Quarta-feira, 11 de Novembro de 2009
Concordo inteiramente com o Daniel Oliveira, quando ele escreve:
"Quantos mais nomes e suspeitas aparcerem na comunicação social, mais confusa ficará a investigação “Face Oculta”, mais difuso será o alvo deste processo, mais longe estaremos da justiça. Já vimos este filme. Sabemos como acaba. E os corruptos também sabem."
Agora, reparem numa coisa: o Daniel sentiu-se na necessidade de escrever o último período para não poder ser acusado de estar a tentar proteger o Sócrates.
Este mero detalhe demonstra como, nos tempos que correm, as pessoas que defendem o Estado de direito e a decência são obrigadas a adoptar uma atitude defensiva. Isto é, em si mesmo, muito grave.
De T a 12 de Novembro de 2009 às 01:47
O título do post é falacioso e não honra a inteligência e aprumo que o JPC nos habituou.
E, sim, DO, ou quem quer que seja, tem direito a defender o Estado Direito fazendo uma ressalva sobre a impunidade que grassa em Portugal - e que, sendo total ou quase total, permite concluir, dado haver, como há em qualquer país, corruptos, que eles saem ilesos - sem que isso seja considerado "muito grave".
Que a admiração a Sócrates, que não compreendo mas respeito, não lhe tolhe o espírito.
De joão viegas a 12 de Novembro de 2009 às 09:05
Plenamente de acordo com t. O post é infeliz e inconsistente.
E' obvio que existe corrupção em Portugal e também é obvio que o estado em que estamos, onde se confundem bojardas imbecis com suspeitas fundadas e suspeitas com provas, so pode beneficiar aos corruptos.
E' obvio também que o "Estado de direito" não é um valor abstrato destinado a brilhar no céu longinquo das ideias. Isto é o que querem ouvir os seus adversarios, aqueles que estigmatizam a "religião dos direitos do homem". Ora não so é perfeitamente legitimo, como é pedagogico e de encorajar, que se apele à eficacia da justiça. Seria choquante, e contraditorio, que o respeito dos direitos do homem conduzisse a proteger os que violam a lei. E não é assim, precisamente porque o sistema deve tender a uma maxima aplicação da lei, em beneficio dos menos protegidos. O "Estado de direito" não é o bem em si, digno de veneração enquanto tal. E' apenas o melhor que sabemos...
Portanto neste caso, é facto assente que o importante é não nos deixarmos levar por balelas e que todos temos interesse em que a justiça esclareça completamente as questões que lhe são colocadas, e isso quer Socrates seja culpado, quer não seja. E também é facto assente que quem não esta interessado nesse esclarecimento, ou quem trabalha objectivamente para acresentar confusão e levantar poeira, esta objectivamente a tralalhar para a impunidade dos corruptos...
Ao tecer estas considerações de bom senso, não vejo que o Daniel de Oliveira tenha subentendido nada acerca da questão de saber se Socrates ou outros são culpados ou se não são, e parece-me idiota a acusação.
Desculpe a franqueza...
De Ricardo a 12 de Novembro de 2009 às 09:25
Acho óptima a sua preocupação com o estado de direito e verdadeiramente fantástica a sua capacidade de percepção apurada que lhe permite encontrar sinais "verdadeiramente preocupantes" da sua degradação no comentário do Daniel de Oliveira.
E no conteúdo e substância do processo "face oculta" ? Consegue encontrar aqui também algum sinal de degradação do estado de direito que lhe mereça algum comentário?
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