Quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

"Profit and capital gains may look much the same to the individual bank – a stream of revenues – but they have different macroeconomic consequences. Lending to the real sector is self-amortising: it creates a debt, but also the value-added to repay principal and interest. Such loans enlarge the economy in proportion to the debts created and are financially sustainable. By contrast, loans to create or buy financial assets and instruments are not, by themselves, self-amortizing. In a credit boom, successive owners may sell the asset at a profit, but their buyers will have to shoulder proportionally more debt in order to acquire the asset, balanced (for the time being) by the asset’s value. Asset trading may be individually profitable; but it is a zero sum game, sustainable only if the real economy furnishes enough money to support the rising debt burden. Beyond a point, the lure of capital gains diverts funds from real-sector investment, and households’ rising debt-service cuts demand for real-sector output. In both ways, excessive growth of financial asset markets is self-defeating.

 

(...)

 

A promising policy avenue is tax reform. During the asset boom of the last decades, taxes on capital gains in the US, UK and most other OECD economies have fallen sharply relative to value added tax and labour taxes. When the banks have recovered, they need a regulatory and policy climate that discourages the pursuit of capital gains for their own sake, and which favours growth of the real economy. Finance should be the economy’s handmaiden, not the other way round."

 

In this perspective, it is beside the point to focus on exorbitant bonuses or financial democracy.(...) Likewise, enthusiasm about the rally in asset markets (even as the real economy continued to contract) shows how widespread the confusion between the financial sector and the real economy is. The priority now is not to revitalise asset markets, but to transform a bloated and dysfunctional financial sector towards one that supports the real economy in a sustainable and cost-efficient way.

Martin Wolf, artigo publicado no Financial Times

 

A resposta a uma crise não pode passar apenas por tentar garantir a sobrevivência do que existe, pois, ao contrário de uma calamidade natural, uma crise não é simplesmente algo que nos acontece, um choque exógeno; nós também estamos implicados nos processos que lhe deram origem. Mas quem tem mais responsabilidade é o Estado, pois é este que determina o contexto onde os diferentes agentes fazem as suas escolhas (num cenário de globalização não é assim tão simples, mas enfim...). Combater a crise é, por isso mesmo, simultaneamente uma emergência (curto prazo) e um desafio existencial. (longo prazo) , que impiica aprender com o que aconteceu e tirar daí as devidas consequências. A financeirização da economia —que desvia recursos da economia real — é um problema grave que não se resolve sem coragem e determinação política (e também requer coordenação  internacional, mas isso é outra história) Mais do que injectar liquidez, conceder linhas de crédito, garantias e afins, em suma, mais do que injectar dinheiro, é preciso alterar a estrutura de incentivos que promove certo tipo de práticas e de investimentos.  Mais do que acudir — a bancos mas também a pessoas e a empresas — importa procurar transformar as dinâmicas que tornaram esta crise inevitável. Não será fácil, mas é necessário. E o que é necessário tem de ser possível. A ideia de progresso — um dos pressupostos da Modernidade em que (ainda) vivemos— assim o exige. 


2 comentários:
De Luís Lavoura a 5 de Novembro de 2009 às 11:07
Vale a pena lembrar que foi a <i>Caixa Geral de Depósitos</i>, o banco do Estado, quem andou a delapidar os seus fundos emprestando-os a um conhecido especulador (Manuel Fino) para este investir na compra de ações.

Se o banco do Estado assim age, pois mais vale privatizá-lo.


De nuvens de fumo a 5 de Novembro de 2009 às 11:14
Sim, mal por mal, façamos da caixa um novo BPNe BPP, aliás como é muito maior podemos fazer N, BPP.

BPN, BPP, BCP, que exemplo do rigor privado!!!


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