Os bonecos da Ana Vidigal fizeram-me ter vontade de verbalizar aqui algo de que me tenho apercebido com maior intensidade nos últimos dias. A discussão sobre o acesso ao casamento civil pelos homossexuais tem feito com que nunca, como agora, se fale tanto em homossexualidade no espaço público mediático. Há um fenómeno curioso e estranho que é recorrente, os adversários da coisa falam sempre de homossexuais masculinos, quase como se não existisse homossexualidade feminina. A "invisibilidade lésbica" é, desde há muito, um tema muito debatido em certos círculos mas - e parece-me que não estou enganada - perfeitamente esquecido nas discussões mainstream.
De S a 5 de Novembro de 2009 às 16:07
Simples; uma amedontra muito mais que a outra.
De nuvens de fumo a 5 de Novembro de 2009 às 16:09
Pois, porque será?
De aorta a 5 de Novembro de 2009 às 17:26
porque vivemos num sociedade machista, governada por homens. é essa a razão.
numa hierarquia de poder é suposto os homens "cobrirem" as suas fêmeas. ora, o facto de haver homens que se "cobrem" uns aos outros é a inversão desta estrutura hierarquica.
foder é poder. fode quem pode, não fode quem quer.
De S a 5 de Novembro de 2009 às 21:32
Este comentário tem bolinha vermelha;
Não, a inversão da estrutura hierárquica era uma mulher com um strap-on e um homem indefeso...
De
l a 5 de Novembro de 2009 às 16:15
Não é bem assim.
As lésbicas não são invisíveis. Pelo contrário, são muito mais visíveis do que os <i>gays</i>. É corrente ver lésbicas a beijarem-se ou abraçarem-se em espaços públicos. Ver <i>gays</i> a fazer isso é que é extremamente raro.
O que acontece é que há muitíssimo menos aversão à homossexualidade feminina do que à masculina. Por isso, as lésbicas não têm tanta necessidade de se esconder. Pelo mesmo motivo, os adversários da homossexualidade referem-se sempre à masculina, que é aquela que verdadeiramente os enoja. A homossexualidade feminina é encarada com alguma indiferença.
Eu já vi diversas vezes raparigas a andar de mão dada na rua, e também aos beijinhos no metro, etc. Creio que nunca vi rapazes a fazer o mesmo.
Tem a certeza q é encarada com indiferença? Não será antes quase negada?
Duvido que seja negada, uma vez que é deveras visível, tal como eu disse.
Pode, por outro lado, ser de facto negada, na medida em que não é incomum mulheres (familiares ou amigas) andarem de mão dada ou de braço dado uma com a outra. Nessa medida, se duas lésbicas fazem isso, quem as vê pode duvidar se se trata de simples amigas, ou mesmo de lésbicas.
Em todo o caso, mantenho o facto de que é muito mais fácil lésbicas serem visíveis e manifestarem-se em público, do que <i>gays</i>. E há muito menos animosidade contra elas.
De jovem de direita extremamente confuso a 5 de Novembro de 2009 às 17:11
american car wash, portanto.
De nuvens de fumo a 5 de Novembro de 2009 às 16:53
Não acho, apenas que é mais tolerada pelos homens , o que faz toda a diferença.
De jovem de direita extremamente confuso a 5 de Novembro de 2009 às 16:20
american car wash.
Lá voltamos nós à conversa de ontem, jovem.
De jovem de direita extremamente confuso a 5 de Novembro de 2009 às 16:58
ora, maria joão pires, girls just wanna have fun!
De
fblourido a 5 de Novembro de 2009 às 16:29
Concordo. Já tinha reparado há algum tempo. Seria curioso aprofundar o porquê, não?
Este post é uma espécie de convite à reflexão.
Reflita, penso que não é difícil encontrar as razões.
A homossexualidade feminina não é uma ameaça, na medida em que as lésbicas podem na mesma ter relações sexuais com homens e procriar - mesmo que não tenham prazer. A homossexualidade masculina está ligada a um desperdício de esperma e de capacidade progenitora. É por esses factos, aliás, que é condenada pelo judaísmo.
