Quarta-feira, 11 de Novembro de 2009
Professor Doutor que me desculpe o plágio, mas assim para início (atrasado) de conversa beata o caralho. No particular da persignação, ele há melhor uso dos dedinhos, eu acho.
 
É curioso, digamos assim, o desacordo manifestado face a qualquer coisa que no dizer de quem escreve é omitida e que, portanto, "fica sem saber", do mesmo modo que é esclarecedor a leitura feita ao que foi escrito, segundo a qual terá havido da minha parte uma "arrumação emprateleirada", quando a associação dos temas partiu do próprio. Para terminar este período de antes da ordem do dia, numa tentativa (vã?) de ajuda à interpretação de texto, a lei não fala de desenvolvimento de competências sexuais, refere antes o desenvolvimento de competências pessoais que estarão subjacentes a sexualidades mais informadas, saudáveis e, digo eu, gratificantes.
 
Chegamos ao ponto de absoluta incompatibilidade: "mas acho essencial que se respeite a liberdade de quem (islâmico, hindu, católico, etc) tenha objecções de natureza religiosa à sujeição dos seus filhos a estas matérias.". Lá está, muito mais significativo que a salvaguarda das liberdades religiosas dos progenitores é, para mim e a este propósito, o respeito pelo direito dos jovens à informação - os putos pensam - e à educação para a saúde.
 
Muita coisa já por aqui foi escrita e discutida a propósito da educação sexual nas escolas. Dado que me parece estar em presença de alguém que gosta de pragmatismos - ainda aceita a coisa se ela tiver como objectivo único "a profilaxia (prevenção de doenças venéreas e da gravidez não desejada) e a divulgação científica do funcionamento dos mecanismos biológicos reprodutivos," - recordo uma indicação recente da OMS que aponta para a necessidade de se reforçar  a educação sexual como forma de diminuir a mortalidade entre os jovens: "Sexual and reproductive health can be improved by ensuring that young people receive sexuality education, have access to condoms and other contraceptives, safe abortion to the full extent of the law, antenatal and obstetric care, HIV testing and counselling, and HIV/AIDS care and treatment." .
 
Não consigo deixar de me espantar quando vejo a educação, neste caso a educação para a saúde, ser referida como qualquer coisa de  "inaceitável" e como parte integrante de uma "vasta ambição evangelizadora deste nosso Estado, que continua a invadir domínios para os quais não tem preparação nem legitimidade.". Enfim.
 

13 comentários:
De Marcelo do Souto Alves a 11 de Novembro de 2009 às 14:53

   Estranho silêncio sobre um tema tão "fracturante"...


         O tom inicial da peleja não está nada próprio, isso é tão óbvio que talvez explique, por si só, a ausência de comentários.

                 
               Arrisco-me ainda assim a manifestar a minha concordância de princípio com a Educação Sexual numa perspectiva integrada de conhecimento científico (Biologia) e prático (Saúde Pública e individual), embora reconheça que o melindre elevado do tema é incompatível com abordagens ligeiras ou menos competentes por parte do sistema de Ensino.



                          E sobretudo, numa matéria como esta, exige-se o máximo respeito por todas as crenças religiosas ou filosóficas, de modo a que o "programa" desta disciplina seja suficientemente neutro e rigoroso, para não induzir qualquer tipo de deformação na mentalidade dos Alunos.


           Até porque a liberdade de transmissão das crenças dos progenitores aos seus Filhos é um seu direito tão inalienável quanto a administração da instrução de uma forma ideologicamente isenta por parte do Estado.


De nuvens de fumo a 11 de Novembro de 2009 às 15:13
100% de acordo :


De nuvens de fumo a 11 de Novembro de 2009 às 15:12
Nem se percebe a lógica, continuo na minha, será que a reprodução dos mamíferos poderia ser dada ? e a dos répteis ?
porque não a humana ?
porque ?


De Jacinto Veloso a 11 de Novembro de 2009 às 15:17
Cara Beata,
Folgo em saber que se demite da sua função de Mãe, confiando ao Estado que, em matéria sexual, eduque os seus filhos. Da mesma maneira que concordo que goze da liberdade de se demitir dessa função, espero que concorde comigo quando exija para mim a liberdade de educar os meus filhos, nesta ou noutras matérias, como bem entender, dentro dos limites da lei, de acordo com as minhas crenças e valores, sejam elas quais forem desde que sejam lícitas.
Acho profundamente injustas as críticas que formula a quem critica a intervenção do Estado nestes domínios. Uma coisa é educar as crianças sobre como evitar contrair doenças sexualmente transmissíveis. Outra coisa é, a coberto disso, procurar "educar" as crianças no desenvolvimento de competências pessoais em matéria de sexualidade. Isso, po muito que lhe custe, cabe aos pais e não ao Estado.


