Quinta-feira, 12 de Novembro de 2009
João Galamba

"Na sua intervenção no Parlamento, Ferreira Leite não podia ter sido mais transparente:

"As dúvidas políticas não se resolvem destruindo provas".

Esta afirmação é extraordinária, a vários níveis. Começa por legitimar a decadência do sistema, a qual gerou um clima de suspeição selectiva com fugas ao segredo de Justiça ou ambiguidades nas declarações dos agentes judiciais. Depois explora a lógica da infâmia, transferindo para o acusado a obrigação de fazer prova de inocência. Continua afirmando que as gravações são provas, o que implica um conhecimento factual e jurídico do seu conteúdo. Por fim, admite que a Justiça, no seu nível de maior responsabilização, e comprometendo dois braços institucionais, poderia destruir provas para defender politicamente Sócrates. É inútil procurar: nunca nenhum político na história da Assembleia da República tinha ido tão longe na ofensa ao Estado de direito."

 

Valupi, Aspirinab

 

Para além do que escreve o Valupi, há pelo menos mais duas coisas extraordinárias na intervenção de Ferreira Leite. Primeiro, a líder do PSD julga este tipo de intervenções são feitas em nome do Estado de Direito e do prestígio das instituições; e, segundo, que cabe a um deputado fazer eco dos sentimentos profundos da população portuguesa


16 comentários:
De nuvens de fumo a 12 de Novembro de 2009 às 13:27
Curiosa opinião, afinal quando interessa discute temas da justiça.

Começa a meter um pouco de nojo esta dualidade, um destes dias começo a tomar anti psicóticos , posso ser eu que estou a ficar choné


De Paulo Duarte a 12 de Novembro de 2009 às 14:15

Este senhor, se ainda lhe restasse uma réstia de dignidade, deveria proceder como segue:

1. As minhas conversas com o Dr.? Armando Vara tiveram o seguinte teor: ----------, e agradeço que a Procuradoria Geral da República as torne públicas. A Procuradoria tornava as conversas públicas ou não, mas aí já não era da sua responsabilidade.

2. No caso freeport declaro desde já que nada recebi para aprovar ou facilitar a aprovação do outlet de Alcochete em zona protegida. Para tanto, disponibilizo-me, desde já, para ser ouvido no inquérito que decorre e solicitarei agora mesmo por escrito que o Ministério Público verifique as minhas contas bancárias, todas elas e respectivos movimentos nos útimos 6 ou 7 anos, bem como uma relação detalhada de todo o meu património!

Isto era de Homem Honrado.
Não me parece que seja o caso, desgraçadamente, para o País.
Ah! Já me esquecia, tudo isto é uma cabala.

http://o-espanto.blogspot.com/search/label/Honradez (http://o-espanto.blogspot.com/search/label/Honradez)


De Nuno Gaspar a 12 de Novembro de 2009 às 14:23
Se não tivessem abafado a campanha eleitoral com a exploração ad nauseam da  divulvagação  de conversas privadas estes posts
ainda podiam ser levados a sério. Assim, cheiram a hipocrisia.


De Shyznogud a 12 de Novembro de 2009 às 14:37
é assim tão difícil perceber q uma coisa é criticar as fugas de informação recorrentes no sistema judiciário (ou seja, criticar o sistema judicial em si) outra, bem diferente, é defender q os jornalistas não têm nada q ter tratamento privilegiado por parte dos media qdo são, eles mm, sujeito de notícias? Onde está a incongruência e hipocrisia disto? 


De Nuno Gaspar a 12 de Novembro de 2009 às 16:26
A hipocrisia está em lançarem foguetes quando as fugas, do sistema judiciário ou outras, que chegam ao espaço mediático atingem a outra parte e ficarem muito ofendidos quando  toca a vossa. Quer que lhe faça uma lista?


De Shyznogud a 12 de Novembro de 2009 às 18:02
Vossa? De quem? adiante... deixe lá ver se com "desenhos" chega lá. Imagine q uma fonte judicial tinha feito chegar aos media a transcrição de uma escuta onde o político X ou Y era apanhado a, mm q indirectamente, confessar um crime. Os jornais publicavam essa transcrição. Ponto 1: é sempre lastimável q alguém no interior do sistema judicial quebre aquilo q é obviamente sua obrigação, a saber, o segredo de justiça. Ponto 2: dada a relevância informativa de tal hipotética transcrição seria óbvio serviço público q ela fosse publicada pelos media. Percebeu agora como é possível criticar o forró das fugas sistemáticas de informação (com objectivos muito difusos de caso para caso)e, ao mm tempo, defender que a pertinência noticiosa se justifica plenamente em certos casos? Hipocrisia e incongruência nenhuma


De Nuno Gaspar a 12 de Novembro de 2009 às 18:44
Piorou um pouco. Você quer dizer que  o que significa  interesse público para o  jornalismo é exactamente o oposto do que significa   para os agentes da justiça? É um bocado esquizofrénico, não?
 Mas não estou tão interessado no processo como na substância. Você, Maria João Pires, que andou aqui semanas a fio a exigir  explicações de responsáveis políticos a notícias publicadas em  jornais acha que o PM agora deve fazer o mesmo ou não? Acha que ele deve ou não dizer se tentou ou não colaborar  nas soluções financeiras para o grupo do seu «amigo Joaquim»?


