Domingo, 8 de Novembro de 2009
Palmira F. Silva

O fóssil de 15 centímetros do Yanoconodon allini mostra a formação do ouvido médio dos mamíferos a partir da mandíbula dos répteis

 

Nos comentários do último «Esta gente passa-se big time», um dos nossos comentadores mais devoto debita pérola de racocínio atrás de pérola redondissima de raciocínio para «explicar» que o criacionismo e o evolucionismo deveriam ser ensinados a par nas aulas de ciência.

 

O referido Pinto, advogado do deus-das-lacunas, aquele que  agracia o vale da nossa ignorância colectiva, pretende que «Os evolucionistas desesperados por não poder validar as hipóteses (imaginativas e delirantes)» inventam provas para sustentar a sua tese. E dá exemplos da «falsidade» da teoria da evolução, recolhidos numa página de um acéfalo e ignorante charlatão, ou antes clarividente ocultista,  «mestre» de mais uma treta New Age que dá pelo nome «Salto Quântico» (nunca percebi porque cargas de água a quântica exerce um fascínio tão grande em tantos vendedores de banha da cobra...).

 

Num dos artigos recomendados pelo Pinto, o charlatão, que não percebe raspas de raspas, devota-se a debitar inanidade atrás de inanidade e a urdir teorias da conspiração absurdas a propósito do Tiktaalik roseae. Por acaso, na altura li o artigo da Nature em que o fóssil foi apresentado e acompanhei os gritos de indignação dos criacionistas de todos os flavours em relação ao mesmo. Passo a explicar porque não há nem controvérsia nem falta de «provas» desta transição que tanto irrita os criacionistas.

 

Os mamíferos surgiram no Triásico e derivam dos Therapsida - répteis Synapsida. A transição dos Therapsida para os Mammalia é a transição entre os grandes grupos de vertebrados melhor documentada no registo fóssil, por exemplo pelos fósseis Protoclepsydrops, Clepsydrops, Dimetrodon, Procynosuchus e Thrinaxodon.

 

No entanto, os criacionistas de todos os flavours tentam por todos os meios, inclusive completamente desonestos, negar as evidências inequívocas dos fósseis transicionais entre espécies - designação que refere fósseis que apresentam uma mistura de características das espécies em causa, popularizados nos media como «elos perdidos», embora o termo seja erróneo e passível de grandes confusões. Todos os criacionistas verberam que não há fósseis transicionais para apontar a «falsidade» da evolução. Mas os últimos anos têm sido fertéis na descoberta de novos fósseis que documentam sem sombra de dúvidas as transições entre espécies e testam a capacidade aparentemente ilimitada dos criacionistas para debitar disparates.

 

Em Abril de 2006, os grupos de investigação de Edward Daeschler da Academy of Natural Sciences em Filadélfia, Farish Jenkins de Harvard e Neil H. Shubin da Universidade de Chicago descreveram em dois artigos na Nature a sua descoberta do fóssil de uma espécie (quasi) tetrápode, a que chamaram Tiktaalik roseae. O fóssil com 375 milhões de anos que tem o nome Inuit para um peixe de águas pouco profundas foi encontrado nos sedimentos do leito de um rio no Ártico canadiano, a cerca de 1000 km do Pólo Norte.

 

Este fóssil apresenta escamas ósseas e barbatanas mas as barbatanas dianteiras estão no processo de transformação em membros; o seu esqueleto interno apresenta a estrutura de um braço, incluindo ombro, cotovelo e pulso com barbatanas em vez de dedos. Ou seja,o Tiktaalik permite apreciar a evolução do esqueleto apendicular. As barbatanas peitorais apresentam características quasi de membros; o esqueleto interno exibe a estrutura de um braço, incluindo ombro, cotovelo e pulso em que a parte terminal deste membro - o autopodium - ainda não existe com o plano básico de um tetrápode típico,isto é, não existem ainda os meta elementos, os metacarpos e respectivas falanges.

 

Esta descoberta provocou grande agitação nas hostes criacionistas americanas que na altura se multiplicaram em acusações de «cientifismo» e refutaram os dados científicos com disparates sortidos e citações biblícas no post sobre o tema do blog da Nature. O templo da IDiotia, o Discovery Institute, clamou que o fóssil não constitui uma ameaça para as suas pretensões neocriacionistas com um texto completamente imbecil e tão redondo como a argumentação do Pinto, basicamente  clamou que  o fóssil, para ser uma espécie intermédia entre peixes e tetrápodes, teria de ter exactamente 50% das características de cada, e isso não acontece no Tiktaalik (que terá uma percentagem inferior a 50% de tetrápode)  :

«Estes peixes não são espécies intermédias, explicaram os cientistas do Discovery Institute que questionei sobre a descoberta. Não são intermédios no sentido que são meio peixe/meio tetrápode. Pelo contrário, eles apresentam uma combinação de características de tetrápodes e de peixes».

