nunca tinha ouvido falar de enke. leio na blogosfera posts e posts sobre ele, nos jornais textos e textos. era alemão. era um guarda-redes com uma cara patusca. gostava de cães, era o que se chama um defensor dos animais. teve uma filha que morreu. esteve no benfica. matou-se. há teorias sobre o motivo (há sempre). há um bilhete (não sei o que diz e não quero saber). houve um enterro com milhares de pessoas, o caixão coberto de flores num estádio, um rapaz a chorar agarrado à mãe (família? amigo? fã? não sei).
comove-me o espectáculo desta dor (por que será que nos comove quase sempre o espectáculo da dor?) da mesma forma que um dia, jornalista em reportagem na irlanda do norte, chorei no enterro de um membro do ira que nunca vira mais gordo por causa das gaitas de foles na neblina sobre o verde e as cruzes célticas.
somos piegas e gostamos de tragédias (desde que de longe). e tontos por nos espantarmos assim, por nunca termos suspeitado que toda a gente, até os futebolistas, até a gente das capas das revistas, desespera. tanta literatura para isto: incapazes de, a não ser à bruta, perceber o básico.
concordo com a mensagem principal do post, mas não achei muito pertinente o 1º parágrafo. é certo que não o conhecia, mas essa sequência de frases curtas denota uma clara desvalorização da profissão e da pessoa que foi Robert Enke.
Eu fiquei chocado, e não foi porque pensava que os futebolistas são impermeáveis à dor, mas sim porque guardo a sua imagem nas minhas memórias.
Quanto a algumas pessoas, sim, concordo, alimentam-se da tragédia. Que fazer? É o que lhes impingem..
De
f. a 15 de Novembro de 2009 às 22:06
uma clara desvalorização da pessoa e da profissão? nem por sombras. é o resumo do q soube dele desde q percebi q existia -- exactamente quando já não existia.
tive uma interpretação diferente..
De
f. a 15 de Novembro de 2009 às 22:12
bem sei. mas não é o caso.
De nuvens de fumo a 15 de Novembro de 2009 às 22:14
Enke ?
Sim ouvi falar. Matou-se.
Enke nunca passou fome, nem frio, nem falta de bens essenciais.
Tinha problemas ? Talvez sim, talvez não .
Lembrei-me de passagem disto
http://www.bread.org/learn/hunger-basics/hunger-facts-international.html
e disto
one child every five seconds.
E voltei a borrifar-me em quem raios era esse tipo.
Boa viagem ...
De rosa matias a 15 de Novembro de 2009 às 23:28
o que quer isso dizer?O senhor faz "contabilidade do sofrimento"? A dor x é maior que a y?
Sabe o que 1 depressão?porque não informar-se primeiro antes de escrever disparates imorais como esse?!
De nuvens de fumo a 16 de Novembro de 2009 às 09:56
O homem pelo que me obrigaram a ler tinha depressão crónica há seis anos.
É um problema clínico, associado a uma incapacidade de lidar com a perda etc
Francamente , e voltando a ser politicamente insensível, podia contratar os melhores psis etc
Escolhas , tudo são escolhas
Não falo mais deste assunto que me dá seca
De
/me a 16 de Novembro de 2009 às 10:22
Que falta de sensibilidade.
De nuvens de fumo a 16 de Novembro de 2009 às 10:54
De Valter Marques a 15 de Novembro de 2009 às 23:42
Nuvens de Fumo,
acho esta análise muito triste, quando o que está em causa era um Ser Humano!! E pior que passar fome e frio é sem dúvida alguma perder um filho.
Não o quero julgar mas não lhe fica bem essa análise!
De Anónimo a 16 de Novembro de 2009 às 00:00
Logo que não passou fome, nem frio, nem falta de bens essenciais não sofre.
O desespero de um suicida bem nutrido é uma insignificância.
Para legitimar a morte o suicida tem de passar fome, frio sede…
Antes de se matar sofra, flagele-se, vá viver para debaixo da ponte se tiver casa.
De fernando antolin a 16 de Novembro de 2009 às 09:32
Oh cirroestrato: dê uma cabeçada na parede.Doeu ? Óptimo. Agora vá molhar a dita e os pulsos em água fria, para acalmar. Durma um bocado. Você consegue fazer melhor.
De nuvens de fumo a 15 de Novembro de 2009 às 22:17
Em a bola e contra bola da MArmaleira, JPP mostrou os nomes catitas que lhe atribuiram.
É chato , tão chato que nem consegui acabar de ver para poder dizer mal.
De fernando f a 15 de Novembro de 2009 às 23:48
Gosto de futebol o suficiente para ser da Académica e só da Académica. Lembro-me do Enke ter passado pelo Benfica. E lembro-me do Enke por um episódio que marca a sua dimensão humana, recolhia cães abandonados. Ora defender animais abandonados a par da, ou apesar, da selecção Alemã, é obra de homem que cedo entendeu o básico.
