Segunda-feira, 9 de Novembro de 2009
João Pinto e Castro

 

 

O que Jerónimo de Sousa e o PCP pensam sobre a queda do Muro de Berlim, ao menos, toda a gente percebe. Já o mesmo não se poderá dizer da prosa enrolada que a efeméride desencadeou em Francisco Louçã e de que destaco o ponto alto no qual desce mais baixo:

"Vinte anos depois da queda do Muro de Berlim, floresce assim a ideologia contentatória: o comunismo acabou, diz Saramago e repete, com gosto evidente, António Vitorino. Frágil ilusão, contudo, pois continuou a ser possível ser cristão depois da Inquisição, social-democrata depois da votação dos créditos de guerra e mesmo depois do assassinato de Rosa Luxemburgo, e até continuou a ser possível ser economista liberal depois da grande depressão de 1929."

Significará isto que Louçã continua a ser comunista? Deixo o enigma à vossa consideração, já que ele se recusa a esclarecê-lo. Entretanto, aqui fica mais uma pista:

"O século XX começou em 1905 com o Soviete de Petrogrado e terminou em 1989 com a queda do muro de Berlim."

Ora, quem foi o chefe do Soviete de Petrogrado? Nada menos que Leon Trotsky.

Notas finais:

1. Comparem o relambório de Louçã com a sinceridade do testemunho do Daniel Oliveira.

2. Alguém, por favor, explique ao Louçã que "Vinte Anos Depois" não é "o último livro da saga dos Mosqueteiros"; depois desse ainda houve "O Visconde de Bragelonne", que inclui o célebre episódio do Homem da Máscara de Ferro. Pois é, todos temos o nosso momento Tomás More.


9 comentários:
De rafael a 9 de Novembro de 2009 às 22:26
Caro Joao,

embora nao simpatize com o xico louça, parece-me que o seu comentário é um pouco enviesado. Sem o dizer de forma explicita (pq nao pode ou pq nao quer) louça assume-se como comunista, usando o termo socialista (nao provoca tanto panico...), mas condena os regimes de leste.

O que nao se percebe, realmente, é a opiniao do "grande timoneiro" bloquista sobre a revoluçao russa, isso realmente é uma incógnita... 


De Anónimo a 9 de Novembro de 2009 às 23:30
caro joão pinto castro,
francisco louçã diz-se socialista revolucionário, é dirigente de uma associação assim designada e não vejo que esconda o facto. de modo que, se quiser colocar em causa o que ele diz, não basta acusá-lo de ser o que ele assume que é...
E, sim, o homem é trotsquista. Que não é o mesmo que ser estalinista. Isto é mais ou menos claro para todo e qualquer historiador do comunismo ou coisa parecida.
cumps
zé neves


De João Pinto e Castro a 9 de Novembro de 2009 às 23:59
A grande diferença entre Estaline e Trotsky é que o primeiro matou o segundo, e não o contrário.


De JoaoLuc a 10 de Novembro de 2009 às 14:47
A grande diferença entre a terra e a lua é que uma é maior que a outra - porque de resto podiam ser iguais. Enfim.


De Alfacinha a 9 de Novembro de 2009 às 23:31
Quem não conhecer Louçã e os seus camaradas da 4º Internacional que os compre, choram como madalenas as violências de que foram vitimas após Estaline ter tomado o poder e "esquecem" que Trotsky, o seu santo padroeiro, enquanto chefe do Exercito Vermelho, liderou uma brutal repressão. 
Lembro aqui os milhares de mortos da revolta de Kronstadt que reivindicavam, entre outras coisas, vejam bem,  eleições por voto secreto, e liberdade de expressão e sindical.

Agora é aquele democrata que toda a gente conhece e, que eu saiba, nunca o vi renegar ou, pelo menos, dizer que aquilo que no passado defendeu foi um devaneio da juventude. 


De Anónimo a 10 de Novembro de 2009 às 00:07
caro joão pinto castro, peço desculpa, mas esse seu comentário é bastante, digamos..., do domínio do sounbyte. e também um bocadinho ignorante. o trotsquismo criou-se enquanto uma corrente que desenvolveu algumas ideias fundamentais para uma crítica do estalinismo: a ideia da revolução permamente, a concepção do desenvolvimento desigual e combinado, a reflexão em torno da arte e a aproximação ao surrealismo, etc.  


De rafael a 10 de Novembro de 2009 às 01:16
Trotski? Lenine? Staline? Mas onde neste post se vê alguma alusao a que forma, interpretaçao modelo de pensamento sobre o que é o comunismo?

O que me parece um facto é que Louça, por disciplina própia, interna do seu movimento, por estrategia politica e mediatica ou porque razao seja nao afirma de peito aberto que é comunista, apesar de como aqui foi dito e bem, ser dirigente de um movimento que está filiado na 4ª internacional que por sua vez tem como seus referentes a revoluçao russa de 1917 ...e isso, parece-me um facto.

As razoes, nem que seja por uma questao de ser a cara do Bloco e por ter essa responsabilidade nao poder assumi-lo -e respeito isso- nao as sei, mas ouvir Louça a afirmar: "sou comunista", realmente nunca ouvi...


De Viseu Esquerda a 10 de Novembro de 2009 às 14:47
se tivesses lido o texto todo... mas não, preferes manipular ao melhor estilo soviético.

Louçã disse ainda:

"A queda do Muro foi o episódio final de uma agonia perante a tensão
social insuportável. Mas também ensina que o socialismo só pode ser o
contrário do Muro: liberdade contra a censura, responsabilidade contra
o controlo sindical, todos os direitos sociais, incluindo o
pluripartidarismo, a liberdade de formar sindicatos ou de fazer greve."

"...a queda do Muro deve ser lembrada não como uma tragédia mas antes como
o inevitável desenrolar de uma história acabada, sem nenhuma saudade do
que era insuportável"

pois, mas isso já não dava um post tão interessante. Tens uma boa solução, esforça-te mais, e vais ver que até consegues encontrar certamente melhores pérolas... porque essa é simplesmente falsa!


De carlosmarques a 10 de Novembro de 2009 às 16:20
com tanta preguiça intelectual nesse post nem dá vontade de contrapor seriamente :)


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