 

Na mesma época e também na Nature, o zoólogo Hussam Zaher, do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo, em colaboração com o palentólogo Sebastián Apesteguía, do Museu Argentino de Ciências Naturais Bernardino Rivadavia, apresentaram os detalhes anatómicos dos fósseis da mais antiga espécie de cobra já encontrada, a Najash rionegrina, uma serpente que viveu no Cretácico Superior (há 90 milhões de anos) e que apresenta patas traseiras funcionais.

 

Os criacionistas do site humorístico «Respostas no Genésis», AiG, com uma espinha do Tiktaalik rosae ainda atravessada, responderam a estoutra descoberta de forma tão divertida quanto a do templo da IDiotia:

 

«A AiG é cautelosa acerca da comparação desta serpente fóssil com a serpente de Génesis 3:14 [a tal que provocou a dentadinha no proibido fruto do conhecimento]. Em primeiro lugar, não sabemos muito acerca da anatomia dessa serpente. Mas podemos oferecer uma sugestão razoável de que seria capaz de andar ou rastejar; depois da serpente ser amaldiçoada foi pronunciado que «no teu ventre rastejarás» sugerindo que antes da queda se movia usando apêndices. De igual forma este fóssil resulta provavelmente do Dilúvio de Noé, um acontecimento que teve lugar 1500 anos depois de a serpente ser amaldicoada a rastejar sobre o ventre».

 

A Nature de 15 de Março de 2007 tem um artigo muito interessante do paleontólogo Zhe-Xi Luo, do Carnegie Museum of Natural History, Pittsburgh (EUA) que descreve o Yanoconodon allini, um fóssil de 125 milhões de anos que apresenta os três minúsculos ossos que compõem o ouvido médio (martelo, bigorna e estribo) ligados à mandíbula inferior através de uma cartilagem, numa configuração de transição entre a dos répteis e a dos mamíferos modernos. Nesse último grupo, em que se inclui o homem, essa tríade de ossos já se encontra totalmente separada da mandídula.

 

PZ Myers apresenta no Pharyngula uma análise muito detalhada do Yanoconodon, que recomendo para quem quiser saber mais sobre este triconodonte (sobre o qual os criacionistas ainda não se pronunciaram...). Neil Shubin foi o convidado do Colbert Report no dia em que foi lançado o seu livro «Your Inner Fish: A Journey Into the 3.5-Billion-Year History of the Human Body» (disponível na Amazon). Não deixa de ser irónico que, na altura,  nas televisões norte-americanas os momentos mais sérios de ciência acontecessem na Central da Comédia! (ignorem a mensagem de que o vídeo não está disponível e cliquem á vontade).


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28 comentários:
De Pinto a 8 de Novembro de 2009 às 10:35
A mandíbula infantil de Ehringsdorf

Este fóssil foi descoberto em 1916, em camadas do Paleolítico médio, e era da raça de Neanderthal. Era, portanto, um fóssil humano. O que nele causou muito interesse foi o fato de que, embora sendo humano apresentava uma característica dentária macacóide. Nesse fóssil neanderthalense, o dente molar era de raiz, enquanto o segundo pré-molar ainda era de leite. Ora, isto só acontece com a dentição dos macacos, e desde 1939 se provara que a dentição dos neanderthalenses era igual à dentição humana.
Os cientistas americanos K. Koski e S. M. Garnno demonstraram que esse molar era postiço. Haviam arrancado um molar de leite do fóssil de Ehringsdorf, e incrustado em seu lugar um molar de raiz.
Mais tarde, o paleontólogo francês Pierre Legoux, em comunicado à Academia de Ciências de Paris, demonstrou que toda a mandíbula era fraudulenta, tendo sido montada e apresentando flagrantes contradições entre suas partes. (Cfr.Pierre Legoux,Comptes rendus de lÁcadémie de Sciences, tomo 252, p. 1821, ano de 1961, apud Atanásio Aubertin, art. cit.).


De Palmira F. Silva a 8 de Novembro de 2009 às 10:53
Meu caro Pinto:

Apaguei-lhe os 10 lençóis anteriores exactamente por isso, serem lençóis enormes copiados da net que dificultariam qq discussão neste espaço.