De Maria João Pires a 11 de Novembro de 2009 às 16:44
Ninguém aqui se demite do q quer q seja, infelizmente há muitos pais q o fazem neste departamento. De qqr forma a educação sexual é uma das áreas da chamada educação para a saúde. Pegando em algo q já escrevi há muito:

1) curriculo claro, conciso e sem merdas. Não é assim tão difícil explicar the facts of life e ensinar como se evitam os bebés. Promover informação sobre doenças sexualmente transmissíveis tb. não 2) confesso-me muito fatigada dessa história dos pais aceitarem ou não q tais aulas sejam dadas. Estamos no domínio da saúde pública. A vacinação tb. é obrigatória, não é?


De m&m a 11 de Novembro de 2009 às 16:56
Não. O programa nacional de vacinação não é obrigatório (excepto tétano e difteria)


De Maria João Pires a 11 de Novembro de 2009 às 17:08
Tb. costumo ser picuinhas, foi descuido meu porq tendo a olhar para o plano nacional de vacinação como aquele q contempla as vacinas obrigatórias, essas duas, portanto.


De Anónimo a 11 de Novembro de 2009 às 22:16


De Antonio a 13 de Novembro de 2009 às 17:18
Que maluquice é esta!?
Estamos no domínio da saúde?
Não leu o post que deu início à conversa?
o problema está nos limites que o estado está a colocar à dita educação sexual! A educação do aparelho reprodutor sempre foi dado, agora vir o estado retirar-me o meu direito a educar os meus filhos na religião que bem me aprover ou o direito a falar com eles com os salamaleques que quiser (e não as coisas pelos nomes) no âmbito da sexualidade é algo que nem admito!
a homossexualidade é um perigo para a saúde pública? e a heterossexualidade, é? Então não a compare com a porcaria das vacinas, que não tem nada a ver.
Se quer fazer campanhas de sensibilização para os perigos do vírus da sida, be my guest, agora pretender "moldar" consciências ao nivel da sexualidade com esse pretexto é que nem pensar!!
O direito a ser homossexual é tão válido como o direito a não ser. Mais, o direito a não querer ser homossexual é tão válido como o direito a não querer ser heterossexual (e sim, há quereres destes).

É pá, evitar bébés é muito bonito, mas há muita gente que os quer se eles vierem de penalty e têm gosto nisso (sim, eu sei que lhe pode fazer espécie, mas é mesmo assim). Não os obriguem (ou condicionem) a mudar de maneira de ver as coisas só porque o estado assim o entende...
Que se façam campanhas de informação, mas nem pensar que se inclua isso no currículo escolar, muito menos obrigatório.

metam o bedelho em tudo, mas nos meus filhos nem pensar!



 


De Luís Lavoura a 11 de Novembro de 2009 às 16:27
É preciso acima de tudo assegurar que a educação sexual é apenas instrução sexual, isto é, que os conteúdos ministrados serão apenas factos objetivos e cientificamente conhecidos, ministrados sem qualquer juízo de valor e sem quaisquer recomendações éticas associados.

Se as aulas de educação sexual servirem também para transmitir quaisquer valores, então as queixas destas pessoas terão, em parte, razão.


De isabê a 12 de Novembro de 2009 às 11:24
ana matos pires, é um prazer lê-la mais uma vez sobre estas matérias. lucidez e ética não lhe faltam. obrigada.


De Marcelo do Souto Alves a 12 de Novembro de 2009 às 15:21


            «Não é assim tão difícil explicar "the facts of life" (...)»


  
           Esta frase contém nela própria todo um Tratado de Pedagogia! Claro que "não é difícil" explicar nada, pelo menos não será mais difícil do que escrever esta frase.


             Assim também se pode dizer que "não é difícil" ensinar a ler e escrever (e a contar, esquecem-se sempre...), como "não é difícil" explicar o Nominativo, o Dativo, o Acusativo e o Genitivo, seja no Latim ou no Alemão, ou como se multiplicam matrizes, ou se calculam integrais triplos.


                A questão é mesmo essa: "não é difícil" ensinar nada, desde que o conhecimento seja ministrado na altura correcta, de uma forma correcta, por agentes bem preparados e, sobretudo, a quem já esteja preparado para o receber.



            O problema é que aqui mesmo começa, sim, e não acaba, todo um mundo de discussão sobre este assunto...


De DCF a 27 de Novembro de 2009 às 15:31
Proponho o seguinte currículo para as aulas de Educação Sexual:


1ª lição: DSTs e como evitá-las (usar sempre preservativo)
2ª lição: usar sempre preservativo
3ª lição: usar sempre preservativo


outras ingerências na descoberta da vida sexual dos jovens é privá-los de descobrirem por eles próprios o que gostam, querem ou desejam fazer e isso não é compatível com a democracia em que dizemos viver; mas depois temos o Estado, através de 70.000 direcções gerais, a dizer como devemos viver.


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