O desejo e prazer sexual da mulher são largamente irrelevantes para a realização da cópula. Se a mulher não tem prazer, problema dela. Ela pode ser frígida ou lésbica, tanto faz. O homem cobre-a na mesma. O esperma é depositado, pode haver fertilização.
Pela mesma razão, a masturbação masculina é muito condenada; a masturbação feminina, pelo contrário, é encarada como um entretenimento inocente.
De nuvens de fumo a 5 de Novembro de 2009 às 17:20
Há algo na sua explicação tortuoso , eu acho que as pessoas não andam por aí a pensar isso ... mas ok
De Romeu a 5 de Novembro de 2009 às 17:42
"A homossexualidade feminina não é uma ameaça, na medida em que as lésbicas podem na mesma ter relações sexuais com homens e procriar - mesmo que não tenham prazer."
E os homossexuais masculinos não podem procriar na mesma? Mesmo que não tenham prazer?
Acho estranho, parece-me que para você a mulher é um ser que ali está e é assexuado, basta estar lá e ser penetrada para ter filhos. Mas claro, não poderá ser por um homem (seja hetero ou gay!) porque esses têm de ter prazer.
E desperdício de esperma? Bem, eu cá acho que dá para sexo gay, para fertilizações e ainda sobra. Vá, não vou fazer piadinha fácil sobre o seu esperma. :)
De Romeu a 5 de Novembro de 2009 às 18:00
Ah, e já agora, se homens gays não conseguem procriar, e são uma ameaça, então para quê negar-lhes o casamento entre eles? Acha que é que negando-o que vão casar-se com uma mulher e ter filhos? É assim que resolve a "ameaça"?
De S a 5 de Novembro de 2009 às 17:54
"Pela mesma razão, a masturbação masculina é muito condenada; a masturbação feminina, pelo contrário, é encarada como um entretenimento inocente."
Está-me a dizer algo que não sabia. A sexualidade feminina, especialmente quando é explorada pela própria e para proveito exclusivo da própria, não é condenada pela sociedade machista em que vivemos? Uma mulher assumir que quer ter prazer e que gosta de ter prazer e "take things into her own hands" não é condenado?
Não me parece que assim seja, aliás não tem qualquer visibilidade, no caso da masturbação masculina é do género "boys will be boys".
Já na sua análise do tabu em volta da homossexualidade masculina penso que tem que entrar em conta com o seguinte; é muito mais condenado quem é penetrado do que quem penetra. Não me parece que o tabu se limite ao desperdício de esperma (aliás muito redutor.) Um homem assumir uma posição submissa é onde reside o tabu ligado à homossexualidade, penso eu de que.
De nuvens de fumo a 5 de Novembro de 2009 às 17:57
Aliás no anedotário da ignorância , quem pentra pode ser ou não homo ao passo que quem é penetrado é sempre.
Enfim, ....
De S a 5 de Novembro de 2009 às 17:58
"Um homem assumir uma posição submissa é onde reside o tabu ligado à homossexualidade masculina, penso eu de que." *
De jovem de direita extremamente confuso a 5 de Novembro de 2009 às 17:09
este post é mas é um convite à contratação.
De
fblourido a 5 de Novembro de 2009 às 16:44
Bom, penso que seja talvez por ser mais facilmente aceite a homossexualide feminina que masculina. E assim, condescendentemente, a sociedade (digo sociedade mas penso que falo mais do género masculino que faz, infelizmente, mais eco) prefere não falar desse tema em particular e limita-se a uma parte apenas. Será que tem que ver com o sindroma do 'macho latino'?
De Romeu a 5 de Novembro de 2009 às 18:13
Na minha opinião, a homossexualidade não é tão falada, ou melhor, não é tão visível a expressão de "nojo", por várias razões:
- uma mulher assumir características de um homem (como o ter relações como mulher) é visto como um upgrade, uma vez que passa a ter associada a ela características tipicamente positivas associadas à masculinidade: virilidade, independêndia, força, etc.
- é esperado do homem que seja viril; quando não o faz "mete impressão" e é um downgrade (uma mulher num mundo de homens é louvado, já se for um homem num mundo de mulheres é visto como... um cabeleireiro? um decorador de interiores?)