Se está tão interessado em demonstrar que na comunidade científica, como o paleontólogo francês Pierre Legoux é apenas um exemplo, há o controle dos pares, isto é, que se procura constantemente o erro e a fraude, há formas mais sucintas de o fazer. Sei lá, deixar o link da página onde encontrou os referidos lençóis, não precisa transcrevê-los.

Hoje em dia, com os avanços técnicos, seria impossível alguém montar
fraudes grosseiras como o suposto fóssil baptizado homem de Piltdown, que, como sempre, foi desmontado tb por um cientista, embora com ideias tão beatas que contaminam até hoje a opinião pública. A influência da concepção judaico-cristã do Homem em Dart é evidenciada pela epígrafe deste artigo, «A Transição Predatória de Macaco a Homem», uma citação de Baxter, um famoso teólogo inglês do século XVII: «De todas as feras, a fera homem é a pior. Para as outras e para si mesma, o mais cruel inimigo».

Se não sabe quem é Dart,  descobriu um primata a que chamou Australopitecus africanus, o Taung Boy  que foi determinante no esclarecimento da evolução do homem. Mas as suas teorias sobre a selvajaria destes antepassados do Homem, amplamente divulgadas e amplificadas pelos media e passadas para as telas de cinema em filmes de culto, foram tão perniciosas na opinião pública quanto o Piltdown o foi para a ciência.


De Pinto a 8 de Novembro de 2009 às 11:03

Realmente os textos eram muito grandes. Reconheço-o.

Bem, fica o link: http://www.montfort.org.br/index.php?secao=cadernos&subsecao=ciencia&artigo=evolucionismo&lang=bra (http://www.montfort.org.br/index.php?secao=cadernos&subsecao=ciencia&artigo=evolucionismo&lang=bra)

(Título VI, Ponto 2 "Fraudes evolucionistas").



De Palmira F. Silva a 8 de Novembro de 2009 às 11:15
Ora bolas, Pinto!!! depois de um charlatão New Age vai logo escolher como fonte de sapiência a coisinha mais dominionista e fundamentalista da net (bem, está a par da SSPX)??? Também subscreve a ordem «justa» das coisas dos senhores, sei lá, como «Desigualdade & igualdade: considerações sobre um mito», ou aquelas que destacam amiúde e que ululam confirmadas, por exemplo nas -

- encíclica Mirari Vos de Gregório XVI - a encíclica Quanta Cura e o Syllabus de Pio IX
- a Carta Apostólica Notre Charge Apostolique de São Pio X
- a encíclica de Leão XIII contra o Americanismo, intitulada Testem Benevolentiae, e a encíclica Mortalium Animos de Pio XI contra o liberalismo religioso expresso no ecumenismo modernista
- a Bula Unam Sanctam contra o princípio liberal de separação entre Igreja e o Estado


De Pinto a 8 de Novembro de 2009 às 11:31
Palmira, não sou adepto que uns são donos da razão outros da mentira.

A Associação Montfort vale o que vale: não é dona da razão mas também não é um simples ninho de disparates, como alguns querem fazer crer.
Todas as opiniões são válidas - só assim conseguimos ser tolerantes.  



Quanto ao trabalho sobre as fraudes evolucionistas, corroboro-a.  


De Palmira F. Silva a 8 de Novembro de 2009 às 11:40
Ah, não sabia que o Pinto era paleonantropólogo :) Já agora pode deixar link para os seus artigos em revistas científicas que corroboram as patetadas da Montfort???


De Pinto a 8 de Novembro de 2009 às 12:14
corroborar - Conjugar
v. tr. e pron.

1. Dar força a, fortalecer.

2. Confirmar; comprovar.

 

A Associação Montfort tem um problema: acha-se dona da razão absoluta e não tolera a contrária - ridiculariza-a, menospreza-a. 

Os "jugulares" idem.


De Palmira F. Silva a 8 de Novembro de 2009 às 13:25
Pois meu caro Pinto, por saber o significado da palavra corroborar o interroguei sobre a sua área de expertise que lhe dá alento para dizer que são fraudes os trabalhos de investigação de umas largas dezenas de milhares de cientistas nos últimos 150 anos.

Quer-me parecer que quem menospreza,com muita certeza, a ciência em prol de mitologia  corroborando (agora sim) as palavras de Darwin, é o caro Pinto. Darwin pensava que o passado do homem seria um dia revelado pela ciência "Tem sido frequente e confiantemente afirmado que a origem do Homem nunca pode ser conhecida» escreveu em 1871. " A ignorância gera mais frequentemente confiança do que o conhecimento: são os que sabem pouco, e não aqueles que sabem muito, que afirmam de uma forma tão categórica que este ou aquele problema nunca será resolvido pela ciência.."


