Sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

a propósito disto (e doutras coisas, também), lembrar um texto notável de josé pacheco pereira (in illo tempore, outubro de 2006)

 

 

A verdade é que ainda há muita gente para quem a defesa da privacidade e da intimidade são elementos essenciais da sua dignidade e da dignidade dos outros, muita gente que se respeita a si próprio para gostar de ter e viver no seu espaço de liberdade. Estou a imaginar o encolher de ombros e o sibilino, "devem ter alguma coisa a esconder...", pretendendo-se criminalizar a defesa da privacidade, atribuindo-a sempre um mundo de culpa clandestino. Mas é isso mesmo, têm alguma coisa a esconder para poderem ter liberdade de viver como querem, para serem senhoras da sua vida. São cada vez mais uma minoria em extinção, face aos maus hábitos das gerações antigas habituadas à coscuvilhice e ao boatério e das mais novas que praticam a "aldeia global" com todos os inconvenientes da "aldeia", onde todos se conhecem. As gerações do telemóvel e da Internet anónima crescem sem qualquer respeito pela privacidade e intimidade, como se vivessem num reality show. São eles que não perceberam que, ao aceitar um telemóvel com GPS ou com vídeo, aceitam ser controlados com eficácia. Não querem saber, cresceram assim, ninguém os educou para a reserva de si próprios. Serão excelentes clientes para os psiquiatras, quando tiverem dinheiro para os pagar.

Uma sociedade em que haja um putativo direito de saber tudo e em que ninguém tenha o seu espaço de intimidade e privacidade defendido, mesmo admitindo uma restrição razoável por razões de interesse público, e só por essas, para os detentores de cargos electivos, é uma sociedade totalitária. Nos últimos dias deram-se mais alguns passos para que, na cultura comunicacional dominante em Portugal, a dignidade do indivíduo fique mais frágil, assim como a liberdade de todos.


19 comentários:
De pedro a 13 de Novembro de 2009 às 14:21
Mas qual é o problema? É evidente que esse texto só se destina aos da "seita" do jpp. Esses têm todos os direitos porque são bons. Os que não são da seita, são maus, e por isso não têm direito a coisa nenhuma. É cristalino. Sempre foi assim. A catequista aleivosa e o velho do restelo andaram a pregar a verdade com mentiras, falsas escutas, artigos montados durante meses, mas como são da seita, têm direito. Já o pm se falhar por 1 minuto a alguém que lhe pergunte a hora, é um corrupto. É assim. Sempre foi.


De f. a 14 de Novembro de 2009 às 00:53
percebo o q quer dizer, pedro. mas devia ler o texto todo. vale a pena.


De Luís a 13 de Novembro de 2009 às 14:22
Cara F.


Não lhe parece que dar tanta importância a si prórpia é um tanto desmedido? Há tiques que se pegam e esse é de facto um deles, concedo-lhe isso. Só que há relações íntimas (das mesmas pessoas) bem mais importantes para o futuro do país e que deviam merecer mais atenção num blog como este. Pelo menos de acordo com a humilde opinião deste vosso leitor, é mais importante saber se as pessoas íntimas praticam juntas crimes do que outras coisas.


Cumprimentos


De f. a 13 de Novembro de 2009 às 14:28
as mm pessoas? u lost m there. desculpe, isto é uma novela, mas acho q o luís confundiu o canal.


De pedro a 13 de Novembro de 2009 às 14:47
o luis quer dizer que no caso do pm, qualquer relação que tenha tido desde os bancos do infantário com qualquer arguido - que digo? suspeito - de qualquer coisa, em qualquer momento, em qualquer lugar, deve ser esmiuçado, investigado, tirado do contexto e re-montado, até resultar numa condenação sem necessidade de julgamento do sócrates. Não pode ser assim tão complicado de perceber. 


De Jorge a 13 de Novembro de 2009 às 15:30
Aleluia!! O tema veio à baila por estes lados!! Estava a ver que era como lá na China e não tinham acesso a determinados assuntos...


De f. a 14 de Novembro de 2009 às 00:54
tenho a impressão é q o jorge é q tá na china.