- 2 mulheres é algo de extremamente erótico para a grande maioria dos homens, daí que se tenham habituado a vê-las, e até tenham criado gosto; já 2 homens, para além de não terem hábito de ver, causa-lhes nojo, até porque se imaginam no papel de um dos homens (digo eu!)
De qualquer forma continua a ser um sintoma de sexismo interiorizado: não se espera sexualidade das mulheres, apenas ao homem se exige que cumpra o seu papel.
De
PGFV a 5 de Novembro de 2009 às 18:07
Não sei onde li, mas parece que perante a possibilidade de se criminalizar a homossexualidade femenina a Rainha Vitória disse, que tal era coisa que não existia.
A maior parte da homofobia, tem origem no desejo de perpetuação da dominação masculina (não sou eu que digo, é o Bourdieu) e como o Aorta já disse muito bem, no campo simbólico "foder é poder" ou também pode ser, acrescento. Ora se um macho cobre outro macho, prescindindo de cobrir a fémea, está a trair os outros machos ao prescindir do exercício do poder sobre a mulher.Uma traição aos seus e uma ameaça á perda da supremacia.
Espatafurdio e elaborado o valor do simbólico? Não creio. Ora se até em desepero de causa já pedem um referendo.
De
PGFV a 5 de Novembro de 2009 às 18:28
Claro que a homofobia relativamente às mulheres homossexuais hoje também existe, e com a mesma carga agressiva que a relativa aos homossexuais masculinos, mas creio que esta é algo mais recente, derivado da homossexualidade ter uma muito maior visibilidade e discurso social.
Curioso que duas mulheres em jogos eróticos é ainda uma imagem erótica recorrente no imaginário heterossexual, sem qualquer carga negativa, DESDE QUE, o homem tenha a possibilidade de participar. Basta as duas mulheres serem apresentadas como lésbicas, e excluirem o homem da "brincadeira" para a coisa mudar logo de figura.
Ah velho Bourdieu!...tinhas tanta razão
De maria a 5 de Novembro de 2009 às 21:23
não acho grandemente estranho.
veja lá estes nºs. só interessam as duas 1ªs colunas , a 1ª representa o nº de casamentos entre homens e a 2^ª , o nº de casamentos entre mulheres , em espanha desde que a lei saiu. mais do dobro de homens casaram , suponho que terão mais visibilidade por serem mais ou.... (esta hipotese é a que eu gosto mais ) os gajos ( gays ou não ) é que são doidos por casar !!!
não sei se o quadro sai , por isso : 8542 casais de homens ; 4056 de mulheres ,entre junho de 2005 e 2008.
| 2005 (desde julio) |
923 |
352 |
1.275
|
120.728 |
1,06 |
| 2006 |
3.190
|
1.384 |
4.574 |
211.818 |
2,16 |
| 2007 |
2.180
|
1.070 |
3.250 |
203.697 |
1,60 |
| 2008 |
2.299
|
1.250 |
3.549 |
196.613 |
1,81 |
8592 4056
porque vivemos (continuamos a viver) numa sociedade falocêntrica.
De Sejeiro Velho a 6 de Novembro de 2009 às 10:19
Testemunho
Parâmetros: minha puberdade (1938/40), classe média, Estremadura a Norte de Lisboa, fraca cultura, ambiente familiar de esquerda, os homens com tiques de marialvismo, mulheres virgens até ao casamento e fieis ao marido. A "infidelidade" do marido era aceite como natural.
- Os "paneleiros" eram os homossexuais "que levavam no cu", os passivos, como agora se chamam. Os activos gabavam-se disso, eram os machões. Os passivos eram despresados, enxuvalhados: "vai prá Casa Pia, pá!"
- As "fressureiras" eram as homossexuais conhecidas, assumidas (só conheci uma), sem parceira certa, que os homens despresavam. E as mulheres julgo que também.
Relações sexuais entre raparigas solteiras (supostamente virgens), sabia-se que todas praticavam, não se sensurava mais do a masturbação. Eram, digamos, pecados veniais.
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