De Pinto a 8 de Novembro de 2009 às 13:35
"Tem sido frequente e confiantemente afirmado que a origem do Homem nunca pode ser conhecida"
 
E a verdade é que no Séc. XXI continuamos nas teorias, nas hipóteses por validar.
 
Também não me lembro de ter dito que o criacionismo deveria ser dado nas aulas de ciências. Não, claro que não deveria ser dado nessas aulas ... nem o criacionismo, nem o evolucionismo.
São matérias muito boas para as aulas de História e de Filosofia.


De Palmira F. Silva a 8 de Novembro de 2009 às 13:54
meu caro Pinto:

Continua obstinadamente, mesmo depois de lhe ter sido apontado o erro, a marrar que  uma teoria é uma hipótese não confirmada quando é exactamente o contrário: em ciência, uma teoria é uma hipótese confirmadissima e sujeita a todos os testes. Veja lá se entende de uma vez por todas que é um bocadinho cansativo ter de lhe explicar vezes sem conta que uma teoria científica não é um palpite.


De Pinto a 8 de Novembro de 2009 às 16:43
"em ciência, uma teoria é uma hipótese confirmadissima e sujeita a todos os testes"

Palmira, está a querer dizer que a Teoria da Evolução está confirmadíssima e sujeita a todos os testes?
Porque raio ainda se fazem tantas e tantas conferências, tantos e tantos debates subordinados ao tema "evolucionismo vs criacionismo"?


De Palmira F. Silva a 8 de Novembro de 2009 às 16:53
Caro Pinto:

pela mesma razão que durante a histeria saramago todas as televisões abriram com o tema, se devotou horas televisivas a discutir um não assunto, não houve meio de comunicação que não se devotasse ao tema: porque a beatada ulula muito estridentemente e tem muito poder político e mediático.

por outras palavras, dentro da comunidade científica não há nem sombra de dúvida sobre a evolução, aliás, nada faz sentido sem evolução.

o porblema é que  há muitos cujos neurónios foram completamente obliterados pela religião, com muito dinheiro e habituados a dominarem o espaço mediático e não só.

por isso, iniciativas como o autocarro ateu e afins são importantes para os políticos que legislam de ouvido perceberem que há mais cidadãos no mundo para além dos fanáticos de todas as religiões..


De Pinto a 8 de Novembro de 2009 às 17:33
"porque a beatada ulula muito estridentemente e tem muito poder político e mediático (...) com muito dinheiro e habituados a dominarem o espaço mediático e não só (...)  os políticos que legislam de ouvido perceberem que há mais cidadãos no mundo para além dos fanáticos de todas as religiões.."

Ah, já percebi: você está a escrever da Somália. Ou então do Irão.

Mas cá em Portugal não é assim. No meu país passa-se exactamente o contrário: uma febre doentia para acabar com as religiões.
Veja bem como é o meu país: quando o Cristiano Ronaldo foi considerado pela FIFA (essa entidade oficial do Estado) como o melhor jogador do mundo, a Assembleia aprovou, POR UNANIMIDADE, um voto de congratulação. Quando Nuno Álvares Pereira foi distinguido pela Igreja Católica (canonizado) houve logo partidos a absterem-se de votar e outros mesmo a votar contra. Em nome da separação entre o Estado e a Igreja. Fiquei nessa altura a saber que não havia separação entre o mesmo Estado e a FIFA.

Veja bem que no meu país até já houve uma república (o r em minúsculo é propositado) - a primeiríssima - que foi mais longe: meia dúzia de intelectualóides irresponsáveis, mas com muito poder político, ignorando o facto de 90% (ou mais) da população ser católica e num desespero doentio em acabar com a religião, acabaram, não só com todos os feriados religiosos (inclusivé o Natal), como com o reconhecimento do casamento católico. Pelo caminho foram assassinados usn quantos padres e outras pessoas de fé, que deviam estar a causar um grande mal ao país.
Acontece que estes "progressistas" (como é hábito nesta gente) não se entendiam, sequer, quanto à cor da merda, muito menos sobre o rumo a dar ao país. Conclusão: A I República teve, em 16 anos de existência, sete Parlamentos, oito Presidentes da República e 46 Governos.

Mas essa onda fundamentalista laica não se resume a Portugal; estende-se por toda a Europa: veja bem que o Tribunal Europeu veio recentemente condenar um crucifixo numa parede de uma escola, alegando que "restringe os direitos paternos a educar os filhos no respeito das suas convicções " mas aceita de bom grado as aulas de Educação Sexual.
 
 
Mas haveria aqui muitos outros exemplos do fundamentalismo laico que se vive na Europa. Por enquanto chega.


