Terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Esta manhã, ao ler o jornal, a minha atenção foi desviada para a notícia  que tinha como título "Portugueses dizem que discriminação sexual é comum"... com um título destes o que se espera ler? Que um qualquer inquérito, estudo, etc., tenha chegado à conclusão que a discriminação mais visível, reconhecida, sentida, assumida, etc., seja aquela que tem como base o sexo. Estranhamente, tal conclusão é desmentida no segundo parágrafo da pequena notícia, quando se afirma que, e cito, "(...)enquanto somente cerca de um terço considera o sexo e a religião ou crenças como factores de discriminação (35 e 27 por cento, respectivamente).". Deixando de lado a crítica possível à utilização do advérbio "somente" aplicado a 1/3 da população, o que fica claro pela leitura da notícia completa é que não é o sexo o principal factor de discriminação, como anunciado no título, mas sim a orientação sexual, algo que, como é óbvio para todos, é completamente diferente.

Não sei o que acontece convosco mas a mim irrita-me ler um título de notícia que, de facto, não corresponde aos factos relatados. É um bocado como comprar gato por lebre e faz-me sempre pensar que há muito pouco cuidado no jornalismo português.

 

P.S. - Presumo que a notícia tenha origem nas mesmas informações que a do JN que a Isabel linkou há horas.


8 comentários:
De António P. a 10 de Novembro de 2009 às 21:04
Já vi que não seguiu o meu conselho, Maria João.
Pena.
Chegado ao nivel de pasquim, na anterior gestão, é difícil sair dele.
Sei que gosta ( eu também ) de ler um jornal em papel.
Sei lá, passe a comprar o El País.
Não saberá o que se passa em Portugal...mas isso não é necessa´riamnete um mal :))
Cumprimentos


De Shyznogud a 10 de Novembro de 2009 às 21:05
Sou um caso perdido, António.


De jovem de direita extremamente confuso a 10 de Novembro de 2009 às 21:08
"Não sei o que acontece convosco mas a mim irrita-me ler um título de notícia que, de facto, não corresponde aos factos relatados."


Olha, então já que estás com a mão na massa vai ao DN e vê o título sobre a anulação das escutas e o problema dos poderes cognitivos do STJ. Eu não tenho um blog assim, importante que luta pelo melhor serviço informativo e luta contra todas as formas de induzir o leitor em erro, muitas vezes com propósitos políticos. Por isso estarias a fazer mais um verdadeiro serviço público. 
Um bem haja!


De Shyznogud a 10 de Novembro de 2009 às 21:13
Estou com a notícia aberta, presumo q seja esta, certo?
http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1416225

O título contraria a notícia em quê?


De jovem de direita extremamente confuso a 10 de Novembro de 2009 às 21:18
O título não contraria a notícia. Acontece que o STJ não conhece de questões de facto, apenas de direito. Por isso a minha dúvida é: a questão da relevância criminal destas escutas está efectivamente no despacho do STJ ou é um floreado do DN?


De Shyznogud a 10 de Novembro de 2009 às 21:23
Isso só saberemos qdo tivermos acesso ao despacho e até lá nada nos diz que o que o DN coloca no título é falso. Se tal se vier a provar obviamente que é criticável, nem percebo onde está a dúvida. O q me parece sempre de evitar é fazer processos de intenções a anteriori. Ou seja, nada a ver com o post q comentaste em q todos os dados estão à nossa disposição e é objectivamente mau jornalismo.


De jovem de direita extremamente confuso a 10 de Novembro de 2009 às 21:28
Bem, pelo que eu sei, que não é muito, o STJ tem de autorizar as escutas ao PM. Essas escutas foram enviadas extemporaneamente. É uma questão formal. O STJ anulou-as por isso. Julgo que o STJ não se pronuncia quanto à relevância criminal das ditas. Logo, se assim é, o título do DN revela uma de duas coisas: incompetência ou tentativa de induzir o leitor em erro. Qualquer uma das duas é grave principalmente tratando-se de um jornal tão elogiado pelo PM.


De Luís Lavoura a 11 de Novembro de 2009 às 11:20
Note-se no entanto que o jornalista não incorreu no mesmo erro que a Isabel Moreira. Em vez de escrever apenas que "a discriminação é comum" o jornalista teve o cuidado de escrever "portugueses dizem que a discriminação é comum", o que é totalmente diferente. Ou seja, não se sabe se a discriminação é comum ou não, o que se sabe é que os portugueses afirmam que o é.

Ou seja, se o jornalista foi impreciso, o post da Isabel Moreira não o foi menos.


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