Terça-feira, 10 de Novembro de 2009

A conferência episcopal em Fátima emula na perfeição este cartoon, traduzido nas «iluminadas» declarações do presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, Jorge Ortiga .

De acordo com o Público, esquecido que estamos em 2009 e não algures pela Idade Média, quando era a Igreja que determinava todos os aspectos da vida e da morte, «Ortiga condenou também o que considera as "campanhas que pretendem dar uma orientação contrária" ao que defende a doutrina tradicional da Igreja». Ora que maçada, esta mania de legislar sem ter em conta a  ortodoxia da ICAR é de facto uma coisa inadmissível. Tão inadmissível quanto a presunção de querer equiparar «"uniões homossexuais" ao estatuto da família» quando a Igreja se deu ao trabalho de informar devidamente o mundo inteiro que a homossexualidade é um «desvio».

 

Igualmente espantosos são os «problemas» elencados por Ortiga que incluem pérolas como  a «crise social da figura do pai» - já nem falo no gravissimo  problema que é «a instauração de uma verdadeira e própria mentalidade contraceptiva» porque sabemos ad nauseam que para a ICAR óvulos e espermatozóides são sagrados. Claro que esta suposta «crise social» é recorrente, recordo que há bem pouco tempo o presidente do Pontifício Conselho Cor Unum, carpia a «erosão da masculinidade» e consequente «crise de paternidade».

 

Para Jorge Ortiga, assim como para o devoto Josef Cordes, todas estas barbaridades sociais são consequência do feminismo radical,  da ideologia de género que não reconhece a dominância do homem sobre a mulher, dominância esta que é divinamente ordenada, como explicou Ratzinger na sua «Carta aos Bispos da Igreja Católica sobre a Colaboração do Homem e da Mulher na Igreja e no Mundo» - carta que deplora a «antropologia, que entendia favorecer perspectivas igualitárias para a mulher» em detrimento de histórias da carochinha, perdão, «antropologia bíblica».

 

Jorge Ortiga vai mesmo mais longe e afirma que «a violência doméstica prolifera» por causa desta ideologia ou teoria de género, denunciada recentemente por Bento XVI como «moralmente venenosa». Por outras palavras, as mulheres são espancadas e muitas vezes assassinadas porque, de acordo com a santa ICAR,  não se remetem ao papel divinamente ordenado de submissas parideiras e arrumadeiras sem vontade própria. Haja paciência para tanta anormalidade!!!!

 

*Ad Beatissimi Apostolorum  foi a primeira encíclica de Giacomo della Chiesa ou  Bento XV, debitada uns escassos dois meses depois de tomar posse. Nesta encíclica, depois de condenar nos primeiros parágrafos a I Guerra Mundial, Bento XV critica veementemente todos os que preferem o conhecimento e a razão à fé:

«Cegos e levados por uma ideia soberba do intelecto humano, pelo qual o bom dom concedido por Deus fez certamente muitos progressos no estudo da natureza, confiantes no seu julgamento e desdenhosos da autoridade da Igreja, chegaram a tal grau de imprudência que não hesitam em avaliar com a própria mente até as coisas escondidas de Deus e tudo o que Deus revelou aos homens. Daqui surgiram os montruosos erros do ‘Modernismo’ que o nosso predecessor [Pio X, nomeadamente no Decreto Lamentabili Sane e na encíclica Pascendi Dominici Gregis, encíclica que traduz fielmente o pensamento de Ratzinger sobre o modernismo ] declarou justamente serem ‘a síntese de todas as heresias’ e os condenou solenemente. Nós vimos desta forma renovar esta condenação na sua totalidade. (…)  É assim a nossa vontade que a lei dos nossos antepassados deve ser mantida sagrada: ‘Que não haja inovação.’».

A encíclica condena ainda todas as formas de democracia já que «Desde que a fonte do poder humano foi procurada na livre vontade do homem e não em Deus, o Criador e o Rei do Universo, a obrigação do dever, que devia existir entre superior e inferior foram tão enfraquecidas que quase desapareceram». Num raciocínio estonteante, conclui igualmente que a I Guerra Mundial foi causada pela mania deplorável da laicidade - que impediu a Igreja de determinar como devem ser governados os Estados.


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4 comentários:
De nuvens de fumo a 10 de Novembro de 2009 às 10:58
No primeiro texto (Gen 1,1-2,4) descreve-se o poder criador da Palavra de Deus que estabelece distinções no caos primigénio. Aparecem a luz e as trevas, o mar e a terra firme, o dia e a noite, as ervas e as árvores, os peixes e as aves, todos «segundo a própria espécie». Nasce um mundo ordenado a partir de diferenças que, por sua vez, são outras tantas promessas de relações. Eis, assim, esboçado o quadro geral em que se coloca a criação da humanidade. «Disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem e semelhança... Deus criou o ser humano à sua imagem; criou-o à imagem de Deus; criou-o homem e mulher» (Gen 1, 26-27). A humanidade aqui é descrita como articulada, desde a sua primeira origem, na relação do masculino e do feminino. É esta humanidade sexuada que é explicitamente declarada «imagem de Deus».





Aqui já não é em sentido figurado !!!
Isto é um insulto à inteligência das pessoas. O Saramago é que é um burro do cara.... estes vão ao mesmo livro e trás, literal.

Badamerda



De Carlos Pimentel a 10 de Novembro de 2009 às 12:16
Uma coisa que sempre me deixou perplexo nestes tipos da católica é a falta de decoro com que se põem e perorar sobre uma matéria em relação à qual não têm qualquer experiência, nem nunca tiveram. Eles não casam, ponto. Eles não constituem família, ponto. Que sabem eles? Quem são estes gajos para dizer seja o que for sobre o assunto? Ai Jesus, perdoa-lhes, perdoa-lhes que não sabem o que fazem nem o que dizem. 


De Luís a 10 de Novembro de 2009 às 13:00
"...para a ICAR óvulos e espermatozóides são sagrados"
Há uma coisa que sempre me meteu muita confusão (among others). Será que os padres e afiliados nunca se masturbam? Será que continuam a ter sonhos molhados muito para além da adolescência (em consequência da não masturbacão)?
Será esta gente afinal uma cambada de pecadores que andam para aí a deitar fora os sagrados espermatozoides?!


De nuvens de fumo a 10 de Novembro de 2009 às 14:24
é um mistério , dentro de um enigma, rodeado por uma interrogação, envolta numa interpretação.


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