De Pinto a 8 de Novembro de 2009 às 17:48
"dentro da comunidade científica não há nem sombra de dúvida sobre a evolução, aliás, nada faz sentido sem evolução"

Claro, claro que sim.

Bradley Monton, cientista ateu, defende o criacionismo (http://www.pulpitocristao.com/2009/10/bradley-monton-cientista-ateu-defende-o.html)


(http://www.pulpitocristao.com/2009/10/bradley-monton-cientista-ateu-defende-o.html (http://www.pulpitocristao.com/2009/10/bradley-monton-cientista-ateu-defende-o.html))


 


 


Biólogo defende criacionismo e é expulso da RS 


(http://criacionista.blogspot.com/2008/09/bilogo-que-defendeu-criacionismo-foi.html (http://criacionista.blogspot.com/2008/09/bilogo-que-defendeu-criacionismo-foi.html))


 


 


FÍSICO E PESQUISADOR DE ORIGEM SÍRIA DEFENDE CRIACIONISMO E APONTA ERROS DO DARWINISMO E DO EVOLUCIONISMO TEÍSTA


(http://www.portalevangelico.pt/noticia.asp?id=3367 (http://www.portalevangelico.pt/noticia.asp?id=3367))


 


 


Quanto a Saramago, melhor seria que não houvesse polémica. Gostaria de ver as reacções de alguém, com o reconhecimento de Saramago, que dissesse dos livros de Darwin o que ele disse da Bíblia.


Só falo dos livros de Darwin para não falar do Hino Nacional, pois se o fizessem levavam com um processo-crime em cima. Os símbolos da República são sagrados. Não tomarás o nome de Deus ... ups enganei-me ... da República em vão.


 



De Palmira F. Silva a 8 de Novembro de 2009 às 18:03
Caro pinto:

Quando fizer copy&paste de patetadas criacionistas e afins, importa-se de passar o texto pelo notepad para largar a formatação? Não custa muito e evita estes espectáculos na nossa caixa de comentários.

Como já escrevi a propósito do físico que se passou dos carretos ácerca do LHC noutro esta gente passa-se big time, os cientistas são pessoas como as outras, ou seja, volta e meia há uns qtos que se passam, o Franck Tippler aquele que me vem à cabeça assim de repente. Há outros, como o Michael Behe, para quem a atracção do dinheiro (e a falta de mérito científico) levam a tudo.

Depois há ainda  o quote mining de criacionistas sortidos que pegam em excertos descontextualizados de cientistas, tipo interrogações será que isto é verdade seguido da explicação de que é absolutamente falso,  para tentar vender as suas alucinações delusionals. Ou seja, esse cherry picking para que não tenho paciência para verificar em que categoria se insere não me impressiona minimamente, eu falei em comunidade científica, não em cientistas isolados.

Como o Piltdown ilustra, a comunidade científica tem meios e metodologias para identificar as fraudes, os loucos e os aldrabões no seu seio. Ou seja, a ciência é um processo colectivo, em que alguns dos seus membros se destacam, sempre por reconhecimento dos pares. Sem reconhecimento dos pares, I'm sorry mas não são representativos de nada a não ser de si próprios...


De S a 8 de Novembro de 2009 às 18:11
Evolution as theory and fact;

http://en.wikipedia.org/wiki/Evolution_as_theory_and_fact

Pseudociência;

http://en.wikipedia.org/wiki/Pseudoscience

Inteligent Design - Creating and Teching the Controversy;

http://en.wikipedia.org/wiki/Inteligent_design#Creating_and_teaching_the_controversy

É favor ler nesta ordem, senhor Pinto.


De S a 8 de Novembro de 2009 às 18:15
A ciência tem algumas ovelhas negras (grande surpresa!!!), agora do lado criacionista é apenas isso que existe;

http://en.wikipedia.org/wiki/Quote_mining#Quote_mining


De Palmira F. Silva a 8 de Novembro de 2009 às 18:17
nunca ninguém ninguém foi queimado na fogueira por "desrespeito" aos símbolos da república, já mitologias, uma vez que o Pinto insiste em reviver o passado para «provar» as suas pontos, foram responsáveis pelo assassinato de incontáveis pessoas.

na histeria Saramago, diverti-me a ver a pressa com que a beatada veio à praça pública dizer que a Saramago não podia fazer uma leitura literal da Bíblia porque a Bíblia, como qq pessoa com 2 neurónios funcionais sabe, é um conjunto de histórias, não da carochinha, como pretendia o padre Resina num debate comigo, mas histórias de horror.

