Sexta-feira, 6 de Novembro de 2009
João Galamba

"O Primeiro-Ministro Gasta três vezes mais no BPN do que na crise económica"

 

Francisco Louçã

 

Isto podia ser uma descrição, mas é uma crítica e, pior, uma acusação. Mas Louçã "esqueceu-se" de uma coisa fundamental: Sócrates não escolheu gastar três vezes mais no BPN do que na crise económica. Uma escolha implica liberdade — e a acusação de Louçã pressupõe que Sócrates podia e devia ter agido de outro modo. Mas Sócrates, tendo em conta que se estava em Outubro de 2008, limitou-se a responder a uma necessidade, e não tinha outra alternativa que não a nacionalização do BPN. Qualquer pessoa com responsabilidades executivas teria feito o mesmo. Aquilo que Louçã sugere ter sido uma escolha deliberada de Sócrates (leia-se: Sócrates preferiu ajudar a banca do que ajudar as pessoas) não é mais do que um resultado que decorre de uma necessidade. A táctica de Louçã é sempre a mesma — e é a acusação típica dos irresponsáveis, de quem nunca teve responsabilidades governativas. Em vez de fazer aquilo que se espera de um político — procurar, hoje, uma solução para o BPN — Louça optou pela guerrilha política.


10 comentários:
De Anónimo a 6 de Novembro de 2009 às 02:15
"Qualquer pessoa com responsabilidades executivas teria feito o mesmo."

Justifique essa afirmação. Para facilitar sugiro-lhe duas hipóteses de resposta (pode acrescentar outra, dando uma em formato livre):

(a) Qualquer pessoa com responsabilidades executivas é  fraquinha de espírito e acobarda-se perante a pressão do capital graúdo?

(b) Qualquer pessoa com responsabilidades executivas tem uma fraca concepção de justiça, e deixa-se levar por um conjunto de argumentos X que se apresentação razoáveis por Y.

No caso (b), discorra sobre o conjunto de argumentos X e justifique a sua razoabilidade Y.


De Sejeiro Velho a 6 de Novembro de 2009 às 08:40
Toda a oposição continua a acusar o Governo de ter injectado 3,5 mil milhões no BPN .
Ouvi ontem, claramente ouvido, o Ministro das Finanças dizer na Assembleia da República, que o Estado não meteu nem um cêntimo no BPN .
Está a oposição a usar, há meses, um argumento falso, ou é o Ministro que mente descaradamente, em nome do Governo, diante de todo o país?
Acho que não será difícil provar uma coisa ou outra. Porque não se faz?


De Luís Lavoura a 6 de Novembro de 2009 às 09:24
Estou em total desacordo.

Devia-se ter deixado cair o BPN. Aquilo era uma fraude. Não faltava mais nada, qualquer fraude que exista, salva-se desde que seja tempo de crise.

O BPN falia, e depois? Qual era o mal? Nenhum. Explicava-se ao mercado a verdade - que uma fraude tinha dado o estouro.

Não foi só por causa disso que eu não votei no PS - os textos do Galamba aqui também deram uma boa contribuição - mas foi uma das principais razões.


De Laura a 6 de Novembro de 2009 às 15:49
Sim, realmente era muito sensato "deixar" cair o BPN... e seria mais coerente ainda deixá-lo cair e depois explicar ao mercado o que acontecera, certamente seriam compreensivos connosco.... e parece-me evidente que a nossa imagem financeira passada para o exterior seria deveras convidativa para o sistema financeiro internacional...


De Luís Lavoura a 6 de Novembro de 2009 às 18:11
O BPN é um banquinho pequenino. Não está sequer cotado em Bolsa de Valores (ou, se estiver, as suas ações têm pequena importância). A queda do BPN não desvalorizaria fortemente nenhum outro banco, dado que, precisamente, as ações do BPN pouco valor relativo tinham. Ou seja, não haveria nenhum efeito de cascata de desvalorizações. O BPN também não detinha muitas ações de outras empresas - a não ser, crucialmente, as de empresas da Sociedade Lusa de Negócios. Não haveria pois desvalorizações em catadupa de ações por efeito da queda do BPN.

Repare: nos EUA montes de bancos da dimensão do BPN falem a toda a hora. Têm estado a falir. O Estado americano não os salva.

O único perigo sistémico derivado da falência do BPN seria uma "corrida aos bancos" por parte dos clientes. Mas, precisamente, esse perigo poderia ser evitado explicando aos clientes dos bancos que a falência se devera a fraudes.


De nuvens de fumo a 6 de Novembro de 2009 às 18:17
Pois como num alerta de fogo, basta explicar ás pessoas que se dirijam calmamente para as portas...
Pode resultar, pode não resultar, escolhas escolhas


De viana a 6 de Novembro de 2009 às 10:02
O João Galamba volta em grande forma, agora deputado, e pronto a mentir o que fôr preciso para lamber as botas do primeiro-ministro. Quem faz chicana política aqui é o João Galamba. Porque sabe bem que o BE não se opôs à nacionalização do BPN, mas sim ao modo como foi feita. Em particular, o BE defendeu que todo o grupo SLN, detentor e responsável pelo BPN, devia ter sido nacionalizado. Os activos na posse da SLN teriam permitido que o custo para o Estado e todos nós do processo de nacionalização tivesse sido bem menor. Diga que é mentira, se tiver coragem.


De Carlos Azevedo a 6 de Novembro de 2009 às 10:05

"A táctica de Louçã é sempre a mesma — e é a acusação típica dos irresponsáveis, de quem nunca teve responsabilidades governativas."


 


Bem, de acordo com esta lógica delirante, e uma vez que um Primeiro-Ministro não opta, mas limita-se a agir em função de necessidades, ter lá Sócrates ou Ferreira Leite seria exactamente a mesma coisa. Sim, porque, pelos vistos, só quem nunca governou é irresponsável.


 


Além disso, e isto é verdadeiramente deprimente, porque vejo-me na necessidade (não é uma opção) de defender Pacheco Pereira, pudemos ontem assistir ao triste espectáculo de alguém com responsabilidades governativas, o Primeiro-Ministro himself, insultar um deputado por este, há mais de 30 anos, ter sido um (ui, grande pecado!) revolucionário. Deve ter sido por necessidade. Quando mais nenhum argumento resta...




De nuvens de fumo a 6 de Novembro de 2009 às 10:54
Lomba é um todo, diz hoje

"De momento, ninguém sabe nem pode saber onde é que Godinho não pôs a mão. No entanto, aparentemente, a Polícia Judiciária tem provas de que chegou longe; tão longe que no rol de "contactos" de Godinho estavam distintos membros de grandes empresas que o Estado ainda controla, ou nas quais ainda detém participações relevantes, e algumas empresas privadas especialmente dependentes de decisões estratégicas do Estado."

E quem é que não depende de decisões do estado ?
Ai lomba lomba


De viana a 6 de Novembro de 2009 às 22:23
Parece que o João Galamba calou-se sobre o assunto. Fica assim provado que mentiu. O João Rodrigues, no bloque Ladrões de Bicicletas, também já desmascarou a desonestidade deste novel deputado do PS, à procura do seu lugar na mesa do Poder.


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