Sábado, 7 de Novembro de 2009
João Galamba

"sendo o poder uma potência, a sua natureza é a expansão, diz-nos Jouvel. Mas não está o liberalismo a esquecer-se que existem outras formas de poder além do Estado?" A resposta é: está.

 

Um dos problemas do liberalismo é confundir poder com vontade, entendendo-o como uma forma de soberania. É por isso que o liberalismo entende a liberdade de modo negativo, enquanto ausência de coerção intencional por terceiros. A partir do momento em que o poder também é entendido como uma relação — e não apenas como uma capacidade pré-relacional de uma entidade a que chamamos indivíduo— o quadro conceptual do liberalismo ortodoxo deixa de fazer sentido. O indivíduo existe sempre num contexto que o precede, o que inviabiliza um dos pilares do liberalismo: a ideia de que o vínculo social pode ser entendido segundo um modelo contratual entre indivíduos. E isto tem implicações políticas significativas, desde logo porque remete a tese de que o mercado é o reino da liberdade para o reino da fantasia.


1 comentário:
De aorta a 8 de Novembro de 2009 às 03:29
"A partir do momento em que o poder também é entendido como uma relação — e não apenas como uma capacidade pré-relacional de uma entidade a que chamamos indivíduo— o quadro conceptual do liberalismo ortodoxo deixa de fazer sentido."

pode explicar melhor? é que não se percebe o porquê do quadro conceptual deixar de fazer sentido.

além disso gostava de o lembrar que os indivíduos não são entidades, nem abstracções, muito menos seres celestes... existem de facto e são de carne e osso. 

"O indivíduo existe sempre num contexto que o precede, o que inviabiliza um dos pilares do liberalismo: a ideia de que o vínculo social pode ser entendido segundo um modelo contratual entre indivíduos."

não vejo como. até porque a sua observação incorre num erro. não é o vínculo social que decorre do contrato social, mas o vínculo político, que não é bem a mesma coisa.

o vínculo social é pré-existente ao próprio contrato. caso contrário a necessidade do contrato e ou da formação de uma sociedade civil nem se colocaria.

e depois quem lê o seu comentário parece que só os liberais e que todos os liberais foram contratualistas. ora, como o joão sabe isso não é verdade.


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