curiosamente, aqueles que se insurgiram contra a leitura literal do  «manual de maus costumes» ou do «catálogo de crueldade» esqueceram que foi a leitura literal da bíblia que, até a ciência ter demonstrado o ridículo de algumas partes, dominou com mão de ferro e sanguinária a sociedade ocidental  efoi responsável  por um gigantesco banho de sangue e enorme sofrimento da Humanidade durante séculos e séculos.

mais curiosamente ainda, uma inspecção casual do Catecismo da Igreja Católica» mostra que, aparentemente, a ICAR não quer que os seus fiéis mais desatentos (e menos dados a ler a Bíblia) saibam que o seu livro sagrado é um compêndio de estórias que não têm inspiração divina e são apenas importantes historicamente.
Sei lá, por exemplo:
«§81 - A Sagrada Escritura é a Palavra de Deus enquanto redigida sob a moção do Espírito Santo».
«§106 – Na redacção dos livros sagrados, Deus escolheu homens, dos quais se serviu fazendo-os usar as suas próprias faculdades e capacidades, a fim de que, agindo ele próprio neles e por meio deles, escrevessem, como verdadeiros autores, tudo e só aquilo que ele próprio queria».
«§121 – O Antigo Testamento é uma parte indispensável das Sagradas Escrituras. Os seus livros são divinamente inspirados e conservam um valor permanente, pois a Antiga Aliança nunca foi revogada».
«§123 – Os cristãos veneram o Antigo Testamento como a verdadeira Palavra de Deus. A Igreja sempre rechaçou vigorosamente a ideia de rejeitar o Antigo Testamento sob o pretexto de que o Novo Testamento o teria feito caducar


De Pinto a 8 de Novembro de 2009 às 18:58

"foi a leitura literal da bíblia que, (...) foi responsável  por um gigantesco banho de sangue e enorme sofrimento da Humanidade durante séculos e séculos"


 


Então os livros de Darwin também o são pois foram inspiradores do nacional socialismo: desde a eugenia à ideia da raça superior.


 


"até a ciência ter demonstrado o ridículo de algumas partes"


 


Ó Palmira, quando diz que a filha mais nova está quase a terminar um doutoramento vejo que já não é propriamente uma jovem de 17 ou 18 anos. Como é que ainda vê tudo à laia dos filmes: o bom e o mau; o preto e o branco; o bonito e o feio; a ciência (o bem) e a religião (o mal). Não considera os meis termos.


 


Quanto à seriedade no estudo da natureza, se considerarmos que, de acordo com Santo Alberto Magno, “A prova pelos sentidos [isto é, a indução] é a mais segura no estudo da filosofia natural, e situa-se acima da teoria sem observação (Meteoros 3, tr. 1, c. 21).”( Cf. Luis Alberto De Boni. Filosofia Medieval: texto. 2ª. ed. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2005, p. 173); e que “A experiência, através de repetidas observações, é a melhor mestra no estudo da natureza (Sobre os animais 1. c. 19)( Cf. Luis Alberto De Boni. op. cit. p. 173); e ainda: “Compete à ciência natural não aceitar simplesmente o que foi narrado. Cabe-lhe, muito mais, a serviço da filosofia natural, buscar as causas das coisas naturais (Sobre os minerais 2, tr. 2, c. 1), fica difícil sustentar essas acusações.


 


Mais: caso não saiba foi a Igreja a grande impulsionadora do conhecimento e a responsável pelo surgimento das Universidades. Veja, a título de exemplo, a história da primeira Universidade e verá o quanto devemos à Igreja.


 


Relativamente às formatações, confesso que não percebo nada disso. Sai sempre tudo mal. Peço desculpa pelos comentários menos apresentáveis que enviei.






De Palmira F. Silva a 8 de Novembro de 2009 às 19:26
Caro Pinto:

As formatações devem-se a andar copiar coisas que não percebe, como as referências a Alberto Magno. Antes de continuar com o resto dos dislates, nomeadamente o reductio ad hitlerorum que francamente já me maça imenso, vou-lhe expplicar porquê.

Ontem veio para aqui com as causas aristotélicas que, supostamente, seriam "prova" da existência de deus (não se percebe se zeus, vénus, minerva ou dionísio...). O que é um poucochinho incompatível com a citação agora de ALberto magno. Passo a explicar:

Roberto Grosseteste (mentor de Roger Bacon) e Alberto Magno (professor de Tomás de Aquino) podem-se considerar contributores para o iluminismo renascentista já que tornaram aceitáveis pela Igreja Católica as obras do “pagão” empiricista Aristóteles, introduzidas na Europa no século XII pelo filósofo muçulmano Averrois. De facto, Averrois, que foi médico na corte cordovesa até ser acusado de heresia em 1195 e desterrado para Lucena, e Avicena ou Abu Alí Ibn Sina (980-1037), o autor do “Canone de Medicina”, o qual impregnou profundamente todas as obras medievais sobre farmacopeia e química, são os mais influentes pensadores medievais.

