católicas), todas em nome da suprema liberdade, tolerância e bom senso, e aguentar-se até hoje para atentar desta forma contra os mesmos valores supremos, desta vez sob a forma de símbolos religiosos nas escolas públicas.


ah, valentíssimo, valentão sr das neves. daqui até à queima da constituição, da lei de liberdade religiosa e de quem as apoiar (e quiser, imagine-se, abrenúncio, vê-las cumpridas) já não falta decerto muito -- ou 'as comunidades cristãs', como disseram vários prelados, não estivessem já a um fósforo da indignação e do desespero (e dos archotes e das piras).


é que, imagine-se, há quem veja a liberdade de prisma ligeiramente menos absolutista. quem a proclame como individual e não colectivizante, quem se atreva a pensar que a crença e mesmo o partisanismo dos mais não implica a anulação dos menos (no sentido numérico, of course).


que defender a presença de um crucifixo ou de qualquer outro símbolo religioso nos edifícios públicos (não confundir com o espaço público, como muitos têm torpemente feito, esquecendo talvez que durante séculos, mais precisamente até ao século xx, foi a igreja católica que, através da sua aliança com os poderes existentes, negou às outras confissões o direito a visibilidade no espaço público, obrigando os seus templos a esconderem-se atrás de altos muros -- caso da sinagoga de lisboa) em nome da crença ou do desejo da maioria equivale a defender que lá se ponha o símbolo do partido que ganhou as eleições ou do clube de futebol com mais adeptos.


que a inépcia e o imobilismo de décadas não podem permitir que o cumprimento dos preceitos constitucionais seja apelidado de 'violento' e 'inesperado'. que a hierarquia da igreja católica e os seus fiéis escribas, que se comprazem em denunciar atentados contra a liberdade religiosa pelo mundo fora quando é a sua liberdade religiosa minoritária que está sob ataque em países onde a maioria professa outra religião, revelam nestas atitudes que nada aprenderam e nada se mostram dispostos a aprender das mensagens mais universais do seu maior profeta -- a tal mensagem que o crucifixo é suposto tornar presente.


que, por último, não se trata de negar a história mas de aprender com ela -- e que tentar combater uma medida justa e legal como a da retirada de símbolos religiosos dos edifícios públicos com a alegação de que se abriu guerra ao cristianismo e que a seguir vão (porque 'têm de', em nome da coerência, assevera-se) queimar as igrejas, arrasar o natal e abolir os feriados religiosos é pura e simples estultícia (mesmo se, do meu ponto de vista laico, me faz mais sentido celebrar o dia em que a inquisição queimou giordanni bruno que o da nossa sra da conceição, que não faço ideia quem seja).


prontoS. escrevi muito, desculpem, mas também já não escrevia há que tempos (tenho estado muito ocupada a pôr crucifixos nas escolas).


17 comentários:
De António Parente a 4 de Novembro de 2009 às 19:40
Só me recordo de uma palavra para comentar este texto: cristofobia. Deus me livre de algum dia escrever assim em relação às coisas com que não concordo.  


De ??? a 4 de Novembro de 2009 às 22:07
A Fernanda quer saber de uma bela história cujo resumo é este:

Uma praça existente há mais de 20 anos e que já foi parque infantil e ultimamente, há pelo menos 10 anos, era jardim.
Neste ano de eleições a Câmara decide "requalificar".
Um grupo de católicos pediu  colocação de uma estátua da Snra. de Fátima na praça, onde nunca tinha existido e sem qualquer conotação religiosa, e a autarquia anuiu.

Se quiser saber mais até mando fotos por mail.


De f. a 5 de Novembro de 2009 às 02:12
a hierarquia da igreja católica e os seus fiéis escribas, que se comprazem em denunciar atentados contra a liberdade religiosa pelo mundo fora quando é a sua liberdade religiosa minoritária que está sob ataque em países onde a maioria professa outra religião, revelam nestas atitudes que nada aprenderam e nada se mostram dispostos a aprender das mensagens mais universais do seu maior profeta -- a tal mensagem que o crucifixo é suposto tornar presente. (sim, antónio parente, é para si)


De António Parente a 5 de Novembro de 2009 às 02:20
Se é para mim, errou o alvo. Nem pertenço à hierarquia da Igreja Católica nem sou um fiel escriba. Quanto às mensagens mais universais aprendi-as, sim senhora. A f. é que está desatenta ao que escrevo (nem exijo a sua atenção, como é óbvio, era só o que faltava).

