Domingo, 8 de Novembro de 2009

Imaginem um país onde alguns investigadores se dedicavam a perseguir pessoas em vez de inquirirem crimes. Imaginem, além disso, que eles faziam sistematicamente chegar aos jornais informações seleccionadas alegadamente recolhidas no decurso dessas devassas.

Considerem ainda a possibilidade de comentaristas cúmplices ou imbecis exigirem com grande alarido nas televisões a demissão dos arguidos ou meros inquiridos titulares de cargos públicos. E suponham que cada vez mais pessoas começavam a aceitar a ideia de que a regra se deveria estender a gestores de empresas privadas.

Para completar o retrato, fantasiem que o processo era apoiado e instigado por sindicatos de magistrados.

Decorre daqui com a brutalidade de uma dedução lógica que esse país não poderia ter governantes ou dirigentes que não fossem previamente aprovados pelos tais investigadores.
 


21 comentários:
De fernando antolin a 8 de Novembro de 2009 às 22:31
investigue-se suavemente e com muito respeitinho...


De João Pinto e Castro a 9 de Novembro de 2009 às 16:03
Explique por palavras suas onde vê a suavidade e o respeitinho.


De fernando antolin a 9 de Novembro de 2009 às 20:55
"...Explique por palavras suas..." ordens dessas já só na saudosa 4ª classe e pela minha querida Profª Maria Raquel Amorim.


De maria a 9 de Novembro de 2009 às 00:18

oh , tenho uma história pior. imagine um país onde os casos de justiça se julgam na comunicação social e as penas são apenas simbólicas e duram umas edições   de  jornal ou uns tantos programas ou noticiários de tv. e amanhã ? tão fresco como antes , e pronto para outra dose de nada se meter o pé na argola.


De james a 9 de Novembro de 2009 às 00:39
Mas esse "filme" já não está em exibição?


De Morgadinho a 9 de Novembro de 2009 às 11:01
Curioso....deve este ser considerado o primeiro post "oficial" do Jugular sobre o processo "Face Oculta"?


De João Pinto e Castro a 9 de Novembro de 2009 às 16:02
Mais ou menos. Prometo-lhe que, em breve, escreverei também os meus primeiros posts sobre os submarinos do Portas, os terrenos do Nobre Guedes e as tramóias do Oliveira e Costa. Peço desculpa pelo atraso, mas, em geral, interesso-me mais por política do que por politiquice.


De Morgadinho a 9 de Novembro de 2009 às 17:31
Obrigado pelo esclarecimento. Lendo o seu post e presumindo que se manterá coerente ao mesmo, será engraçado o ver aqui a clamar a injustiça da demissão de Dias Loureiro do Conselho de Estado e o injustificado "grande alarido nas televisões a demissão dos arguidos ou meros inquiridos titulares de cargos públicos" que ocorreu nessa altura....


De João Pinto e Castro a 9 de Novembro de 2009 às 19:48
Não me lembro de ter escrito sobre isso. Lamento desapontá-lo.


De Morgadinho a 9 de Novembro de 2009 às 20:06
Creio que o João Pinto e Castro não se lembra é do que hoje escreveu em resposta ao meu comentário quando afirmou «Prometo-lhe que, em breve, escreverei também os meus primeiros posts sobre os submarinos do Portas, os terrenos do Nobre Guedes e as tramóias do Oliveira e Costa»...rings a bell?

E só irá desapontar-me se quando escrever o prometido post sobre o BPN não chegar à conclusão lógica que , seguindo a "doutrina" do seu post de hoje, será  forçado a a criticar a demissão de Dias Loureiro e todos quantos clamaram por ela.


PS: Cumprimentos pelo destaque no blog Câmara Corporativa...


De João Pinto e Castro a 10 de Novembro de 2009 às 00:47
Eu quero que o Dias Loureiro tenha muitos meninos.


De pedro frederico a 9 de Novembro de 2009 às 11:32
Bom dia. imagine um país onde a opinião anda toldada de tal maneira; que o Polvo comanda e seus tentaculozinhos não-pensantes derramam liquido preto diariamente para turvar as águas...

