Quinta-feira, 12 de Novembro de 2009
"... um inexorável nexo de causalidade: o casamento dos homossexuais acarretará, automaticamente, o direito a adoptarem. Também aqui, basta um mero exercício intelectual. De facto, assentando a iniciativa legislativa no princípio da igualdade, uma vez esta estabelecida por lei, não poderá manter-se uma capitis diminutio em nome da diferença. Porque é ela - a diferença - que cria dúvidas quanto à adopção, dúvidas que terão de ser engolidas após a aprovação da lei sob pena de se estar a consagrar casamentos de primeira e casamentos de segunda, ao arrepio de todo o discurso oficial e, julgo mesmo - agora sim -, da Constituição."
MJ Nogueira Pinto no DN
Falácia, dupla falácia, aliás. O que cria a dúvida é o preconceito e a ignorância, não a diferença e, como já foi dito e redito mas parece que é necessário repetir, o articulado legal sobre casamento civil é distinto - é diferente, é outro, não é o mesmo, entendido? - da regulamentação legal da adopção (e das leis que regulam a parentalidade e a procriação medicamente assistida, já agora), aqui e noutros locais do planeta.. A prová-lo, de resto, está o facto de
nalguns países ser permitida a adopção por casais homossexuais e não o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Relembro, também, que mesmo sem que lhes seja dada a possibilidade de escolherem casar-se civilmente, a adopção de crianças por homossexuais já existe em Portugal.
Ao invés de se usarem parangonas manipuladoras, como essa da "coisificação" das criancinhas, talvez valha a pena ir
à pergunta do que está escrito, ir às fontes. Nestes assuntos, como noutros, parece-me ser uma questão de honestidade tentar fundamentar as nossas opiniões.
Como já fiz anteriormente, proponho a leitura destes documentos da
APA e da AACAP e de mais alguma
bibliografia sobre o tema. Claro que o que está em causa é o superior interesse da criança - expressão vazia, aqui usada no sentido da criança (dos seus direitos e do seu bem-estar) ser o determinante na adopção. Como podem confirmar não estamos a falar de um evento raro, é
enorme o número de crianças que vivem com adultos homossexuais, do mesmo modo que são
variadas as estruturas familiares dos pais gays e lésbicas.
*Neste artigo generalista há um dado que, provocatoriamente, não quero deixar de realçar "a child's risk of being molested by his or her relative's heterosexual partner is over one hundred times greater than by someone who might be identifiable as being homosexual.".
Encontrem-me, por favor, um documento sério que sustente os terríficos malefícios da parentalidade de gays e lésbicas, facultem-me bibliografia que argumente de forma consistente sobre os perigos para a criança, mostrem-me, por exemplo, os relatos de psicopatia, os piores indicadores de saúde mental, o suicídio aumentado, as maiores taxas de maus tratos, em filhos de gays e lésbicas quando comparados com crianças que cresceram no seio da chamada "família tradicional". Para além de criticas metodológicas (algumas lícitas) ao conjunto de dados que consistentemente mostram não existirem diferenças significativas, na perspectiva do superior interesse da criança, na qualidade da parentalidade quando a variável em estudo é a orientação sexual dos progenitores, nada mais encontrei, e juro que, sem preconceitos, procurei.
*NOTA: "Gatei" um dos links que usei. Decidi não alterar o texto e deixar aqui
a correcção.
sinto-me estou fatigada
De
Shyznogud a 12 de Novembro de 2009 às 12:22
De Nathalie a 12 de Novembro de 2009 às 12:59
Vamos ver se a lei muda... Por enquanto "ainda so" é uma decisão de justiça que dà o "agrément" d'adopção a um elemento do casal... ou seja a uma pessoa solteira (o que é permitido na lei francesa) ... acontece é que essa pessoa é homosexual... e a lei não permite recusar o "agrément" a uma pessoa solteira "por causa da sua" homosexualidade... Mas sinceramente penso que ainda não é para amanhã... os nossos "queridos" ministros parecem serem mais "lentos" que a sociedade...
De nuvens de fumo a 12 de Novembro de 2009 às 12:42
é o medo que influenciem as crianças e que estas fiquem, gays....(claro que o facto de 99% dos gays serem filhos de hetero, nada releva para estes génios...
Esta gente tem uma ideia da vida sexual como algo que se pode influenciar, uma espécie de moda, ou escolha tipo consciente.
Diz muito da vida delas, e não abona nada de favorável, pressinto ....
99% dos filhos existentes (everywhere) são filhos de heterosexuais, donde...! :-)
De S a 12 de Novembro de 2009 às 12:49
Dentro do tema, um excelente e esclarecedor artigo no NYT sobre adopção e parentalidade por casais PMS;
http://www.nytimes.com/2009/11/08/magazine/08fob-wwln-t.html?_r=3
(Isto fica uma confusão de texto copiado directamente para aqui
)
De
Shyznogud a 12 de Novembro de 2009 às 12:53
S, as caixas de comentários agora já permitem criar um link facilmente, fica a informação para uma próxima vez. Só tem q selecionar a frase/palavra q quer linkar e clicar nas argolas q ali estão em cima. Por exemplo: o artigo do NYT
De S a 12 de Novembro de 2009 às 12:55
Escapou-lhe o A no artigo. Ainda precisa de prática... 