De fernando antolin a 13 de Novembro de 2009 às 15:12
O Pacheco Pereira elogiado aqui !!!!!???? Mesmo se só para mostrar como ele em tempos foi !!!!???? Socoooorrroooo , Palmira Silva !!! Estão possuídos, é a malvada ICAR !!!!


De f. a 14 de Novembro de 2009 às 00:56
então, fernando? não o creio assim tão cabeça no ar. e segue o jugular há tempo suficiente p saber q pacheco pereira foi muitas vezes elogiado por vários dos seus autores. e criticado, tb. é conforme achamos q ele merece. acha mal?


De fernando antolin a 15 de Novembro de 2009 às 13:41
"...Não o creio tão cabeça no ar..." só isto já merecia  um haiku !!  Sim eu sei que vocês gostam do JPP, ás vezes distraem-se um bocadinho, coisa pouca...


De j a 13 de Novembro de 2009 às 15:13
No plano jurídico considero a violação do segredo de justiça uma violação ética inaceitável. Mas a promiscuidade da política com a justiça, e já agora também com as polícias, é um facto e uma prática política… onde as virgens ofendidas são umas putas fartas de foder. Portanto, não traga a dignidade para aqui, porque as virgens, como mais uma vez tão bem sabe escrever Saramago, já nem no Céu existem mesmo que sejam descritas como tendo umas asinhas e saibam voar.

Já no plano político estou a borrifar-me para o segredo de justiça, porque, como tão bem analisa JPP, apesar das suas convenientes, e lúcidas, incoerências, e aqui estamos de acordo…
Após serem públicas certas conversas com relevância política, o que gostava mesmo de saber é quem anda a mentir. Ou a faltar à verdade, o que se tornou um eufemismo muito recorrente quando não se quer chamar directamente mentiroso a alguém.

Por isso votei em branco para as legislativas. Porque me recuso a votar no escuro. E acho que fiz bem. Por isso as virgens ofendidas que vão levar onde melhor lhes apeteça.


De aorta a 13 de Novembro de 2009 às 15:55
o texto é muito bonito, mas não define nem intimidade nem privacidade.


De f. a 14 de Novembro de 2009 às 00:57
ah, mas diz. diz q o q é íntimo é aquilo q cada um assim decide. está aliás mto claro.


De aorta a 14 de Novembro de 2009 às 11:10
não vejo onde. no máximo, e com algum esforço (mesmo muito) , sou capaz de retirar que privacidade (e intimidade) é aquilo que cada um tem a esconder (embora não se perceba de quem);

mas mesmo fazendo de conta que aceito isso como uma definição, devo dizer que não a favorece.

porque se eu quero esconder que ando a comer o meu vizinho de cima, não vou ao cinema nem apareço em público ao lado dele. a menos que eu queira fazer dos outros cegos ou estúpidos, o que tenho a certeza não é o seu caso.

 


De Carlos a 13 de Novembro de 2009 às 17:43
Nixon não diria melhor!


De f. a 14 de Novembro de 2009 às 00:51
nixon? hellloo?


De Sousa Mendes a 13 de Novembro de 2009 às 17:45
Bem prega Frei Tomás!! Faz o que ele diz!!! E, não, o que ele faz!!!!


De Nuno Gaspar a 14 de Novembro de 2009 às 00:40
Algo de estranho se passa aqui.
Na mesma semana, ouvimos cantar vivas a textos de JPP de há 30 anos, de há 3 anos...
  Será que ainda vamos ter elogios ao texto de JPP desta semana da Sábado?
 Não lhe ficava mal, f.


De f. a 14 de Novembro de 2009 às 00:51
nuno, se calhar (tipo nos últimos anos, meses, semanas, dias) tem andado distraído. costumo elogiar aquilo d q gosto e criticar aquilo d q não gosto. estranho seria o contrário -- ou fazer depender o q gosto ou não d tomadas d posição absolutistas sobre pessoas. percebo q haja gente p quem isso é estranho, mas nada posso fazer quanto a isso a não ser lamentar.


De Nuno Gaspar a 14 de Novembro de 2009 às 01:13
"elogiar aquilo d q gosto e criticar aquilo d q não gosto"

Até aqui tudo bem.

Aquilo que já vi escrito nestas páginas sobre JPP é muito mais do que isso. 


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