Quinta-feira, 12 de Novembro de 2009
“Perante a efeméride da queda do Muro, alguma esquerda não resiste lembrar que, não obstante a liberdade chegada aos países de Leste, 1989 significou também o triunfo do neoliberalismo e, com ele, a universalização da desregulação económica, a retracção do Estado Social e um continuado cavar das desigualdades entre os países ricos e os países pobres.
Isso até será verdade, mas a grande falácia é pensarmos que a intocada hegemonia do neoliberalismo se deveu à queda do Muro de Berlim.
Bem ao contrário: é o facto de o Muro ter sido construído em nome de um mundo radicalmente mais justo que hoje rouba possibilidades a quem queira imaginar um mundo radicalmente mais justo. O Muro de Berlim e o regime que o ergueu continuam a dar mau nome a qualquer esperança que se atreva a tentar superar o capitalismo predatório. Tarde caiu, pior ter existido.”
Bruno Sena Martins, 5 dias
(via arrastão)
"a retracção do Estado Social"
Não se vê nada disso, ainda não parou de crescer o custo do Estado Social como percentagem do PIB.
"a universalização da desregulação económica"
Curiosamente o sistema monetário, aquele onde uma entidade reguladora decide o preço (taxa de juro) e quantidade de moeda, é´o "sistema" que fica perto do colapso.
Tudo pela crença obscurantista de que o crédito pode nascer do nada (criação de moeda) em vez da mobilização e intermediação de poupança prévia.
"cavar das desigualdades entre os países ricos e os países pobres"
Os países pobres ainda que se pudesse provar a "desigualdade" relativa são muito menos pobres em termos absolutos hoje do que o eram há 20 anos atrás.
Muito menos o seriam se a esquerda dos "países ricos" fizesse pressão para que os "países pobres" pudessem exportar livremente a sua produção de agricultura e similares para os "!"países ricos".
De Romeu a 12 de Novembro de 2009 às 21:18
Mas você vê a quantidade de produtos chineses que nós importamos? E vê exportações nossas a entrar na China...? Não é por falta de vontade nossa...
Ah essas tendências proteccionistas (e no inconsciente algo xenófobas?).
Toda população mundial beneficiou com a entrada dos "chineses". A começar por eles próprios mas todos os outros também.
O crescimento e aumento do nível de vida acontece só e sempre que uma parte da produção fica mais barata, permitindo assim que com os mesmos recursos e pessoas se produza mais de outras coisas. E isso só acontece com a divisão do trabalho e a troca. È uma verdade irrefutável universal e independente de qualquer ideologia ou sistema social e económico (ou seja, até numa economia planeada, ou semi-planeada, etc.).
Neste momento, o que está fazer é a livre importações de produtos primários para os "países ricos" a partir dos "países pobres", deixando-se gradualmente e naturalmente que parte dessa produção seja efectuada nos países pobres.
Numa palavra: solidariedade natural.
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