Já agora que me ofereceu uma coisa, eu retribuo com outra:

http://agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=75566

Alguma vez imaginou o Salazar referido no seu artigo a tomar decisões sobre laicidade com as quais a f. concordaria? ;-)


De Jairo Entrecosto a 5 de Novembro de 2009 às 09:25
Olá a todos.

 "A hierarquia da igreja católica e os seus fíéis escribas(...)nada se mostram dispostos a aprender das mensagens mais universais do seu maior profeta"(...)

Mais uma ateia perita em qual mensagem ou mandamento cristão os crentes devem cumprir ou ainda não atingiram totalmente.
Já agora, não é o seu maior profeta, é o seu Deus, e se sabe tanto como é que os cristãos devem viver a sua vida, torne-se cristã em primeira lugar. Dê o exemplo de como é acha que o cristianismo deve ser vivido e têm de ser interpretadas e postas em prática a suas mensagens universais. Até lá, deixe de ser mais papista do que o papa, largue essa atitude farisaica, porque se não gosta do cristianismo,não lhe encontra virtudes e acha-o castrador, é rídiculo que apela aos outros que sejam melhores cristãos ( aqui na sua interpretação desonesta do que é ser cristão, claro).

Quanto muito, crie a sua própria seita cristã. E deixe os que querem ser cristãos à sua maneira( como os católicos vêm sendo há dois mil anos defendendo sempre a mesma doutrina), em paz.

Depois, dedice-se a escrever artigos sobre a neutralidade partidária do estado, violada sistematicamente pelo PS, quando, por exemplo, vai a escolas usar crianças para tempos de antena, metendo-as a dizer que o "magalhães é o meu melhor amigo". Sim, já sei que se passasse por um crente que estivesse a dizer a um menino que Jesus é o seu melhor amigo, vinha logo a correr escrever um texto cheio de ódio.

Voltando ao que supostamente seria o tema do artigo:
Não percebo qual é o problema em olhar para uma parede e estar lá um crucifixo. Deve dar alergia ou assim.
Sem crucifixo nem teria havido escolas, hospitais, economia ou ciência, mas está bem...

Voltando outra vez ao artigo como ele foi escrito. 
Bem, vou ali queimar mais um infiel judeu e torturar um homossexual. Já me sinto com tonturas, de fraqueza matinal por ainda não ter retemperado as minhas forças com esses actos que me alimentam o corpo e a mente.
Pelo caminho também vou meter um crucifixo numa escola, outro num centro de saúde e talvez dois numa repartição de finanças.

 Cumprimentos.



 


De DC a 4 de Novembro de 2009 às 22:55
#1 Essa ironia é terrível. Ou então se foi sincero, quero mesmo acreditar que é apenas uma ave rara.

O texto está excelente, em todos os pontos se constrói coerentemente não só uma posição, mas A posição. A Igualdade e Tolerância, neste caso religiosa têm de ser mais do que um ponto de vista.

Respeite-se quem professa outras religiões, ou até nenhuma, protegendo toda a gente do embaraço que é ver iconografia deprimente fora dos seus contextos.

Parabéns f.


De Luís Lavoura a 5 de Novembro de 2009 às 09:59
"a seguir vão (porque 'têm de', em nome da coerência, assevera-se) queimar as igrejas, arrasar o natal e abolir os feriados religiosos"

Abolir os feriados religiosos seria uma bem útil e muito correta ideia.

Nos Estados Unidos não há feriados religiosos. E trata-se de um país muitíssimo religioso...


De Nuno Gaspar a 5 de Novembro de 2009 às 10:08
Fernanda,

(estendendo a mão)

- Deixou cair este isqueiro.


De f. a 5 de Novembro de 2009 às 18:03
obrigada, nuno, mas não fumo. 


De Zé Carioca a 5 de Novembro de 2009 às 10:59
f.,

Uma pergunta:

Na medida em que a crença da maioria não deva levar a que se coloque na escola um símbolo da crença dessa maioria; em que também não se deve colocar nas escolas o símbolo do clube de futebol com mais adeptos, em que não se deve também pôr lá o símbolo do partido mais votado, pergunto-me se faz sentido que haja nas escolas símbolos patrióticos (afinal nem todos os alunos são portugueses e nem todos os portgueses se orgulham de terem de o ser) ou símbolos republicanos (afinal há para aí uns  monárquicos, não é?).

Grato pelo seu parecer.


De nuvens de fumo a 5 de Novembro de 2009 às 18:06
No fundo porque o símbolo da própria escola, afinal pode haver alunos transferidos...