Em relação aos apelidados cientistas cristãos são mais conhecidos pelas suas vertentes «mágicas» e alquimistas, que não são exactamente o que eu designaria por ciência. Roger Bacon enfatizou o papel primordial da observação e da experimentação, mas, tal como Alberto Magno, acreditava na iluminação divina dos dados experimentais. Por exemplo, Bacon explica o arco-íris com Genesis (IX): Deus fez o arco-íris para selar o fim do dilúvio, portanto para eliminar uma quantidade excessiva de água.

A interpretação mística de dados experimentais quer por parte de Roger Bacon quer de Alberto Magno propiciaram a dissolução da ambição de ambos os teólogos: unir numa síntese sólida a teologia natural e a teologia revelada. Especialmente devido à influência crescente dos filósofos árabes, em particular Averrois, que exaltava com vigor essa separação.

As obras de Averrois foram (em vão) proíbidas pela Igreja, por instigação de Tomás de Aquino e Alberto Magno. Porquê? porque, para além de advogarem a supremacia da razão sobre a fé e de afirmarem que a alma não é imortal, os averroístas aceitavam a concepção aristotélica de deus como o motor imóvel que move eternamente um mundo eternamente existente não criado nem conhecido por ele.


De Palmira F. Silva a 8 de Novembro de 2009 às 19:37
E prontus, já cá faltava a desonestidade habitual com os reductio ad hitlerorum (outro tiro no pé porque, embora isso não seja argumento para nada, o Hitler era tão criacionista quanto o Pinto)

Mas como já estou um bocadinho para o farta e, pela prosa, já percebi que o Pinto andou a ver o documentário Darwin’s Deadly Legacy: The Chilling Impact of Darwin’s Theory of Evolution, aqui vai com todas as letras.

A coisa foi produzida pelo teocrata James Kennedy, o tele-evangelista do Coral Ridge Ministries, em colaboração com os acéfalos apóstolos do Discovery Institute, nomeadamente o presbiteriano Philip Johnson e o católico Michael Behe, que pretende mostrar «porquê a evolução é uma má ideia que devia ser descartada no caixote de lixo da História».

Na total falta de argumentos científicos, os fundamentalistas cristãos recorreram à táctica habitual dos apologetas: a mentira pura e dura num revisonismo histórico que seria rísivel não fora essa mentira ser prodigamente transmitida não só nas inúmeras estações de televisão cristãs nos Estados Unidos como nalgumas estações públicas.

Isto é, não interessa que cientificamente a evolução seja inatacável, de facto seja a pedra basilar de todas as ciências da vida, a evolução deve ser substituida pela IDiotia ou neo-criacionismo porque… Hitler era, supostamente, um evolucionista!!

Para além de ser uma falácia óbvia, uma mistura de Apelo às Consequências (argumentum ad consequentiam) com um argumento ad hominem, o documentário é um tiro no pé porque na realidade Hitler era um criacionista! Ou seja, como Hitler é reconhecidamente um dos maiores monstros psicopatas que a humanidade produziu, os devotos cristãos deturpam a verdade histórica para usar o criacionista católico Hitler para advertir os mais ignorantes do perigo quer do ateísmo quer do evolucionismo, que ululam de dedo em riste terem sido as causas do Holocausto!

Na realidade, como indica Ed Brayton nos Despachos das Guerras Culturais, uma análise, por exemplo do Mein Kampf, mostra claramente que Hitler, como bom católico, não só acreditava ter sido o homem criado à imagem de Deus como negava como absurda a hipótese evolucionista de evolução do homem de um ancestral comum ao macaco.


De Palmira F. Silva a 8 de Novembro de 2009 às 19:39
Um artigo na revista Archaeology, que descreve como Heinrich Himmler criou um instituto de investigação chamado Deutsches Ahnenerbe – Studiengesellschaft für Geistesurgeschichte (Ancestralidade Germânica – Sociedade de Investigação e Ensino), destinado a fabricar evidências da superioridade ariana, a tal raça nórdica superior (e mítica) que Hitler achava ser «um pecado contra a vontade do Eterno criador» contaminar por miscigenação com «raças» inferiores.