De pt a 16 de Novembro de 2009 às 00:44
Nesta história do Enke, o que me tem mesmo impressionado é a fragilidade da nossa vida tal como a concebemos. Isto a propósito da mulher do Enke, que há dois anos tinha marido e filha.
De fernando antolin a 16 de Novembro de 2009 às 09:22
"...chorei no enterro de um membro do ira que nunca vira mais gordo por causa das gaitas de foles na neblina sobre o verde e as cruzes célticas..."
Que coração solidário e sensível, minha cara. Eu confesso que não seria capaz, tal como chorar no funeral de um sujeito da ETA. E confesso que as brumas da verde Erin também me impressionaram deveras ou o mar , o orvalho e o vento nas Aran.Já passou muito tempo.
De
JP Santos a 16 de Novembro de 2009 às 10:06
Sinceramente acho que reduzir a pieguices e um gosto algo voyeurista pela tragédia é não entyender nada do fenómeno e da humanidade que ele encerra. A mim fez-me recordar as palavras do poeta:
“Nenhum homem é uma ilha isolada; cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra; se um torrão é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse a casa dos teus amigos ou a tua própria; a morte de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do género humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti”. Jonh Donne
De nuvens de fumo a 16 de Novembro de 2009 às 09:49
Posso explicar melhor, kero lá saber do Enke e mais os acólitos que seguem a vida de pessoas que nunca conheceram.
é uma pirosada, uma coisa hipócrita e sobretudo laparota.
Mas meus caros, cada um faz o que quer. Eu continuo a não saber quem era o Enke. Escolhas
De fernando antolin a 16 de Novembro de 2009 às 10:53
Cirrocúmulo, deixe lá de ser laparoto. Beba um orange pekoe ou um darjeeling.Respire fundo. Não seja mau feitio.Adeus...
De Cláudia Silva a 16 de Novembro de 2009 às 10:36
Portista ferrenha, gostava do Enke. Mas o que retive deste episódio foi a forma como se lidou com a notícia na Alemanha. Posso estar enganada, mas a sério que não estava à espera. Estamos habituados a, por respeito, não comentar, não comentar muito o facto de ter sido suicído, para não ferir mais a família, lamentar a tragédia, "como foi possível?" (não me refiro à imprensa sensasionalista mas àqueles que tentam manter uma postura digna perante estas situações). No dia seguinte à morte de Robert Enke, a mulher e o psiquiatra estavam a dar uma conferência de imprensa. A falar sobre a sua condição clínica. Presidente da federeção de futebol, políticos, responsáveis religiosos vieram dizer que tínhamos de falar sobre isto. Que o futebol não é tudo. Que Robert Enke não ter querido que a sua condição clínica fosse sabida por recear pela sua carreira e pelas consequências que isso podia ter no processo muito recente de adopção de uma criança é um problema que a sociedade devia enfrentar. Reagiram seriamente como se isto os obrigasse a reverem-se e reinventarem-se como sociedade. Posso estar enganada, talvez cá um acontecimento destes provocasse a mesma reacção, mas senti que alguma coisa nesta reacção "oficial" de um país inteiro era muito especial e nada evidente.
P.S. quanto ao bilhete de despedida, tanto quanto sei, sabe-se apenas que há um bilhete porque a polícia confirmou a existência de um bilhete, e nada mais dada a sua natureza privada. Parece-me mais um exemplo da forma exemplar como o assunto tem sido tratado.
De facto é difícil alguma vez ter ouvido falar de Enke. Quando ele jogava em Portugal os locutores desportivos referiam-se a ele como "Róberênca". Esse era o nome pelo qual ele era conhecido em Portugal.
De Maria a 16 de Novembro de 2009 às 14:33
F.
Se me permite, venho apenas dizer da minha tristeza pelos comentários emitidos pelo "nuvem de fumo". São também um "murro no estômago" tal como o comportamento do jornalista que fez a entrevista a Jardel e que Isabel Moreira publicou hoje no Jugular.
Todos somos ser humanos e tal como diz, os colunáveis e os famosos também sofrem como os "mortais" e infelizmente, NÂO PODEM CHORAR como esses. Se o fizerem são torturados nos jornais e revistas que vivem do que chamam glamour e das tristezas dos "famosos" . O problema é que essa "gentinha" se esqueçe, ou não sabe, que esses que alimentam as revistas e os jornais, SÂO SERES HUMANOS e quye merecemj ser tratados com dignidade. Lamento que haja gente como o "nuvens de fumo".
A F. chorou, eu também já o tenho feito por quem não conheço. Também somos Humanos.
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