De
Shyznogud a 12 de Novembro de 2009 às 12:56
É a mania de ser apressadinha
falácias manipuladoras ou o superior interesse do preconceito
De S a 12 de Novembro de 2009 às 12:59
huh? Não apanhei?
De nuvens de fumo a 12 de Novembro de 2009 às 13:13
Aliás o mistério é porque carga de água, o casamento, uma instituição que tem como maior objectivo regular os bens patrimoniais se anda a misturar com conceitos morais.
Mais um vez digo não ser jurista mas tenho por ideia que o capítulo dos menores é à parte, uma vez que não são necessários contratos para ter filhos , tudo o resto são bens materiais.
E porque ?
Digo eu , do fundo do meu poço de ignorância, que o motivo último se prende com o facto de a regulação de relações amorosas ser mais complicada no que diz respeito à divisão de bens, porque quem ama---odeia tb e por isso é mais difícil que a regulação de bens partilhados, por exemplo, entre amigos.
é esta a tal instituição que se tem medo que acabe por se passar a regular os bens das pessoas do mesmo sexo que queiram partilhar a vida em comum ?
De
PGFV a 12 de Novembro de 2009 às 13:38
Já perdi a paciência para o terrorismo e manipulação intelectual mal disfarçado dessa senhora PROFUNDAMENTE HOMOFOBICA, e com um longo histórial de outras afirmações públicas, verbais e escritas, que só revelam os seus preconceitos e a sua profunda homofobia (para além da grande classista que é, mas isso são outros 5 centavos)
Louvo quem ainda tem pachorra para responder às suas alatvidades, apresentando-lhe argumentos lógicos e HONESTOS, argumentos que a profunda homofobia da senhora não permite sequer que processe.
Não esquecer que esta senhora de viva voz, disse aqui há muitos anos para o Gonçalo Diniz, durante um debate televisivo em que se discutia as uniões de facto, "Eu até acho que vocês têm o direito de existir". Quando foi a mudança do artigo 13º, na inclusão da "orientação sexual" a mesma escreveu"estamos a legislar com o olho no buraco da fechadura".
Continue, e muito bem, a apresentar-lhe argumentos sérios e cientificos, mas duvido que ela sequer saiba que exista uma coisa que é a APA, porque a percpção dela da realidade está profundamente alterada pela sua FORTE HOMOFOBIA.
Eu por mim, só quero convencer o BOSS do renas e Veados a nomea-la para o prémio carreira do "Dildo de Arame Farpado".
De TragédiaGeek a 12 de Novembro de 2009 às 13:45
Ana,
Dois homossexuais podem, em Portugal, adoptar uma criança em conjunto?
De
Shyznogud a 12 de Novembro de 2009 às 14:14
De
drmaybe a 12 de Novembro de 2009 às 15:27
isto é tudo muito cansativo, mas de certeza muito menos que educar crianças.
De TragédiaGeek a 12 de Novembro de 2009 às 15:38
Claro que há muita hipocrisia. Um solteiro pode adoptar independentemente da sua orientação sexual, mas se for homossexual tem de esconder a sua vida em comum com outro homossexual para não ser recusado. Esconder é a palavra recorrente.
Mas a questão é a seguinte: dois homossexuais não podem adoptar em conjunto, mas se forem casados poderão fazê-lo, a menos que o casamento seja aprovado sem adopção. Há algum motivo para supormos que o casamento entre homossexuais será aprovado sem adopção?
De nuvens de fumo a 12 de Novembro de 2009 às 15:51
Esta é como a perseguição que o MP faz à vida das mulheres que escolhem a inseminação artificial no estrangeiro.
E na prática as obrigam a dizer que o filho foi o resultado de uma aventura de uma noite com um estranho.
Idiotices moralices sem efeitos práticos que não o contínuo enxovalhamento das pessoas.
De nuvens de fumo a 12 de Novembro de 2009 às 15:53
Só agora li o texto, como sempre , uma total ausência do único argumento honesto: sou homofóbica primária.
LOLLLLLLLL
De Romeu a 12 de Novembro de 2009 às 19:12
Estou farto da coisificação da criança.
Aquilo que se faz quando se usa a criança como justificação para negar a igualdade de direitos a casais de pessoas do mesmo sexo.
Cara Dr.ª Ana Matos Pires
Eu percebo que é só uma provocação mas realçar que "a child's risk of being molested by his or her relative's heterosexual partner is over one hundred times greater than by someone who might be identifiable as being homosexual ." (que não encontrei no link que disponibilizou) é fazer exactamente a mesma coisa que fazem os opositores da adopção por casais homossexuais , ou seja, correlacionar a orientação sexual dos indivíduos com a sua capacidade parental.
Era uma ironia que, de resto, assinalei.
Opss, vou ver (mais logo), talvez tenha trocado o link.
De Vera a 15 de Novembro de 2009 às 23:05
Boa noite
É verdade que há varios paises que permitem a adoção por casais homosexuais que não consagraram ainda o casamento.
Mas o contrario é que não existe. E isso pode ser um argumento a favor dos que desendem o não ao casamento homosexual.
Vera
Não é verdade, Vera, a Bélgica é um exemplo.
De
Shyznogud a 16 de Novembro de 2009 às 10:17
A Bélgica foi um exemplo, queres tu dizer.
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