Assim, os arianos deveriam compreender que era uma missão divina «dar ao Todo Poderoso Criador seres como Ele próprio fez à Sua imagem», ou seja, «O Weltanschauung (visão do mundo) que baseia o Estado numa ideia racial deve ter sucesso na promoção de uma era mais nobre, na qual os homens não mais darão atenção exclusiva ao cruzamento e criação de cães e cavalos e gatos com pedigree, mas envidarão os seus esforços para melhorar a raça humana».

De acordo com o artigo, «Himmler também encontrou tempo num encontro para transmitir a Bohmers [um dos arqueólogos do Ahnenerbe] a sua posição pessoal no assunto evolução do homem. Deve ter sido uma conversa instrutiva. Como Bohmers depois indicaria, Himmler descartou imediatamente a hipótese de que a raça humana estava próxima dos primatas. Estava igualmente indignado com uma ideia avançada por outro investigador alemão que propunha ser o Cro Magnon descendente do Neandertal. Para Himmler, ambas as hipóteses [a evolução e a relação entre Cro Mgnon e Neanderthal] eram ‘cientificamente completamente falsas’. Eram igualmente ‘muito insultuosas para os humanos’».

Como termina Ed Brayton, os fundamentalistas cristãos distorcem as evidências históricas da mesma forma que distorcem as evidências científicas e tentam, em completa oposição e negação de todos os factos históricos e científicos, distorcer a realidade para impor a sua mundivisão pateta e patética, assente não na realidade mas em mitos. Fabricando o mito de um Hitler ateu e darwinista para suportar o seu mito de um Criador/Designer inteligente!

Percebeu?? Então não me obrigue, outra vez, a repetir a explicação!


De António Parente a 8 de Novembro de 2009 às 13:36
A Palmira é especialista em Biologia?


De Palmira F. Silva a 8 de Novembro de 2009 às 13:48
O caro Parente já sabe que cá em casa a bióloga, quasi doutorada em neurobiologia, é a minha filha mais nova entretanto a meio de mais uma licenciatura, agora em Medicina.

De qualquer forma, como os links indicam, o que escrevi não é mais do que um bom jornalista de ciência poderia e deveria fazer, ou seja, divulgar ao público em geral algumas descobertas interessantes. Não é necessário um doutoramento em Biologia para o fazer - embora dê jeito ter a minha filha à mão para esclarecer eventuais dúvidas e traduzir o nome de ossos e isso.

Outra coisa é escrever, sem qualquer base de sustentação a não ser «delusions», que trabalho científico de que não se percebe raspas é uma fraude. Fica assim um bocadinho para o idiota, não?

Em particular no rescaldo da histeria Saramago, em que a beatada toda ululou que o dito senhor não tinha autoridade bíblica para escrever o livro de ficção Caim.

Eu sei que as patetadas da Montfort e do Pinto são ficções fantásticas mas eles asseveram, assentes apenas na «autoridade» bíblica, aquela que no caso Caim não era para levar à letra mas agora parece que já é, que são fraudes montes de áreas científicas - a evolução é o ponto de encontro de todos os ramos da biologia e ciências da natureza: biogeografia, paleontologia, genética, sistemática, anatomia e fisiologia comparadas, embriologia, etologia, biologia molecular, até partes da química,  integram-se numa perspectiva evolucionista. 


De Palmira F. Silva a 8 de Novembro de 2009 às 10:57
Mas como o caro Pinto me parece muito interessado na evolução do Homem, deixo-lhe o link para a página da evolução humana no Smithsonian, uma das melhores que encontrei, muito bem documentada. Explore-a, pode ser que tenha surpresas...


De David a 8 de Novembro de 2009 às 19:20

Cara Palmira. Decerto conhece a expressão "gastar cera com tão ruim defunto". Fala de ciência e ele responde com a Bíblia. Fala-lhe de Dawkins (a propósito, estou a ler "The greatest show...") e ele cita qualquer charlatão de serviço. Pintos destes nunca chegarão a galos, é uma das possíveis falhas evolucionistas (segundo o ponto de vista do próprio), e pronto!
David


De Palmira F. Silva a 8 de Novembro de 2009 às 19:52
Eu sei david, mas o problema desta gente é que gritam muito e, se ninguém lhes responde, os mais incautos pensam que são eles os donos da razão. Aos fins-de-semana, quando tenho tempo, penso ser minha obrigação cívica desmontar as parvoíces destes alucinados fanáticos (e totalmente ignorantes...)


De S a 8 de Novembro de 2009 às 12:41
"para ser uma espécie intermédia entre peixes e tetrápodes, teria de ter exactamente 50% das características de cada, e isso não acontece no Tiktaalik (que terá uma percentagem inferior a 50% de tetrápode)"


OMG! Isto foi o melhor que eles conseguiram? O.O


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