Passe bem


De João Pinto e Castro a 9 de Novembro de 2009 às 15:57
Ó Frederico, toldaram-lhe a opinião?


De Natália Santos a 9 de Novembro de 2009 às 16:10

Percebi (acho que bem) Pinto Monteiro  dizer que a seu tempo o conteúdo das  conversas (escutadas) entre o P M e Armando Vara será tornado público.

Isto é possível, tornar públicas conversas privadas em que um dos intervenientes é o P M ?


De João Pinto e Castro a 9 de Novembro de 2009 às 19:50
Tudo é possível, no ponto a que chegámos. Mas, como dizem alguns intrépidos lutadores anti-corrupção, isso é uma mera questão formal.


De pedro frederico a 9 de Novembro de 2009 às 17:05
Boa tarde...nem a opinião nem nada...ao contrário de alguns que estão imbuídos até à medula...suponho que o Sr é apoiante de Sócrates...não é preciso dizer mais nada...essa é a minha opinião!
Repare que quem defende o indefensavél fica com o sangue da chacina nas mãos, com o pão de alguns na boca, pergunto-lhe ; o seu pão sabe-lhe bem com o sabor do polvo?? acredito que sim...


De João Pinto e Castro a 9 de Novembro de 2009 às 19:52
Não percebi o que é que para si é indefensável. Eu nem falei nem do Sócrates, nem do Vara, nem do não-sei-quê. Falei do te pode a acontecer a ti também, meu desgraçdo.


De O Beirão a 9 de Novembro de 2009 às 17:30
Afinal Júlio P. Castro está a imaginar o filme totalmente ao contrário. A verdade é que as hostes socráticas tudo tentarão fazer para que a investigaão desta 'Face Oculta' fique em águas de bacalhau, como, pelos vistos, já ficou o 'Caso Freeport' e outros que tais. Para tal estão, de facto, a contribuir os ditos 'comentadeiros' do regime.


De João Pinto e Castro a 9 de Novembro de 2009 às 19:56
O Júlio não está cá, de modo que respondo eu. Como se tem podido constatar, as hostes socráticas não têm feito nada para dificultar coisa nenhuma. Mas isso para si não interessa: se alguém é condenado, isso prova que era culpado; se não chegar sequer a ser acusado, idem. A nossa justiça trabalha para palermas como este Beirão.


De Damião Fernandes a 10 de Novembro de 2009 às 02:21
Saiu-lhe mal (isto), João!


De Cristiano a 10 de Novembro de 2009 às 13:42
Apesar da (indispensável em democracia) separação de poderes vigente em Portugal. Cabe ao poder politico (legislativo e executivo) definir as regras segundo as quais a justiça deverá agir. Até existe um ministério da justiça (lembram-se??). O facto é que desde 1995 até hoje, o PS esteve no poder mais de 10 anos!!!!
A justiça entrou por um caminho absolutamente lamentável. A quantidade de vezes que figuras públicas sentem necessidade de nos vir dizer (ao zé do povo) que confiam na justiça, é a forma de nos dizerem, a justiça não é para voçês, por isso não se incomodem.
Porque a verdade é que em Portugal, praticamente ninguém confia na justiça!!
Se a "praça publica" deve servir de empurrão para fazer pressão para que a justiça volte a funcionar, bem preferia que assim não fosse, mas não vejo outra forma. E não me conformo a viver numa republica das bananas.
Lembram-se da casa pia, dos sobreiros, dos submarinos, da operação furacão, do caso freeport, do BPN, do BPP...
São casos em demasia, que é verdade denegriram, durante alguns dias, algumas pessoas que têm obviamente direito á  presunção de inoçência, mas a verdade é que a memória é curta e essa imagem passa, o facto é que condenados, nem vê-los!!!
Eu faço uma simples pergunta, se a justiça não funciona, e quem tem poder para a por a funcionar (poder politico) não o faz, eu diria que é porque lhe dá muito jeito...
 


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