Terça-feira, 10 de Novembro de 2009
João Galamba

Na sequência da redução do rating da dívida por parte da Standard&Poors e da ameaça da Fitch e da Moody's de fazer o mesmo, Miguel Frasquilho acusa o ministro das finanças de enfiar a cabeça na areia e de não reconhecer o descalabro da economia portuguesa. Independentemente do mercado não parecer concordar com catastrofismo das agências de rating e de Frasquilho, há algo que não entendo nas posições do deputado do PSD. O que pretenderá Frasquilho dizer com "reconhecer o veredicto das agências de rating"? Supondo que Frasquilho não está a sugerir que o governo português se dedique a exercícios de auto-flagelação (sim, as agências de rating têm toda razão: estamos horríveis e Portugal aproxima-se rapidamente do apocalipse), resta a hipótese de Frasquilho estar a sugerir que, por causa do que dizem as agências de rating, o governo deve alterar o rumo das suas políticas.

 

É aqui que a porca torce o rabo. Primeiro, é certo que as agências criticam, mas também é certo que não especificam o que entendem por "resolver os problemas estruturais da economia portuguesa", nem que tipo de motivação esperam dos políticos portugueses. Segundo —  e mais importante —, apesar de dizerem que as políticas em vigor não são satisfatórias, nenhuma das agências de rating sugere uma alternativa — e muito menos defendem as "propostas" e a "estratégia de desenvolvimento económico" avançadas pelo PSD. Frasquilho acha que a Standard&Poors, a Fitch e a Moody's são uma espécie de aliados das críticas que o PSD tem feito ao PS.

 

Para que Frasquilho pudesse legitimar as suas críticas, seria necessário que a Standard&Poors, a Fitch e a Moody's dissessem algo parecido com isto: se Portugal falasse Verdade; se não construísse o TGV, o aeroporto, as barragens; se baixasse a taxa social única; se acabasse com o PEC e se fizesse tudo aquilo que o PSD diz que deve ser feito — e "não-feito" — então nós não baixavamos o rating da dívida portuguesa. O problema é que não há nada nas "análises" das agências de rating que permita sustentar esta ideia. Posto isto, Frasquilho sugere exactamente o quê?


6 comentários:
De Ibn Erriq a 10 de Novembro de 2009 às 22:21
Agora a sério, pretendia dizer o quê?


De Sérgio a 11 de Novembro de 2009 às 09:29
Pretendia dizer que o Frasquilho speaks out of his ass, como se diz em estrangeiro...


De Natália Santos a 11 de Novembro de 2009 às 13:21
Exercício de auto-flagelação II

Esta de seguirmos as políticas da europa de leste é outra, ou seja caminhos impossíveis de seguir, apontados como sendo a salvação

 


 


Vários economistas (entre eles o Prof. Medina Carreira), a propósito da falta de investimento estrangeiro em Portugal,  estão sempre a chamar-nos  a atenção para os países de Leste, que conseguem ganhar-nos nessa batalha pela captação do investimento.


 


As condições oferecidas por alguns desses países são salários baixos, pelos menos quando comparados com os nossos, alta escolaridade, baixas taxas de  impostos sobre os lucros, para além de um mercado interno em crescimento ( pelo menos até há pouco tempo).


 


Não podemos mudar a escolaridade de um dia para o outro, não podemos pelo menos por agora fazer "experiências " com taxas baixas, não  podemos voltar aos baixos salários e não é saudável que o consumo interno se expanda. 


 


Porquê então os países de Leste como modelo, se nós já aderimos à UE há 24 anos e não temos nada a ver com aquelas culturas e modelos económicos saídos do comunismo ?


 



De António Parente a 11 de Novembro de 2009 às 14:13
Natália

Este país nunca mudou nem vai mudar. Especializou-se em indústrias de mão-de-obra intensiva e salários baixos e hoje isso é um vício. Repare que sempre tivemos um desemprego alto. Antes de 74 era disfarçado com a emigração e guerra colonial. Depois, com o crescimento da função pública. No futuro, temporariamente, com o TGV, novo aeroporto, e alguns projectos de multinacionais que venham sacar mais uns subsídios e benefícios durante uns anos. Quando era criança e via as notícias já ouvia falar em "moderação salarial", "apertar o cinto", "poupar", "não penalizar as gerações futuras". O discurso não muda e os nossos filhos e netos continuação a ouvir a mesma lengalenga.

Entretanto, para disfarçar, inventam-se as reformas estruturais, um dos maiores mitos do pós-25 de Abril.

Mas há uma coisa extraordinária: já reparou que lá fora os portugueses são considerados trabalhadores excelentes, ganham salários superiores, são empreendedores e chegam ao topo de carreiras com sucesso? Por que será? Não será um problema de...Fico por aqui, comecei a ficar deprimido.


De natália santos a 11 de Novembro de 2009 às 17:56
António Parente,

Peço-lhe, não fique deprimido! Eu sei, Portugal é um peso que trazemos às costas, (e como ele pesa a tantos desgraçados que mesmo assim o amam desalmadamente!),mas temos que as endireitar!

Quando eu dizia que éramos muito diferentes do mundo comunista, era mais uma provocação, pois há  pontos de contacto fortíssimos : a economia dominada pelo Estado,  ditadura (com uma repressão muito   mais forte e generalizada nos regimes comunistas), os tais baixos salários... é verdade a história aproxima-nos mais do que nos separa desses regimes !

Uma das coisas que explica a boa prestação dos nossos trabalhadores no estrangeiro é simples: são bem dirigidos, bem orientados,usam tecnologia mais moderna, ganham mais/muito mais pelo mesmo trabalho, o que os motiva. Essas melhores remunerações explicam também porque aceitam fazer   trabalhos que se podem tornar perigosos e que não fazem em Portugal.

E porque é que não são bem geridos em Portugal ?

Porque o tecido empresarial português muito atomizado, é constituído por patrões/ gerentes com baixa instrução, sendo que é o país da Europa em que a pirâmide se inverte e   uma alta percentagem de empregados tem um nível de habilitações superiores aos patrões!

Vamos dizer, como Cavaco Silva disse a propósito das despesas com os funcionários públicos, que temos que esperar " que morram" para o problema se resolver por si ?

Não. É uma resposta triste  e sem grandeza.

Há um factor, que pesem embora todas as deficiências, vai fazendo a diferença : a instrução da maioria da população, o que vai criando novas pmes ( e mesmo micro) dirigidas por pessoas com um projecto e qualquer coisa  dentro da cabeça para o levar a cabo.

Acredito que é através da educação, a formal e aquela que resulta da liberdade de expressão e circulação de pessoas e ideias que iremos mudar.

Veja lá, estou mais  pessimista  quanto aos ladrões. Como os vamos apanhar?








De Nuno a 18 de Novembro de 2009 às 04:09
olá!
à fé de quem sou, apanham-se de certeza!

Nuno


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