Segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

Era uma figura trágica e ao mesmo tempo grotesca. De boina e casacão coçados, cabelos brancos compridos, esbracejava de bengala na mão e vociferava sem cessar. A névoa gelada abafava-lhe os gritos dirigidos ao “outro lado”. O velho soltava imprecações na direcção de Berlim-Leste, do alto de um palanque nas imediações da Friedrichstrasse. Por vezes calava-se e ficava de olhos fechados, braços abertos, como quem espera acolher alguém. Perdera o tino há anos, disseram-me, quando lhe mataram o filho que tentava fugir para o Ocidente, naquele mesmo local. E agora estava ali todos os dias, arengando a sua revolta enlouquecida.
Vi Berlim pela primeira vez nesse Inverno de 1977. Estava muito frio. O Muro tinha 16 anos, e era uma atracção turística.(...)
Vão ler o resto do texto do Mouro, merece-o. E encontram por lá outras memórias do muro.