De Luís Lavoura a 5 de Novembro de 2009 às 14:25
"a seguir vão (porque 'têm de', em nome da coerência, assevera-se) queimar as igrejas, arrasar o natal e abolir os feriados religiosos"

Abolir os feriados religiosos seria de facto uma excelente ideia. É isso mesmo que eu pretendo.


De Zé Carioca a 5 de Novembro de 2009 às 16:53

Natal incluído?


De Luís Lavoura a 5 de Novembro de 2009 às 17:05
Eu diria que não: abolir-se-iam apenas os feriados religiosos que só têm importância mesmo para os católicos observantes (sexta-feira santa, Corpo de Deus, 15 de Agosto, 8 de Dezembro).

Esses feriados poderiam ser substituídos por dias feriados à escolha de cada pessoa individualmente. Isso daria a pessoas de outras religiões a possibilidade de celebrar os seus próprios feriados, enquanto os católicos continuariam a poder celebrar os deles.

Isto seria muitíssimo mais importante para a laicidade do Estado do que esta questão dos crucifixos, cuja importância é absolutamente menor.


De nuvens de fumo a 5 de Novembro de 2009 às 17:18
k se saiba posso acreditar numa religião que faça o best of de todos os feriados


De Director a 5 de Novembro de 2009 às 18:34
Eu pertenço a uma religião muito minoritária e obscura. Andamos sempre nus e só trabalhamos um dia por ano, o 25 de Dezembro. Os meus professores usavam roupa, por desrespeito.
Sinto-me completamente gozado por esta sociedade onde nasci.


De Marcelo do Souto Alves a 6 de Novembro de 2009 às 15:35


   Que confusões: a Escola pública não deve ostentar símbolos religiosos de qualquer espécie, não por motivo de não ofender os crentes das outras Religiões, mas sobretudo por respeito para com as suas nobres funções educativas, para com quem se responsabiliza por elas (o Estado, ou seja, o interesse público), mas sobretudo por respeito também para com os próprios crentes, que não devem ver os seus símbolos sagrados usados iconoclásticamente como meros panfletos propagandísticos fora dos locais próprios!


             Já quanto aos símbolos nacionais, desde que expostos de uma forma sóbria e não impositiva, cônscia da importância da transmissão de valores cívicos em sede da própria Educação, não me parece nada desajustado que estejam presentes nas Escolas públicas.


          Até porque as mesmas se regem pelas Leis da República e são suportadas pelos contribuintes portugueses...


Comentar post

Autores
Alexandra Tavares-Teles
Ana Matos Pires
Ana Vidigal
Diogo Serras
Domingos Farinho
Fátima Rolo Duarte
Fernanda Câncio / f.
Filipe Nunes
Gonçalo Pires
Hugo Mendes
Inês de Medeiros
Inês Meneses
Irene Pimentel
João Cóias
João Galamba
João Pinto e Castro
Maria João Guardão
Mariana Vieira da Silva
Palmira F. Silva
Paulo Côrte-Real
Paulo Pinto
Shyznogud
Tiago Julião Neves

Arquivo

Isabel Moreira

Miguel Vale de Almeida

Rogério da Costa Pereira

Rui Herbon

correio | twitter | facebook

Fevereiro 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11

12
13
14
15
16
17
18

19
20
21
22
23
24
25

26
27
28
29


artigos recentes

joão duque,

Populus in res publica su...

Os Cinco Pecados Mortais ...

Os Cinco Pecados Mortais ...

AT/DT

Todos os dias há uma nova

Hum, como falar do assunt...

Leituras: History Will Te...

João Fernandes no Reina S...

O tempora! O mores!

...

Antoni Tàpies (1923- 2012...

A bem da minha úlcera vou...

"Estúpido e irracional"?

International Day of Zero...

últimos comentários
Eu li! Eu li! Mas é mais um 'especialista' da bola...
bem explicado! e irrita sobremaneira a sanha contr...
Eu ate estava a gostar de o ler, mas depois chegue...
Não sou especialista nem tenho opinião inabalável ...
Não sou especialista nem tenho opinião inabalável ...
E o quinto "Reaccionarismo" : Portanto, depois de ...
Li até «direcões»...
Lamento informá-lo mas o seu texto tem alguns erro...
Quarto "Preguiça": Confesso que o artigo parece um...
Terceiro "Arrogância": Este é mesmo uma espada de ...
arquivo
tags

todas as tags

outros lugares
Subscrever feeds