De Shyznogud a 12 de Novembro de 2009 às 19:04
Meu caro senhor, sairem manchetes nos jornais a dizer q x ou y foi escutado por ter falado com alguém suspeito numa investigação judicial, sem qqr fundamentação de q o q foi dito nessas conversas tem relevância criminal, vale zero. Quer se trate do PM ou de qqr outra pessoa. Não perceber q é algo de sustancialmente diferente de exigir explicações à Presidência da República sobre as suspeitas q levantou de q estaria a ser escutada pelo governo é, desculpe q lhe diga, de tal forma ridículo q nem merece resposta


De fernando antolin a 12 de Novembro de 2009 às 19:27
As certidões dessas conversas, extraídas pelo juiz de instrucção e enviadas à PGR, foram-no devido a que factor/relevância que o juíz entendeu dar-lhes ?? Simples conversas sobre a amenidade climática deste Outono ou a boa carreira futebolística do Benfica ??  Ainda bem que nos idos de 70 e pouco nos States alguém se lembrou de mandar às malvas o tão acarinhado(sometimes) segredo de justiça, ainda lá teríamos tido o Nixon mais uns tempitos...

coisas de jornalistas.


De Shyznogud a 12 de Novembro de 2009 às 19:05
Ah! E naturalmente q considero q a relevância jornalística choca, numerosas vezes, com o regular funcionamento da justiça. So what?


De David Fernandes a 12 de Novembro de 2009 às 22:49
Maria João

"Vossa? De quem?"

Qual é a sua dúvida? Precisa de desenhos? Eu faço:

1 - o João Galamba é deputado

2 - se a Maria João vem em sua defesa, sabe-se lá porquê, já faz dois.

Apre! Que já fede a rato esse prurido com o "vós".

Sempre que venho aqui enervo-me; isto é masoquismo, só pode!




De João Galamba a 12 de Novembro de 2009 às 16:47
Caro Nuno,

Tenho alguma dificuldade em ver onde está a incoerência. Que eu saiba só o PS tem sido prejudicado com violações do segredo de justiça. Lendo o seu comentário até parece que as manigâncias do palácio de Belém com jornalistas do Público têm honras de investigação criminal e que, por isso, também deviam estar sob protecção do segredo de justiça. Será que o senhor considera que o Público é um apêndice (para-legal) do Ministério Público?

Cumprimentos,
Joao Galamba


De fernando antolin a 12 de Novembro de 2009 às 16:18
Presumo que perante tais dislates da senhora, o deputado Galamba pediu a palavra para defesa da honra do PM. Nem acredito que ninguém o tenha feito.


De Romeu a 12 de Novembro de 2009 às 19:16
O Portas deve ter ficado lixado com a Manela...

Afinal de contas, que fez ele quando terminou o seu mandato de Ministro da Defesa?


De Ricardo G. Francisco a 12 de Novembro de 2009 às 19:54
Podem-se discutir muitas coisas. Muitos pontos que são importantes. Fica a pergunta. Se JS tiver tido mesmo estas conversas não têm vergonha de serem de um país em que não só o PM o faz, como se comporta como se não fosse nada de mais e em que ainda por cima as pessoas estão "divididas" sobre o assunto.


A política não é futebol. Mas em Portugal parece. É defender o presidente do clube até ao fim. Que vergonha que é ser Português por estas alturas.


- Justiça que não funciona
- Políticos corruptos no poder
- Intelectuais que desculpam os políticos com a Justiça
- Povo que aceita tudo como se fosse normal


PS: Que discussão...deviam ter vergonha...laicos e republicanos...vergonha






De rui david a 13 de Novembro de 2009 às 01:59
digamos que alguém chama um nome feio à estimada Mãe do sr X. Como responde o sr. X? Apresentando uma certidão da junta de freguesia declarando que a senhora sua Mãe é pessoa séria e recatada? e se todos os dias um grupo de rapazinhos da rua do sr. X lhe chamar nomes diferentes à mãe? Lá vai ele a caminho da Junta...
Outra coisa que não percebo nesta história das escutas é que toda a gente já sabe o teor das conversas do vara com o sócrates, fala, escreve, disserta sobre isso nos jornais... não são precisas "certidões", o pessoal sabe tudo. Com esta vertente da descredibilização da justiça ninguém parece preocupado, ninguém acha estranho. fosse outro o protagonista e teriamos um pacheco, ou luminária de igual calibre a dissertar sobre os princípios da democracia liberal e até sobre os direitos que um cidadão tem de mentir ou ocultar informação. Mas neste caso, este pessoal abre excepção, se fosse caso disso, até a consagrada fórmula "you have the right to remain silent..." deixaria de se aplicar. O melhor mesmo será fazer desde já "water boarding" ao sócrates, nisto se acordam o psd/pacheco (como é natural) com a "esquerda radical", que se indigna com as tácticas imperialistas mas não recua perante nada desde que seja no "interesse do povo". Alguém se espanta com Guantanamo?


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